Abismo
18 Não se preocupe, vai ficar tudo bem.
Notas iniciais
Capítulo 18 – Não se preocupe, vai ficar tudo bem.
Quinn abraçava Rachel e acariciava seus cabelos para tentar acalmá-la. A morena chorava e isso partia seu coração. Também tinha lágrimas nos olhos, mas estava tentando manter a calma para dar um porto seguro a Rachel.
Por mais que tentasse entender não conseguia desvendar como podia sentir tanto amor por alguém em tão pouco tempo. Percebeu que esse amor não era de agora, sentiu-o desde que vira Ben pela primeira vez há tempos atrás, talvez até antes. Seu coração sempre soube... Toda vez que Kitty e os amigos falavam naquela criança sentia um calor no peito, mesmo antes de conhecê-lo.
Via a dor e a preocupação nos olhos de Rachel e queria retirá-las dali. Aqueles doces olhos não mereciam estar transmitindo tanto sofrimento.
– Vai ficar tudo bem. – era tudo que conseguia dizer. Tentando convencer a si mesma.
Quando ficaram mais calmas voltaram para o quarto. Encontraram Ben dormindo e seus amigos preocupados em razão da demora. Entramos abraçadas e aquilo os preocupou ainda mais.
– O que o médico disse? – Britt foi a primeira a se manifestar.
Rachel voltou a chorar, não conseguiria dizer tudo o que o médico falou sem se desestruturar novamente. Aquela cena estava deixando seus amigos ainda mais angustiados e Quinn resolveu falar.
– O médico analisou os exames e constatou que o Ben tem um problema cardíaco.
– Ó meu Deus! – Kurt falou com os olhos arregalados e já começando a chorar.
– No, mi angelito no! Esto no puede estar ocurriendo. No, no, no. – Santana falava desnorteada, sendo amparada por Brittany.
– E o que pode ser feito, Quinn? – Kitty questionou, lívida de preocupação com o afilhado e recém descoberto sobrinho.
– A única solução é uma cirurgia de emergência para que o problema seja corrigido. – disse em palavras simples – Mas ainda vamos ter que aguardar uns dias porque ele está com uma pequena infecção na garganta e a cirurgia não pode ser realizada enquanto permanecer assim.
Todos estavam extremamente abalados. Ben era uma criança encantadora que era muito amada por seus tios. Ninguém conseguia se conformar com aquilo.
Rachel era amparada por Blaine, que a abraçava, sendo acompanhado de perto por Kurt e Marley. Quinn era abraçada por Kitty, enquanto Britt consolava Santana que milagrosamente exteriorizava toda sua agonia.
As horas passaram e todos foram embora, permanecendo apenas Rachel e Quinn no quarto com Ben. A morena havia insistido para a outra ir também, mas esta foi irredutível ao dizer que ficaria mais tranquila se permanecesse ali com eles.
Elas ainda não sabiam como contar para Ben que ele teria que fazer uma cirurgia, estavam aguardando ele acordar para ver como seria a melhor forma.
– Mami, tô com fome. – falou logo ao acordar, com voz de sono.
Rachel se aproximou da cama sendo seguida por Quinn e deu um beijo em seus cabelos.
– Oi bebê. A Mami vai pedir para a enfermeira trazer alguma coisa para você comer, está bem? – o menino concordou com a cabeça – Fique aqui com sua Mamãe que já volto.
Aquela frase de Rachel serviu para colocar um sorriso de felicidade no rosto de Quinn que se aproximou mais da cama, enquanto a outra ia falar com a enfermeira.
– Como está se sentindo, anjinho?
– Estou me sentindo melhor, Mamãe. Eu já posso ir embora. – afirmou e lançou um olhar pidão a Quinn.
– Ainda não vai dar, filho. Vamos esperar sua Mami e a gente conversa contigo, tudo bem? – disse com o coração partido.
Ao retornar ao quarto Rachel viu a carinha tristonha do filho e que seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas não chorava.
– O que houve? – perguntou preocupada.
– Eu quero ir embora, mas a Mamãe disse que eu ainda não po-posso iiirrr. – falou chorando.
– Bebê, não chora, não. – falou abraçando Ben para consolá-lo – É que você tá dodói, meu bem, e só vai poder voltar para casa depois que você melhorar. – tentou explicar.
– Mas e-eu já t-tô me sentindo me-melhor. – falou entre soluços.
– Nós sabemos, anjinho. Mas você ainda precisa tomar uns remedinhos para ficar bem fortão de novo.
– Não vai ser por muito tempo, Ben. E logo você vai poder ir para casa e brincar muito comigo e com a Mamãe.
– Você vai ficar aqui comigo, Mamãe?
– Vou sim. Eu não prometi que não ia mais embora? – falou e Ben concordou com a cabecinha – Então, você vai melhorar e nós vamos brincar muito quando sair daqui.
– Tudo bem. – falou mais calmo.
Não demorou muito e a enfermeira trouxe a refeição de Ben, já era tarde então ele voltou a dormir em seguida.
– Como vamos contar para ele da cirurgia, Quinn?
– Não sei, acho melhor conversarmos com o médico e pedirmos para nos auxiliar, afinal ele tem mais experiência nessa área do que nós.
