ADN - Horizontes
2 Ainda Mais
Notas iniciais
Comecei a tremer ao dar um passo em direção ao centro. Não sabia o que fazer. A vontade de correr para aporta e pedir ajuda estava quase me vencendo. Me continha cada vez mais para ficar, no mínimo, parada. A verdade é que eu não tinha coragem de se quer abrir os olhos, ficava imaginando que a porta estava aberta e que podia sair a qualquer momento. Quando os forcei a se abrirem a vontade me venceu, virei no mesmo instante em direção à porta.
Tomei um susto e me esforcei para não demontrar, para ficar calma e fingir que estava tudo bem. Fátima tinha acabado de abrir a porta quando me virei, e agora, com uma cara de má perdedora, abria caminho para que eu passasse. Tentei fingir naturalidade e andei até a porta olhando para o chão, sem querer encara-la. No entanto, ela me parou, colocou o braço na frente e disse, me obrigando a olhar em seus olhos:
– Nunca mais me irrite! Ou vai ser pior. Agradeça a elas por isso. — tirou o braço do caminho.
– Como se pudesse ser pior para mim. — murmurei enquanto saía.
– O que quer dizer? — ignorei sua pergunta — Eu te fiz uma pergunta, agora responda. — ordenou irritada, segurando meu braço e me virando de frente para ela.
– Exatamente o que você ouviu. — respondi no mesmo tom, tentando faze-la me soltar.
Finalmente consegui me desvenciliar e olhei em seus olhos. Parecia intrigada, e isso só me deixava mais nervosa. Fechei os olhos para tentar ficar calma, respirei fundo e voltei a abri-los. Depois, sem olhar em seus olhos, saí andando.
Era obvio que nós duas estavamos erradas, ela por querer fazer com Serena o mesmo que fizeram comigo, e eu quando decidi discutir com a pessoa mais forte e cabeça dura que conhecia. Ela achava que podia substituir qulquer um, era só encintrar alguém com os mesmo atributos. E era ainda mais fácil quando já conhecia alguém assim e ela era da família de quem seria substituida, no caso, a Caroline.
No fundo, eu gostava de ficar com elas e treinar, mas odiaria que aparecesse mais uma pessoa que obedecesse às ordens da Fátima sem questionar. E ainda tinha a noticia da morte da mãe dela para contar. Quando aconteceu comigo ninguém morreu, pelo contrário, David e Teo apareceram na minha vida, para Serena seria ainda pior.
O que me deixava com mais raiva era saber que teria mais alguém querendo respostas e não conseguindo te-las sse é que Serena fosse querer saber de alguma coisa. O problema era aquilo me deixar tão irritada a ponto de sentir que os outros pensavam como eu, mas isso não era verdade, talvez elas confiassem em mim mas confiassem nela. Pensamento esse que não me reconfortava nem um pouco.
Minha cabeça estava pronta para explodir, tudo me deixava com muita raiva, e gritar novamente com Fátima não ajudaria, eu tinha que esfriar a cabeça. Sempre que algo me deixava assim, eu recorria a Isabel, e lembrar disso me deixava mal. Nós sempre iamos a uma praça na cidade e ficavamos conversando sobre o que havia acontecido, ela sempre me acalmava.
Decidi ir para lá, por mais que lembrar me deixasse triste, sentar para pensar racionalmente sobre tudo poderia me ajudar de algum modo. Durante o caminho fiquei distraída, tentei esquecer um pouco esse assunto para acabar com a raiva e não consegui. A todo momento pensava em como Fátima estava xerta quando disse que eu precisava contar o meu para saber o delas.
"Eu devia contar, mas... Não dá! Eu não estou pronta! E ainda tem o risco da Fátima usar isso para ter o que quer. O que eu preciso mesmo é perder esse medo bobo. Enfrentar ele. Pena que para isso alguém vai ter que ficar sabendo, e é sempre a mesma coisa, primeiro perguntam;"Por que você não fica em lugares fechados?" E despois que respondo xom muito esforço, perguntam:"Esse medo surgiu do nada ou aconteceu alguma coisa?" Essa era a parte que eu tentava evitar, mesmo mentindo as pessoas percebiam que não tinha vindo do nada, e esse assunto só me trazia lembranças dolorosas. Eu faria qualquer coisa para não ter passado por aquilo." E assim continuei pensando até chegar na praça.
Chegando lá avistei o banco que me sentava junto à Isabel, estava metade por uma mulher de roupas formais que estava, aparentemente, arrumando a bolsa. Me senti um pouco envergonhada em sentar ali, haviam tantos bancos vazios e eu escolhera logo esse. Fui do mesmo jeito, sentei ao seu lado e meus pensamentos se voltaram para o que aquela mulher estava fazendo.
Ela tirava tudo que tinha em su bolsa, item por item, depois recolocava olhando tudo em volta. Não parevia estar com a menor paciência, aparementemente havia perdido algo importante, e minha presenta não pareceu acalma-la. Fez isso mais uma vez, bufou, jogou todo dentro da bolsa e saiu apressada.
Logo que saiu olhei para onde ela estava sentada, vi que uns papéis presos apenaspor um granpo tinham caído no chão ao lado do banco. Peguei eles e, curiosa para saber o que eram, foleei as páginas. Fiquei surpresa ao perceber que nada escrito ali podia ser lido, parecia estar em outra língua, mas aqueles símbolos me eram familiares, eu já os tinha visto em algum lugar.
