Abismo

5 O primeiro contato


Notas iniciais
Bom dia.

Capítulo 05 – O primeiro contato

– Vamos, Quinn. Você e Kitty precisam se divertir. Vocês andam muito preocupadas, cheias de trabalho, e isso não faz bem para ninguém. – falou Santana, tentando convencê-la.

– San, você sabe que estamos passando por uma situação difícil na empresa e isto nem teria nos afetado tanto se não tivesse envolvido uma pessoa de quem gostamos e em quem confiávamos. – tentou contornar.

– Eu entendo, mas vocês não podem se afundar junto com o problema, daqui a pouco vocês vão ter um colapso e isso não vai ajudar em nada.

– Isso é verdade, andamos a flor da pele.

– E outra, você só foi em minha boate nova na inauguração, anda muito reclusa. E para piorar ainda vai deixar Britt e eu e ir para Londres sem previsão de retorno, caso as suas suspeitas sejam confirmadas. – Santana dirigiu um olhar tristonho para Quinn, atitude totalmente contrária às que a latina costumava ter.

Santana era dona de uma rede de boates e a mais nova havia sido inaugurada há dois meses atrás. Noche en Caribe era uma boate que tocava músicas latinas e como todas as outras boates de San, esta estava fadada ao sucesso. Santana namorava Brittany há alguns anos, a loira era dona de uma renomada academia de dança e costumava ser contratada para criar as coreografias de famosos. Elas e Quinn eram amigas desde a escola, se consideravam irmãs e tinham um relacionamento inabalável.

A latina era uma pessoa esquentada, de temperamento aparentemente difícil, mas quem a conhecia mais profundamente sabia que por trás daquela máscara que ela punha existia uma pessoa extremamente amiga, confiável e fiel a quem considerava amigo. Seu temperamento era totalmente diferente quando se tratava de lidar com Brittany, era extremamente carinhosa, atenciosa e fazia tudo o que a loirinha queria.

Brittany, por outro lado, tinha uma personalidade totalmente contrária a de Santana. Era extremamente meiga, atenciosa, se apegava fácil às pessoas e fazia o que podia para ajudá-las. Sua doçura fazia com que todos que a conheciam se encantassem com ela. Fazia com que Santana andasse na linha sem ao menos se dar conta disso.

– Eu sei, eu sei, mas eu andava muito ocupada. – Quinn tentou rebater, mas ao perceber que a amiga estava irredutível resolveu ceder – Está bem, eu vou ligar para Kitty e nós vamos hoje à noite, sua chata.

– Você já falou para sua mãe e para Kitty da sua decisão de ir para a Europa caso sejam confirmadas as suspeitas de que Michael realmente está desviando verbas dos hotéis?

– Ainda não. – Quinn falou suspirando – Não vou preocupá-las ainda, até porque minha mãe nem suspeita de nada ainda. Vou deixar para dar a notícia caso tudo seja confirmado, estamos vendo uma equipe para investigar se tudo é verdade.

– Sinceramente estou torcendo para que não seja verdade, não sei se vou conseguir ficar muito tempo longe de minha amiga.

– Meu Deus, o que é isso? Você está bem? – falou Quinn se aproximando de Santana e colocando sua mão na testa da latina – Deve estar com febre, gravemente doente para fazer essas declarações. – falou rindo.

Callate!, loira aguada. – falou brava, mas sem conseguir disfarçar um leve sorriso – Você sabe que sentirei sua falta. Com quem irei implicar caso tenhas que ir? Nós nunca ficamos muito tempo longe...

– Eu sei, San. Se eu tiver que ir também sentirei muito a falta de vocês, mas nos falaremos sempre e eu deixarei Kitty me substituindo. – Quinn esboçou um sorriso.

– Ah, mas a Tampinha com certeza não conseguirá te substituir tão bem. Não será a mesma coisa. Você é insubstituível.

– Deus, Santana, chega de declarações, assim vou te levar direto para o hospital. Você não está bem, não, mulher. – Falou já gargalhando – O que houve com você? A Britt te deu um trato essa noite, foi?

Díos Santissimo! Chega dessa conversa e não coloca a minha Britt Britt no meio! – falou defendendo a namorada — Vou esperar vocês esta noite então, e se não aparecerem eu vou buscá-las onde quer que estejam e levá-las na marra. – disse categórica já se levantando e saindo do apartamento de Quinn sem ao menos dar tchau.

Quinn ficou um pouco pensativa após a saída de Santana, sentiria falta daquela latina marrenta e da doçura de Britt caso realmente tivesse que ir para Londres sem tempo determinado para voltar. Mas tinha obrigações e não podia deixar que a atitude mesquinha de um homem prejudicasse tantas famílias.

Afastou tais pensamentos e pegou o telefone ligando para Kitty.

– Alo, Kittty? Sou eu, Quinn.

Oi, Quinnie. Está tudo bem?

