AMALDIÇOADOS!
13 Caem os véus...
Notas iniciais

Shura terminou seu relatório sobre as estranhas marcas feitas nos corpos das vítimas. De todas elas, as que se revelavam pistas concretas para aquele intrincado enigma estavam gravadas no corpo da abadessa Calvera. Os hieróglifos desenhados a ferro revelavam, apenas, uma frase: O selo da maldição.
Seu amigo Camus havia decifrado a simbologia contida em cada corpo e tecido algumas teorias, mas, mesmo assim, o mistério continuava a fechar-se em si mesmo como um beco sem saída. Parecia que cada corpo era uma peça de um quebra cabeças cuja peça principal ainda faltava.
Uma pesada máquina fotográfica jazia sobre a mesa. O médico havia se familiarizado com aquela ferramenta e se preparava para revelar as fotos tiradas. Era um processo demorado, mas fundamentaria aquela investigação e lhe daria uma visão geral de todos aqueles corpos.
Então, de repente, a imagem do estranho chamado Afrodite se sobressaiu em sua mente. Os olhos, a pele, o sutil perfume de rosas e os lábios rosados em forma de coração. Um nome feminino para um homem cuja fragilidade era, apenas, aparente. Havia nele um magnetismo próprio da deusa cujo nome adotara e uma força misteriosa que o tornava único.
Um frêmito inesperado espalhou-se pelo seu corpo ao visualizar, novamente, aqueles olhos e aqueles lábios... Maldição! Não posso distrair-me agora! Censurou-se tão rapidamente quanto a lembrança que o assombrou.
A aragem da noite penetrou pela pequena janela aberta, trazendo aromas que mesclavam a fumaça das chaminés com o perfume de algum jardim. Rosas... A noite era abraçada pelo perfume das flores que representavam o amor... Ele tem o mesmo perfume naquela pele alva e perfeita. Mais uma vez aquele pensamento indesejado!
Shura levou a mão aos cabelos negros e resolveu tomar um ar. Já estava há muitas horas no morgue, parecia que ali era o seu verdadeiro lar. Vestiu seu casaco e rumou para a saída.
O corredor estava fracamente iluminado e acentuava o clima íntimo dos mortos, o que deixaria qualquer um desconfortável, naquele lugar. Entretanto, Shura não era um homem qualquer, ele conhecia a morte de perto, desde o seu nascimento em Lastres, uma pequena vila à beira-mar na costa das Astúrias, Espanha.
Lara Assumpción Martínez, sua mãe adotiva, era uma curandeira conhecida por realizar partos difíceis e trazer ao mundo, bebês de forma quase milagrosa. Ela o salvara de morrer junto com sua mãe, quando um surto de gripe atingiu a vila levando quase metade da população, principalmente os recém-nascidos, os velhos e as crianças pequenas.
Dotada de um conhecimento médico extraordinário, ela nunca adoecia e era incansável no auxílio a qualquer um que precisasse de ajuda. La Bruja Blanca, como diziam alguns...
Às vezes, quando ela fixava aqueles grandes olhos negros sobre os seus, Shura parecia ver uma entidade e não uma mulher. Isso o assustava um pouco, mas, então, ela abria um largo sorriso e voltava a ser a mãe afetuosa e dedicada que o incentivava a ser um homem de bem.
É, minha mãe, preciso da sua intuição e do seu olhar astuto. Algo muito grave está acontecendo aqui e eu desejo muito ajudar a acabar com isso, antes que mais mortes aconteçam.
Assim que deixou o prédio, Shura elevou os olhos para o céu. A lua continuava dançando com as nuvens, revelando sua face pálida e luminosa de tempos em tempos. Talvez uma caminhada pelo parque ajude a organizar melhor as ideias.
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Poseidon perdeu o ar e a cor fugiu do seu rosto. Ele segurou Hilda pelos ombros e a encarou com os olhos arregalados. O coração da abadessa bombeava contra o peito, ela podia ouvir a própria respiração e a do homem que amava.
– Nossa filha... – ele pausou – Nós temos uma filha e ela está em um orfanato?
– S-Sim, eu descobri que, enquanto me obrigaram a permanecer no convento, minha mãe colocou nossa filha na roda dos expostos. Ela mentiu dizendo que a criança havia morrido no parto e como eu fiquei muito doente, não tive forças para sequer desconfiar deste ardil.
– E como você soube?
– Eu visitei o orfanato e conheci uma menina chamada Lívia... Ela se parece muito comigo, com nós dois, na verdade. Até mesmo este sinal que eu tenho na mão, eu observei que ela possui um igual. No início, eu... pensei que podia ser uma coincidência, então fui visitar meus pais. Papai estava muito doente e às portas da morte. Ele morreu me amaldiçoando, porque não me arrependi de nada que aconteceu. Então eu pressionei minha mãe e ela acabou confessando que tinha mentido. Ela entregou Lívia para a adoção e disse ter feito isso para poupá-los da vergonha de ter uma neta ilegítima.
