AMALDIÇOADOS!
1 Prólogo
Notas iniciais
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Dohko olhou para a mulher caída a seus pés. Estava em posição fetal, amarrada com finas tiras de couro que se aprofundavam na carne alva dos pulsos. O elegante vestido de musselina cinza escuro estava sujo e rasgado na altura dos seios. Um dos sapatos pendia do pé direito, enquanto o outro pé estava descalço.
Mais um corpo! Quando essa brutalidade vai terminar?
O inspetor ajoelhou-se ao lado do corpo da mulher e afastou-lhe a cabeça, delicadamente, enquanto franzia o cenho. Avaliou que ela devia estar morta havia pelo menos há dez horas, pois os músculos ainda permaneciam com o rigor mortis. Ele pressionou de leve os dedos sobre o pescoço da mulher, onde a gola do vestido tinha sido arrancada e as marcas roxas indicavam estrangulamento.
Ainda sentia o desconforto de tocar os mortos, parecia uma invasão de privacidade...
No rosto delicado voltado para si, constatou a expressão de terror. O olho esquerdo estava arregalado como se tivesse visto algo terrível antes de morrer, enquanto o direito havia sido arrancado e uma pequena cratera sangrenta jazia onde antes, o olho existira.
Embora como um homem da lei que já presenciara tantas mortes violentas, a morte dessa mulher tocou-o de modo diferente. Era uma bela jovem, frágil e com um futuro pela frente, enquanto ele era um homem maduro e experiente, que já vivera muito.
Parecia tão antinatural que os jovens perdessem suas vidas antes dos velhos. Ainda mais daquele jeito...
Dohko fechou o olho da mulher, depois pressionou o queixo para fechar a boca que se encontrava aberta, num último grito de pavor.
Aquela era a sexta vítima em menos de dois meses. Mais uma jovem brutalmente assassinada e desovada num beco imundo sem que a polícia pudesse impedir!
Com um suspiro, ergueu-se devagar. Não mexeu mais no corpo até que chegasse o médico legista do morgue. Desviou o olhar do corpo e observou tudo em volta. O beco cheirava a esgoto e os casebres que se encontravam dos dois lados estavam cobertos por uma fuligem preta e pegajosa. A jovem morta não era uma estranha para ele, já a tinha visto no teatro conversando com sua neta. Não sabia o nome, mas logo descobriria.
Decididamente, ela não pertencia àquele lugar.
– Inspetor! – chamou uma voz sonora e conhecida, interrompendo os pensamentos de Dohko.
– Veio rápido, Dr. Shura.
– Vim logo que soube de mais essa atrocidade. Parece que o terror chegou à Londres, neste inverno. Quando isso vai parar...? – falou o médico com um tom grave.
– Estamos fazendo todo o possível, mas sem resultados! Eu me sinto de mãos atadas, doutor!
– Talvez seja o momento de pedir ajuda.
– Ajuda? Já mobilizei todos os homens disponíveis.
– Eu falo de outro tipo de ajuda.
– Como assim?
– Acho que precisa mudar o foco da investigação.
– O que está tentando dizer, doutor?
– Estou dizendo que essas mortes não são simples assassinatos e nós sabemos disso. Há algo muito além e que necessita de um novo olhar. Quem sabe o senhor possa reunir pessoas com habilidades diversas que possam ajudar a desvendar esse mistério.
– Uma força-tarefa?
– Exato.
Dohko coçou a cabeça. A simples ideia lhe parecia atraente, mas também arriscada. Uma vez usara as habilidades de uma senhora dedicada ao espiritismo e fora muito criticado por isso. Mas, no final, ela revelara muitas coisas sobre o caso e ajudara a pegar o assassino. Entretanto, ela falecera, no ano passado e, atualmente, ele não confiava em mais ninguém. É claro que havia videntes por toda a Londres, mas a grande maioria eram, apenas, prestidigitadores ou charlatões...
