AMALDIÇOADOS!

9 Santos e malditos...


Notas iniciais
**♥** Olá, galera amada do bem!!! Mais um feriadinho e mais um capítulo. Espero que se divirtam! Obrigada aos leitores fantasmas que se revelaram! É muito bom ler o comentário de quem lê e gosta, nem que seja em um único capítulo. **♥** Eu estou em falta na resposta aos reviews, mas responderei a todos, pois esse carinho nunca será desprezado! ♥ Bjs e que a semana que termina seja muito abençoada para todos!! XD

Camus acordou na manhã seguinte com a sensação de ter tido um longo e cansativo pesadelo, embora lembrasse detalhadamente do que acontecera à noite. A cabeça estava pesada e o corpo dolorido. Gemendo, levantou-se da cama e foi até o jarro de prata que jazia sobre a penteadeira. Só então se deu conta que aquele não era o seu quarto. Franziu o cenho constatando outra novidade constrangedora: vestia um camisolão que não se lembrava de ter colocado.

Uma batida na porta fez o ruivo parar.

– Bom dia! – disse Milo entrando com uma bandeja nas mãos.

O olhar sério e confuso do ruivo o fez sorrir.

– Não me olhe desse jeito. Você não estava em condições de ir para casa e ainda dar explicações sobre a sua condição, então... eu o trouxe para a minha.

– E despiu minhas roupas.

– Depois do que aconteceu entre nós, não creio que ainda vá ficar constrangido com isso. – disse Milo com um tom sarcástico na voz.

– Não é isso, é que eu...

– Dorme nu? – interrompeu o vidente com um sorriso malicioso.

– Por favor, eu preciso das minhas roupas. Preciso voltar para casa e...

– Não sem beber uma xícara de café e comer algo. A noite passada foi forte. – falou o vidente desconsiderando a fala e o rubor de Camus.

Depositando a bandeja sobre o criado mudo, Milo encheu uma xícara para Camus e outra para si. Soprou um pouco o líquido quente que exalava um aroma revigorante e bebeu um gole olhando para o ruivo.

– Beba, vai se sentir melhor.

Camus obedeceu, experimentando um gostoso bem-estar quando o líquido chegou ao estômago. Ainda sob o olhar vigilante do vidente, mordiscou um pequeno pedaço de pão e quando terminou, viu suas roupas serem depositadas aos pés da cama.

– Vou deixá-lo à vontade, espero lá embaixo.

– Milo... Fique. Precisamos conversar.

– Sobre o quê?

– Precisa parar com os shows até entendermos o que, realmente, acontece. Existe uma ligação entre essas aparições, a nossa situação e também com essas mortes.

– Não concordo. Se eu parar, nunca saberemos qual o papel de Imnotep nisso tudo.

– Você não poderá dominá-lo sempre, Milo.

– Eu não sou um novato nesse assunto, Camus. Você, sim.

– Novato?

– Você pode ser um investigador competente, mas não sabe como lidar com a possessão, nem com a espiritualidade.

– Está enganado sobre mim, vidente.

– Toquei num ponto nevrálgico? – provocou Milo.

Irritado pela colocação de Milo, Camus retirou o camisolão para vestir suas roupas e encontrou o olhar ardente do grego sobre si.

– Conversaremos em outra oportunidade. – respondeu o ruivo colocando as roupas rapidamente sem olhá-lo.

Milo não facilitou, permanecendo com seu olhar agudo até que Camus vestisse a última peça.

– Obrigado por tudo. – disse o ruivo deixando o aposento e se sentindo nervoso e desconfortável.

– Disponha. – respondeu Milo com um sorriso calculadamente lento, sensual e provocante. – Deixe-me ajeitar a sua gravata. – completou se aproximando bastante do rosto de Camus.

E mais uma vez aquela força, aquele magnetismo... Sem que nenhum dos dois soubesse como, as bocas se encontraram novamente. Os lábios carnudos do vidente cobriram os lábios desenhados de Camus com uma energia tão potente que o ruivo sentiu seu corpo pulsar como chamas consumindo madeira.

A penetração da língua entre seus lábios e o deslize lento e sensual para o interior da sua boca fez Camus gemer. De imediato, uma ereção indesejada despontou e isso lhe deu forças para resistir e afastar-se daquele corpo que o enlouquecia.

– Por tudo o que é sagrado, não faça isso! – praguejou ele junto aos lábios do vidente.

Mesmo temendo o que poderia acontecer, Milo o queria e, ignorando os apelos de Camus, intensificou o beijo. Mais uma vez, o desejo ditou as regras de forma imperiosa e brutal.

As roupas foram despidas e os dois se atracaram como se estivessem em uma luta corpo a corpo.

– Você quer isso mesmo que nos custe a alma... — Camus sussurrou devagar, a voz profunda e rouca ecoando na cabeça de Milo.

– Sim, eu quero... – respondeu Milo tomando aquela boca deliciosa na sua.