Nesse momento o telefone de Quinn toca e ela sai para atendê-lo fora do quarto, a fim de não acordar Ben.
– Alô?
– Quinnie, é a Mamãe.
– Oi mãe, estou com saudades.
– Eu também, bebê. A Kitty me ligou e disse que você já está em NY. Isso é verdade?
– Sim, mãe. Cheguei antes para fazer uma surpresa e quem foi surpreendida fui eu...
– Como assim? Ela me disse que você tinha algo para me contar, mas disse que só você podia fazer isso. Está tudo bem?
– Mãe? Vem pra cá, por favor. Estou precisando da senhora aqui. – falou chorando, ao conversar com a mãe não aguentou e desmoronou, dando vasão a toda a preocupação e angústia que lhe assolava.
– Quinn? O que houve, filha? Fala comigo, por favor.
– É o Ben, mãe. Ele está no hospital, vai ter que fazer uma cirurgia cardíaca. – falou chorando ainda mais.
Ao dizer que Ben estava no hospital a mais velha foi tomada pela mesma preocupação que os demais tinham por considerar o menino quase seu neto, mas não entendia porque a filha estava naquele estado se somente havia visto a criança uma vez. Nem Kitty que era madrinha e convivia mais com Ben demonstrou estar nesse estado ao telefone. Ela sequer tinha comentado tal fato com Judy e isso estava lhe causando estranheza.
– Cirurgia cardíaca? Como assim? Quinn, fala comigo. – insistiu mais uma vez – Filha, por que você está assim?
– E-ele é meu filho, Mamãe... – foi só o que conseguiu dizer.
A outra mulher ficou sem reação por alguns instantes, as palavras não lhe vinham, até que reagiu...
– LUCY QUINN FABRAY! Como assim ele é seu filho? Por que você nunca nos disse que tinha um filho? Ainda mais o Ben que sempre conviveu conosco e nós sempre o amamos!!
– Eu só fiquei sabendo hoje e já recebi essa notícia horrível junto. – disse ainda chorando – Mãe, vem pra cá, por favor. Eu tenho que ser forte agora, mas acho que não vou conseguir.
– Vai sim, bebê. Você vai ser forte agora para cuidar e dar apoio para o seu filho e para a Rachel também. Eu estou pegando o primeiro voo para aí. Quero estar com meu neto. Meu Deus, eu tenho um neto.
– Sim, você tem um neto lindo. – Quinn sorriu, entre lágrimas, e não conseguiu disfarçar o orgulho na voz.
– Vou arrumar minha mala e daqui a algumas horas estou aí.
– Obrigada, mãe. Vou pedir para a Kitty te pegar no aeroporto. Não quero sair daqui do hospital.
– Tudo bem, bebê. Daqui a pouco estou aí. Por favor, se alimente e faça a Rachel comer também. Vocês precisam estar fortes nesse momento.
POV Quinn
Falar com minha mãe, mesmo por telefone, havia me fragilizado. Parecia que recém tinha percebido a real situação. Segui o conselho de minha mãe e fui até a lanchonete que havia no hospital para pegar ao menos um sanduíche e um suco para mim e Rachel, só havíamos tomado café durante o dia.
Voltei ao quarto e Rachel estava encolhida no canto do sofá olhando para Ben que dormia tranquilamente.
– Eu não vou aguentar se chegar a perdê-lo. – falou num sussurro quando viu que eu entrava no quarto.
Sentei ao seu lado e passei os braços por seus ombros, fazendo ela se aconchegar mais em mim. Sabia que ela precisava desse contato, porque eu também estava precisando.
– Não fale isso, nunca. Nós não vamos perdê-lo.
Senti lágrimas molharem meu ombro e afaguei seus cabelos.
– Vai ficar tudo bem. Não se preocupe. – tentava consolá-la.
– Eu só tenho ele...
– E vai continuar tendo. Mas você também tem seus amigos, que lhe querem muito bem. E agora tem a mim, também.
– Obrigada, Quinn. É muito importante para mim que você esteja aqui comigo agora.
– Não tem que agradecer nada, Rachel. — ... — Era minha mãe ao telefone.
– Como ela está?
– Eu contei para ela... Ela está vindo para cá.
– Ela não precisava... – Rachel tentou falar, mas a interrompi.
– Eu preciso dela aqui. Preciso que ela me ampare para que eu possa amparar vocês. — confessei.
– Você não precisa estar forte para mim, Quinn, só para o Ben já basta.
– Não! – falei categórica – Você é a mãe do meu filho e eu vou amparar você também.
Ficamos em silêncio mais um tempo, até que ela falou de novo.
– Quinn?
– Hum?
– Eu sei que não é o momento, mas...
Diante de seu silêncio lhe lancei um olhar interrogativo.
– ... desculpe por eu ter fugido naquela noite. Se eu soubesse...
Não deixei que ela terminasse. Aquilo não importava mais.
– Não precisa se desculpar. Não tinha como saber. O que importa é que eu estou aqui agora, com vocês.
– Quinn?
– Sim?
– Obrigada por voltar agora.
– É, eu também agradeço por ter voltado agora...
Ficamos assim, sentadas, eu a abraçando, acabamos pegando no sono com o lanche que trouxe para nós esquecido na mesinha.
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