– Tem alguma sugestão, doutor?
– Conheço alguém que possui um talento genuíno para investigação de fatos e situações estranhas. É um estudioso de fenômenos da mente e possui uma sagacidade digna de um Sherlock Holmes.
– E quem é esse homem?
– Ele é um grande amigo e se chama Camus Lecrerc.
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A noite nebulosa sugeria um clima misterioso. As ruelas estreitas acolhiam carruagens com brasões indicando nobreza, casais que andavam à pé e aqueles que a sorte havia abandonado e que estendiam as mãos esqueléticas em busca de uma esmola. A grandiosidade da arquitetura se mesclava aos prédios enegrecidos de fuligem...
Em meio ao burburinho da cidade, havia um teatro cujo espetáculo era bem diferente de todos os outros. A atração principal não era a temporada de óperas ou saraus e sim Milo Stephanopoulos, um vidente que dizia receber o espírito de Imnotep, Primeiro na linhagem do Rei do Alto Egito, Administrador do Grande Palácio, Nobre hereditário e Sumo Sacerdote de Heliópolis, entre outras coisas...
O espetáculo no teatro London Palladium atraía, cada vez mais, curiosos que desejavam descobrir como era possível que um jovem tão belo e sensual pudesse ser um verdadeiro oráculo, cujas previsões e revelações eram contundentes.
– Acha mesmo que ele é um vidente? – perguntou o elegante duque para o seu acompanhante, enquanto Milo adentrava o palco, apenas, com um saiote especial plissado com cinto largo e dourado, deixando à mostra seu tórax nu e suas coxas torneadas. Usava sandálias douradas e mantinha os cabelos longos e loiros
As cortinas de veludo vermelho se afastaram devagar, revelando duas grandes tochas que acendiam com um som característico. Entre elas, Milo elevava os braços em uma saudação, o rosto belo e maquiado como se fosse um egípcio. Havia um magnetismo na forma de ele se mover e olhar que prendia o público, deixando-o a sua mercê.
– Vidente ou não, ele é... interessante. – respondeu o jovem mordendo de leve, o lábio inferior.
– Nisso você tem razão. Mas não foi pela beleza dele que vim até aqui. – disse o duque.
O jovem sorriu. Ouvira falar que Milo, além da vidência era um verdadeiro furor na cama e a simples imaginação do fato o deixava excitado. Se ele era mesmo um vidente ou um charlatão, pouco importava... Queria ter a oportunidade de prová-lo... Mas, não estava ali para isso e sim acompanhando seu tutor, o duque Saga Aristandros.
Alheio ou não aos pensamentos curiosos e libidinosos, Milo deixou o palco e começou a caminhar em meio à plateia, arrancando risinhos e murmúrios. Devagar, andou como se fosse um caçador, espreitando, sentindo...
Então ele chegou perto do duque e olhou-o bem dentro dos olhos, antes de falar-lhe ao ouvido:
– Sua Graça viveu um relacionamento por muitos anos e foi fiel até a morte da sua companheira... Entretanto, seu coração sempre pertenceu a uma só pessoa, um amor proibido por causa de antiquados conceitos morais... Agora que está viúvo se questiona se assume essa relação ou... esquece para sempre. Deixe-me dizer-lhe: ele precisa do senhor...
As feições do duque se abriram em uma expressão surpresa e trêmula.
– Como sabe...? – murmurou ele, recebendo um sorriso de Milo.
– Seu coração me contou, Sua Graça... Não será fácil assumir este amor e, em alguns momentos, achará que foi amaldiçoado. No entanto, se hesitar, cairá em desgraça e amargura. Aprenderá muito sobre si mesmo no Egito e com seu... amado. – murmurou o vidente, bem próximo ao ouvido do duque.
Saga apertou a bengala de marfim trabalhada com detalhes em prata. Ninguém sabia dos seus sentimentos para com seu irmão, Kanon. E também ninguém sabia que ele era um pesquisador e se embrenhara em uma expedição a fim de explorar o alto do Nilo no exótico Egito.
