Abismo
45 Nova rotina
Notas iniciais
Capítulo 45 – Nova rotina
As duas ainda estavam abraçadas quando ouviram uma batida de leve na porta e uma pequena figura entrar timidamente sendo empurrado pela avó. Quinn afastou-se de Rachel e foi até o filho pegando-o no colo e dando-lhe um forte abraço seguido de beijos estalados, que fizeram o menino rir. Vendo a insegurança do menino diante da nova circunstância, levou-o até a cama de Rachel e o deitou aninhado contra a mãe.
– Nós te amamos, filhote. – disse Rachel, apertando-o contra seu corpo.
– Você vai sempre ser o nosso anjinho amado. – completou Quinn.
Diante da declaração das mães o menino sorriu mais tranquilo. Tinha chegado a temer que não fosse mais receber carinho ou ser amado por suas mães depois do nascimento das irmãs. Judy sentou em uma poltrona e ficou olhando aquela cena, que tanto lhe trazia recordações de suas meninas. A mesma insegurança que Quinn tivera quando Kitty nascera.
– Você quer conhecer suas irmãzinhas? – perguntou Quinn estendendo os braços para pegar Ben.
– Quero sim, Mamãe. – disse indo ao colo da mãe, que o levou até os berços.
– Ben, essas são suas irmãs Sophia e Sarah. Meninas, esse meninão lindo aqui é seu irmão Benjamin. – declarou arrancando um sorriso do filho.
– Elas são tão pequenininhas, Mamãe.
– São sim, mas logo estarão bem grandonas e fortes iguais a você. – falou – Elas não são lindas?
– São sim, Mamãe. Eu vou ajudar vocês a cuidar delas. – falou enquanto seus olhinhos brilhavam olhando para as irmãs.
Quinn voltou a colocá-lo na cama com Rachel, que o abraçou e beijou sua cabecinha. Aproveitou o momento e sentou no colo de sua mãe que estava pensativa olhando para a morena e Ben, recebendo um cafuné.
– Que foi, Mãe?
– Nada, Bebê. Estava só pensando e relembrando de quando sua irmã nasceu e você reagiu da mesma forma que o Ben. – falou, passando a mão nos cabelos da filha.
– Sim, eu lembro que fiquei com muito ciúmes da Kitty e achei que vocês não iam mais me amar. – disse rindo.
– Seu pai estaria orgulhoso de você, assim como eu estou. – falou com os olhos cheios de lágrimas.
– Obrigada, Mamãe. Eu sei disso. – concluiu abraçando a mãe e deixando uma lágrima escapar.
– Você formou uma família linda, Quinnie. Realmente sou muito feliz por você ter a Rachel e as crianças. Assim como fico feliz por Kitty ter encontrado a Marley, que também é uma mulher maravilhosa como a sua.
– Tivemos sorte de encontrarmos nossas almas gêmeas assim como você encontrou o papai. – falou carinhosamente e a loira mais velha chorou.
– Sim, com certeza seu pai era minha alma gêmea e nunca mais consegui amar alguém como o amei. Apesar de ele ter sido tirado de nós tão precocemente me sinto completa, por ao menos poder ter tido ele ao meu lado e por termos concebido duas filhas maravilhosas como vocês. – concluiu emocionada.
– Oh, Mamãe. – disse Quinn a abraçando e também dando vasão às lágrimas.
Rachel observava tudo com lágrimas nos olhos. Tinha o filho cochilando aninhado a seu braço. Sua felicidade se resumia àquilo: sua família.
...
Dois dias haviam passado desde o nascimento de Sophia e Sarah e receberiam alta médica naquele dia. Rachel e as bebês já estavam prontas a espera do médico para serem liberadas, acompanhadas de Quinn.
Dr. Marcus entrou no quarto com um sorriso no rosto e após algumas recomendações, inclusive sobre o período de resguardo de Rachel, liberou-as. As enfermeiras vieram se despedir enquanto saíam, haviam se apaixonado pelas meninas e toda hora iam ao quarto paparica-las.
Quinn dirigia com extremo cuidado até chegar em casa, o que não passou despercebido pela morena que achou aquela atitude da loira extremamente protetora. Desceram do carro e cada uma pegou uma das bebês que estavam nas cadeirinhas e entraram. Assim como quando Ben nasceu havia uma pequena comemoração às esperando.
Rachel tinha um sorriso estampado no rosto que só aumentou quando Kurt e Blaine se aproximaram e cada um trazia uma roupinha que dizia “Sou das Mamães”. Ben agarrava-se a suas pernas e a morena passou Sophia para o colo de Kurt e sentou-se para pegar o primogênito no colo, já que não poderia se esforçar em pé.