As narinas de Poseidon se inflaram e ele pigarreou, coçando cabeça em um visível ato de nervosismo. Internamente, ele experimentava um redemoinho de sentimentos contraditórios, raiva, alegria, tristeza, esperança...
– Minha filha não ficará em um orfanato. – disse ele, por fim.
Hilda fitou-o com um sorriso fraco.
– Nossa filha.
– Sim, perdoe-me. Nossa filha não permanecerá em um lugar como aquele. Nós vamos tirá-la de lá.
– Abandonar o hábito na minha posição é ser excomungada. Não que eu me importe com isso, mas significa que não poderei mais viver em Londres, pois todo aquele que souber o que eu fiz não vai se aproximar. Serei tratada como se fosse uma leprosa.
– Você se casará comigo e juntos, criaremos nossa filha. Eu não sou, propriamente, um cidadão exemplar. Eu sou o capitão, um personagem muito peculiar nesta sociedade hipócrita. No entanto, eu sou rico e dinheiro, minha querida, é a chave que abre todas as portas.
– Você... se tornou um pirata?
Poseidon sorriu com o cenho levemente franzido.
– Digamos que sou um Robin Hood em plena era industrial. Meus negócios incluem relíquias arqueológicas que tanto podem ser adquiridas de forma legal, quanto de forma, digamos... misteriosa.
A abadessa o estudou o semblante do homem que amava, os olhos azuis continham o mesmo brilho do qual ela se lembrava. Poseidon sempre tivera o senso de aventura no sangue. Que bom que ele não se deixou abater pelo que aconteceu. Ele ainda tem a mesma fibra...Ele continua tão lindo!
– Uma apóstata e um fora da lei. Como vamos construir o futuro de uma criança nestes termos? – questionou Hilda.
– Muito melhor que deixando-a crescer sem saber que tem pais que a amam. Assim que ela tiver idade, podemos matriculá-la em uma boa escola na Espanha ou Itália. Até lá, vamos desfrutar da companhia da nossa filha com todo amor que pudermos dar a ela.
Hilda sorriu.
– Tem razão. Eu só espero que ela nos aceite.
– Eu tenho negócios a resolver. Volte para o convento e aguarde uma mensagem minha. Vou preparar tudo para que tenhamos toda a segurança.
– Poseidon...
– Sim?
– Como vamos adotá-la se ainda não somos um casal e... nunca poderemos sê-lo perante a lei?
– Já disse para deixar tudo comigo. Quando chegar a hora, eu mando avisá-la. Agora vá, eu tenho negócios a fechar, ainda esta noite, e agora que descobri que sou pai estou ainda mais determinado a captar recursos.
Nervosa, Hilda assentiu lembrando que Saori sabia de tudo e agora saberia muito mais. Como explicar a sua relação com Poseidon?
Assim que ela se despediu, Saori voltou.
– Não vou perguntar nada, apenas falar com o capitão sobre o assunto que nos trouxe aqui. Se um dia a senhora confiar em mim, saiba que tem uma aliada. – disse a noviça de forma muito tranquila e sincera.
Os ombros da abadessa relaxaram e ela deu um suspiro trêmulo. Aquela jovem não parava de surpreendê-la!
– Obrigada. Eu espero na carruagem.
Saori sorriu e não disse mais nada.
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Afrodite se sentia inquieto. As horas avançavam devagar e as lembranças não o ajudavam a descansar. Ioh brilhava entre o negror das nuvens e ele quase podia ouvir Khonsu sussurrar seu chamado: “Venha... corra comigo! Sinta a bruma, fareje a noite, torne-se um só com Nut.”
Instintivamente, o belo ilusionista levantou-se da cama e foi até a janela. Verificou seu braço, constatando que o ferimento já estava quase cicatrizado. O poder de revitalização física era uma das dádivas de sua raça e bastante útil em muitos aspectos.
Talvez um passeio me faça bem! Pensou ele, enquanto começava a despir suas roupas para tornar-se o parceiro primitivo de Khonsu e adentrar a noite.
O ato da transformação não era agressivo, nem violento. Os Vilkas vestiam a pele de lobo em um ritual mágico, individual ou coletivo. Primeiro, saudavam Anúbis, o Senhor da Necrópole sentando-se sobre os joelhos e elevando os braços em uma prece silenciosa. A seguir, pronunciavam as palavras sagradas, fazendo surgir os longos e sedosos pelos brancos, cinzas ou dourados, segundo a hierarquia de seus poderes. Os Vilkas de pelo branco possuíam o dom do ilusionismo, podiam distorcer a realidade ao fixar o olhar em qualquer pessoa ou animal. Os de pelo cinza tinham a habilidade de executar atos de extrema força e os de pelo dourado de usarem do mimetismo.