Além do duque havia outras pessoas interessadas no poder do vidente ou na ausência dele... A luz das tochas, estudadamente colocadas nas laterais do teatro iluminavam o ambiente e também a pele bronzeada do vidente. Seu belo rosto parecia transformar-se com a maquiagem em volta dos olhos azuis, seus lábios se tornavam convidativos e a forma sinuosa com que se deslocava deixava todos hipnotizados.
Todos.
Menos ele.
Camus Leclerc era pesquisador de fenômenos espirituais e olhava para Milo antecipando cada movimento que ele fazia. Ele olha nos olhos, estabelece uma conexão e então dispara as suas “previsões”.
Ao lado de Camus estava um jovem adolescente ávido em aprender, chamado Seiya. O pesquisador o levava em suas incursões pelo mundo espiritual para que aprendesse a distinguir a verdade da ilusão. Não que fosse cético, muito antes pelo contrário. Ele sabia que havia forças além da sua compreensão, mas estas não podiam ser comercializadas ou dominadas tão facilmente como o fazia aquele homem.
– Engraçado... Esse tal vidente não é grego? Então porque ele se intitula um oráculo egípcio e não um Oráculo de Delfos que é da sua nacionalidade?– questionou Seiya.
Camus sorriu. Seu aprendiz era inteligente. Um tanto estabanado, mas ainda assim vivaz e atento aos detalhes.
– Creio que, esperto como ele é, saiba que o exotismo do Egito, por ser uma cultura mais antiga, atrai mais que os mistérios gregos. – respondeu Camus.
Milo continuava a circular pelo teatro, detendo-se a frente daqueles que sentia precisar das suas previsões. O andar sinuoso, os olhos inquisidores e atentos... Foi então que ele viu Camus e algo estranho aconteceu. Seu corpo pareceu mover-se por conta própria e uma emoção estranha ameaçou subjugar a sua vontade.
Camus percebeu a movimentação e se manteve frio e controlado. Quando Milo postou-se bem a sua frente. Seiya franziu o cenho, porém o ruivo sinalizou, discretamente, para que nada dissesse.
O vidente moveu a cabeça, como se estivesse esquadrinhando o rosto alvo de Camus. Seus olhos pareciam duas chamas azuis e frias...
– Então você veio... – disse Milo com uma voz baixa e rouca.
O ruivo franziu o cenho, mas permaneceu em silêncio.
Milo continuou.
– Tanto tempo... Tantas vidas... Não pensei que o seu interesse pelos humanos permanecesse depois do que aconteceu.
Um sorriso sardônico brincou nos lábios bem feitos de Camus.
– Não perca seu tempo, vidente. Não vim aqui para consultar-me e sim para mostrar a este jovem aprendiz o que é verdadeiro e o que é ilusório.
Milo ignorou o comentário, o olhar penetrando nos olhos rubros acastanhados de Camus. Sua voz adquiriu uma tonalidade baixa e ainda mais rouca.
– As vozes... Você as ouve gritar... E então a voz dela se sobrepõe às demais e é a última lembrança da sua infância infeliz. Ela o salvou e pagou um alto preço, deixando-o só e carregado de culpa. Fuja Camus! Fuja e não olhe para trás!
O sorriso morreu na expressão de Camus. Ele franziu o cenho, sentindo uma espécie de eletricidade percorrer-lhe o corpo, terminando em um forte arrepio na nuca. Os olhos azuis do vidente continuavam conectados aos seus, o cheiro do incenso penetrava em suas narinas causando uma espécie de enjoo. Seu corpo retesou e sua mente alertou-o de um jeito esquisito.
– Vamos embora, Seiya. – disse o ruivo e Seiya obedeceu, contendo-se para não fazer perguntas.
