Abismo
56 Fim do terror
Notas iniciais
Capítulo 56 – Fim do terror
Puck despediu-se de Patrick e saiu da delegacia. Aquele peso do estresse parecia empurrar-lhe para baixo. Precisava descarregar a tensão, olhou o relógio e viu que passava das três da tarde. Ligou para a esposa avisando que iria demorar mais um pouco, tinha que relaxar para poder seguir dando apoio a Quinn.
Passou em casa e pegou seu equipamento de boxe, rumando para a academia que frequentava no subúrbio, em um bairro mais afastado e não muito recomendado. Chegou na academia de boxe perto das quatro e foi direto ao vestiário trocar de roupa.
Já pronto procurou seu treinador, Monk, e passou a fazer a série de treinamentos que estava habituado. Sentia a energia fluindo em seu corpo e sendo renovada. Depois de quase duas horas estava esgotado e com a roupa encharcada. Deu-se por vencido e rumou novamente ao vestiário para tomar um banho e voltar para a casa de Quinn.
Vestiu seu moletom e seu gorro enfiado na cabeça, que costumava usar quando ia ali e já estava na porta quando foi chamado por Monk. Ficaram de conversa mais um tempo e seu técnico comentou que tinha o achado distraído e preocupado naquele dia. Explicou toda a situação que estavam passando e o amigo ofereceu seus préstimos caso fosse necessário.
Puck já ia agradecer quando uma figura magra e alta lhe chamou a atenção do outro lado da rua. Andava rápido e usava boné e óculos escuros, apesar de já ter anoitecido. Achou aquilo suspeito e ficou olhando para o homem, o qual tinha a sensação de conhecer.
Ao chegar na entrada de um beco logo adiante o estranho olhou para os lados e entrou. O moreno enxergou brevemente o rosto do homem e um lampejo veio em sua mente.
– É ele. – falou simplesmente.
Saiu correndo e atravessou a rua, sendo seguido de perto por Monk, que notou a reação de Puck e viu que coisa boa dali não sairia. Olhou discretamente para dentro do beco e viu a figura se afastando na escuridão. Esgueiraram-se para trás de uma caçamba de lixo e observaram o homem chegar em frente a uma casa aparentemente abandonada e mais uma vez olhar para os lados antes de entrar.
Puck fez menção de ir atrás do homem, mas Monk prudentemente segurou seu braço, fazendo-o parar.
– Não sei o que está acontecendo aqui, mas é melhor você não ir atrás dele. – sussurrou Monk.
– Mas a Rachel pode estar lá. Tenho certeza que aquele era o Finn Hudson. – declarou e o homem arregalou os olhos.
– Então ligue para o Patrick, ele virá com reforços. – falou simplesmente.
Fora justamente na academia de Monk que Puck havia conhecido Patrick e eles haviam se tornado amigos. Agora, mais do que nunca, sabia que poderia contar com ele. Pegou o telefone e discou o número de Patrick que imediatamente atendeu.
– Patrick, é o Puck. Eu acho que encontrei o local que Rachel está.
– Como assim, Puck?
– Não tenho tempo de explicar agora, mas eu estava saindo da academia de Monk e vi o Hudson entrando em um beco aqui perto.
– Ok, não precisa nem dizer mais nada. Estamos indo para aí.
Desligou o telefone e encarou Monk, esperaria ali com ele. Não daria sequer um passo em falso. Não podia colocar a vida de Rachel em perigo. Resolveu que só avisaria a família quando tudo estivesse confirmado, não lhes daria falsas esperanças.
Esperavam a cerca de quinze minutos e já estava ficando agoniado com a demora, quando ouviu sirenes ao longe, que logo cessaram. Viu o carro de Patrick se aproximar em alta velocidade, seguido de mais umas três viaturas.
Pararam em frente a saída do beco, bloqueando qualquer tentativa de fuga, vez que o local era sem saída. Desceram dos carros já com as armas em punho e se posicionaram para invadir primeiramente o beco e depois a casa que Puck indicara.
Em seguida chegaram mais dois carros de polícia e um camburão. Puck e Monk ficaram atrás dos carros, para protegerem-se caso ocorresse troca de tiros. O moreno não cabia em si de ansiedade e por um resquício de consciência não foi atrás do amigo.
...
Patrick se esgueirava sorrateiramente pelo beco. Aproximou-se da casa não muito grande indicada por Puck e observou o local. Facilmente passaria por uma casa abandonada, não fosse a fraca luz que escapava lá dentro por uma fresta nas tábuas.
Tudo estava em silêncio. Quem quer que estivesse lá dentro era bastante discreto e não queria chamar atenção. Seus homens se posicionaram para a invasão. Havia policiais espalhados em torno da casa e em cima dos prédios em volta, inclusive atiradores de elite.
Sem mais delongas deu um chute na porta, arrombando-a. O primeiro cômodo era uma sala, onde havia uma televisão ligada e dois dos bandidos assistiam a um jogo. Foram surpreendidos pelo barulho e no susto não tiveram tempo de pegar as armas que estavam na mesinha a frente do sofá.
