Abismo

53 Dias de terror - parte 1


Notas iniciais
E aí, gente? Como passaram o findi? Gostaria de dedicar esse capítulo para a Charlie Agron que gentilmente recomendou a história. Obrigada pelo carinho. :D Espero que gostem.

Capítulo 53 – Dias de terror – parte 1

Quinn sentiu uma dor dilacerante na cabeça e a claridade feriu seus olhos claros ao abri-los. Tentou virar para o lado, mas sentiu novamente aquela dor e gemeu. Logo em seguida sentiu uma mão envolvendo a sua e momentaneamente achou que poderia ser Rachel, mas lembranças do ocorrido bombardearam sua mente e tentou se sentar, mas caiu novamente para trás.

– Calma, Quinnie. – ouviu a voz de sua mãe e a vislumbrou com o rosto tomado pela preocupação – Vou chamar a enfermeira. Fique tranquila.

– Cadê a Rachel, mãe? Cadê a minha mulher? – falou com desespero.

Vendo o descontrole da filha Judy apertou o botão para chamar a enfermeira que logo entrou no quarto e ministrou um calmante no soro de Quinn, para tranquiliza-la. A loira voltou a apagar por mais um tempo e quando acordou conseguiu mover a cabeça ainda dolorida e enxergou a mãe sentada em uma poltrona com Kitty e Kurt do seu lado.

– Onde eu estou? Cadê a Rachel? – perguntou quase sem forças.

– Filha, você tem que ser forte agora. – Judy dizia tentando tranquiliza-la – Você tem que ser forte pelos seus filhos.

– Cadê a Rachel, mãe? Onde está a minha Rach? – questionava nervosa, com os olhos tomados pelas lágrimas.

– Amor, se acalme. Alguém levou a Rachel, nós ainda não sabemos quem foi, mas a polícia está investigando. – falou Judy por fim.

Diante daquela declaração Quinn não conseguiu se segurar e caiu em um pranto doloroso, agarrada a Judy. Kitty e Kurt continuavam do lado da cama desolados com aquela situação. Ninguém sabia como agir naquela hora. Todos estavam sofrendo com o desaparecimento de Rachel, mas era óbvio que quem mais sofria era Quinn.

– Eu não posso perde-la, mãe. Eu não posso perde-la.

Quinn passou a rememorar tudo o que ocorrera até serem abordadas por aqueles homens mascarados e reviveu todo aquele terror novamente. Em um flash enxergou novamente aqueles vultos e os gritos de Rachel até que fizeram-na desmaiar. Arregalou os olhos e se afastou bruscamente da mãe, assustando a todos, quando lembrou das últimas palavras que ouviu antes de desmaiar. Seu rosto ficou lívido de medo e falou:

– Foi aquele desgraçado. – balbuciou.

– Quem, Quinn? Quem fez isso com vocês? – perguntou Kitty quase em desespero.

...

Rachel sentia sua cabeça girar. Abriu os olhos, mas só enxergou escuridão. Lampejos do que aconteceu iam e vinham de sua cabeça. Lembrou-se de Quinn caída no chão e um desespero tomou conta de seu corpo. Precisava saber se sua esposa estava bem.

Tentou se mover, mas só então percebeu que estava com as mãos e os pés amarrados. Tentou pedir socorro, mas sua boca estava coberta por uma fita isolante. O medo se apossou de seu ser e sentiu os olhos arderem. Onde ela estava? Quem havia feito aquilo? E o mais importante: onde estava Quinn?

Uma luz irrompeu o local onde estava e conseguiu vislumbrar a silhueta de um homem grandalhão encapuzado vindo em sua direção, ligando um lanterna em direção a seu rosto. Seus olhos doíam, acostumando-se com aquela claridade repentina colocada em seu rosto.

– Vejo que acordou, Berry? – disse em tom de deboche.

Não reconheceu aquela voz, mas sentiu ainda mais medo frente aquela figura ameaçadora.

– Até que você é uma belezinha, mesmo, bem como me disseram. – falou passando a mão pelo rosto de Rachel.

Diante daquele movimento a morena desviou o rosto institivamente.

– Hummm, é arisca. Assim que eu gosto. – falou lascivamente.

– Deixa ela Karofsky, o chefe não vai gostar de saber que você está tratando a garota bem. – ouviu outra voz masculina desconhecida, com um toque de crueldade. Só conseguiu ver que também era um homem corpulento, um pouco mais alto que o tal Karofsky.