Camus beijou o pescoço de Milo, dando leves mordidas e movendo a língua sobre a pele arrepiada e os mamilos endurecidos. Segurou o grego com força e lambeu o corpo dele com voracidade, enquanto descia as mãos até a cintura e a apertava contra si e depois segurava as coxas torneadas e acariciava as nádegas perfeitas e arredondadas...

O vidente estava tonto e letárgico, tinha a sensação que toda aquela luxúria o embriagava como se fosse uma bebida forte. Tudo o que conseguia era gemer abafado entre os lençóis que dançavam junto com seus corpos.

Enquanto beijava Milo, Camus buscava as mãos do grego e deslizava as suas sobre elas, até entrelaçar os dedos nos dele, estreitando o contato dos corpos, sentindo os fluidos do desejo gotejando, ao longo das coxas que se entrelaçavam, unindo-os num bailado profano e transcendente, fazendo-os suar de prazer.

Então, quando ambos os corpos suplicavam para serem satisfeitos, Camus se ergueu e puxou Milo pelos quadris, penetrando-o lenta e profundamente. O grego foi virado de costas e entregou-se por completo, sentindo o falo de Camus enterrar-se inteiro dentro de si, preenchendo-o com êxtase, dor e loucura...

O ruivo continuou a investir com força, o calor do corpo de Milo fazendo-o arrepiar-se de prazer, enquanto o vidente se perdia num emaranhado de sensações e pensamentos... Sentia aquele falo quente e túrgido... Tão intenso, tão dentro. Tinha certeza que jamais gozaria assim com outro homem e jamais sentiria aquele amor visceral, sagrado e contundente.

Ao abandonar o controle, Camus fechou os olhos e moveu seus quadris mais rápido, fazendo Milo gemer sonoramente e fincar as unhas em suas coxas. Viu-o morder o travesseiro, tentando se conter e acelerou o ritmo, o faria gozar e se entregaria ao orgasmo único que só o vidente podia desencadear ...

A aproximação do clímax o deixou aberto e quando ele sentiu a presença de Loki era tarde demais!

– Olhe pra você... Mordendo o travesseiro pra não gemer... Mas ouvi-lo me excita. – disse Loki.

Diminuindo a velocidade, Loki debruçou-se sobre Milo, pegando-o pelos quadris para ir mais forte e profundamente naquele interior quente e aveludado. Mordeu a nuca e a orelha do vidente, antes de sussurrar entre as investidas.

– Você está muito apertado... Abra mais as pernas.

Milo ofegou. Em algum lugar da sua mente, sentiu a mudança no tom de voz, mas seu corpo estava tomado pelo prazer. Logo, Loki voltou a mover-se devagar e intensamente dentro dele. O vidente gemia alto a cada investida e sentia o corpo inteiro tremer, como se estivesse com fogo correndo pelas veias. Gritou quando Loki acariciou a parte interna das suas coxas e levou a mão ao seu falo pulsante.

– Olhe só como você está aberto pra mim, quase chorando enquanto vou fundo em você. Você não queria ser a minha prostituta, mas geme como uma.

Foi então que Milo percebeu.

– Loki...

– Sim, sou eu! E uma novidade, eu vou te foder mesmo que se recuse a dar passagem àquele que desejo. Você aprenderá uma lição, mortal!

Voltou a estocar mais forte e rápido, fazendo Milo ficar zonzo e arquear o corpo. Estava rápido demais, forte demais.

– N-Não... – sussurrou o vidente entre o prazer excruciante das investidas que ameaçavam despedaçar o seu corpo.

Loki deu uma risada alta. Debruçou-se novamente sobre Milo e pegou seu membro, apertando-o em sua mão. Sussurrou, mordendo o lóbulo da orelha e masturbando-o.

– E então? Acha que consegue suportar o prazer de um deus?

Lágrimas quentes molharam o rosto de Milo e a cama. Se aquilo continuasse, enlouqueceria. Mordeu a mão pra segurar um gemido, que acabou saindo como um grunhido.

– Eu quero olhar pra você quando gozar... Quero ver o seu rosto se contorcer como o de uma puta. – Loki virou o vidente, fazendo-o ficar de frente pra ele.

Loki fez questão de aumentar a velocidade dos movimentos e masturbar o vidente simultaneamente. Milo sentiu todo o corpo numa onda de fogo, adrenalina e vergonha. Um prazer imensurável e insuportável, dominava cada célula, mais forte a cada investida. Era demais e acabaria matando-o. Num último ato desesperado ele permitiu...

O deus da trapaça entranhava-se forte em si, rápido, forte. Numa sucessão de gemidos, Milo arqueou-se, arfando pra dar um último grito lânguido, do fundo dos pulmões. Seu corpo estremeceu forte e incontrolável e então, ele gozou.

O ambiente do quarto foi tomado por ondas simultâneas de frio e calor. E quando Milo abriu os olhos, Loki sorriu.