A anatomia se adequava, rapidamente, sem nenhum tormento. Ossos e carne humanos moldavam-se ao forte e ágil esqueleto lupino como se fosse uma bela roupa nova, o sangue pulsava forte, levando energia a todas as partes do corpo, ampliando a visão mil vezes mais e aguçando o olfato.
Ao término, uivavam em agradecimento, quando junto da alcateia, porém mantinham a consciência humana, deixando o instinto prevalecer, apenas, em sua conexão profunda com tudo ao redor.
A janela alta era larga, o suficiente para um salto ágil. Então Afrodite o fez, aterrissando graciosamente no gramado da mansão. Em seguida, disparou noite adentro, lembrando que havia uma arma perdida no parque onde fora ferido. O artefato serviria para localizar os demônios os quais havia jurado exterminar. A noite estava, apenas, começando...
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O Kensington Garden parecia deserto, salvo alguns casais que se esgueiravam por entre as árvores para usufruir de encontros furtivos em um clima excitante, com gosto de proibido.
Camus e Milo estavam acompanhados de Seiya e vasculhavam por entre as árvores seculares sob a fraca iluminação de algumas lamparinas.
– Senhor Camus, o que devo procurar, especificamente? – perguntou o rapaz.
– Não posso descrever com precisão. Sei que era uma espécie de lâmina. Procure algo que brilhe. – respondeu Camus.
Milo fechou os olhos e, em sua mente, uma lâmina em forma de meia-lua destacou-se como se tivesse sido lançada na sua direção.
– É uma lâmina curva com uma espécie de garras nas pontas e... Foi lançada naquela direção. – disse o vidente apontando.
Camus e Seiya avançaram na direção apontada e Milo ficou para trás. Assim que os dois ficaram bem à frente, o vidente foi rapidamente na direção contrária.
Há alguns metros dali, Afrodite havia farejado o próprio sangue que jazia na lâmina lançada por Defteros. A arma estava cravada em um tronco largo, encoberta por alguns arbustos espinhosos. Em sua forma de lobo, ele se preparava para arrancar a lâmina com suas presas quando Milo se aproximou. Em um primeiro momento, Afrodite pensou lançar mão de sua habilidade, mas então fixou os olhos nos de Milo e viu quem estava no comando.
“Sinto-me honrado em reencontrá-lo, Sumo sacerdote de Heliópolis.”
O brilho fugaz nos olhos do vidente pareceu reluzir com se fosse a luz das estrelas seculares.
Fico feliz que tenha mantido seu juramento. Muitos séculos se passaram. O orgulho dos Vilkas ainda permanece, apesar da trágica derrota. Porém, não pensei que o reencontraria tão cedo.
“Perdemos muito mais que o orgulho naquele dia fatídico. Passei muito tempo procurando e me adaptando aos novos tempos. Não descansarei até que o demônio pague por sua traição!”
Como bem disseste, são novos tempos e precisamos atraí-lo, primeiro. Não esqueça que ele tem dois hospedeiros a seu serviço e os dois estão ligados pelo juramento de desrêt.
“São apenas assassinos de sangue! Crias desavisadas e corrompidas pela ganância. Eu vacilei com um deles, mas isso não se repetirá.”
Aprenda comigo, Vilka. O menor descuido pode por tudo a perder. O Vizir ainda não se manifestou, mas quando o fizer, teremos que estar preparados ou ele trará a loucura e o caos para este mundo, também.
“Eu soube das mortes. Elas são obras dos hospedeiros! Os dois parecem estar tentando fechar o Círculo do Duat. Isso tem a ver com o que foi feito à rainha, não?”
Tua beleza é proporcional a tua inteligência. Sim, tudo o que está acontecendo tem a ver com a traição do Vizir Harakhty condenando-a a morte, injustamente.
“Então corres perigo. O Vizir acabará sabendo que estás neste corpo.”
Eu conto com isso. Ele saberá onde e quando me encontrar.
Afrodite fitou-o com curiosidade.
“Tens um trunfo, Sumo Sacerdote?”
Foi a vez de Milo sorrir.
Sim, eu tenho! Não me tornei amante de um deus à toa. Na hora certa, Loki será invocado por mim e mais uma vez me ajudará a destruir Harakhty. O Vizir terá o castigo que merece e eu vou me certificar que ele pague por toda a eternidade.
“Sinto uma forte energia espiritual neste corpo que estás usando. Agora mesmo, percebo que o grego busca o controle e talvez até mesmo se lembre desta nossa conversa. Eu consegui que ele permitisse a minha hospedasse em sua mansão, mas creio que com o tempo ele é capaz de desfazer a ilusão que criei.”
Sim, o grego é o hospedeiro mais forte que já encontrei. Em todos os séculos, eu possuí vários corpos, na tentativa de encontrar o ideal, mas nenhum me serviu como este. Somente ele foi capaz de atrair meu amante divino e somente ele suporta o poder que tenho. Mantenha a ilusão o maior tempo que puder, só assim nós manteremos o controle da situação pelo tempo necessário.
