Abismo

57 Luz da minha vida


Notas iniciais
Esse capítulo vai para uma das minhas escritoras favoritas, que fez a gentileza de recomendar a fic com palavras de muito carinho. July Fabray, esse capítulo é para ti. :D Espero que todos gostem.

Capítulo 57 – Luz da minha vida

– V-você está viva? – perguntou com os olhos cheios de lágrima.

Quinn estava sem entender aquela reação da esposa e voltou a acariciar seu rosto. Ao sentir aquele contato Rachel ergueu debilmente a mão tocando a da mulher que tanto amava. Sem mais poder esperar ergueu os braços pedindo por um abraço, onde a loira se jogou sem pensar duas vezes.

– Você está viva... – falou chorando.

– Calma, amor. Não chora. – consolou Quinn, também chorando pela emoção de finalmente ter sua amada a salvo em seus braços – Agora estamos bem. Você está aqui comigo. Voltou para mim, para nossos bebês.

– Mas eles disseram... – voltou a chorar sem conseguir completar o que diria.

– O que eles disseram? – questionou preocupada.

– Disseram que você estava morta. – soluçou.

– Era mentira, Rach. Eu estou bem e agora estou aqui com você.

– Eu sofri tanto achando que tinha te perdido. – disse apertando o abraço tanto quanto conseguia – Não sei se conseguiria viver sem você. Estava me mantendo o mais forte possível por nossos filhos.

– Eu também. Você não tem noção do quanto eu sofri esses dias sem você. Só conseguia me manter forte por causa de nossos filhotes.

– Quinn, com quem as crianças estão? Eles estão bem? – disse nervosa, reiniciando o choro – Eles não podem pegá-los... Eles não podem pegá-los.

– Calma, calma. Ninguém vai pegar nossos filhos. – tentou tranquiliza-la envolvendo ainda mais seu corpo com os braços – Os sequestradores não vão fazer mais mal a ninguém...

– A polícia conseguiu pegá-los? – perguntou ainda trêmula.

– Eles tentaram reagir quando a polícia invadiu a casa e acabaram sendo mortos. – resolveu omitir por hora que Karofsky havia sido morto por motoqueiros misteriosos.

– F-foi o Finn. – fungou, entre lágrimas.

– Eu sei. Ele achou que eu tinha desmaiado lá no estacionamento e falou perto de mim e eu reconheci sua voz. Só assim e pelo Puck ter visto ele é que nós conseguimos te achar.

– Eu ainda estou com tanto medo. Parece que eles já vão entrar por aquela porta e me bater como faziam. – chorou.

– Fica tranquila amor. Nada de mal vai te acontecer agora. Estou aqui com você e não vou sair nunca mais do seu lado.

– Eu te amo tanto, Quinn. – sussurrou fraca.

– Não mais do que eu te amo. – respondeu no mesmo tom – Descansa agora. Eu não vou sair daqui.

– Amor, como estão nossos filhos? – perguntou novamente preocupada. Quinn ainda não havia dito como eles haviam reagido àquela situação.

– Estão bem, não se preocupe, só sentem muito a sua falta. – falou simplesmente — Descanse mais um pouco e amanhã cedinho nós ligamos para eles.

– Estou louca de saudades deles e da nossa família.

– Por falar em nossa família, vou ali dizer para eles que você está bem e que eles podem finalmente ir para casa descansar. Você se imporá de ficar um pouquinho sozinha?

– Pode ir, só não demore. Eu sei que você sempre voltará para mim, mas por enquanto não quero ficar muito tempo longe de você. – declarou ainda emocionada.

Sem mais poder se conter Quinn fechou a distância que havia entre elas e selou seus lábios com carinho, não aprofundaria o beijo em razão dos machucados na boca e rosto de sua esposa.

...

Quinn passou a noite velando o sono da esposa, que havia sido bastante conturbado. Por vezes a morena se debatia e chorava, somente se acalmando quando a loira falava ao seu ouvido que estava tudo bem.

Na manhã seguinte ligaram para os filhos. As gêmeas fizeram festa e Sophia não deixou de perguntar se a mãe ainda às amava. Aquilo emocionou Rachel, que garantiu que o amor que tinha por eles era o maior e mais forte de todo o mundo e que jamais conseguiria deixar de senti-lo. A resposta da mãe pareceu convencer as filhas que logo deixaram o telefone com Ben, que chorava ao ouvir a voz da mãe. Apesar de ainda ser pequeno ele entendia muito bem o que tinha acontecido e por vezes chegou a achar que perderia a mãe. O menino implorou para ver Rachel e ela garantiu que assim que o médico liberasse o levariam para vê-la, o que pareceu tranquilizá-lo.

