Abismo
16 A consulta, a internação e a verdade revelada.
Notas iniciais
Capítulo 16 – A consulta, a internação e a verdade revelada.
A sala de espera estava em total silêncio enquanto esperavam o atendimento. Quinn não conseguia desviar seus olhos de Ben e Rachel. Esta por sua vez não tirava sua atenção do menino, sempre o afagando e dizendo palavras de carinho.
Era palpável o amor que se depreendia daquela cena e Quinn quis, mais do que nunca, participar daquilo. Ela precisava de uma confirmação de Rachel, necessitava ouvir de sua boca que Ben era seu filho. Desejava aquilo mais que tudo no mundo.
Não demorou muito e o médico liberou o paciente que atendia, chamando Ben para ser examinado.
– Bom dia, Rachel. – falou o médico.
– Bom dia, Dr. Marcus. – respondeu.
– Bom dia, Srta... – disse me olhando curiosamente.
– Fabray, Quinn Fabray. – se apresentou estendendo a mão para o médico.
– Olá, Ben. O que houve com esse garotão? – questionou o médico.
Rachel passou a explicar que ele passara o fim de semana com febre, que vinha a alguns dias reclamando de cansaço e dores no corpo. O médico fazia anotações enquanto ela falava.
– Você não chegou a levá-lo ao pediatra dele? – questionou.
– Para ser sincera eu ando bem desgostosa com o atendimento dele. Ben não é de adoecer, mas da última vez tive que medicá-lo duas vezes com remédios diferentes porque ele não conseguia descobrir o que meu filho tinha. – respondeu Rachel.
– Bom, pelos sintomas que você está me relatando não tenho como chegar a um diagnóstico mais aprofundado. Como ele está com febre e você disse que ele vem reclamando de cansaço, dores no corpo e algumas outras coisas, vamos fazer alguns exames mais detalhados e é melhor deixá-lo internado até a conclusão final. É visível que ele está com a garganta inflamada, mas alguns sintomas não são em virtude disso.
– Isso é mesmo necessário, doutor? – perguntou Rachel preocupada.
– Sim, Rachel. É o melhor por hora. – falou já entregando para ela a relação dos exames que seriam necessários e a autorização para a internação.
Aquilo intrigou Quinn, que se mantinha calada. Não era normal internarem uma criança por ela estar com febre e indisposta, ou era? Uma preocupação tomou conta de si. Pegou Ben no colo para que Rachel tomasse as medidas necessárias. Permaneceu com ele aconchegado em seu pescoço e teve novamente aquela sensação de que ele pertencia àquele lugar. Sabia que aquele não era o momento, mas tinha que conversar com Rachel. Tinha que esclarecer tudo.
Rachel voltou com uma papelada na mão olhando para aquela cena a sua frente. Não poderia escapar muito tempo de contar a verdade, mas sentia que Quinn já tinha deduzido tudo.
– Obrigada pela ajuda, Quinn. – falou agradecida – Vou levá-lo para o quarto agora.
– Eu vou com vocês.
– Não há necessidade. Você já nos auxiliou demais e nós mal nos conhecemos... – falou baixando os olhos.
– Eu vou ficar, Rachel. Não adianta pedir que eu vá embora. Nós temos que conversar. Não aqui, não agora, mas temos que esclarecer algumas coisas. – disse séria.
– Tudo bem. – falou vencida.
Chegaram ao quarto e uma enfermeira veio acomodar Ben e explicar o que seria feito, como funcionava cada exame. Quando saiu do quarto o menino dormia e as duas mulheres se olharam.
– Eu vou ligar para Marley. Pedir que ela traga algumas coisas para o Ben. – disse Rachel.
– Você não quer ir buscar? Vai no meu carro, eu fico aqui com o Ben. – Quinn se ofereceu.
– Não, eu não quero me afastar dele e ele pode acordar assustado por estar em um lugar estranho.
– Você tem razão. – falou cabisbaixa, pensando que ela mesma não deixava de ser uma estranha para o menino.
