Abismo
14 Conhecendo Ben
Notas iniciais
Capítulo 14 – Conhecendo Ben
Um ano e meio havia se passado e Rachel finalmente havia concluído seu curso com méritos. Todos ficaram muito contentes por ela e suas funções cresciam dentro da rede dos Hotéis Fabray. Durante o tempo da faculdade se dedicara muito a cumprir suas funções no emprego, a faculdade e as obrigações com seu filho.
Chegou a namorar um colega da faculdade por um mês e meio, mas este sumiu sem dar maiores explicações, somente dizendo que precisava de um tempo. Rachel não insistiu e tampouco se abalou com isso, afinal não gostava tanto dele assim e um relacionamento amoroso não era realmente sua prioridade.
Estava com uma viagem de negócios marcada a fim de supervisionar a filial que ficava em Ohio, onde permaneceria por uma semana. Seu coração estava na mão, pois não poderia levar seu filho e nunca havia ficado tanto tempo longe dele. Ben estava com dois anos e meio e se mostrava uma criança cada vez mais inteligente e cativante. Era a luz da vida de Rachel.
Nos dias em que permanecesse fora, Ben ficaria com Marley e Kitty que haviam vencido uma disputa com Kurt e Blaine para ver quem cuidaria dele. Kitty aproveitaria para apresentá-lo a Quinn, que estaria na cidade a negócios por quatro dias.
– Marley, vocês tem certeza que vão cuidar bem do meu filho? – perguntou Rachel, agarrada ao menino.
– Claro que sim, Rach. Não se preocupe. Nós vamos nos divertir demais, não é garotão? – respondeu pegando Ben do colo de Rachel.
– Por favor, cuidem bem do meu filho. – disse mais uma vez.
– Pode deixar, Rachel. Nós nem vamos deixar ele comer doces ou sorvete nesses dias. – falou Kitty, piscando para Ben que soltou uma risadinha.
– A Mami vai sentir muita falta de você, meu bebê. – falou para o menino.
– Eu também, Mami. – respondeu Ben – Não esquece de me trazer um presente.
– Claro seu interesseiro, não vou esquecer, não. – falou beijando-o.
– É uma pena que você tenha que ir bem essa semana. Mais uma vez Quinn vem de Londres e vocês não conseguem se conhecer. – disse Kitty.
– Pois é, mas minha chefe é muito exigente e eu não posso pedir para ela adiar minha viagem. – falei provocando.
– Essa sua chefe é uma chata, isso sim. – falou rindo – Desculpa Rachel, se não tivesse essa reunião importante essa semana eu mesma iria, Quinn vem especificamente para isso. Os assuntos lá em Ohio também são inadiáveis e só confio em você para isso.
– Eu sei, Kitty. – sorriu – Bom, vou indo agora senão vou perder meu voo. Se comporta meu filho, a Mami vai ligar todos os dias para você. – disse para o filho.
– Tá bem, Mami. Vou me comportar. Te amo.
– Também te amo. – falou beijando o menino e saindo logo em seguida.
...
No dia seguinte Quinn chegou à cidade e foi logo para o escritório encontrar Kitty e acertar os pontos para a reunião do dia seguinte. Falou com Lauren na chegada e se dirigiu à sala da irmã, entrando sem bater.
– Bom dia, irmãzinha.
– Quinnieee. – Kitty falou já correndo em direção à irmã – Eu estava morrendo de saudade.
– Eu também, Kitty. – respondeu, retribuindo o forte abraço que recebia — Então, como vão as coisas por aqui?
– Agora estão mais tranquilas. Desde que Rachel terminou a faculdade e passou a assumir mais responsabilidades temos conseguido trazer tudo na linha. Ela é extremamente competente.
– Fico feliz de saber isso, que você a tem por perto para te ajudar. Pode ser que eu consiga finalmente a conhecer dessa vez.
– Infelizmente não vai ser dessa vez, Quinnie. Ela teve que ir resolver aquelas questões urgentes no hotel de Ohio no meu lugar.
– Que pena, achei que conheceria ela e Ben dessa vez.
– Mas o Ben você vai conhecer, ele ficou comigo e com a Marley enquanto ela estiver fora. Tem que ver as mil e uma recomendações que a Rachel nos deu antes de partir. – falou rindo.
– Como ela teve coragem de deixar uma criança inocente com vocês? – falou Quinn, divertida.
– Não fale assim, Quinn. Nós somos muito responsáveis com ele.
Seguiram conversando mais um pouco e passaram a tratar de negócios. Ao final do dia Quinn disse que iria para seu apartamento e acabou sendo convencida a ficar com Kitty, pois não havia nada no lugar e estavam morrendo de saudades uma da outra.
POV Quinn
Após muita insistência de Kitty acabei por concordar em ficar no seu apartamento. Peguei minha pouca bagagem que havia trazido e nos dirigimos a sua casa.
