Abismo
10 Londres
Notas iniciais
Capítulo 10 – Londres
Quinn chegou a Londres na noite de segunda-feira. Foi diretamente ao apartamento que possuíam na cidade, o qual já estava preparado para ocupar. Chegando ao interior desse olhou para os lados e vislumbrou o local que seria seu lar pelo período em que ficaria naquela cidade. Já estava com saudades de todos, mas teria que ser forte e colocar o lado racional acima disso.
Dirigiu-se a seu quarto para descansar, no dia seguinte organizaria suas coisas e só na quarta daria início àquilo que havia a levado para Londres.
Teve uma noite de sono agitada, diante da expectativa do que lhe aguardava. O dia seguinte passou de forma tranquila enquanto tentava se adaptar a seu novo recanto.
Quarta-feira chegou e dirigiu-se ao escritório de seus advogados. Eles lhe orientariam acerca de todos os procedimentos que seriam tomados.
– Bom dia, meu nome é Quinn Fabray e o Dr. Robert está me esperando. – falou para a secretária que a encarava, ao chegar ao local.
– Pois não, Srta. Fabray, Dr. Robert está lhe esperando. – falou.
Entrou na ampla sala com decoração tipicamente britânica e se dirigiu à mesa onde havia um homem sentado.
– Quinn, bom dia. É um prazer revê-la. – falou levantando e vindo apertar sua mão.
– Bom dia, Robert. Também é um prazer revê-lo, é uma pena que seja nessas circunstâncias. – disse retribuindo o aperto de mão.
– É verdade. E infelizmente pelo dossiê que você me mandou e pelos fatos que foram apurados nas investigações constatamos que a situação é extremamente delicada e estamos agindo no momento certo.
– Descobriram mais alguma coisa? – questionou preocupada.
– Sim, infelizmente os desvios estavam sendo feitos há um tempo bem maior do que achávamos inicialmente e o desfalque é muito maior. Não estamos lidando apenas com uma situação de queda de lucros que causou a demissão de alguns funcionários. Estamos falando de um roubo que está quase causando a falência dos hotéis administrados por Michael.
POV Quinn
Fiquei totalmente estática, sem reação. Falência? Essa hipótese não poderia nem ser ao menos cogitada. Só consegui pedir que ele prosseguisse.
– A situação é quase irreversível, Quinn. Medidas drásticas terão de ser tomadas a fim de que essas filiais não tenham que ser fechadas definitivamente.
Estava por terra. Teria que dar um jeito naquilo. Faria tudo que estava em meu alcance para contornar aquela situação. Tinha que me manter fria, vestir aquela máscara que sempre me acompanhava em situações extremas e que não desvendavam meus sentimentos. Fraqueza não seria uma opção naquele momento.
– Quais as medidas que serão tomadas agora de início. – perguntei, sendo totalmente tomada por minha postura profissional.
– Primeiro vamos ao Departamento de Polícia que está investigando o caso e conversaremos com os detetives encarregados. Eles têm um plano para desmascarar Michael definitivamente e proceder sua prisão.
– Entendo, e quando iremos dar início a esse plano.
– Vamos agora mesmo encontrá-los e eles nos passarão as diretrizes. Enquanto isso é bom que ninguém saiba que você está na cidade. – alertou.
– Não se preocupe, ninguém sabe que estou aqui além minha mãe e Kitty, e alguns amigos mais chegados. Em NY todos acham que estou em uma viagem de férias na Grécia. – tranquilizei-o.
– Ótimo, é melhor assim. O elemento surpresa sempre é bem vindo.
Nos dirigimos até o Departamento de Polícia e fomos encaminhados para uma sala onde dois homens nos esperavam.
– Boa tarde, Srta. Fabray, sou o detetive Smith e esse aqui é meu parceiro, detetive Jackson. Nós estamos encarregados da investigação relativa ao desvio de verbas que as duas filiais de sua rede de hotéis vêm sofrendo. Estamos agindo conjuntamente com a polícia francesa, para que não haja qualquer possibilidade de fuga por parte de Michael. – me informou o detetive.