– Imnotep... Eu sabia que viria. Só tu podes suportar o gozo de um deus!

Os dois se encararam, o alto sacerdote e seu amante divino. Por instantes que pareceram eternos, ambos desfrutaram daquele encontro surreal, até que os corpos mortais desabaram exaustos e inconscientes.

Camus foi o primeiro a acordar. A mente confusa entre o antes e o agora. Olhou para o lado vendo Milo imerso em um sono profundo. Tocou-o, temeroso do que havia feito a ele. Porque Milo tinha insistido? E por que não fora forte, o suficiente, para impedir Loki?

– Você não me machucou, Camus... – disse Milo abrindo os olhos ao sentir os dedos do ruivo tocá-lo.

– Mas, somente, porque você também cedeu, não foi?

– Tive que ceder, mas isso não significa que não foi bom. No início de tudo... éramos você e eu.

– Isso não pode se repetir, eu não quero e não vou arriscar machucá-lo ou até pior que isso.

– Camus... Nós dois...

O ruivo levou os dedos longos aos lábios de Milo.

– Não existe nós dois. – disse ele se levantando da cama com dificuldade.

Milo tentou acompanhá-lo, mas seu corpo doía demais e o mais simples movimento o fazia ofegar.

Camus olhou-o, refreando a vontade de abraçá-lo e tirar-lhe toda a dor que via em seus olhos. Então decidiu dar um basta naquela situação.

– Olhe pra você! É isso que acontece quando ficamos juntos. É isso que deseja? Ferir-se cada vez que faz sexo comigo? A luxúria vale a sua vida?

– Fale o que quiser, ruivo... Se você quer acreditar que, entre nós, é apenas luxúria, vá em frente. Eu não vou implorar, nem discutir.

– Adeus, Milo. – disse o ruivo.

O vidente não respondeu, seus olhos haviam se fechado e ele caíra no sono, novamente. Depois de verificar se ele estava bem, Camus deixou a mansão e assim que a porta pesada se fechou ele encostou-se brevemente contra ela e inspirou fundo, buscando forças para resistir àquela atração insana e fatal mesclada com sentimentos que jamais sentira por outra pessoa.

Preciso ficar longe de Milo e pesquisar mais para descobrir o elo condutor de tudo isso! Pensou, enquanto retomava seu caminho de volta para as funções que devia desempenhar.

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– O que essas pessoas têm em comum? – questionou-se Dohko em meio aos relatórios distribuídos sobre a mesa.

A delegacia estava deserta, pois era muito cedo. Na verdade, o inspetor pernoitara ali, lendo e relendo aqueles relatórios com a finalidade de achar algo que norteasse a investigação. Ele analisara cada vítima e, num primeiro momento, a único fio condutor era o fato de serem mulheres, mas cada uma possuía um tipo físico diferente e também um estilo de vida peculiar.

– Bom dia, inspetor. – falou Camus chegando à delegacia.

– Ah, bom dia, senhor Camus. Estou aqui tentando organizar tudo isso! – disse Dohko apontando para os relatórios.

– Deixe-me lê-los.

Dohko alcançou-lhe as pastas e levantou-se da escrivaninha a fim de providenciar um café forte. O cansaço já se insinuava em seu corpo devido à noite insone, mas não daria o braço a torcer.

– Aceita um café? – perguntou ele.

– Não, obrigado. Só a menção do nome da bebida o fazia relembrar estar com Milo... Precisava isolar aquelas lembranças e se concentrar!

Vendo que o ruivo já mergulhara na leitura, o inspetor deixou-o e foi buscar o café. Assim que ele deixou a sala, Seiya adentrou o lugar.

– Bom dia, inspetor! O senhor Camus já chegou? – perguntou o jovem.

– Sim, ele está na minha sala. Primeira porta à direita.

– Obrigado.

Quando Seiya abriu a porta com seu costumeiro entusiasmo, Camus rabiscou algo em um papel e estendeu a ele.

– Bom dia, Seiya. Vá até este lugar e investigue sobre a rotina destas pessoas.

O jovem franziu o cenho, mas logo sorriu.

– Vou ter que mudar de roupa.

– Faça isso. Tente se aproximar de forma mais natural possível e investigue.

– Está bem. – respondeu Seiya com um sorriso.

Após a saída do jovem, Camus fez algumas anotações e quando Dohko voltou, ele expôs sua teoria.

– Essas mulheres parecem representar aspectos do feminino. Temos que descobrir quais são e o porquê. Isso me parece um mapa.

– Mapa?

– Sim, um mapa cujo objetivo é indicar algo obscuro. Talvez seja um ritual religioso envolvendo entidades demoníacas.

– Está falando em satanismo?

– Talvez.

– Como chegou a estas conclusões?

– As mortes não são aleatórias e também não vão acabar. Faltam algumas peças e eu acredito que quem quer que as esteja praticando, ainda tem uma última vítima. Precisamos ser rápidos e descobrir qual aspecto ainda falta.