– Tem razão, Azimio. Não é dessa forma que devemos trata-la. – dizendo isso Karofsky se virou para Rachel e desferiu uma bofetada em seu rosto, deixando-a mais uma vez desacordada.

...

Quinn estava um pouco mais calma em razão de um leve medicamento que o médico havia ministrado, quando Puck adentrou ao quarto sem ao menos bater acompanhado de um homem que trazia um distintivo preso ao cinto. O rosto do moreno era de pura preocupação, assim como os demais.

– Quinnie, você está bem? – perguntou ansioso.

– Estou, Puck. – disse simplesmente.

– Esse aqui é o detetive Patrick. Ele é meu amigo e está encarregado do caso do sequestro da Rachel. – informou.

– Senhora Fabray, eu gostaria de saber se a senhora tem condições de responder a algumas perguntas? – questionou o detetive.

– Berry-Fabray. Este é meu sobrenome. – disse com os olhos lacrimosos.

– Desculpe-me, senhora Berry-Fabray. Posso lhe chamar de Quinn?

– Claro.

– Então... Quinn... do que você lembra exatamente?

– Eu e Rachel fomos ao shopping assistir a um filme que ela queria e depois fomos jantar. Quando chegamos ao estacionamento vimos que um pneu do carro estava furado e decidimos que nós mesmas trocaríamos. Quando dei a volta vi que havia um segundo pneu avariado e isso nos causou estranheza. Optamos ligar para o nosso motorista ir nos buscar e peguei o telefone. Foi nesse momento que ouvimos pneus cantando e um furgão preto surgiu em nossa frente, parando e saltando de dentro três homens encapuzados. – trazer aquelas lembranças à tona era extremamente doloroso, então a loira voltou a chorar copiosamente – Um deles era o motorista, que deixou o motor ligado ao descer e tinha uma arma na mão. Dois deles seguraram a Rachel e quando fui em direção a eles alguma coisa me acertou a cabeça e eu caí. Minha visão ficou turva e eu estava me segurando para não desmaiar.

Parou de falar por instantes, tomada pelo choro. Achava que não teria forças para continuar relembrando, mas deu-se conta que era a vida de seu amor que estava em perigo e tinha que fazer qualquer coisa para salvá-la.

– E-eu ouvia a Rachel gritando por mim e vi quando um deles colocou algo contra o seu rosto que a fez desmaiar. Jogaram ela dentro do furgão e eu já não conseguia mais me segurar, tudo estava escurecendo e eu tinha fechado os olhos quando o terceiro homem se aproximou de mim, acho que ele pensou que eu tinha desmaiado. Mas eu ouvi muito bem o que ele disse e reconheci sua voz.

– O que ele disse? – perguntou o detetive – Quem era ele?

– Ele falou que tinha dito que as coisas não iam ficar assim... – soluçou relembrando.

– Quem era ele, Quinn?

– Foi o Hudson. – falou finalmente – Foi o Finn Hudson.

...

Rachel acordou mais uma vez e sentiu todo o lado esquerdo de seu rosto doendo, em razão da bofetada que tinha levado de Karofsky. Havia perdido a noção de tempo, não sabia desde quando estava ali. Ainda permanecia amarrada a cadeira e seu corpo doía, mas agora não tinha mais a fita sobre a boca.

Todo seu corpo tremia em razão do pânico que a assolava. Rezava para que sua Quinn estivesse bem. Só lembrava da esposa caída e do sangue que escorria de sua cabeça pelo corte ocasionado pela coronhada. Não suportaria que alguma coisa acontecesse a ela. Pensava nos filhos e em sua família, no que eles deveriam estar pensando por sua ausência. Será que Quinn também estava presa ali? Tinha que descobrir.

Em um ato de desespero começou a gritar por socorro, mas pelo jeito ninguém lhe ouviria. Seguiu suplicando por ajuda até que o cômodo foi novamente preenchido pela claridade que vinha de fora e mais uma vez seus olhos arderam com a luz ofuscante que lhe lançaram.

– Cale a boca, senão vou amordaça-la de novo. – falou o homem que fora chamado de Azimio.

– Onde está a Quinn? – perguntou.

– Não te interessa. – falou com prazer de vê-la sofrendo.

– Por favor. Só me diga se ela está bem? – suplicou semicerrando os olhos para tentar enxerga-lo melhor, sem sucesso.

– Sua mulherzinha nojenta morreu, assim como você também vai. – anunciou rindo do choro que tomou conta da morena – Mas você ainda vai ter que esperar mais uns dias, pois o chefe mor quer dar cabo pessoalmente de você.