O resto do dia passou em meio a visitas dos amigos, que vinham separadamente para não prejudicar a recuperação de Rachel. Além dos danos físicos também havia o abalo psicológico por tudo que sofrera, e já havia recebido a visita de uma psicóloga que acompanharia sua recuperação de perto.

Ao longo do dia recebeu a visita do detetive Patrick, a quem prestou seu depoimento inicial sobre os fatos, informando que um dos bandidos havia falado sobre um ‘chefe mor’ que nunca aparecera. Essa informação reforçava ainda mais a suspeita de que a morte de Karofsky havia sido queima de arquivo. Com certeza ele sabia muitas coisas que poderiam incriminar essa pessoa.

Quinn saiu durante a tarde para ir em casa tomar um banho e ver como os filhos estavam, deixando a morena sob os cuidados de Judy. Mais uma vez esta comprovou que era mais que uma sogra para Rachel, fazia o papel da mãe que nunca conhecera.

Kurt a visitou na companhia de Blaine. Desculpou-se várias vezes por tudo que acontecera e a amiga lhe tranquilizou que não era culpa dele, Finn estava visivelmente transtornado e nem parecia a pessoa que um dia eles conheceram. Pelo jeito as coisas só haviam piorado quando a mulher o abandonou e fugiu com outro, levando o filho junto. No fim ela havia feito praticamente o mesmo que ele fizera com Rachel.

No fim da tarde Quinn voltou acompanhada de um ansioso Ben, que ao ver Rachel se surpreendeu com a aparência da mãe, apesar de ter sido prevenido que ela estava assim. Chorando se abraçou a ela sem dizer nada.

– Filho, a Mami está bem. – garantiu Rachel afagando seus cabelos – Não fica assim, filhote.

– V-você está bem mesmo, Mami? – fungou.

– Sim, meu bem. A Mami está bem e esses hematomas logo vão sumir. – garantiu.

– Eu fiquei com tanto medo de te perder, Mami. – chorou.

– Agora tudo acabou. Eu estou bem e logo estaremos todos em casa novamente.

– Eu te amo, Mami.

– Eu também te amo, filhote. – disse estreitando ainda mais o abraço.

Ben ainda ficou um tempo deitado com a mãe, dando-lhe carinho e recebendo em troca. Quando Judy partiu para casa levou-o junto, sob protestos, que cederam quando Quinn garantiu que no dia seguinte ele poderia ver a mãe novamente.

– Você está se sentindo bem? Não está cansada? – perguntou Quinn preocupada, pois muitas pessoas haviam visitado a morena durante o dia.

– Eu estou bem. – disse com um sorriso que iluminou seu rosto – Estou feliz por estar bem e por ter recebido a visita do nosso filhote e de nossa família hoje. Só falta uma coisa...

– O que falta? Está sentindo alguma coisa? Você quer água? Está com fome? – atropelou as palavras preocupada, atirando-se contra a beirada da cama de Rachel que sorriu.

– Estou com fome... – declarou e quando Quinn ia se movimentar para providenciar algo para a esposa comer, ela completou — ... fome do seu beijo.

Quinn sorriu e sem mais delongas aproximou-se mais da cama e levou seu rosto contra o de Rachel, que preencheu a distância entre eles e selou os lábios da esposa. Foi um beijo calmo, cheio de carinho e amor. A loira não quis aprofundar demais aquele contato em função das lesões no rosto e corte na boca de Rachel, que ainda doíam bastante.

Afastou-se lentamente e abriu um sorriso luminoso. Sem sombras de dúvida Rachel era a luz da sua vida, o seu sol, seu mundo. Sem ela tudo era escuridão e sombras.

...

Uma semana se passou desde o resgate de Rachel. A morena finalmente teve alta do hospital e poderia ir para casa. Estava ansiosa para poder sair dali e ficar com seus filhos no aconchego do lar. Ela ficara esse período internada em função dos machucados e da grande desidratação e desnutrição que apresentava ao chegar ao local.

Já no hospital passou a ter acompanhamento psicológico, assim como Quinn e Ben também estavam tendo. As gêmeas foram dispensadas das sessões por não terem sido realmente afetadas. Como eram muito pequenas não tinham entendido o que havia ocorrido, estando livres de traumas. Ben apesar de ter sofrido com a situação, logo também foi dispensado das sessões. Quinn ainda teria que fazer mais algumas e Rachel também, mas ambas apresentavam bastante progresso a cada encontro com a psicóloga.