Dohko olhou para o rosto de Camus e pareceu-lhe ver um brilho estranho nos orbes castanho- avermelhados. Porém, a despeito daquela aura misteriosa que o ruivo possuía, havia nele uma força de caráter que impressionava.

– Pois então, vamos à luta! – disse Dohko terminando de beber o seu café.

– O que tem em mente, inspetor?

– Se tudo isso tem a ver com religião, vamos procurar quem domina esses assuntos.

Ao ver Camus franzir o cenho, Dohko completou:

– A abadessa Calvera era uma grande amiga. Agora que ela morreu só me resta procurar o bispo Tatsumi que poderá nos indicar algum especialista nestes assuntos. O que acha?

– Acho que tem razão, inspetor, e é um bom começo.

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Saori esperou que as orações da manhã terminassem e rumou para a escada que levava aos fundos do convento. Olhou para os lados com uma excitação quase culpada, porém seguiu em frente, inspirou fundo fazendo o sinal da cruz quando cruzou o pátio e passou em frente à estátua da Virgem Maria com o menino Jesus. É por uma boa causa! Madre Calvera, por favor, olhe por mim.

Com passos apressados ela chegou ao pequeno portão escondido entre a folhagem espessa e o abriu, chegando à viela apertada e deserta. Dali rumou para o bairro dos menos afortunados nos arredores de Saint Giles. No caminho, uma carruagem passou quase a atropelando. Os cavalos brancos, açoitados pelo chicote do condutor disparam à toda, enquanto ele gargalhava com dentes negros de fumo, ostentando a verruga imensa sob o nariz pontiagudo.

– Saiam da frente! – ouviu-o gritar.

Entretanto, nem mesmo isso era capaz de dobrar-lhe a vontade e intenção de encontrar o misterioso benfeitor que poderia salvar o convento e também o orfanato.

Imersa em seus pensamentos, ela andava rápido e não percebeu que estava prestes a trombar com certo jovem...

– Oh! Perdão, senhor! Eu...

Seiya segurou-a e sorriu.

– Imã Saori?

A noviça sentiu o rosto enrubescer.

– Senhor Seiya...

– O que faz aqui, irmã? Esse bairro é...

– Perigoso, eu sei. Mas, os anjos me protegerão. – disse ela elevando os olhos violáceos e encontrando os olhos castanhos que a fitavam intensamente.

Seiya sorriu.

– Bem, então deixe-me ser o seu anjo particular. Onde está indo?

– Preciso encontrar uma pessoa.

– Vou ajudá-la.

– Não! Quer dizer... essa pessoa, ela...Eu tenho que encontrá-la sozinha.

– Prometo ser discreto. Não vou atrapalhá-la. Em nenhuma hipótese vou deixá-la andar por aqui sozinha. – disse Seiya.

Saori olhou para os lados e, em seguida para o jovem a sua frente. Ele parecia decidido e ela não tinha escolha.

– Está bem, quem eu procuro é conhecido por Capitão.

Capitão? Espere aqui.

A noviça arregalou os olhos, mas não teve tempo de questionar o jovem. Ele bateu em uma casa carcomida pela umidade e foi atendido por uma senhora desdentada que o olhou com desconfiança.

– O que quer? – perguntou ela.

Tirando do bolso duas moedas, Seiya sorriu.

– Minha bela senhora, preciso de uma informação e estou disposto a recompensá-la por isso.

A velha agarrou as moedas e franziu o cenho.

– O que quer saber?

– Aquela religiosa veio até aqui encontrar um homem que é conhecido como Capitão. Ela quer lhe entregar, pessoalmente, uma indulgência por serviços prestados.

Desconfiada, a senhora espiou por cima do ombro de Seiya e olhou para Saori.

– Se quer falar com o Capitão tem de passar pelos homens dele. Um deles está na taverna Flint bebendo. Pode falar com ele lá.

– Obrigado, gentil senhora.

– Não há de que! – respondeu ela fechando a porta.

Seiya voltou com a informação e depois de desviar de um balde que lançava detritos e água suja na rua, ambos rumaram até a taberna. No caminho, o jovem ofereceu o braço à noviça, ato comum aos cavalheiros ao encontrar uma dama e também um gesto de respeitabilidade.

– Eu vou entrar e perguntar. – disse ele.

– Não, é melhor que eu faça isso.

– Mas...

– Sem mas, eu o farei ou ele não nos permitirá encontrá-lo. – falou Saori com certa ansiedade.

– O que a faz acreditar que ele aceitará o encontro com uma religiosa?

– Isso. – disse Saori exibindo um crucifixo de prata.

Assim que terminou de falar, Saori entrou no estabelecimento que cheirava a conhaque e suor. Homens rudes bebiam e falavam alto. Outros jogavam sobre as mesas sujas e tomavam sopa fazendo barulhos com a boca. A noviça olhou em volta e, ao fazê-lo, um silêncio imediato baixou no local.