“Farei como me pede. Agora devo...”
Um ruído fez ambos estancarem. Afrodite virou-se e deu de cara com Shura. O médico fitava ambos com o cenho franzido e uma expressão incrédula.
– Mas o que é isso...? – murmurou o médico.
Shura via duas figuras, ao mesmo tempo, como imagens sobrepostas que se alternavam. Um homem nu e um animal envolto em uma espiral brumosa. Ele piscou duas vezes e sentiu uma espécie de vertigem. Logo em seguida, pareceu que estava despertando de um sono e então, a figura de um homem surgiu, nitidamente.
Afrodite! Sua mente registrava a imagem do homem que não saía dos seus pensamentos e que estava ali, bem a sua frente. Mas, como? Ele tinha certeza de ter visto uma espécie de lobo!
– Senhor Shura! Mas que coincidência agradável. Parece que todos nós resolvemos dar um passeio noturno no mesmo lugar. – falou Afrodite com um sorriso educado e escondendo a lâmina atrás do corpo, enquanto manipulava a realidade criando a ilusão de estar vestido.
– É verdade. Mas, o que o traz aqui, doutor? Não me diga que está me seguindo. – falou Milo, ainda sob o controle de Imnotep.
– Bem, eu... eu estava trabalhando e...
– Trabalhando? – rebateu Afrodite com o cenho franzido.
Enquanto Shura pensava em responder, Camus e Seiya se juntaram aos três.
– Shura? Senhor Afrodite? – falou Camus elevando uma sobrancelha.
– Ora, ora, parece até que marcamos uma reunião! – falou Afrodite tendo o cuidado de manter a ilusão de normalidade para todos os presentes.
Nesse instante, Milo retornou um tanto confuso. Lembrava-se de uma conversa longínqua em sua mente, mas eram fragmentos soltos e estranhos. Ele levou a mão à cabeça o que atraiu a atenção de Camus.
– Milo, você está bem? – perguntou o ruivo.
– Hã? C-claro, eu estou bem. – respondeu o vidente. – E então, encontraram?
– Nós procuramos por todos os lugares possíveis, mas com essa luz fraca, acabamos não achando nada. – falou Seiya coçando a cabeça.
– E o que os senhores procuram? – indagou Afrodite.
– Um artefato. – disse Camus querendo encerrar o assunto.
– Ah! Espero que o encontrem. – falou Afrodite sem insistir. – Bem, já tomei um pouco de ar. Já que estou hospedado em sua casa, senhor Milo, que tal voltarmos juntos? – completou o loiro.
– Sim, claro. Já está tarde. Boa noite a todos. – disse o vidente.
Camus franziu o cenho e encarou a ambos. Havia algo em Afrodite que o deixava intrigado e não o agradava nem um pouco a intimidade que sentia existir entre ele e Milo. Os dois haviam acabado de se conhecer, porém ele sentia que Afrodite insistia muito em ficar próximo do vidente. Interesses profissionais afins ou interesse romântico? O pensamento o surpreendeu pela carga emocional despertada.
– Milo... – disse o ruivo se aproximando do grego.
– Sim?
– Ainda temos uma conversa pendente. Amanhã à tarde eu pretendo ir à Abadia de Westminster e gostaria que me acompanhasse. Depois podemos tomar um café e discutirmos algumas coisas, o que acha?
– Será um prazer. – respondeu Milo com uma voz rouca acompanhada daquele sorriso, fazendo o coração do ruivo acelerar.
– Às quinze horas na abadia, então. – falou Camus.
O vidente assentiu e despediu-se dos demais, seguindo junto de Afrodite.
Shura ficou em silêncio observando Afrodite e Milo deixarem o parque. Em seguida, aproximou-se de Camus e Seiya.
– O que vocês acham deste homem? – questionou ele, por fim.
– O senhor Afrodite? Eu me sinto meio esquisito perto dela... quer dizer, dele. É bonito demais, parece até uma garota. – falou Seiya.
– Camus?
– O surgimento dele, assim de repente, me intriga. Há algo nele que me inspira desconfiança. Mas, você, o que acha dele?
– O ferimento dele não foi superficial e cá estava ele movendo o braço com desenvoltura. Foi um movimento sutil, mas eu notei. E tem mais, ele disse ter sofrido um acidente, mas o corte foi feito por uma lâmina e bem afiada.
– Será que ele se envolveu em uma briga? Ele faz o quê? – falou Seiya.
– Ele diz ser um ilusionista. — respondeu Camus e, em segundos, sua mente processou o que Shura e Seiya haviam dito. Não havia coincidências... – Você sabe o nome completo dele, Shura?
– Não.