– Eu estava com saudades, Mami. – falou manhoso.
– Mas você viu a Mami hoje de manhã.
– Estava com saudades de ter você e a Mamãe em casa comigo. – disse abraçando-se a ela.
– Vem cá, meu bebê. – falou abraçando-o de volta – Então se estava com tantas saudades hoje você vai dormir comigo e a Mamãe, ok?
– Obaaa. – festejou beijando a mãe.
Will e Emma chegaram um pouco depois com Meg, vez que haviam ficado presos em um compromisso. A comemoração não se estendeu muito, pois Rachel estava cansada e toda aquela agitação estava deixando as bebês inquietas. Quinn acompanhou a morena até o quarto enquanto Kitty e Marley levavam as sobrinhas. As meninas haviam colocado dois berços no local para acompanharem as filhas durante os primeiros dias.
Rachel amamentou-as sob o olhar curioso de Ben, que ficava encantado cada vez que via a mãe alimentando as irmãs. Quinn havia baixado para se despedir dos amigos e depois já se juntaria a sua família.
– Mami, quando eu era bebê você também me dava leitinho assim? – perguntou curioso.
– Claro, bebê. Você tomava leitinho igual as suas irmãzinhas. – explicou sorrindo para o filho.
– Mas não tinha chocolate como eu gosto?
– Não, meu amor. Não tem como o leite da mamãe sair com chocolate. – a morena riu da inocência do filho – Só tem chocolate o leitinho que você toma na xícara.
A loira entrava no quarto quando o filho começou a fazer tais indagações a Rachel e ficou observando aquilo tudo. Sua família estava completa. Ali estavam sua mulher e seus três filhos. Três filhos... Quem diria que sua vida mudaria tanto em tão pouco tempo. Realmente houve uma reviravolta em tudo, mas ela não se arrependia de nada e não mudaria nada do que viveu neste pouco mais de um ano.
– Oi, amor. Faz muito tempo que você está parada aí? – perguntou Rachel ao ver a loira os olhando.
– Não, estava observando a família linda que eu tenho. – falou boba.
– Mamãe, você está chorando? – falou o menino ao ver lágrimas nos olhos da mãe.
– É de felicidade, anjinho. Felicidade de ter vocês. – disse pegando o filho no colo e afundando o nariz em seu pescoço para aspirar o cheiro.
– Eu já estou ficando com sono. – Ben falou aconchegando a cabeça no pescoço da mãe, como de costume.
– Então vamos lá para você escovar os dentinhos e colocar o pijama e voltamos.
– Vou poder dormir aqui mesmo? – perguntou com os olhos brilhantes.
– Claro. A Mami não disse que podia? – disse olhando para o filho, já se dirigindo ao quarto dele para trocá-lo – Você e suas irmãs dormirão aqui.
– Mamãe, a Sarah e a Sophia são tão bonitas que até se parecem com você e a Mami juntas. – falou enquanto Quinn o sentava na cama para ver o pijama.
– Você acha mesmo? – falou sorrindo para o filho.
– Sim, apesar de elas serem apenas bebês elas são muito bonitas.
Quinn não podia ficar mais boba diante do comentário do filho. Ainda conversando sobre as irmãs ele escovou os dentes e se vestiu, sendo em seguida conduzido pela loira para seu quarto. O menino dormiu abraçado a ela, vez que Rachel teria que amamentar as filhas durante a noite, caso acordassem.
...
As gêmeas vinham mostrando ser muito tranquilas, só choravam quando sentiam fome ou precisavam ser trocadas. Rachel estava de licença pelo nascimento das filhas e Quinn estava se revezando na administração das duas redes hoteleiras com a ajuda de Geórgia e Blaine, que vinha a algum tempo trabalhando na parte contábil dos hotéis da morena.
Quinn ainda ajudava a esposa com os cuidados dos filhos, ficando com as pequenas enquanto Rachel dava atenção a Ben, quando este retornava da creche, ou apenas quando esta ia descansar. Com certeza a rotina das duas havia mudando com as duas bebês em casa, que exigiam muito mais atenção do que Ben necessitara nesta idade, por serem gêmeas. Mas isto não fazia com que suas mães reclamassem sequer uma vez, estavam cansadas, é verdade, porém felizes por terem aqueles três presentes em suas vidas.