– Vamos sentar ali. – disse Seiya.

Os dois sentaram em uma mesa de canto sob o olhar curioso de todos. Uma jovem voluptuosa se aproximou da mesa com um sorriso malicioso nos lábios.

– Vão querer o quê?

– Uma cerveja para mim e uma água para a...

– O mesmo para mim. – cortou Saori.

Seiya arregalou os olhos, fazendo a noviça sorrir.

– Eu não vou beber, mas assim chamaremos a atenção sobre nós.

– Mais do que já chamamos? A senhora disse que os homens que trabalham para o Capitão estão aqui, não é? Então eu vou fazer algumas perguntas e descobrir quem eles são.

– Não é necessário, eles virão até nós. – disse a noviça.

– Como?

– Espere e verá.

Assim que a atendente voltou com duas canecas transbordando cerveja barata, o homem conhecido pelo apelido de coelho feio fitou o crucifixo de prata que Saori usava e se aproximou da mesa, fazendo Seiya olhá-lo de cima a baixo com firmeza.

– Está longe do convento, irmã.

– E o que você tem com isso? – questionou Seiya.

O homem riu e os dentes acavalados pareceram ainda maiores e mais proeminentes.

– Não falei com você, garoto. E então, irmã, em que posso ajudá-la?

– Preciso falar com o Capitão. Pode ver se ele pode me receber? – respondeu Saori com uma voz serena.

– A senhora tem o passe. Vou levá-la até ele. Mas, só a senhora. O galinho de rinha fica.

– Escute aqui! – falou Seiya já se levantando.

Saori colocou a mão delicada no ombro do jovem.

– Obrigada pela sua gentileza e apoio, mas eu sigo sozinha daqui. Pode ficar tranquilo que nada vai me acontecer. – disse ela com um sorriso tímido.

Seiya sentiu o gosto amargo da impotência. Por alguns segundos pensou no que fazer para que Saori desistisse, mas a firmeza doce dela e a missão que Camus havia lhe dado acabou por pesar em sua decisão.

– Está bem, eu não vou interferir, mas... ficarei por perto. Assim que terminar, eu a levo de volta para o convento.

A noviça assentiu com a cabeça e se levantou, seguindo o homem. Os demais voltaram à rotina de beber e conversar, enquanto Seiya bebia ambas as canecas de cerveja num gesto de puro nervosismo.

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Ikki fitou o rosto relaxado de Hyoga e, em silêncio, deixou a cama e vestiu suas roupas. Estava meio em choque pela experiência mais profunda e satisfatória que havia tido em relação ao sexo. Nem mesmo a paixão que vivera com Esmeralda o preparara para aquele clímax poderoso e selvagem que o deixara trêmulo e confuso.

– Está saindo como quem foge de uma cena de crime... – disse Hyoga abrindo os olhos lentamente.

– Sinto muito, mas preciso ir. – disse o moreno.

– Não tenho certeza se entendo pelo que você está se desculpando. – falou Hyoga encarando Ikki bem dentro dos olhos. Sentia o distanciamento do japonês e, embora isso o incomodasse, não demonstraria.

– O que aconteceu entre nós...

– Já sei o que vai dizer, embora não esperasse esse tipo de atitude de um guerreiro como você. – disse Hyoga interrompendo a fala de Ikki, enquanto cobria o corpo com o lençol.

– O que acha que eu vou dizer?

– Que tudo isso foi um erro, que não vai se repetir e blá, blá, blá... Conversa de gente que se acovarda quando as coisas ficam íntimas. Deixa eu te poupar deste discurso patético! Eu quis ter uma experiência sexual com você e sou homem o suficiente para admitir que superou as minhas expectativas, mas não pretendo e nunca pretendi me relacionar de forma mais profunda com ninguém. Então, não precisa sair correndo como se eu fosse te colocar em uma coleira.

Ikki encarou-o com frieza nos olhos azuis.

– Eu não faço discursos sobre os meus atos. Eu atravessei limites hoje que não tinha o direito. Você estava vulnerável e mesmo essa sua arrogância só mostra que suas ações são guiadas pela emoção. Até mesmo este objetivo insano de ressuscitar a sua mãe mostra que não superou a necessidade infantil de consolo. Você afirma não desejar um relacionamento, mas suas ações mostram o contrário.

– Vá embora, senhor Ikki! Sua utilidade já acabou.

O jovem samurai nada disse. Algo dentro de si gritava para que tomasse Hyoga nos braços e o amasse, novamente. Entretanto, sabia que qualquer relação com ele seria impossível e era melhor cortar aquele vínculo ali mesmo. Eram diferentes, pertenciam a mundos diferentes e acabariam se destruindo por completo. Deu as costas ao loiro e se retirou.

