ADN - Horizontes

4 Conversa Difícil


Notas iniciais
Oi!!! Desta vez cheguei no dia certo! Bom, primeiro quero dizer que não esqueci e vou comentar sobre a pessoa que abriu a porta, mas não posso falar nada sobre isso agora, estragaria a surpresa. Segundo, queria desfazer o combinado de postar no domingo, se eu (por algum milagre) terminar de escrever antes, vou postar, se terminar depois, posto depois. Desta vez vocês esperaram menos, mas mesmo assim acho que querem descobrir quem flagrou a pobre da Carina. Então podem ler, eu deixo.

A porta se abriu, tomei um susto e por impulso fechei a gaveta do arquivo, sem me importar com o barulho, e fiquei de pé de frente para a porta. Fiquei em choque por alguns segundos, encarando a pessoa que me encarava da porta aberta.

Durante esses segundos de silêncio, eu só pensava no que fazer, que desculpa dar e o que fariam comigo depois. Durante esse tempo, meu cérebro não parou em um momento se quer. Pensei em dizer que estava procurando algo, que tinham me pedido para organizar o arquivo e pensei até em sair correndo. Mas quando ela perguntou:"Carry? O que faz aqui?", tudo que saiu da minha boca foi:

– Nada. — respondi prontamente — Quer dizer, eu estava... Eu entrei por outro , já estava indo para lá. — gaguejei, apontando para a porta.

– Então por que estava mexendo ali? Estava procurando o que? — perguntou desconfiada.

– Eu... Eu... — ainda estava em choque por vê-la, não sabia o que dizer, todas as desculpas tinham sumido. Fechei os olhos e respirei fundo, depois de abri-los continuei — Serena, quando você veio pra cá? Quem te trouxe?

– Você não respondeu minhas perguntas.

– Nem você as minhas, então estamos quites. — esquivei, olhando para baixo em seguida.

Ela bufou e disse:

– Cheguei hoje cedo, pouco antes do almoço. Maria me ligou, eu vim e nós estavamos esperando por você, já está todo mundo aqui. — depois de uma breve pausa continuou — Já fiz a minha parte, agora é a sua vez, e seja sincera.

Tive que pensar num modo de responder sem contar nada a ela e ser sincera ao mesmo tempo, e a única saída que achei foi omitir. Não estaria mentindo, mas ela só saberia o necessário para responder suas perguntas e não cultivar outras.

– Estava procurando uma informação ali, pensei que não tinha ninguém aqui, por isso me assustei. E também, ninguém me avisou que você viria senão eu estaria qui antes.

– Que informação era essa?

– Você disse disse que estavam me esperando, certo? — ela fez que sim com a cabeça e prossegui — Então acho melhor irmos.

Andei em direção à porta e passei por ela, que me seguiu em seguida, e parei denovo. Desta vez pela causa de todos o smeus medos naquele lugar, Fátima.

Ver ela não dava medo, dava raiva, ela não aparentava ser a pessoa que era, parecia uma mulher normal da idade dela. A raiva eu sentia por ser obrigada a sentir medo, pavor na verdade, por me fazer reviver repetidas vezes a angústia que passei nas mãos de meus tios. Mesmo sem saber, ainda fazia aquilo comigo, por isso minha vontade era sair de perto dela, evita-la ao máximo, porém como isso não era possível aqui, tudo que pude fazer foi não encara-la nos olhos.

Passei pelo sofá onde ela se encontrava e fui sentar o mais longe que pude, olhando sempre para o chão. Durante o curto trajeto, senti que Fátima me olhava. Enquanto eu evitava chegar perto para não perder o controle, ela me provocava, olhando como se quisesse que eu fizesse algo para desagrada-la apenas para poder me punir.

– Onde esteve? Devia ter passado aqui pela manhã. — disse ela. Não respondi, estava ocupada demais tentando me acalmar — Se não responder vai ser pior, estou avisando. Onde esteve?

– Não interessa. — respondi, trincandonos dentes.

Respirei fundo, se eu não me acalmasse ia parar naquele lugar de novo. Pensei bem antes de me pronunciar novamente, tentei parecer indiferente, mas não burra, não queria mais encrencas com a Fátima. Eu disse, virando e olhando em seus olhos:

– Não quero brigar agora, isso a gente pode fazer a qualquer momento. Só quero que vocês me expliquem o que está acontecendo, por que lá embaixo está deserto e por que convocaram essa reunião justamente hoje. — enumerei.