Uma dor como nunca sentira antes tomou conta de Rachel, já não se importava em morrer. Havia perdido Quinn, sua mulher, o amor de sua vida. Queria acabar logo com aquele sofrimento e ia suplicar para que o homem a matasse quando se lembrou dos filhos. Não podia desistir da vida assim. Ainda havia seus tesouros para cuidar. Seus e de Quinn, seu maior legado. Não podia abandoná-los agora que mais precisariam dela. Eles já haviam perdido uma de suas mães e Rachel lutaria até o fim para não perderem a outra. Voltaria para seus filhotes.

...

Já fazia mais de 24 horas que Quinn havia chegado ao hospital desacordada e com um profundo corte na cabeça causado provavelmente por uma coronhada. Levou alguns pontos no local e permaneceu algum tempo sedada. Ao acordar ficou um período em observação a fim de ser verificado se não havia ocorrido danos mais graves.

A loira estava desesperada para ir para sua casa e ver como os filhos estavam. Sua mãe garantiu que estavam bem, mas tinha que se certificar com os próprios olhos. Tinha que cuidar bem deles até Rachel voltar, não podia ser negligente agora.

Judy e os demais disseram às crianças que Rachel tinha ido viajar e que Quinn havia sofrido uma queda e estava no hospital levando uns pontos. Tinha que inventar alguma desculpa para ela surgir com aquele machucado e pela ausência da outra mãe. Foi o que surgiu no momento e acabou sendo bem aceito pelas crianças, apesar dela notar que Ben não havia ficado cem por cento convencido. Ele era um garoto extremamente experto para a idade e já havia percebido o comportamento estranho e a preocupação de todos, além da movimentação de pessoas desconhecidas por sua casa.

– Tia San, a Mamãe vai demorar para vir para casa? – perguntou à Santana que por um momento ficou apenas o observando.

– Não, mi angelito. – falou saindo do transe – Daqui a pouco ela já estará aqui. O médico já deu alta para ela e estão trazendo-a para casa.

Terminando de dizer aquilo Quinn entrou pela porta, seguida por Judy e Puck. Ao ver o filho correu ao seu encontro e tomou-o nos braços, tentando a todo custo não chorar.

– Mamãe, você está bem? – perguntou Ben com o rosto no pescoço da mãe, sempre se sentira reconfortado naquela posição.

– Sim, anjinho. A Mamãe está bem, foi só um susto e um corte na cabeça. – explicou, afagando seus cabelos, apertando ainda mais o abraço.

– Mamãe, eu quero falar com a Mami. – pediu – Podemos ligar para ela?

Diante daquele pedido Quinn não conseguiu segurar as lágrimas e deixou que elas escorressem por seu rosto.

– Anjinho, onde a Mami está não tem telefone, mas ela disse que assim que conseguir ela liga. – mentiu para o filho com o coração partido.

O menino fez que havia se convencido com aquela explicação, mas sentia que alguma coisa muito errada estava acontecendo.

– E suas irmãs onde estão? – perguntou enxugando as lágrimas.

– Estão no quarto delas brincando com o Vini e a Rebeca. A tia Marley e a tia Kitty também estão lá com a Chrystal e o Tom.

– Então vamos lá que a Mamãe também está morrendo de saudades delas.

Subiu as escadas de mão com o filho. Tudo naquela casa lembrava-lhe Rachel, era extremamente doloroso e estava se segurando para não ter mais um acesso de choro. Parou à porta do quarto das filhas e ficou observando as duas loirinhas brincarem com as duas outras crianças. Sarah virou-se na direção onde estava e abriu um sorriso, o mesmo de sua morena, e aquilo doeu em seu peito.

– Mamãeeee. – as duas correram em sua direção e se atiraram em seus braços.

– Estávamos com saudades de você. – disse Sophia, apertando-se mais contra a mãe.

– A Mami não veio com você? – perguntou Sarah com olhinhos indagadores.

– Não, filha. A Mami teve que viajar, mas logo ela voltará. – mentiu com o coração destroçado, mas as filhas aceitaram aquela explicação sem maiores delongas.

Ficou mais um tempo abraçada aos filhos, até que as meninas voltaram a brincar com Rebeca e Vini, e Ben foi jogar vídeo game com Tom. Quinn ficou observando-os, mas aquela dor que tinha no peito não sumia, faltava algo. Definitivamente um abismo havia se aberto sob seu mundo.

Notas finais
E aí, o que acharam? Muito tenso? Não me matem ainda, por favor... Boa semana para todos. :*