Observando-o partir, Hyoga sentiu como se alguém estivesse espremendo seu coração. Respirar doía, mas mesmo assim ele continuou agindo como se nada daquilo importasse. Estava acostumado com perdas desde muito cedo. Aquela seria mais uma que teria de superar e seguir em frente. Da janela, viu Ikki deixar a mansão e, de repente, seu corpo ficou tenso e dolorido.

Minutos depois, Isaak adentrou o quarto com uma expressão severa e preocupada. Ao ver Hyoga nu, ele compreendeu o que se passara e uma raiva silenciosa esgueirou-se em seu coração.

– Aquele homem o machucou? – perguntou ele com um ligeiro tremor na voz.

Hyoga não ousou olhar para Isaak. O preceptor podia lê-lo como um livro e ele não desejava ser lido naquele momento.

– Não.

– Por favor, não minta para mim.

– O que quer que eu diga, Isaak?

O preceptor pegou o roupão que trouxera, aproximou-se e envolveu Hyoga com ele. Também ele não sabia o que dizer. Optou pela ação protetora que lhe era característica.

– Vítor Frankenstein disse que está tudo preparado. Na próxima lua poderemos agir.

Hyoga passou a mão no rosto, limpando uma lágrima teimosa. Então se virou para Isaak e disse:

– Então vamos acertar todos os detalhes. Isso é tudo que me importa, agora.

– Sim, jovem mestre...

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Saori olhou em volta, admirada com aquele interior que destoava com a parte externa da casa. Os móveis, as estantes, os livros... Sobre a lareira acesa havia a um cachorro de bronze cujos olhos eram esmeraldas e ele parecia muito vivo e com um olhar misterioso e severo que nunca tinha visto em uma obra de arte.

– É Anúbis, o deus chacal.

A voz grave e profunda a fez voltar-se e encarar Poseidon.

– O senhor é o Capitão? – perguntou a noviça sabendo que estava sendo redundante. Estava claro que era ele!

– Em que posso lhe ser útil, irmã?

– D-Desculpe vir assim, mas é que após a morte da madre Calvera, nós ficamos sem ter a quem apelar. Ela me deu esse crucifixo e disse que o senhor poderia nos ajudar.

– Madre Calvera morreu? Como?

– Assassinada. Foi algo terrível e nem sabemos quem o fez. Com a morte dela os abutres começaram a rondar e a assistência ao orfanato está comprometida. A nova abadessa não se mostra muito aberta a esse tipo de coisa e estamos com poucos recursos.

Poseidon encarou-a com aqueles olhos muito azuis que pareciam lagos congelados de inverno. Havia uma dor genuína neles e Saori sentiu a própria dor voltar com força pela perda trágica.

– Pode ficar tranquila, vou cuidar de tudo. Madre Calvera era uma grande amiga, ela acolheu a mim e a meu pai em tempos difíceis, quando todos nos viraram as costas. Serei, eternamente, grato a ela.

– Obrigada! – disse Saori quando seu olhar recaiu sobre uma peça maravilhosa que estava sobre uma mesa de marfim.

Era um belo manto tecido em fios de ouro com enfeites em lápis-lazúli e esmeraldas. E não parecia uma simples peça, ela brilhava com um calor indescritível, pulsando, sussurrando, chamando-a com seu fulgor... A noviça foi sendo envolvida pela beleza daquelas cores e da trama delicada. Sua mente pareceu esvaziar por alguns segundos...

– Irmã?

Saori voltou a encarar Poseidon, sentindo um breve estremecimento.

– Sim?

– Está se sentindo bem?

– S-Sim, senhor. Perdoe-me.

Poseidon indicou-lhe a saída e a noviça encontrou seu protetor esperando-a como havia prometido.

– E então? – indagou Seiya.

– Está tudo certo. Podemos voltar! – respondeu Saori com um sorriso.

Aquele ato pegou o jovem desprevenido e ele suspirou fundo para recuperar o controle. Estendeu o braço e sorriu quando Saori enfiou a mão, segurando-o.

– Então, vamos. – disse ele e logo os dois estavam no caminho para o convento.

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– Satanismo? – repetiu o bispo Tatsumi. – O que os faz recorrer a essa teoria?

O inspetor Dohko deu um sorriso sem graça.

– Temos indícios que essas mortes têm algum em comum e o senhor Camus desenvolveu uma teoria.

Tatsumi olhou para o ruivo e, embora não se deixasse intimidar por olhares, sentiu certo desconforto na intensidade com que Camus olhava.

– Veja bem, cada assassinato mostra partes do corpo sendo arrancadas, como se o assassino estivesse compondo um mapa ou colecionando membros. Esse tipo de coisa é próprio destas seitas, não é? – continuou Dohko.

– Eu não sei se posso ajudá-los. Mas, verei o que posso fazer. Talvez consultar alguém que lide com isso.

– E quem o senhor nos indicaria?

– Os padres Aspros e Defteros. Eles lidam com esse tipo de assunto.

– E onde podemos encontrá-los?

– Os senhores deram sorte, eles estão em Londres.

– E onde, especificamente?