Rachel saiu do quarto e ligou imediatamente para Marley, explicando a situação. Não queria que Quinn visse sua preocupação. Esta ficou de avisar Kurt e Blaine e em seguida estaria no hospital com ela.
Quando retornou ao quarto viu Quinn ligando para Kitty. Tinha o rosto preocupado, assim como Rachel. Havia vários exames bem complexos para o menino fazer. Encerrou a ligação e ficou olhando para Ben por longos momentos, até que sua suave voz ressoou pelo quarto.
– Ele vai ficar bem, não é mesmo?
– Claro que vai. Meu filho é muito forte. – falou e viu uma expressão de dor nas feições de Quinn ao proferir “meu filho”.
– Rachel, sei que este não é o momento, mas eu preciso saber... – falou olhando direto em seus olhos – Ben é meu filho?
Rachel parou de respirar por alguns instantes. Não esperava por uma pergunta tão direta, não naquele momento. Apesar de todo o receio que aquilo pudesse acarretar, decidiu que não iria mentir. Ben tinha o direito de saber quem era sua outra mãe e ele adorava a loira, afinal. Rezava para que a loira não viesse a tentar tirá-lo dela.
– Olha Quinn, eu não vou mentir para você e nem fazer rodeios. Eu sei que não nos conhecemos e você não tem porque acreditar em mim, assim do nada, mas sim, Ben é seu filho...
Quinn sentiu seus olhos marejarem e não conseguiu segurar as lágrimas que escaparam. A felicidade que sentia era tanta que tinha vontade de gritar que Ben era seu. Tinha um sorriso enorme no rosto.
– Eu nunca imaginei que Lucy e você seriam a mesma pessoa. E o destino me pregou uma peça ao descobrir isso só agora. – explicou.
– Lucy Quinn Fabray. – disse – Esse é meu nome, Barbra,
– Rachel Barbra Berry. Esse é o meu. No fim das contas nenhuma das duas mentiu como se chamava... – falou reticente.
– Pois é... – falou, dirigindo seu olhar para Ben, ainda digerindo a novidade.
– Vou pegar um café. Você se importa de ficar com Ben um instante. – disse, querendo dar um momento de privacidade para a loira e para si mesma.
– Claro que não, pode ir lá.
– Você também quer um? – perguntou.
– Sim, obrigada. Sem creme e pouco açúcar. – disse agradecida.
Logo após Rachel sair Ben começou a acordar. Abriu os olhinhos sonolentos e fez uma carinha assustada por não reconhecer o lugar.
– Ei, meu anjinho. Está tudo bem, eu estou aqui. – falou Quinn achando que ele iria chorar.
– Tia Quinnie? Você não foi embora? Cadê a minha Mami? – perguntou ainda meio assustado.
– A sua Mami foi pegar um café e já volta, ok? – ele aliviou as feições de seu rosto e concordou meneando a cabeça – Eu prometi que não ia mais partir, não foi?
– Sim.
– Então, eu estou aqui para ficar juntinho de você e para ajudar a Mami a te cuidar. – falou enquanto acariciava a cabeça de Ben.
– Tia Quinnie, eu estou com medo. Você pode deitar aqui comigo? – falou, com olhinhos pidões.
– Claro, anjinho. – falou já indo em direção à cama.
Quinn deitou ao lado de Ben e passou a acariciar seus cabelos loirinhos. Não cansava de olhar para aquele rostinho tão meigo e doce. Ele pegou sua outra mão e encaixou seus dedinhos aos seus. Aquele gesto fez o coração de Quinn explodir.
Ao voltar para o quarto, Rachel entrou de forma silenciosa para que Ben não acordasse e não esperava a cena com que se deparou. Quinn deitada junto a Ben, acariciando seus cabelos enquanto o menino tinha uma das mãozinhas encaixada na dela e a olhava encantado. Aquela foi uma das visões mais doces que já teve.
– Acordou, bebê? Como está se sentindo? – perguntou estendendo o café que trouxera para Quinn.
– Ainda não tô me sentindo bem, Mami. – falou de forma mole.