– Sim, tudo. É que a Santana acabou de sair daqui e nos convocou a comparecermos hoje à noite na boate nova dela e caso nos neguemos ela disse que nos buscará onde estivermos. – disse revirando os olhos como se a outra pudesse ver.

Bem coisa da Santana mesmo. – disse Kitty rindo – Tudo bem, vamos sim. Nos encontramos lá, então?

– Pode ser. Lá pelas nove te espero na porta para entrarmos juntas, então.

Ok, nos vemos à noite. Beijo.

– Ok. Beijo. – falou desligando o telefone.

...

O dia passou calmo, apesar de ter que resolver algumas pendências que surgiram de última hora.

Eram sete e meia quando resolveu tomar um banho. Preparou os sais que tanto gostava em sua banheira e entrou para um mergulho reconfortante. Dentro da água morna seu corpo relaxou e acabou adormecendo. Acordou algum tempo depois sentindo o desconforto da água que já estava fria, saiu da banheira e enrolou-se em uma toalha.

Secou seus cabelos vagarosamente e foi escolher uma roupa para colocar, não poderia demorar muito, pois senão acabaria se atrasando. Optou por uma sandália preta de salto agulha, uma calça social também preta e uma camisa de seda branca com alguns detalhes.

Com a roupa escolhida foi até onde suas maquiagens se encontravam e fez um look bem suave, não gostava de nada muito pesado, terminou o procedimento passando um batom e foi se vestir.

Quando já estava pronta se olhou no espelho e aprovou seu visual. Pegou sua bolsa, a chave do carro e saiu para encontrar sua irmã e suas amigas.

Chegou em frente a boate e ainda não eram nove horas, esperou cerca de dez minutos por Kitty, que estava deslumbrante em um vestido verde. Entraram juntas no local e foram procurar por Santana e Brittany, que já haviam passado mensagem avisando que tinham chegado mais cedo e já estavam lá dentro resolvendo algumas coisas.

Ficaram as quatro amigas perto do bar enquanto conversavam e tomavam drinques que não paravam de surgir do nada. Quinn tomou vários, mas nenhum era igual ao outro e todos eram sensacionais. Estava se sentindo mais leve, as preocupações pareciam ter desaparecido, ao menos temporariamente, de sua cabeça.

Já era quase onze horas quando avistou uma morena sentada em uma mesa que ficava mais para um canto da boate. De onde estava via que ela estava acompanhada de dois rapazes que com certeza eram um casal e uma outra garota também de cabelos escuros mas de pele mais clara.

Ficou observando a interação deles por alguns instantes e viu que conversavam e riam e, assim como ela e suas amigas, eles também tomavam uma bebida atrás da outra.

POV Quinn

Tinha saído naquela noite com o intuito de me divertir com minhas amigas, somente isso. Queria me divertir. Beber um pouco e dar um pouco de risada. Estava realmente precisando disso. Não queria ficar com ninguém aquela noite.

Estava olhando distraidamente as pessoas que estavam no local quando a avistei. Sentada com algumas pessoas em uma mesa num canto do bar estava uma morena, ela ria com seus amigos e aquele era o sorriso mais lindo que eu já tinha visto na minha vida.

Ela era simplesmente linda. Naquele momento senti uma coisa dentro de mim que jamais havia sentido antes. Não sabia o que era, só sabia que tinha que me aproximar daquela mulher, conversar com ela de alguma forma.

Meus instintos me diziam para chegar mais perto, mas não queria atrapalhar a conversa dela com seus amigos, que parecia estar animada.

A garota que estava com eles chegou mais perto dela e falou algo em seu ouvido, levantando em seguida e se dirigindo ao banheiro. Não pareciam ter uma relação além da amizade.

Dei uma desculpa qualquer para as meninas e me afastei um pouco delas, ficando perto do bar observando-a discretamente. Umas duas ou três mulheres tentaram puxar conversa comigo, mas tratei de dispensá-las, nem reparei se eram bonitas, só tinha olhos para aquela morena.

Quando começou uma música mais agitada vi que seus amigos levantaram-se e foram para a pista de dança, deixando-a sozinha após ela fazer um sinal de negação com a cabeça, provavelmente se recusando em ir dançar com eles. Vi que aquela seria a única oportunidade que teria de me aproximar dela, peguei dois drinques no bar e me dirigi a sua mesa.

Me aproximei de forma hesitante, com medo da reação dela, com medo que viesse a me repelir. Tomei coragem, terminei de percorrer o curto espaço que ainda nos separava, espantando-me ainda mais com a beleza que possuía, parei em frente a sua mesa, coloquei meu melhor sorriso no rosto e falei:

– Olá! Posso sentar aqui com você e oferecer-lhe uma bebida? – e quando ela me olhou me perdi naqueles olhos castanhos, marrons como chocolate, e esperei ansiosamente que sua resposta fosse positiva.