– É segredo, mas eu darei um jeito.

Dohko franziu o cenho.

– Segredo? Por quê?

– Eles são exorcistas caçadores, a lenda viva do Vaticano. Eles permanecem ocultos no combate ao mal.

Camus olhou para Dohko e ambos encararam Tatsumi.

– Muito bem, nos ponha em contato com essas duas... lendas vivas. Precisamos de todo o apoio que pudermos dispor.

Assim que Dohko e Camus deixaram a abadia, Tatsumi prostrou-se em frente a cruz e rezou. Pediu forças para continuar defendendo a vida e combatendo o mal. O inspetor tinha razão, cada vez mais as forças ocultas inspiravam os fracos a transgredir e a acolher as sombras. O jovem que queria brincar de Deus teria de ser eliminado, assim como o médico que ousara tornar-se o próprio Deus... E ainda tinha o assassino misterioso que causara todas aquelas mortes. Precisava retomar o contato com aqueles que o haviam iniciado no combate como avatar. Fez o sinal da cruz e rumou para os subterrâneos...

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O som da água caindo, em intervalos regulares, completava o cenário cujo cheiro de mofo e sangue inundava o ambiente. Os subterrâneos da Abadia, abaixo dos mausoléus, pertenciam às sombras e aos amaldiçoados. Então, porque acabara ali? Logo ele, um guerreiro à serviço de Deus que tudo fizera pelo bem da Ordem! A pergunta feita a si mesmo não modificava as feições controladas que mais pareciam um belo entalhe em mármore. Ele sabia a razão.

Aspros tocou o medalhão que carregava uma imagem pagã esculpida em ouro e prata que se tornara uma das razões de queda da Ordem do templo. Baphomet, aquele que personificava “o pai do templo da paz de todos os homens” e que fora usado como proteção contra os demônios. Que ironia! A cabeça de bode tornando-se a representação oficial do próprio demônio! E ele, um homem íntegro e forte, preso a uma torrente de atos amaldiçoados, tudo por causa daquele que amava acima de tudo, até mesmo de Deus: Defteros, seu irmão.

Ouviu o som das correntes sacudindo e sabia quem as movimentava. Inspirou fundo e foi na direção da respiração pesada, no cheiro da morte e da umidade que se infiltrava por aquelas paredes...

Sentiu o cansaço dos séculos em seu corpo esguio e também a eterna culpa. Culpa por sua arrogância e por seu descuido. Culpa por tornar-se tão maléfico, quanto àqueles que considerava candidatos ao inferno. Culpa pelos atos cruéis que vinha fazendo junto ao seu irmão gêmeo.

Liberte-me...! – falou a voz enrouquecida de Defteros, quando Aspros adentrou o cubículo iluminado por uma vela.

– Ainda é cedo.

Eu preciso terminar o mapa... O círculo deve ser completado. E tenho sede!

– O inspetor montou uma força-tarefa. Não podemos arriscar.

Os olhos avermelhados de Defteros brilharam na penumbra e ele sorriu, exibindo as presas brancas e afiadas.

A hora se aproxima... O mapa atrairá o demônio e fechará o círculo. Só assim teremos força para mandá-lo de volta ao inferno. Seremos livres novamente!

– Nossas ações... Nós nos transformamos em criaturas abjetas! E tudo por minha culpa... Se eu não tivesse... – disse Aspros apertando o medalhão.

Quer saber?Assim que eu... Que nós entregarmos o Escolhido e bebermos do seu sangue... Esta maldição acaba! Ninguém é inocente, irmão. Ninguém! Há um pouco de justiça na escuridão de nossos atos.

Aspros suspirou. Cada uma daquelas mortes pesava em sua consciência. Mas, num ponto Defteros tinha razão, eles escolhiam aquelas cuja alma possuísse uma sombra viva, algo que lhes maculasse a inocência...

A primeira vítima, a jovem prostituta, fora acolhida por uma velha senhora que se apiedara dela e lhe dera casa e comida. Em troca, a jovem a envenenara e lhe roubara, apropriando-se da casa e dos pertences da mulher.

A segunda, uma mulher obesa tinha compulsão por comida e deixava seus filhos famintos, obrigando-os a pedir esmolas na rua, enquanto devorava sozinha, todo e qualquer alimento trazido pelos pequenos.

A terceira era uma jovem bela e, aparentemente doce. Porém, traíra sua melhor amiga e usara de magia negra para roubar-lhe o noivo.

A quarta, uma velha senhora, espalhara boatos sobre uma vizinha a qual detestava sem nenhuma razão. Acabou destruindo-lhe a reputação e levando-a ao suicídio.

A quinta, a menina que todos consideravam inocente, havia afogado seu irmãozinho na banheira por ciúmes do pai e tudo passou por acidente.

E a última, a abadessa... Essa era a pior de todas! Uma religiosa que agia secretamente contra a vida, uma “ceifadora de anjos” que as jovens procuravam para interromper uma gravidez indesejada e esconder seus pecados.