– Ele ainda está com um pouco de febre. – informou Quinn, agora sentada com as costas apoiadas na cama, mas ainda afagando a cabecinha loira.
Rachel se aproximou pelo outro lado da cama e fez um carinho no rosto do menino, verificando que ele realmente ainda estava com febre.
Uma leve batida na porta anunciou a chegada de uma enfermeira. Ela tinha vindo pegar Ben para realizar os exames. Foi muito simpática com a criança e mesmo desconfiado ele acabou indo com ela, mas antes de sair ainda virou para as duas mulheres.
– Mami, você vai ficar aqui?
– Sim, a Mami vai te esperar, filhote. Não se preocupe e nem fique com medo, você já é um homenzinho. – falou o acalentando.
– Tia Quinnie, você não vai embora, não é? – perguntou com olhinhos pidões.
– Não, anjinho. Vou estar aqui com sua Mami te esperando. – falou, tranquilizando o garoto.
– Qualquer coisa nós as avisamos. – disse a enfermeira saindo com Ben no colo.
Quando saíram Rachel se dirigiu a um sofá que havia no quarto e se sentou, Quinn veio logo atrás e sentou ao seu lado.
POV Rachel
Desde que chegamos naquele hospital eu não cabia em mim de preocupação. Estava tentando disfarçar na frente de Ben, mas agora que ele fora levado pela enfermeira um pavor bateu sobre mim.
Sentei no sofá que havia no quarto e Quinn sentou ao meu lado. Não falávamos nada, mas ao perceber que eu estava tremendo ela pegou minhas mãos num gesto de apoio. Era estranho estar com ela ali, mas ao mesmo tempo ela me transmitia segurança e fui ficando mais tranquila. Ficamos assim por um tempo, em silêncio, mas eu precisava me distrair então falei.
– Como foi morar em Londres?
– Não posso dizer que tenha apreciado muito, pois deixei todos de quem gosto aqui. – começou a falar quando percebeu que eu queria conversar para afastar o nervosismo – Mas era uma situação emergencial e eu não tive escolha. Esse tempo que morei lá me concentrei ao máximo na recuperação daquela filial e na de Paris.
– Mas você não chegou a morar em Paris, não é?
– Não, apesar de ir com frequência até lá e às vezes ficar por um período mais longo, nunca cheguei a morar naquela cidade. – falava com voz doce enquanto afagava minha mão. Por incrível que pareça aquele gesto estava me acalmando.
– Você tem muito que se orgulhar, foi com toda sua dedicação que aqueles hotéis conseguiram ser recuperados e todos os funcionários serem readmitidos. – disse sincera.
– Eu não fiz tudo sozinha. – falou sem jeito – Tive muita ajuda da equipe de lá e de Kitty que me auxiliava daqui, juntamente com você. – disse me encarando pela primeira vez – Eu só tenho que te agradecer por tudo que você fez para auxiliar minha irmã nesse período.
No momento em que íamos prosseguir com o assunto uma leve batida na porta chamou nossa atenção, sendo que Kitty e Marley entraram em seguida ao local.
Ainda permanecíamos de mãos dadas e vi Kitty lançar um olhar malicioso, o que me fez retirar minhas mãos imediatamente das dela. Marley também olhava, mas com uma expressão de quem não estava entendendo nada, até que perguntou.
– Quinn? O que você faz aqui?
– Eu consegui vir uma semana antes e resolvi fazer uma surpresa.
– Legal, fico feliz. – mas ela não parecia satisfeita com somente aquela resposta, continuando – Mas o que você faz aqui no hospital?
– Huumm... – Quinn me olhou como se não soubesse o que responder – Eu vim dar uma carona para Rachel.
– Marley, depois conversamos e eu te explico tudo. – falei.
Mesmo sem entender, Marley concordou e ficamos a espera que a enfermeira trouxesse Ben novamente até nós. Meus pensamentos estavam em Ben e meus olhos não saiam de Quinn e não conseguia pensar outra coisa que não fosse: o que aconteceria dali em diante.
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