Quando entramos no apartamento de Kitty vi uma pequena criatura correndo em nossa direção com Marley toda escabelada logo atrás tentando pegá-lo.
– Não corra, Ben. Se você cair e se machucar sua mãe me mata. – dizia ela.
– Tia Kittyyyy. – gritou se jogando nos braços de Kitty.
– Oi, meu anjo. Como você passou o dia? A tia Marley cuidou bem de você? – perguntou.
– Cuidou sim, ela até me deu sorvete depois do almoço. – falou feliz, lançando um olhar em minha direção.
Ele tinha os cabelos loirinhos, pele branca e olhos esverdeados que me lembravam alguém, mas não conseguia saber quem.
– Oi, eu sou Ben. – disse ainda me olhando.
– Eu sou Quinn, fico muito feliz em te conhecer. – ele me lançou um sorriso que derreteu meu coração – Posso te dar um beijo?
Ao dizer isso não esperava que ele lançasse os bracinhos em minha direção para que eu o pegasse no colo, afinal nunca havíamos nos visto. Quando o peguei e ele envolveu meu pescoço em um abraço, senti uma sensação maravilhosa. Parecia que aquele corpinho se encaixava perfeitamente ali e senti uma ternura que nunca tinha sentido na vida.
Ele se afastou levemente e me deu um beijo no rosto. Eu retribuí e ele voltou a me abraçar como se me conhecesse desde que nasceu. Coloquei meu nariz em seu pequeno pescoço e aspirei seu perfume. Era o melhor cheiro que já tinha sentido, não queria me afastara dali.
– Nossa, parece que vocês se conhecem desde que o Ben nasceu. – falou Marley, espantada.
– Sim, até me surpreendi. Ben é bem sociável, mas nunca agiu assim com um estranho antes. – Kitty concordou.
– Deve ser porque sempre falamos na Quinn. – atalhou Marley.
– É, pode ser. – disse Kitty, ainda desconfiada.
– Você quer brincar comigo, tia Quinn. – Ben me perguntou com os olhinhos brilhando, não tinha como recusar.
– Claro que sim, só deixa a tia Quinn tomar um banho antes e colocar uma roupa mais confortável, está bem?
Ele me lançou um olhar de pura alegria, concordando com a cabecinha. Ainda intrigada com todo aquele sentimento tomava conta de mim por aquele pequeno, me dirigi ao quarto que Kitty tinha me indicado para tomar um banho e deixar minhas coisas.
Quando retornei à sala Ben me esperava com grande expectativa, correndo em minha direção quando me avistou.
– Tia Quinnie, vamos brincar de carrinho? – me perguntou empolgado.
– Claro, vamos sim.
Brincamos por um longo tempo, até que as meninas nos chamaram para jantar, o que causou alguns protestos de nossa parte. Ao terminarmos a refeição Ben já estava com sono e pediu que eu o colocasse para dormir e cantasse uma música para ele. Cantei uma música que minha Mãe costumava cantar para mim quando eu era da idade dele e logo pegou no sono.
Voltei para a sala, onde Kitty e Marley assistiam a um filme, abraçadas. Sentei na poltrona ao lado e comecei a prestar atenção na tv.
– Não sabia que você tinha tanto jeito com crianças, Quinnie. – falou Kitty sem tirar os olhos da tela.
– Pois é, nem eu. Mas Ben é uma criança encantadora. – respondi sincera, nem eu entendia minha ligação com o menino.
– Ben geralmente é uma criança simpática, mas não se descontrai tanto com alguém até conhecê-lo bem. – Marley informou.
– É, mas deve ser porque sempre falamos na Quinn, mesmo. – concluiu Kitty.
Concordei com ambas, mas ainda fiquei pensando no menino por um tempo. Nunca tinha achado uma criança tão especial como achara Ben.
O dia seguinte foi bem cansativo, tivemos reuniões desde a parte da manhã e ainda teríamos que sair do escritório direto para um jantar de negócios. Estava bem puxado, mas eu tinha pouco tempo na cidade.
Chegamos em casa bem tarde, Marley e Ben já estavam dormindo e nos recolhemos aos nossos respectivos quartos. Ainda teríamos uma última reunião na manhã seguinte e depois estaria livre até retornar a Londres.
Estávamos tomando nosso café da manhã quando Ben entrou na cozinha coçando os olhinhos, havia acabado de acordar. Fiquei encantada com a cena, era a coisa mais doce que já havia visto. Me levantei e peguei-o no colo.
– Céus, quanta fofura. – falei o beijando, causando caras de espanto em Marley e Kitty.
– Bom dia, tia Quinnie. – falou sorrindo.
– Bom dia, meu anjo. – respondi lhe dando mais um beijo e cheirando seu pescoço.