Por questões de segurança Quinn decidiu contratar um segurança particular para cada uma delas e um para acompanhar as crianças, afinal que executara Karofsky não havia sido encontrado e poderia muito bem ter sido quem ordenou o sequestro. Assim, as duas passaram a contar com um motorista, que na verdade seria seu guarda-costas.

Rachel sacudia as pernas nervosamente enquanto esperava Quinn retornar com os papéis da alta. Brittany, que estava junto dela só conseguira rir da amiga, que não conseguia controlar sua vontade de ir para casa junto dos filhos.

– A Quinn está demorando. – reclamou mais uma vez a morena.

– Calma, R. É meio demorado mesmo. – tentava a loira acalmá-la sem nenhum sucesso.

– Não vejo a hora de estar com meus bebês. Você não tem noção do quanto sinto falta deles.

– Faço ideia, não sei se conseguiria ficar tanto tempo longe do Vini. É impressionante como somos nós quem ficamos dependentes dessas criaturinhas e não eles de nós. Acho que ele ficaria um mês inteiro na casa de vocês, bem feliz, sem nem ao menos sentir nossa falta. – comentou rindo.

– É verdade, sou completamente dependente do meu filhote e das minhas princesinhas. Mas eu tenho certeza que se fosse em outra situação eles também ficariam com vocês por todo esse tempo sem nem se lembrarem de nós. – concordou com Britt esboçando um sorriso.

Não demorou muito para que Quinn adentrasse no quarto acompanhada de um enfermeiro que trazia uma cadeira de rodas. Apesar de Rachel pode andar, este era o procedimento padrão do hospital. Acomodaram-se no carro, com a ajuda do motorista, e partiram em direção de casa.

Ao chegar em casa Rachel deparou-se com uma festa de boas vindas organizada pela família e amigos. Assim que adentrou pela porta todos gritaram ‘Surpresa’ e três crianças afoitas correram em sua direção.

Ben foi o primeiro a lhe alcançar e a enlaçou pela cintura. As gêmeas chegaram logo atrás e cada uma abraçou uma das pernas. Rachel não podia conter a emoção diante de tanto carinho e deixou que as lágrimas escapassem e rolassem pelo rosto.

– Mamiiiiii, que bom que você voltou para casa. – disse Sarah com um sorriso enorme dirigido à mãe.

Rachel se abaixou para ficar na altura dos filho e tomou os três em um terno abraço.

– Eu estava morrendo de saudades de vocês. – disse cheia de carinho na voz e afagando cada um dos filhos.

– Você não vai mais ficar tanto tempo longe e nem no hospital, não é Mami? – perguntou Sophia ainda desconfiada.

– Não, Soph. A Mami não vai mais ficar tanto tempo longe de vocês. – tranquilizou os filhos.

Quando conseguiu se afastar dos pequenos foi recebida com entusiasmo pelos amigos, que não cabiam mais em si de tanta felicidade de tê-la novamente junto a eles. Rachel envolveu Puck num caloroso abraço de agradecimento.

– Nunca vou poder te agradecer o suficiente por ter me devolvido tudo isso. – disse emocionada ao amigo.

– Nós somos uma família, Rach. E família é para isso mesmo. – declarou – Eu amo vocês e faria tudo de novo. Eu teria invadido aquela casa sozinho se Monk não tivesse me segurado na hora da ansiedade. Agradeço a ele que não tenha deixado, porque com certeza as coisas não teriam saído tão bem como saíram.

– Diga ao Patrick que minha promessa ainda está em pé. – disse Quinn, logo atrás da esposa.

– Isso mesmo. – confirmou Rachel – É só eu me recuperar totalmente e nós iremos oferecer um jantar em homenagem ao distrito do Departamento de Polícia em que ele trabalha. Também sou muito grata a ele e seus colegas.

O resto da comemoração transcorreu tranquila, com o mesmo clima que sempre os envolvia quando estavam reunidos. Rachel observava a todos com um sorriso no rosto, principalmente as crianças, que brincavam distraídas com os brinquedos pela sala.

Sua vida finalmente estava bem novamente. Aquele abismo que insistia em se abrir fechou-se mais uma vez.

Notas finais
Gostaram? Finalmente o pesadelo acabou e a Rachel está bem. Obrigada pelo carinho de todos que comentam a história e aos que somente acompanham também. Vocês são todos muito especiais. :*