O terceiro homem saiu com a arma em punho de uma peça que parecia ser o banheiro. Mirou em direção a um dos policiais, mas não teve tempo de atirar, foi acertado em cheio com um tiro na cabeça.
Os policiais renderam os dois homens que estavam no sofá e constataram tratar-se de Finn e Karofsky. Patrick puxou o mais magro pelo colarinho e o encarou com raiva.
– Onde está a Rachel? – exigiu.
Só o que recebeu em troca foi um sorriso de escárnio e uma cuspida no rosto, que revidou com um soco no olho de Finn, que só fez rir mais. Ele estava visivelmente descontrolado e num impulso se jogou em direção a mesa de centro e pegou uma das armas, mirando direto para Patrick, que não pensou duas vezes e atirou em Hudson, atingindo-o bem no peito.
Vendo que estava vencido Karofsky ficou de joelhos e colocou as mãos na cabeça, rendendo-se enquanto podia.
...
Ao ouvir os tiros o resto de sanidade que Puck possuía deixou seu corpo e partiu em disparada em direção a casa. Foi interceptado por um dos policiais que estava na porta, que segurou-o antes de entrar correndo no local.
– Me deixe entrar. – gritou.
– Senhor, não posso deixá-lo passar daqui. O senhor nem deveria estar aqui. – anunciou o policial.
Ouvindo o grito de Puck, Patrick foi até a porta e liberou sua passagem. Ele ia tentar arrancar de Karofsky onde Rachel estava. O moreno olhou para o lado e viu o corpo de Finn caído ao lado de uma mesinha e não conseguiu refrear o pensamento de que ele merecera aquilo. Mais adiante, quase em um corredor, havia outro corpo caído. Com certeza do outro sequestrador.
– Onde está Rachel? – perguntou Patrick ameaçadoramente a Karofsky.
– Está no porão. – falou simplesmente.
Patrick se dirigiu ao local seguido por mais dois policiais e Puck, que os acompanhava de perto. Desceram um lance de escadas e depararam-se com uma porta trancada a cadeado, que o detetive tratou de arrombar com um pontapé.
O local era escuro e mal cheiroso. Um dos policiais iluminou o cômodo e parou em um amontoado em um dos cantos. Aproximaram-se lentamente e depararam-se com a morena inconsciente e muito machucada.
Sem pensar duas vezes Puck tomou-a nos braços e saiu porta fora com ela, em direção à ambulância que aguardava na rua principal. O rosto de Rachel estava com muitos hematomas e havia um corte em seu lábio. Pelo estado em que ela estava poderiam haver outros machucados.
A colocaram na maca e imediatamente o médico passou a examiná-la, enquanto o enfermeiro empurrava a cama para dentro da ambulância. O veículo partiu em alta velocidade e Puck só conseguiu ficar olhando-a partir, tomado por um torpor. Aquele inferno havia acabado.
Patrick vinha loco atrás, trazendo Karofsky algemado para colocá-lo no camburão. Ele iria direto para a delegacia e seria interrogado até contar toda a verdade. O porquê de Finn ter sequestrado Rachel.
Mal chegaram à saída do beco com o prisioneiro e uma motocicleta preta com dois ocupantes aproximou-se em alta velocidade. O passageiro de trás tirou uma arma de dentro da jaqueta e com um único disparo abateu Karofsky, que caiu desfalecido no chão com um tiro na testa.
Quando os policiais pensaram em reagir a motocicleta já tinha virado a esquina e sumido de vista. Algumas viaturas ainda foram enviadas atrás dela, mas logo veio a notícia que não haviam a encontrado.
Finda aquela confusão, o moreno finalmente lembrou-se de dar a notícia ao resto da família e sem pensar duas vezes discou o número do celular de Quinn, iria dar a notícia direto a ela. A loira merecia isso depois do susto que tivera anteriormente.
– Alô! – falou uma voz abatida do outro lado da linha.
– Quinnie, é o Puck. Nós a encontramos, loira. Encontramos a Rach. – falou de uma vez só.
A única coisa que ouviu do outro lado foi um choro descontrolado e em seguida ouviu a voz de Santana.
– Quem é? O que houve?
– San, é o Puck. Nós encontramos a Rach.
– Madre de Díos, Puck. – gritou e logo ele ouviu-a falando aos demais que deveriam estar perto – Encontraram a nossa Rachel.
– Eu estou indo para o hospital agora. Encontro vocês lá.
Após informar para qual hospital Rachel havia sido levada, Puck despediu-se dos policiais, agradecendo a Patrick pela dedicação ao caso, e partiu ao encontro da amiga.
...
Quinn não conseguia acreditar no que ouvira. Era bom demais para ser verdade. Assim que ouviu Puck falando que haviam encontrado Rachel desabou num choro compulsivo. Era alívio misturado com preocupação de como estaria sua mulher, seu amor.