– Compreendo e desde já gostaria de agradecer os esforços tidos por vocês a fim de solucionar essa questão que é extremamente atípica e desconfortável para nós. – falei em tom de agradecimento aos policiais – Quais as medidas que serão tomadas agora que as investigações chegaram a conclusões que confirmam nossas suspeitas?
– Bom, a princípio poderíamos apenas organizar uma operação para efetuar a prisão de Michael. Todavia, entendemos que se tivermos uma confissão dele seria muito mais eficaz, pois após sua prisão seria mais difícil de conseguirmos que ele falasse a verdade.
– E qual seria o plano? – questionei e em seguida começaram a me passar todas as instruções do que seria feito.
O esquema seria colocado em prática dali a alguns dias, em razão da necessidade de alguns aperfeiçoamentos e preparativos para que tudo desse certo.
Os escritórios dos hotéis na Europa geralmente ficavam no segundo andar dos prédios, a fim de que tudo fosse gerido de perto. Conforme combinado, na segunda-feira seguinte me dirigi ao escritório de Michael no Hotel Fabray localizado em Londres.
Ele chegou despreocupado e entrou em sua sala. Ao me avistar sentada em seu lugar junto a sua mesa se surpreendeu. Tive a leve sensação de ver um certo temor em seu rosto. Logo ele recuperou a compostura e falou:
– Quinn? O que faz aqui? Não sabia que viria.
– Olá, Michael. Resolvi vir para dar uma verificada se tudo anda em ordem, já que faz algum tempo que não vinha.
– Mas você nem me avisou de nada...
– Que eu saiba não preciso de sua autorização para visitar um de meus hotéis na hora em que eu quiser. – falei seca.
– C-claro que não. – gaguejou, se recompondo em seguida – Então, querida, como vão as coisas em NY? Judy e Kitty como estão? – perguntou tentando mudar de assunto.
– Estão bem. – respondi impaciente por vê-lo fugindo e isso me enojou ainda mais – Mas como você já deve ter se dado conta, não foi para conversas triviais que eu vim até aqui.
Percebi que ele ficou levemente pálido e prossegui:
– O que me trouxe aqui é um assunto um tanto sério e delicado.
– E o que seria?
– Michael, estamos com fortes suspeitas de que estamos sendo roubados, que altas quantias estão sendo desviadas das filiais que você administra. – falei sem rodeios.
– Mas como isso? Não estou entendendo... – falou e vi que o sangue se esvaia de seu rosto de vez.
– Não vou fazer rodeios para te falar o que vim dizer, Michael. Eu sei que você está nos roubando! – falei categórica – E também sei que isso não é de agora.
– Mentiraaa, isso é uma calúnia. Quem foi que inventou isso para você, Quinnie? – disse com falsa indignação.
– Não é mentira coisa nenhuma. Eu já vinha a muito tempo desconfiando, mas queria acreditar que era minha imaginação. Até que as demissões começaram e contratei secretamente especialistas para monitorarem seus passos e eles constataram que todas as minhas suspeitas eram verdadeiras. – falei conforme havia combinado com os agentes, a linha de ação era falar como se só eu soubesse dos desvios.
– Então quer dizer que sua mãe e sua irmã não sabem o motivo de você ter vindo até aqui?
– Claro que não. Não queria envolvê-las nessa podridão que você se afundou. – falei com escárnio – Elas acham que vim apenas passar uns dias aqui para descansar. – menti.
– Bom saber! – falou agora com ar de deboche, retirando uma pistola da cintura e mirando em minha direção.
– O que você pensa que está fazendo com essa arma apontada para mim, Michael. – falei com voz temerosa. Sabia que havia policiais a espreita para agirem assim que fosse necessário, mas não conseguia deixar de ter medo.
– Não está óbvio o que estou pensando? – me perguntou enquanto me analisava com olhos doentios que eu nunca havia visto nele.