– Então teremos que descobrir. Milo o está hospedando, ele deve saber. – disse Camus.
– Eu tenho um pressentimento sobre este homem. Não é algo racional, mas acredito que ele tem ligação com o que está acontecendo. – falou Shura.
– Concordo. – respondeu o ruivo.
Seiya olhou para ambos e sorriu.
– Eu tenho uma ideia, creio que poderemos ter outras informações sobre o sujeito em outro local.
– Outro local? – questionou Shura.
– Sim, ele disse que sofreu um acidente de carruagem, não? Então é só encontrarmos a tal carruagem e seu condutor.
Camus externou um olhar de aprovação ao seu aprendiz.
– Muito bem, Seiya. Amanhã cedo faça isso, enquanto eu e Shura voltamos a analisar as fotos dos corpos.
O jovem assentiu com a cabeça e deixou o parque. Shura ainda permaneceu parado, olhando na direção que tinha visto Milo e Afrodite. A lembrança da estranha imagem dançando em sua mente.
– O que houve Shura? – questionou Camus.
– Você me acharia louco se eu contasse.
– Você? Louco? Não conheço alguém mais centrado que você.
– Pois, se eu contar o que vi, você mudará sua opinião.
– Conte.
–Quando eu cheguei aqui, vi uma cena estranha, o senhor Afrodite estava junto ao Milo, mas, por um momento, ele me pareceu... Pareceu um animal.
Enquanto falava, Shura encarava Camus e a expressão do ruivo permanecia serena, embora um pequeno músculo facial se elevasse no maxilar do ruivo.
– Qual animal você pensa ter visto? – devolveu Camus
– Um lobo. Um lobo estranho com uma anatomia quase humanoide e... branco. – respondeu o médico.
– Você tem trabalhado muito e, além disso, muitas situações bizarras têm acontecido. – disse Camus.
– Você não me acha louco?
– Não.
– Desculpe enchê-lo com este tipo de coisa, mas...
– Não precisa se desculpar, Shura. Há muitas coisas obscuras sobre a terra esperando uma explicação lógica. Agora vamos, você e eu precisamos descansar um pouco. Amanhã cedo irei vê-lo para analisarmos as fotos, mais uma vez.
– Certo. Boa noite, Camus.
– Boa noite, Shura.
Assim que o médico rumou para casa, Camus franziu o cenho e voltou ao lugar onde Milo e Afrodite haviam estado. Desde que presenciara a luta entre o lobo e o pretenso assassino ele ficara com a nítida impressão que a estranha criatura continha traços humanos. E agora, com aquela colocação do médico, a hipótese se tornava uma possível realidade. Precisava ter certeza antes fazer qualquer revelação para o seu amigo.
Ele se abaixou e tocou o solo. Seus dedos sentiram a forma das pegadas e havia duas, uma de animal e outra de um homem. De imediato, Camus lembrou-se do olhar profundo e belicoso da criatura. A primeira coisa que lhe veio à mente foi Milo e, sem pensar duas vezes, rumou para a mansão do vidente.
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Hyoga sorria para Shun que ficara encantado com o teatro de marionetes. Os olhos do menino brilhavam quando a peça acabou e ele aplaudiu com vivacidade.
– Puxa! Eu gostei muito, senhor Hyoga!
– Que bom, Shun. Fico feliz e oportunizar algo que o divirta. – falou Hyoga. – Gostaria de um doce?
– Sim! – disse o menino.
– Senhor Hyoga, já fez o bastante. – disse Ikki. – Shun, temos que ir. – completou o samurai.
– A alegria de uma criança nunca será demais para mim, Ikki. E, além do mais, eu estou me divertindo como há tempos não fazia. Seu irmão é uma companhia rejuvenescedora. — o olhar gélido, seguido de um sorriso educado fez o japonês se sentir desconfortável.
– Fala como se fosse um velho. O senhor é jovem e...
– E você insiste em chamar-me de senhor, o que me faz sentir o dobro da idade que tenho.
– Perdão, eu apenas sou respeitoso.
O jovem deixou escapar uma risada sarcástica.
– Respeitoso? O modo como fala me parece mais uma forma de manter uma distância considerável de mim, como se eu tivesse uma doença contagiosa!
– Eu? N-Não, não é isso.
– Pois é o que parece!
Enquanto os dois discutiam, Shun e Isaak os observavam com uma expressão interrogativa.
– Bem, eu vou levar o jovem Shun para escolher um doce, enquanto os senhores... conversam. – falou Isaak.
Ikki e Hyoga não escutaram a fala de Isaak. Os olhares estavam unidos por um fio invisível, como se agora ambos fosses as marionetes. Havia tensão e também uma trágica atração entre eles, puxando-os de encontro a sentimentos que nenhum dos dois desejava admitir.
– Eu jamais quis insultá-lo. – disse o japonês.
– Pois insulta quando se dirige a mim como se fôssemos estranhos.