A escolha da vítima e o dom do conhecimento destas almas era, somente, deles e de seus novos olhos.

Os olhos de um demônio vampiro eram capazes de sondar o lado mais sombrio e secreto dos seres humanos...

E esse poder fora a sua herança e a de Defteros ao adentrar aquela caverna em Luxor, no Egito no ano de 1208.

A Ordem do Templo procurava a Arca da Aliança e tanto ele, quanto Defteros, templários de primeira ordem, foram escalados para investigar importantes informações sobre o paradeiro do artefato.

Acabaram em uma região chamada Goshen, onde um complexo de hipogeus despontava em meio ao árido deserto. Dentro de uma destas cavernas jazia um templo secreto contendo urnas de prata fortemente acorrentadas e uma coroa de ouro com uma uraeus, a serpente com olhos de rubi, símbolo da invencibilidade do faraó e de sua imortalidade.

A coroa reluzia, porém a uraeus era negra e seu olhar tão penetrante como se o fosse de uma criatura viva. O artefato descansava no centro de um pentagrama contendo a imagem de Baphomet. As paredes do templo também eram negras e inscrições no chão e no teto, feitas com sangue, alertavam para jamais retirar a coroa ou as urnas daquele lugar.

Defteros sorrira e ele também. Apesar se serem guerreiros, eram instruídos e sedentos de conhecimento. Falavam com fluência o grego, o latim, o árabe e também o copta, o que os deixava em posição superior ao grão-mestre que os guiava. Aquele achado, embora não fosse o esperado, era impossível de ser ignorado e tornou-se motivo de orgulho e queda para ambos.

Os dois retiraram as correntes e tomaram a coroa nas mãos. Eram religiosos, mas não supersticiosos, então ignoraram as advertências e se apropriaram daquele tesouro. Seria mais uma conquista para a Ordem e talvez esse feito os deixasse mais próximos da hierarquia maior.

Imersos na alegria da descoberta, perderam a noção do tempo e a noite caiu sobre aquelas terras. A lua cheia escondeu-se atrás de grossas e escuras nuvens, o ar quente tornou-se gélido...

Dentro da caverna, as paredes do templo ganharam vida e seres rastejantes os cercaram. Um homem com um cajado surgiu em meio às criaturas. Anéis de ouro brilhavam em todos os seus dedos e sua pele era escura e enrugada. Um cinto de turmalina negra em forma de abutre envolvia a sua cintura e seus olhos eram de um vermelho vivo e brilhante como duas brasas ardentes. Ele os olhou e sorriu exibindo dentes afiados como os de um lobo.

“Intrusos ou deveria dizer... Libertadores?” Falou a voz tão densa e profunda como se o fosse de um ancião.

Defteros foi o primeiro a erguer a espada e também o primeiro a ter seu sangue drenado. Foi com horror que Aspros também sentiu as presas em sua carne, seguido de uma escuridão dolorosa e sem fim.

A rapidez com que tudo aconteceu, apenas confirmou o destino amaldiçoado que passaram a compartilhar. Estavam presos ao demônio que acabaram por libertar e a sua maldição era percorrer os séculos até o reencontro com o Escolhido, aquele que seu mestre desejava...

“Eu lhes darei a honra de me servir pela eternidade... Oferendas de carne e sangue. Só assim ele se revelará... e então, eu o destruirei!”

As lembranças ainda eram incômodas, apesar do tempo. Quantos personagens haviam interpretado depois daquilo? Comerciantes, artistas, nobres e, por fim, novamente religiosos em defesa da fé, padres da secreta ordem dos exorcistas caçadores...

– Me solte, Aspros! – grunhiu Defteros interrompendo seus pensamentos.

O gêmeo mais velho pegou o molho de chaves do bolso da batina.

– Vá, mas tome cuidado. Tatsumi saiu a noite passada.

Ele é como um mastim... Um bondoso guardião e só! Não precisamos nos preocupar com ele.

– Ele é mais que isso, ele nos ajudará a atrair o Escolhido. Neste século e nesta cidade estão aqueles cujos destinos estão entrelaçados... Nossa maldição acabará se agirmos com cuidado! – falou Aspros.

Defteros esfregou os pulsos. Ver-se livre das correntes fazia crescer uma enorme fome dentro de si. A besta trancafiada rugia enlouquecida pelo prazer de matar, enquanto sua parte humana adormecia em meio à dor e culpa. Suas presas surgiram afiadas e sedentas... O sorriso desenhou-se em um esgar demoníaco. Mais uma vítima... mais sangue... Mais poder! O mapa ainda precisava ser completo, era preciso fechar o círculo das sete vítimas.

O manto da noite caía sobre Londres e logo, outra vítima seria escolhida e sacrificada...

Notas finais
**♥**Um super agradecimento para todos que leem, comentam, favoritam, recomendam, silenciam. ***♥ ♥Bjs e até a próxima!!