Milo viu o ruivo se afastar com passadas largas. Uma estranha solidão lhe tomou a alma, enquanto vozes o chamavam e pareciam distantes e inexpressivas. De repente, sentiu um toque em seu braço e sua mente voltou ao momento presente, sentindo-se momentaneamente vazio.
Shina era amiga e assistente de Milo. Agia como segurança do jovem, cuidando para que não fosse assediado em pleno espetáculo. Ela sabia do que o grego era capaz, conhecia o grau elevado de vidência que ele fazia questão de mascarar com performances ensaiadas. No entanto, esta noite fora diferente e ela, que não se considerava grande coisa, pode sentir a presença poderosa da entidade que falava através do vidente.
– Imnotep não falará mais esta noite! – falou a bela ruiva, também vestida como se fosse uma nobre egípcia. – Você está bem? – sussurrou ela.
Minos assentiu com um movimento de cabeça e um sorriso forçado. O público aplaudiu de pé, enquanto alguns se mostravam visivelmente insatisfeitos e frustrados por não receber a atenção que esperavam.
Shina levou Milo para os bastidores, visivelmente preocupada com a palidez do vidente.
Antes que deixassem o local, o barão Saga apareceu junto com seu jovem acompanhante.
– Por favor, permitam-me agradecer pela noite de hoje, levando-os para jantar comigo. – disse ele.
O jovem chamado Sorento sorriu malicioso e estendeu a mão.
– Muito prazer em conhecê-lo, senhor Milo.
Shina sorriu e olhou para Milo. O vidente não parecia muito entusiasmado com o convite, porém apertou a mão de Sorento e do duque.
– Seria um grande prazer, mas a noite de hoje deixou-me exausto. Fica para uma próxima vez.
Saga mostrou-se, visivelmente, desapontado, assim como Sorento. Mas ambos sorriram e despediram-se de forma elegante. Assim que os dois embarcaram em uma elegante carruagem, Shina olhou para Milo.
– O que aconteceu? Você nunca ficou assim e nunca dispensou o convite de um nobre.
– Não sei. Nunca senti a possessão total, sempre consegui manter certa consciência, mesmo sabendo que as informações que obtenho são dele. No entanto, quando cheguei perto daquele ruivo... Algo aconteceu e não entendo o que foi. Você sabe quem é ele?
– Ele se chama Camus Leclerc e é uma espécie de investigador de fenômenos psíquicos. – respondeu Shina que fazia questão de saber informações precisas sobre o público que frequentava o teatro.
– Entendo. Certamente, ele veio tentar provar que sou um charlatão. – falou Milo após um suspiro profundo.
– Ele não foi e nem será o único a tentar isso e fazer papel de idiota. – disse Shina olhando para o alto e vendo os flocos de neve dançando no ar frio da noite. – Vamos para casa, não pode ficar doente.
– Nunca fiquei. – respondeu Milo, agora com um meio sorriso.
Os dois rumaram para a carruagem que já os esperava, próxima do teatro, enquanto que, nas sombras, um par de olhos rubros acastanhados os observava, com um brilho diabólico...
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Shura lavou as mãos e preparou-se para examinar o corpo. Já era quase madrugada e um silêncio sepulcral abraçava a cidade e, principalmente, o morgue.
A jovem, brutalmente assassinada, jazia sobre a mesa fria, iluminada pela lâmpada fraca. O médico já havia lavado e desnudado o corpo e se perguntava como um ser humano podia fazer tal atrocidade a outro.
– E então, senhorita... Quem fez isso a você? – perguntou ele, começando a examinar a face e cabeça.
Costumava de conversar com os pacientes, mortos ou vivos, expor suas teorias e opiniões pessoais. Ouvir e falar também eram qualidades terapêuticas muito importantes na vida de qualquer pessoa, principalmente para aqueles que escolhiam servir à sociedade.