– Hyoga...
– Não estou cobrando nada de você. Não pense que porque eu me entreguei a você, quero impor a minha presença. Apenas acho que podemos ser amigos, pelo menos. Eu gosto muito do Shun, ele é um menino vivaz e merece algo melhor que ficar confinado em um lugar como aquela abadia. Volte a ser meu segurança e prometo deixá-lo afastado de tudo que não concorda. Mas, ao menos, ele e você... Vocês dois terão liberdade e oportunidades melhores.
– O seu projeto com aquele médico contraria a natureza. Os mortos devem ser deixados em paz. Não quero expor meu irmão ao perigo.
– Ikki, minha mãe morreu prematuramente. Quer dizer, na verdade, ela... deu a vida por mim. Eu preciso tentar trazê-la de volta!
– Hyoga, isso é loucura!
– Eu consegui preservar-lhe o corpo, ela não foi tocada pela putrefação da morte. Já imaginou vencer o que ninguém conseguiu? Você sabe o que isso significa? Que a Ciência vencerá a morte e terá o seu lugar ao lado dos deuses.
– Eu continuo com a opinião que a morte chega para todos. O ciclo da vida tem início, meio e fim.
O jovem suspirou.
– Tudo bem, mas pense no que eu disse sobre as oportunidades que seu irmão pode ter.
O jovem samurai sentia-se dividido. Por um lado sabia que Hyoga tinha razão quanto ao Shun. Na abadia, tudo o que lhe era solicitado se restringia ao serviço braçal, enquanto seu irmão ficava confinado entre as paredes grossas e frias. Mas, por outro lado, conviver com algo que não concordava sempre seria uma espécie de pomo da discórdia entre ele e Hyoga. E, por fim, havia aquela atração incontestável que descortinava sentimentos inéditos para si.
– Shun poderia frequentar uma escola?
Um sorriso de alívio brincou nos lábios finos de Hyoga.
– Mas é claro, eu posso providenciar isso.
– Pagarei com o meu trabalho. – disse Ikki, por fim.
– Fico feliz com a sua decisão. Preciso de você. – falou Hyoga tocando o ombro do samurai.
Por alguns segundos, Ikki deixou-se navegar no azul claro e intenso dos olhos de Hyoga, a vontade de tomá-lo nos braços e possuí-lo com paixão se avolumando ao ponto de repercutir no baixo ventre... Então a vontade férrea e a disciplina do samurai foi solicitada quase à exaustão e ele se afastou.
– Dê-me dois dias para concluir o trabalho tratado com o bispo.
– Está bem. – respondeu o jovem com um sorriso aberto.
O samurai desviou o olhar daqueles lábios tentadores e focou em Shun que vinha tagarelando com Isaak. O preceptor apenas movia a cabeça, mas Ikki percebeu que com o menino, o homem agia de modo menos antipático.
– Venha, Shun. Agradeça ao senhor Hyoga e vamos voltar. – disse ele.
O menino curvou-se à moda oriental e agradeceu.
– Arigatô! Quer dizer, obrigado, senhor Hyoga e senhor Isaak.
– Não tem de quê, Shun. Seu irmão concordou em voltar a trabalhar para mim e eu estou ansioso para que você continue descobrindo as coisas boas, aqui em Londres. – falou Hyoga piscando para o menino.
Shun sorriu e olhou para o irmão que, surpreendentemente, também sorria.
– Então, até mais, senhores! – disse Shun.
– Até mais, Shun. – respondeu Hyoga.
Quando os dois sumiram em meio aos outros transeuntes que voltavam às suas casas, Isaak inspirou fundo e perguntou:
– Acha mesmo prudente voltar a conviver com estes dois?
– Eu me sinto feliz ao lado deles, Isaak. Nunca tive essa espécie de sensação com outras pessoas. O que tem de errado nisso?
– Temo que sofra ao pensar que o samurai possa vir a amá-lo. Vocês dois pertencem a mundos diferentes.
– E quem disse que eu estou apaixonado por ele? O que aconteceu entre nós dois foi um momento. Um bom momento que passou. Prefiro que nos tornemos todos bons amigos. – mentiu Hyoga e em sua mente, reviveu os beijos e as carícias ardentes que trocara com o samurai.
– Para o seu próprio bem, eu espero que esteja sendo sincero. – pontuou o preceptor.
Hyoga ia responder quando sentiu uma forte dor no peito e se curvou pela intensidade que ela tomou seu corpo.
– Hyoga! – falou Isaak.
– I-Isaak... essa sensação... Acho que é m-minha mãe! Eu sinto que ela corre perigo! – disse o jovem.
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Em sua forma vingadora, Tatsumi ignorava que era, apenas, um instrumento utilizado por Aspros e Defteros com a finalidade de destruir obstáculos. Os dois estavam ligados a Harakhty, o Vizir que havia condenado injustamente a rainha Tiy e o serviam como demônios de sangue, após terem profanado o templo egípcio erguido para conter o perverso Vizir.