Sua mãe a acalentava nos braços inicialmente sem entender, mas depois que Santana anunciara que Rachel havia sido encontrada, também se permitiu chorar de felicidade.
Sem mais se conter, Quinn saiu porta a fora chamando o motorista para levá-la ao hospital. Judy, Kitty e Marley corriam logo atrás para acompanha-la. Os demais ficaram organizando as crianças com as babás e logo seguiriam atrás. Ben estava ansioso para ver sua mãe, mas como era apenas uma criança não permitiram que ele as acompanhasse, e sob protestos ficou em casa com as irmãs.
A recepção do hospital estava movimentada, mas Quinn mal enxergou as pessoas que a rodeavam, correndo direto para a funcionária que estava em um balcão.
– Por favor, minha esposa deu entrada aqui. Eu gostaria de saber onde ela está.
– Qual é o nome dela?
– Rachel Berry-Fabray.
– A sim, a Sra. Berry-Fabray está sendo examinada pelo médico e logo será encaminhada para o quarto. Você pode aguardar na sala de espera, acho que já há um familiar de vocês ali aguardando.
Agradeceu à mulher e se dirigiu ao local indicado, onde encontraram Puck. Quinn correu e abraçou o amigo. Não tinha como agradecer tudo que ele fizera por elas.
– Obrigada, Puck.
– Não tem o que agradecer. Eu sei que vocês fariam o mesmo por mim.
– Como ela estava quando você a viu? – perguntou preocupada.
– Não vou te mentir, Quinnie. Ela estava péssima. – viu a cara de dor que a loira fez, mas decidiu prosseguir, não tinha como evitar a verdade agora – Ela estava com o rosto bastante machucado e inconsciente quando a encontramos. O médico não deu nenhuma notícia até agora.
– Ó meu Deus, será que ela está bem? – murmurou sofregamente contra o peito do amigo.
– Tenho certeza que ela ficará bem.
Aquela espera não terminava nunca. Quinn estava bastante impaciente e frequentemente interpelava as enfermeiras que saíam pela porta que dava acesso à sala onde Rachel estava sendo atendida.
Já fazia cerca de uma hora e meia que estavam naquela situação, sem saber nada. Todos já haviam chegado e tentavam acalmá-la, apesar de também estarem ansiosos. Quando Quinn ia novamente se dirigir a recepcionista viu o médico vindo em sua direção.
– Senhora Berry-Fabray? – perguntou olhando para Quinn.
– Sou eu.
– Sua esposa já está sendo encaminhada para o quarto. – informou.
– Como ela está, doutor?
– Ela está com alguns hematomas no rosto, costelas e pernas, e um pequeno corte na boca. Mas o que mais nos preocupou era o estado de desidratação que ela se encontrava. Nós demoramos no atendimento em razão disso. Tivemos que ministrar pequenas doses de soro e água para que seu corpo se adaptasse lentamente e não entrasse em colapso.
– Mas ela vai ficar bem? – questionou ainda preocupada.
– Vai sim. Só precisamos ficar com ela aqui por uns dois ou três dias, em observação, e depois ela já terá alta e poderá se recuperar em casa.
– E quando eu posso vê-la? – estava ansiosa para ver pessoalmente se sua mulher estava bem.
– Recomendo que por hora só uma pessoa entre no quarto por vez, até mesmo pelo trauma que ela passou. – falou – Ela já deve estar no quarto e a senhora poderá ficar lá com ela. Provavelmente ainda esteja inconsciente em razão dos medicamentos que ministramos.
– Obrigada, doutor. – agradeceu Quinn.
Sem mais poder esperar Quinn se dirigiu ao quarto onde Rachel estava instalada. Ao chegar à porta parou e respirou fundo a fim de se preparar para o que viria a enfrentar. Abriu a porta lentamente e entrou. Fixou seu olhar na pequena figura em cima da cama. Ela parecia tão frágil...
Aproximou-se e vislumbrou seu rosto bastante machucado. No mesmo instante seus olhos encheram-se de lágrimas e se permitiu chorar. Mesmo com toda aquela raiva que tinha por aqueles homens que haviam feito mal a sua Rachel, sentiu um alívio tomar conta de seu corpo. Sua amada finalmente estava ali com ela novamente. Acariciou seus cabelos e face com carinho, ainda com o rosto tomado em lágrimas.
Com aquele toque a morena abriu levemente os olhos e se deparou com o rosto que tanto amava banhado em lágrimas. Primeiro ficou surpresa ao ver Quinn, mas depois esboçou um leve sorriso.
– Você é um anjo? – murmurou fraca.
– Não, meu amor. Sou eu... Quinn. – disse preocupada que a esposa tivesse sofrido alguma lesão que a fizesse perder a memória.
– Quinnie? Então eu morri? – sussurrou.
– Não, Rach. Você não morreu. Você voltou para junto de mim...
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