– Você vai descobrir já já. Só mais um aviso, tome cuidado com suas palavras, ainda não me esqueci o que você disse. — ela tinha um sorrisinho no rosto, que dizia que era só dar um passo falso e eu estava morta.

"Que raiva! Mulhersinha autoritária essa, não aguento mais! Se desse para fugir seria melhor, às vezes parece que ela me usa para se divertir, que ela gosta de me torturar, já cansei disso. É sempre a mesma coisa. Se a desagradam morrem, só servem lara ela aquele que se pode controlar,o resto serve apenas para ser torturado. Como será que minha mãe aguentava esse gênio? A menos que..." Fui tirada de meus devaneios, a reunião estava enfim começando.

– Serena, você sabe o que é isto? — perguntou Maria, levantando uma correntinha com um pingente nela, provavelmente o de Caroline.

– Algum tipo de pingente? — chotou, ela estava vendo de longe, talvez não fizesse efeito.

– Tome, segure ele. — entregou o medalhão e voltou a sentar.

Ela olhou o pingente em suas mãos, um exame minucioso, tentanto entender o que era aquilo.

– Pode me dizer o que está escrito aí? — perguntou Maria, esperando que ela respondesse.

Serena parecia concentrada no objeto, tive impressão de que não percebeu quando disse "supido", nem se deu conta. Pareceu entrar em transe, por apenas um segundo, só para dizer aquela palavra, e depois voltou ao normal.

– O que significa isso? — perguntou Fátima, com um sorriso maior no rosto.

– Velocidade. — desta vez não pareceu entrar no transe, achou estranho ter dito essa palavra do nada — O que está acontecendo?

Foi a mesma pergunta que fiz quando entrei, no entanto, agora já tinha a resposta. Elas estavam fazendo o mesmo que fizeram comigo, a diferença foi a gentileza com que me trataram. Lembro de Fátima ter ameaçado acorrentar a mim e a meu irmão se eu dissesse qualquer palavra. Me senti um cachorro vira lata ao lado de um cão de raça. Enquanto todos estavam felizes por ela entrar para o time, fiquei triste em ver que se minha mãe não tivesse morrido como morreu, talvez eu também fosse tratada assim.

"Para que ela queria que eu estivesse aqui? Ficar presa naquela masmorra não fui o suficiente? Eu tinha que me sentir para baixo também? Diminuida? Ser tratada como um ser desprezível só por me parecer com minha mãe? Como se fosse culpa minha ela ter morrido. Talvez tenha sido mesmo, talvez se eu não tivesse nascido ela ainda estaria viva, ou pelo mnos viveria mais."

– Não fique assim, ela vai receber uma má notícia daqui a pouco. Estamos tentando deixa-la acolhida antes que saiba o que aconteceu. — disse Elena ao meu lado, não vi quando se sentou aqui, mas foi bom ouvi isso.

– A Fátima me odeia, não é? — perguntei.

– Não, do mesmo jeito que ela briga com você ela brigava com a Sandra, só havia uma diferença. Na época, a Fátima era mais jovem, e todos os truques que ela usa com você foram os que sua mãe usou contra ela. As discussões eram idênticas, mas você perde a paciência mais facilmente. — explicou ela.

– E por que VOCÊS não desafiam ela, para variar? — indaguei num sussurro.

– É que até agora estava tudo normal, não tinhamos razão para discutir. Mas depois do que aconteceu, nós precisamos impedir ele, não queremos que ele faça aquilo denovo. — explicou no mesmo volume que eu e continuou — Ela tem um plano, quer armar uma armadilha para o Francis, mas para isso precisaremos de TODOS, não só as cinco.

– Quando você diz TODOS, quer dizer quem exatamente?

– Te conto outra hora, agora não é o momento certo. Depois que isso acabar, pode ser? — fiz que sim com a cabeça e voltei a prestar atenção na reunião.

Um clima tenso se instalou no ar, eu tinha a ligeira impressão que estava na hora de contar. Se antes estar ali era desconfortável, agora se tornava insuportável. Todas ficaram no mais completo silêncio. Enquanto Elena conversava comigo, Fátima acabou de explicar o mesmo que disse para mim, e agora era a hora mais complicada, contar o que vimos na fortaleza do Francis.