Examinou a cavidade ocular, encontrando parte de algo que parecia ser uma unha. Retirou-a com uma pinça e colocou-a na tigela. Depois, examinou as marcas no pescoço que pareciam ter sido feitas por uma mão grande demais, quase inumana. Franziu o cenho e desceu os olhos para o resto do corpo nu. As marcas roxas das tiras de couro contrastavam com a pele alva e outras marcas se somaram a elas, como se fossem um mapa de tortura epidérmico...
– Deus! Quem faria uma coisa dessas?! – exclamou Shura ao perceber que abaixo dos seios e todo o ventre da jovem exibia marcas semelhantes a uma escrita hieroglífica.
Ainda sem abrir a caixa torácica para verificar as vísceras, Shura olhou com muita atenção cada símbolo gravado na pele. Foi feito com ferro quente! Constatou horrorizado. Então, lembrou-se das anotações que fizera das outras vítimas. Elas não pareciam ter nada em comum entre si, salvo o fato de serem mulheres em diferentes fases da vida, terem sido encontradas amarradas e ter uma parte do corpo arrancada.
A primeira, uma jovem prostituta, fora encontrada sem as mãos e amarrada pelos pés de cabeça para baixo. A segunda, uma mulher madura e obesa, estava com as mãos amarradas aos pés e tivera os dentes arrancados. A terceira, uma jovem bela e esguia estava toda amarrada como se as tiras fossem uma grossa teia e seus pés foram arrancados. A quarta, uma velha senhora que jazia amarrada, apenas pelo pescoço e tivera o nariz e as orelhas arrancadas. A quinta, uma menina de apenas 12 anos fora asfixiada. Nenhuma parte de seu corpo fora arrancada e ela permanecera com as roupas intactas, apenas com uma letra gravada a ferro em sua pequena testa evidenciava o crime brutal.
Todos esses corpos parecem contar uma história... Uma história macabra que não consigo entender. Pensou Shura.
– E então, meu bom doutor. O que temos? – perguntou o inspetor adentrando a sala de autópsia.
Shura o olhou com uma expressão séria.
– Existe algo nesses crimes que transcendem a minha compreensão. Como eu disse antes, precisamos de ajuda.
– Entre em contato com o tal Camus.
Nem bem o inspetor terminara a sua fala, uma voz nervosa e ofegante tomou conta do ambiente. Dohko e Shura olharam para a porta e para o policial que, apesar do clima frio, suava na testa cheia de vincos profundos.
– Vocês têm de ver isso! – gritou o homem.
Sem nada dizer, os dois acompanharam o policial para deparar-se com uma visão terrível em um beco próximo à delegacia.
– Deus do céu... a sétima vítima, ela é... Deus tenha piedade! – exclamou Dohko, unindo-se ao grupo que olhava, estarrecido, o corpo mignon de uma mulher madura, nua e traspassada por três flechas que se encontrava amarrada em uma cruz em X, conhecida como a Cruz de Santo André. Em sua pele excepcionalmente alva, estavam gravados a ferro misteriosos símbolos parecendo uma escrita hieroglífica. Mas, o que mais chamava atenção eram os olhos. Os olhos violáceos abertos e vítreos pareciam implorar por algo, a inocência e um estranho brilho mortiço estampado neles...
Com os olhos arregalados, o inspetor reconheceu sua amiga de tantos anos e a mulher mais bondosa que conhecera.
Calvera Maria de la Concepción se tornara abadessa secular do Convento Saint Germain, após ter se unido à Ordem das Irmãs de Santa Teresa. Era uma mulher forte, alegre, vinda das Américas, ainda criança. Ele a conhecera no hospital em que fora tratado quando era jovem e sucumbira a uma intensa e estranha febre. Logo ficaram amigos, dividindo a mesma escolha, dedicar a vida a algo maior do que si mesmos.
E agora, ela estava morta e de uma forma brutal e indigna.
– Ajudem-me a cobri-la! Por Deus movam-se! – gritou ele com um soluço preso na garganta.
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