– Michael, pare com isso. Há quanto tempo você é amigo da nossa família. Você era o melhor amigo do meu pai. Por favor, pense no que você está fazendo. Largue essa arma e vamos conversar.
– Quinn! Quinn! Quinn! Minha garota ingênua. Iludida como seu pai com essa bobagem de amizade. ISSO NÃO EXISTE!!! – vociferou ele visivelmente alterado – Seu pai sempre foi um fraco em acreditar nessa pieguice. Só o que existe são vantagens e oportunidades e eu vi no trouxa do Russel a oportunidade de tirar as devidas vantagens. Há anos venho fazendo desvios da empresa de vocês. E por que estou te falando isso agora? Porque finalmente eu encontrei uma forma de ter tudo que é de vocês para mim. A rede de Hotéis Fabray finalmente será toda minha.
– Pense bem no que vai fazer, Michael. Você acha que não vai ser descoberto? Isso não vai ficar assim. Eu vou te denunciar e você vai direto para uma prisão pelo resto da sua vida. – rebati com raiva, ignorando momentaneamente a arma que havia em minha direção.
– Não vai me denunciar, não. Sabe por quê? Eu vou te matar agora e álibis falsos para a sua morte é que não vão faltar, acidentes sempre podem acontecer ou um assalto frustrado. – falava enquanto me apontava a arma.
Eu estava nervosa, entrando em pânico. Só pensava que não podia morrer agora, ainda tinha que cuidar de minha mãe e de Kitty, ainda queria reencontrar minha morena. Apesar do desespero que tomava conta de mim, tentava transparecer uma calma que não sentia.
– Você acha que não vão investigar caso aconteça algo comigo? Eu sou uma pessoa importante e influente. – tentei argumentar, ganhando tempo.
– Como eu já te disse, Quiiinye, quando se quer um bom álibi sempre se consegue. Não há nada que o dinheiro não possa comprar. – falou engatilhando a arma.
Ao mesmo tempo que uma onda de pânico tomava conta de mim ouvi os policiais entrando na sala.
– Largue a arma e coloque as mãos onde possamos ver! – vociferou o detetive Smitt e relutante Michael largou a pistola no chão colocando as mãos na nuca – Michael Grant você está preso por acusação de roubo, corrupção, extorsão, ameaça, porte ilegal de armas e tentativa de homicídio. Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que você disser poderá e será usado contra você no tribunal. Você tem direito a um advogado, caso não tenha condições de pagar um o Estado o providenciará. – falava enquanto o algemava.
Senti uma onda de alívio naquele momento. Nunca havia sentido um medo como aquele e com certeza não queria voltar a senti-lo nunca mais.
– Obrigado, Srta. Fabray. Sua ajuda foi de suma importância para a efetivação da prisão. – me disse o detetive Jackson – Caso seja necessário entraremos em contato com seu advogado.
– Obrigada, detetive Jackson. Fico grata pela ação tão rápida e eficaz de vocês. – agradeci.
– Então, Quinn, o que você fará agora? – me perguntou Robert que estava parado ao meu lado e eu nem havia notado.
– Agora eu vou ficar aqui em Londres cuidando de tudo até a total recuperação dos hotéis com sede aqui e em Paris. – respondi.
– Você sabe que isso será um coisa bastante demorada, não é? – me questionou.
– Sim, eu sei.
– Nós vamos entrar com um pedido de bloqueio dos bens de Michael a fim de tentar recuperar ao menos uma parte do que fora roubado, mas temo que muitas coisas não estão registradas no nome dele e isso dificultará muito as coisas. Será um processo bastante extenso. – falou ele, me informando dos fatos.
É, as coisas seriam ainda mais difíceis do que achava que seriam. O trabalho de recuperação seria árduo, mas eu tinha que lutar com unhas e dentes para recuperar tudo e readmitir os empregados que haviam sido colocados para a rua.
Ligaria para Kitty e passaria todas as informações do que havia ocorrido e posteriormente daria início à longa jornada que teria pela frente.
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