Um nó surgiu em minha garganta enquanto Fátima explicava o tinha acontecido. Ela disse que Maria e eu entramos lá para ajuda-las e que viam Caroline desde que levaram ela para o interrogatorio, depois fomos procura-la em todos os lugares pudemos. Nessa parte parou, ela devia estar sentindo o mesmo que eu, não conseguiu continuar imediatamente. Depois de alguns instantes continuou:

– Então a amiga da Carina veio correndo nos chamar e...

– Desculpe. — interrompi já me levantando — Eu não consigo ficar aqui, com licença.

Saí de lá, fui em direção à porta. Só depois que tentei abri-la me lembrei que estava trancada. Bufei e fui em direção ao quarto que me emprestaram enquanto eu dormia lá, encostei a porta para não trancar. Sentei na cama e tapei os ouvidos, porém elas nada disseram, ficaram em silêncio, então abaixei os braços e esperei.

Era estranho entrar em um daqueles quartos, principalmente por querer um pouco de ar fresco numa hora dessas, e também porque dali ainda dava para ouvir a conversa. Depois de alguns segundos que entrei no quarto, Fátima continuou:

– Como eu estava dizendo, ela veio correndo nos chamar e nós a seguimos. Quando chegamos naquele lugar já era tarde, e a Caroline já... Eu sinto muito.

"Que droga! Eu queria que ela não precisasse ouvir isso, que nada disso tivesse acontecido. Eu estaria na faculdade, Isabel estaria bem, talvez meus pais não tivessem morrido, eu teria sido criada com meus irmãos e talvez nem tivesse esse medo estúpido. Era até provável que a Fátima me tratasse melhor, com minha mãe por perto. Seria muito melhor se o Francis nào estragasse as nossas vivas." Pensei, inconformada.

O silêncio se instalou na sala, provavelmente Serena estava tentando entender o que aconteceu, a Maria e a Elena tentando conforta-la e Fátima fingindo que se importava com a situação, mas na verdade só queria "repor o membro que faltava" como eu já havia dito. E agora elas estariam lamentando só para dar apoio à garota.

Alguns minutos se passaram e eu continuava sentada na cama, sem saber o que fazer ou falar para ajudar Serena. Tentar ajudar, consolando ela, podia não ser uma boa ideia, se já estivesse com a paciência cheia isso só ia irrita-la mais. E no momento, ela já estava recebendo atenção de pessoas que ela conhecia a mais tempo que me conhecia.

Outra coisa é que Serena não era a única pessoa que precisava ser consolada, eu também estava mal. O que eu queria não era bem um consolo, e sim uma ajuda para tirar Isabel daquele lugar. Mesmo aquele monstro tendo prometido que nada aconteceria com ela, era impossível não pensar que Francis estava mentindo quando disse aquilo.

Respirei fundo e olhei para o teto, procurando respostas, ideias, qualquer coisa que pudesse ajuda-la. Enquanto isso, uma desesperança me inundava e minha vontade era sair correndo, me entregar e pedir a liberdade da minha amiga em troca.

De repente a porta se abriu, olhei para frente para ver quem era. E lá estava ela, parada no batente da porta, como a poucos minutos atrás, só que agora estava mais abatida. Foi só depois que vi Serena que percebi que meus olhos haviam se enchido de lagrimas, e agora eu previsava me livrar delas.

Enxuguei as lágrimas enquanto ela falava, com a voz um pouco fraca:

– Posso me sentar aí também?

– Claro. — depois se sentou perguntei — Como se sente?

– Horrível, claro. Mas o que eu queria saber mesmo, é por que você fugiu de lá?

– Não sei bem, eu não aguentei, tive que ir embora.

Notas finais
Voltei!!!! E aí? O que acharam? Se surpreenderam sobre quem abriu a porta? Acham que ela vai contar para a Fátima que a Carry tava mexendo nos arquivos? Acham que ela vai ser mais uma seguidora fiel ou vai ser como a Carina? E sobre o plano? Quem acham que está envolvido? Como vai ser? Essas e outras perguntas que viram vão ser respondidas antes da história acabar. Agora só quero dizer que foi bem fácil escrever esse capitulo, se der certo, vou postar mais vezes por semana. Obrigada às pessoas que favoritaram e acompanharam, adorei ver que não sou ignorada. Tchau! Beijos!!!