– Você vai ter que ir trabalhar hoje também?
– Sim, mas volto cedo.
– Você promete?
– Sim, eu prometo. E quando eu voltar nós vamos passear. – respondi, causando mais surpresa nas duas que nos observavam.
– Realmente eu não entendo essa ligação. – falou Marley, espantada.
A reunião durou mais do que prevíamos e só ficamos liberadas perto das três da tarde. Kitty e eu fomos direto a sua casa pegar Ben para passear no shopping, conforme havia prometido. Ele queria ir ao parque de recreações e depois tomar sorvete.
Ele já estava pronto, ansioso, me esperando quando cheguei para pegá-lo. As meninas foram conosco, já que estavam responsáveis por ele.
– Tia Quinnie, quero ir naquele brinquedo. – apontava, quando já estávamos no shopping.
– Tudo bem, meu anjo. Vamos lá que eu te levo.
Acompanhei-o em todos os brinquedos que ele queria ir, o menino era só alegria. Aquilo me causava uma felicidade inexplicável me fazendo sorrir o tempo todo. Kitty só nos observava com um sorriso no rosto, ainda estava muito intrigada com a situação.
– Vamos tomar um sorvete? – Marley ofereceu quando nos aproximamos delas.
– Vamooossss. – festejou Ben.
– Não sei quem é mais fanático por sorvete, Marley ou Ben. – brincou Kitty.
– Sou eu. – os dois disseram juntos e acabaram rindo.
– Vem, tia Quinnie. Eu quero o meu de creme e você?
– Eu também, de creme é meu favorito.
– É mesmo? O meu também, o da mamãe é de chocolate. – falou logo desviando sua atenção para a atendente da sorveteria.
– Dois sorvetes de creme, por favor. – solicitei.
– Pois não. – disse a mulher já indo nos servir – Muito lindo o seu filho – falou enquanto nos entregava os sorvetes.
– Obrigada, mas ele não é meu filho. – falei.
– Sério? Então é seu sobrinho? Vocês são muito parecidos. – insistiu a mulher.
Diante da insistência apenas lancei um sorriso para ela. Kitty, que ouvia tudo logo atrás, achou aquilo ainda mais estranho.
Tinha só mais uma noite em NY antes de partir no dia seguinte e meus amigos iriam jantar conosco, havia falado com eles apenas por telefone.
O jantar seria na casa de Santana e Brittany e na hora marcada já estávamos lá. As meninas se surpreenderam ao abrir a porta e dar de cara com Ben em meu colo.
– Credo Quinn, parece que você está com sua cópia no colo. – falou Santana espantada.
– Nossa, já é a segunda pessoa que diz isso. – falei.
– Quinnie, que saudades de você. – falou Britt me abraçando, fazendo com que o assunto fosse esquecido – entra, o Puck já está aí.
– Quiiinn. – veio Puck em minha direção me dando um abraço de urso.
– Puck, quanto tempo, amigo. – falei retribuindo o abraço.
– Quando você volta, Quinn? – falou Santana sem rodeios.
– Está sentindo minha falta, San? – gracejei.
– Não seja boba. – desconversou – BrittBritt é que anda tristonha sentindo sua falta.
– A BrittBritt, sei... Confessa que você morre de saudades minhas, latinha marrenta.
– Nunca, loira aguada. – falou me abraçando forte. Os outros tinham ido para a sala e ficamos um tempo abraçadas, até que ela disse – Se você conhecesse a Rachel eu ia dizer com certeza que o Ben é seu filho, vocês se parecem muito.
– É estranho, né? Mas eu não a conheço, não. – falei olhando o menino que brincava com Britt – Bem que seria bom ter um filho como ele. – completei, pensativa.
Passamos uma noite agradável entre conversas e risadas e acabei me despedindo de meus amigos, prometendo que voltaria nas festas de final de ano.
Acordei cedo na manhã seguinte e terminei de arrumar minhas coisas. Logo teria que partir e sentia um peso em meu peito, uma sensação diferente que das outas vezes que tive que ir.
Não demorou muito e Ben acordou, me seguindo aonde eu ia.
– Tia Quinnie, não vai, por favor. – falou choroso e aquilo partiu meu coração.
– Olha só, eu vou, mas volto para as festas de fim de ano e prometo que te trago um monte de presentes, ok? – falei com um nó na garganta.
– Mas eu não quero presentes, eu quero que você fique aqui comigo. – disse sem esconder mais as lágrimas.
Aquilo partiu meu coração. Me abracei a ele e também chorei. Marley e Kitty olhavam a cena afastadas, mas também não conseguiram conter as lágrimas.
Após muito chorar, Ben pegou no sono e acabei partindo sem me despedir dele. Parecia que um pedaço de meu coração tinha ficado em NY.
Fale com o autor