Era sábado e a loira não teria que trabalhar. Sarah e Sophia haviam completado um mês e Ben estava entediado de ficar só em casa, vinha insistindo com as mães para que a levassem em um passeio, mas queria que as duas fossem com ele. Como as bebês eram muito pequeninas e ainda precisavam alimentar-se periodicamente combinaram de levá-los ao Central Park para um pic-nic.
O menino não cabia em si de tanto entusiasmo por causa do passeio programado e porque suas irmãzinhas iriam acompanha-los. Quinn organizou o carro com alguns brinquedos e a bicicleta de Ben enquanto Rachel preparava as gêmeas e pedia para a governanta organizar uma cesta com algumas guloseimas.
Ben corria de uma mãe à outra, querendo se certificar que tudo estava em ordem e que realmente o passeio iria sair. Judy observava o neto com um sorriso divertido, pois cada vez que ele passava pela avó a questionava se realmente não queria ir junto no passeio.
– A Vovó não vai dessa vez meu anjo. Vou aproveitar para ir visitar uma amiga minha. – justificou.
Desde o nascimento das netas a loira mais velha havia ficado para auxiliar a filha e a nora com as crianças e estava simplesmente adorando tudo aquilo, mas em breve teria de voltar a Miami para resolver algumas questões que haviam surgido.
Com tudo pronto os cinco partiram em direção ao seu destino, onde se acomodaram na sombra de uma árvore. Sophia e Sarah estavam acomodadas nas respectivas cadeirinhas ao lado de Rachel que olhava a esposa e o filho mais velho brincando. Quinn corria com Ben que gargalhava ao tentar fugir da mãe. A loira estava se mostrando uma mãe excepcional. Brincalhona, rígida quando tinha que ser, mas acima de tudo amorosa e cuidadosa com seus três bebês.
– Mami, me salvaaaa. – disse o menino correndo em direção da mãe e pulando em seu colo.
– Você não escapa de mim, anjinho. – falou fingindo uma postura ameaçadora.
Pulou nos dois e passou a fazer cócegas no filho e na mulher que se contorciam de tanto rir.
– Aahhh, paaaaara, Mamãe. – falou gargalhando.
– Agora você vai sofrer as consequências.- continuou fazendo cócegas.
– Para, Quinn, para. – Rachel ria.
A loira deitou-se do lado dos dois, na toalha que tinham estendido e o filho atirou-se em cima dela dando-lhe um forte abraço e dando beijos em seu rosto. Os dois riam enquanto Rachel pegava uma Sophia que resmungava inquieta querendo mamar. Mãe e filho pararam com a algazarra a fim de observarem bobos a bebê se alimentar. Ben tinha um sorriso no rosto, com certeza seria extremamente protetor com suas irmãs mais novas. Rachel terminou de amamentar Sophia e voltou a acomodá-la em sua cadeirinha portátil.
– Mami, posso andar de bicicleta? – pediu o filho.
– Pode, filho. Só fique onde possamos vê-lo. – recomendou Rachel.
Com aquela resposta o menino saiu alegremente em direção a sua bicicleta. Quinn deitou a cabeça no colo da esposa, que passou a lhe fazer cafuné nos cabelos loiros enquanto olhava para o filho brincando. Rachel mais uma vez refletia sobre o que estava vivendo e seus pensamentos voaram desde o início de tudo até aquele momento e concluiu que por mais absurdas que tivessem sido as cláusulas impostas no testamento de seus pais, no final eles acertaram em cheio e ela conseguira alcançar sua maior riqueza, que nem de perto era o patrimônio que eles deixaram.
Olhou para Quinn ainda deitada em seu colo e esta olhava diretamente para seu rosto. Seus olhos verdes estavam carregados de carinho e amor, assim como os da morena.
– Eu te amo. – sussurrou.
Rachel baixou a cabeça e tomou os lábios da esposa em um beijo terno, cheio de cumplicidade, que demostrava tudo o que sentia. Quinn aprofundou o contato, não conseguindo conter o desejo que sentia por sua mulher, agora quem andava com a libido querendo aflorar era ela, pelo tempo que estavam sem fazer amor. As duas quase esqueceram onde estavam quando foram interrompidas por Ben.
– Mamãe, me compra um sorvete? – falou afobado.
– Claro, anjinho. – falou já levantando – Você também quer um, amor?
– Sim, Quinnie. – falou manhosa, do jeito que excitava a mulher – De chocolate.
Quinn respirou fundo em razão do tesão que lhe tomou conta em função do beijo seguido daquele jeito de Rachel falar e se afastou com o filho antes que ficasse em maus lençóis, deixando uma morena para trás rindo daquela situação.
Mal sabiam elas que ao longe alguém observava atentamente todos os movimentos de sua família.
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