Se Tatsumi conhecesse, realmente, a quem dedicava sua profunda admiração, não estaria prestes a cometer aquele ato em nome da justiça divina, porque em sua ignorância, ele estava servindo de peão para os demônios que tanto desejava combater.
Se o bispo, agora trancado dentro daquela criatura, soubesse da verdadeira história, do início de tudo...
Egito, por volta de 1408 A.C
Logo após a morte do faraó Amenhotep III e a ascensão de seu filho, Amenhotep IV, ao trono, houve uma quebra importante no regime politeísta. Para a surpresa dos sacerdotes de Amon, o jovem faraó trocou seu nome para Akhenaton e fez surgir o culto ao deus único Aton tendo o total apoio de sua mãe, a rainha Tiy.
Partidário de Amon e sedento de glórias e poder, o Vizir Harakhty fingiu apoiá-lo, porém tramou para que a rainha fosse acusada pela morte do marido e condenada à morte. Com isso, ele acreditou poder influenciar Akhenaton a voltar atrás em sua proposta e governar em nome do jovem de apenas 15 anos. No entanto, para sua surpresa, apesar de jovem, Akhenaton era dotado de uma vontade férrea e uma espiritualidade muito forte.
Somando-se a tudo isso, o jovem faraó enamorou-se de Imnotep, o Primeiro na linhagem do Rei do Alto Egito, Administrador do Grande Palácio, Nobre hereditário e Sumo Sacerdote de Heliópolis. Os dois se tornaram amantes e Imnotep apoiou totalmente as decisões do faraó, conquistando a simpatia do povo e a ira de Harakhty.
Quando Tiy não conseguiu provar sua inocência, Imnotep usou da magia secular que lhe fora ensinada e tentou amenizar a dor do seu amado pela perda da mãe. Unindo seus poderes aos das sacerdotisas de Damanhoor, ele lançou um encantamento no manto que o faraó dera a sua esposa, de forma que ela pudesse “trocar” de corpo e permanecer no limbo do mundo dos vivos a fim de retornar e vingar-se, antes de ir para o além com seu amado.
Harakhty não desconfiou do manto quando permitiu que Tiy fosse executada com ele, estava mais preocupado em assegurar-se da vitória sobre o faraó e, para consegui-lo, ofereceu a vida de seu único filho e com o sacrifício invocou Seth, o deus do caos e o demônio Aam, devorador das almas dos mortos no reino de Osíris.
Ao abrir o Portal escuro, o vizir sabia que os aliados do faraó viriam em seu auxílio, então se antecipou e tramou para que os fortes defensores de Akhenaton encontrassem a derrota. Foi assim que os Vilkas, uma antiga raça guerreira criada pelos deuses antigos, caiu na armadilha das maldições e seu líder, Máscara da Morte foi acometido pela loucura de Sekhmet.
Preocupado com o faraó, Imnotep usou de todo o seu poder para protegê-lo, enquanto via os avanços de Harakhty. Sabendo que o Vizir tinha coligações maléficas e divinas que superavam a sua magia, Imnotep abriu um dos “Portais Sagrados do Tempo” procurando aumentar o seu poder e acabando por atrair um deus antigo e desconhecido.
Esse deus se chamava Loki e não pertencia ao Egito. Ele era poderoso e tomou-se de paixão e desejo pelo Sumo Sacerdote, possuindo-lhe o corpo, tomando-o a seu bel-prazer. Para infelicidade de Imnotep, Loki não era confiável e foi preciso sujeitar-se de forma quase humilhante para adquirir poder.
Então, em troca de ser a fonte de prazer de um deus, Imnotep tornou-se tão poderoso quanto um e conseguiu aprisionar o Vizir, selando a entrada dos demônios e impedindo-o de invocá-los em seu favor. Harakhty foi sepultado vivo em um templo secreto dentro de um hipogeu em Luxor. O símbolo do poder de Akhenaton foi deixado como um selo e o Sumo Sacerdote usou do próprio sangue para aprisioná-lo para toda a eternidade.
Quando Akhenaton deixou este mundo, Imnotep não o acompanhou e prendeu-se no limbo entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos, onde se tornou um guardião à espera da rainha que um dia voltaria para participar do julgamento do Vizir. Ele a conduziria ao templo no qual ele estava confinado e invocaria Osíris para o julgamento final.
Entretanto, antes que Tiy estivesse pronta para voltar, o templo onde o Vizir estava aprisionado foi encontrado e profanado pelos templários e o mal sobrevivente ali, foi libertado. Não obstante, anos mais tarde o manto que a mantinha no limbo lhe foi roubado...
Aspros e Defteros, os templários responsáveis pela profanação, pagaram com a vida e se tornaram as crias de sangue do Vizir com a missão de atrair seu inimigo e assim possibilitar a sua vingança. Após enviar Imnotep para os abismos infernais e sacrificar o Escolhido, Harakhty, finalmente, possuiria um corpo neste século e voltaria a andar no mundo dos vivos...
Em sua forma de gárgula, Tatsumi observava a mulher a sua frente, alheio à destruição de parte da parede que quebrara ao invadir a mansão de Hyoga. Seu pupilo lhe havia falado sobre a beleza daquela mulher, prestes a tornar-se uma abominação. Porém, ele não imaginara que ela parecesse um anjo puro e belo em meio ao líquido que a envolvia.
Ser um vingador se tornara quase uma obsessão e, nas horas em que não estava rezando ou presidindo a missa, ele investigava tudo e todos, principalmente após as mortes horrendas que vinham acontecendo. A notícia de um jovem chegando à Londres envolto em um passado obscuro e trágico chamou-lhe a atenção. Os padres o haviam escolhido para combater o mal e, a partir da sua consagração, ele ficara atento aos passos de todo aquele que tentasse subverter a ordem divina das coisas.
E agora, após quebrar a imensa janela e adentrar o quarto, fitando a prova real do absurdo desejado pelo jovem, sentia que devia terminar com tudo aquilo. Sua mão gigantesca tocou, devagar, o vidro, antes de pressioná-lo. Em seguida, com a força de um só dedo, pressionou até vê-lo trincar, criando desenhos na superfície transparente...
Quando o líquido começou a vazar por entre as rachaduras, Victor Frankenstein surgiu à porta, assustado com o barulho e presenciando a cena bizarra.
A gárgula fitou-o e, em seguida, sentiu uma forte pressão em sua mente, enquanto os olhos castanhos do médico se transformaram em dois orbes da cor do fogo e um sorriso maléfico erguia os cantos da sua boca.
Sem entender o que acontecia, Tatsumi levou as duas mãos à cabeça com um urro selvagem de dor...
Horas atrás, Frankenstein sentira uma presença. A umidade e o ar carregado de eletricidade lhe eram familiares, porém a presença que se manifestou, não. Ele ouviu um sussurro, seguido de um formigamento em todo o corpo.
Imagens da primeira criatura que trouxera à vida se manifestaram em sua mente: a descarga elétrica, a tempestade, o corpo voltando à vida...
Então tudo escureceu e ele se viu em outra época, dissecando corpos e os embalsamando sob a luz dos archotes. A figura de um corpo humano encimado pela cabeça de um chacal agigantava-se diante de si, sussurros pareciam vir de todos os lugares e a escuridão o envolvia como se fosse uma segunda pele, levando-o para o sono profundo da morte...
Tempos depois, Victor acordou sentindo uma espécie de energia que lhe deixou eufórico e com vontade de trabalhar. Acabou no aposento onde Natássia jazia à espera que ele lhe trouxesse de volta à vida.
E ali estava ele frente àquela criatura horrenda que ele só conhecia dos livros sobre mitologia. Segundos voaram antes que sua mente processasse a cena frente aos seus olhos e milésimos de segundos passaram quando seu corpo foi possuído e seus lábios pronunciaram o encantamento para subjugar toda e qualquer criatura:
Hou op onmiddellik kreatuur van die skadu!
A voz grave e profunda saída da boca do médico ressoou pelo aposento destruído e a gárgula olhou com terror para o homem que parecia ser duas pessoas, ao mesmo tempo.
Tatsumi não conseguia distinguir as fisionomias, porém quanto mais fixava o olhar no médico, mais sentia a pressão insuportável e dolorosa em sua mente. Tentou lutar contra a dor, mas sua resistência revelou-se ineficaz. Então, fez a única coisa que podia, fugiu sentindo o interior de seu corpo queimar como se houvesse ingerido uma bebida fervente.
Assim que a gárgula deixou a mansão, o médico ergueu a mão e tudo voltou ao seu lugar. Pedras, madeira e vidro se encaixando novamente, como se nada tivesse acontecido.
Ainda em posse daquele corpo, Harakhty sorriu. Enfim, ele estava pronto para retornar e dar a todos os seus inimigos o castigo merecido! A vingança final seria sua...
Instantes depois, Hyoga e Isaak chegaram à mansão. Apreensivos, ambos correram até o quarto onde Natássia se encontrava e acharam o médico tocando o vidro onde o corpo belo e frágil permanecia em estado sereno. Victor olhou para Hyoga e sorriu.
– O que houve? – perguntou o médico.
– E-Eu... senti algo ruim e achei que...
– Está tudo bem, não precisa se preocupar. Eu estou ao seu lado e vou trazer a sua mãe de volta. – disse Frankenstein, novamente em posse de si mesmo.
Hyoga olhou para Isaak sentindo um arrepio na nuca e uma estranha sensação se construindo dentro de si.
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