"Onde eu já vi isso?" Dei mais uma olhada e reconheci, mas não tinha certeza. "Será que ela é mais uma aliada do Francis? Não, por algum motivo só tem homens com ele. Mas e se ela estiver sendo usada? Se ela não souber que está ajudando ele nisso? Droga! Vim aqui para organizar meus pensamentos e isso me aparece? Acho que minha cabeça vai explodir..." Conecei a ficar com dor de cabeça, eu precisaria de horas para pensar em tudo, no entanto, minha vontade era escolher a opção mais obvia e arriscar minha vida para tirar Isabel das mãos do Francis.
– Eu tenho que ir por partes. Se eu acabar com aquele medo, vou poder dizer que tinha aquilo e não tenho mais, e assim ela vai ter que contar tudo. Isso na teoria, claro. Agora esse papéis... — acabei me distraindo e pensando alto demais — Eles devem ter algum significado.
Não percebi quando a mesno mulher se aproximou, só vi ela depois que me foram arrancados os papéis das mãos. A moça me olhava com raiva, alguns segundo se passaram e voltou a se retirar, desta vez batia os pés enquanto andava. Me assustei quando a vi, não esperava ser flagrada desse modo, não esperava ser flagrada de modo algum.
De qualquer jeito, a hipótese dela estar trabalhando para o Francis, mesno sem saber, me assustava. Quantas mais pessoas estavam com ele? Isso me deixou pensativa, e nada que eu fizesse conseguia tirar isso da minha cabeça.
Quando voltei da praça, no final da tarde, já haviam tantas hipóteses levantadas sobre aquela garota, que as chances de pelo mesnos uma delas se comprovareram altas. Eram tantas que não conseguiria numerar, sempre faltaria alguma ou acrescentaria uma nova. Minha cabeça estava cheia de perguntas e meu estomago roncando de fome.
Chegando em casa fui direto para a cozinha, me sentindo culpada por não ajudar nas despesas. Antes tinha a desculpa da faculdade tomar meu tempo, agora não haveria para onde correr. Arrumando um emprego poderia ajudar nas despesas e essa culpa sumiria. O único problema era o que Fátima ia dizir quando eu contasse que teria menos tempo para treinarcom elas. A opinião dela não me importava, mas o que aconteceria comigo quando ela ficasse sabendo.
Imaginar o que aconteceria tirou minha fome, pensar que Fátima pudesse me torturar com lâminas afiadas e pontudas era estranho e improvável, porém era possível. De vez em quando minha imaginação ganhava força e eu ficava assustada, pensando que algo poderia acontecer. Quanto mais eu crescia mais isso piorava, cada filme de terror ficava armazenado num canto do meu cérebro e nessas horas minha imaginação se baseava neles para me assustar.
Sem mais fome, saí da cozinha e segui para a sala. Sentei no sofá e quis não pensar em mais nada, entretanto tudo me vinha a mente. Fechei os olhos, respirei fundo e apoiei a cabeça nas costas do sofá.
– Tudo bem? — perguntou Teo, sentando ao meu lado — Onde esteve?
Abri os olhos e virei o rosto em sua direção. Normalmente eu fingiria que nada aconteceu e tentaria mentir, mas eu sempre tinha a impressão de que ele sabia que eu estava mentindo. Desta vez não quis obedecer a Fátima e fingir daquele geito, era ruim demais ter que fazer isso. Por tudo isso, respondi:
– Já tinha muita coisa na minha cabeça, depois que fui até a praça apareceu mais uma. Antes só estava pensando no que a Fátima não me conta, agora tem uma mulher que me parece estar envolvida com Francis.
– Esse assunto com a Fátina é tão grande assim? — lembrei de tudo — Pra você dizer que já tinha muita coisa na sua cabeça? — brincou, mas quase não prestei atenção no que disse.
Meus pensamentos estavam em tudo de estranho que notei. O covil do Francis por fora ficava soterrado na ribanceira, como uma coisa reta, que no máximo invadia um pouco a cidade; por dentro parecia um labirinto enorme, dando a impressão de estar sobre uma área plana, saindo para fora da ribanceira. Durante o resgate, às vezes parecia que eu estava entrando no mesmo lugar, mas de portas diferentes.
O lugar onde os Anjos da Noite ficavam também parecia ser maior por dentro que por fora, e a porta do escritória levava a três lugares diferentes. Um deles, a área de treinamento, ficava em dois andares ao mesmo tempo. Indo pelo escritória ficava no nível da rua, e indo pela estante ficava no subterrâneo.
Essas coisas eram muito dificeis de assimilar, não havia explicação lógica ou racional. Pergubtar para qualquer uma não era uma opção. Fátima não fala por algum motivo, e as outras tem medo dela, por isso não contrariam.
– É, o assunto é bem grande. — respondi depois de um tempo.
– Se quiser me contar eu posso ajudar. Ou atrapalhar. De qualquer jeito daria para desabafar. — ri com o comentário.
– Acho que não ajudaria, é muito esquisito. — disse-lhe, olhando para baixo — Você poderia até me chamar de doida e dizer que eu estava vendo coisas que não existem.
– Como assim? Por acaso você acha que tem montros, criaturas sobrenaturais, portais para outra dimensão? — brincou, fazendo destos com as mãos.
– Eu só acho isso muito estranho. — pensei por um segundo e continuei — Mas até que pode ser... — se homens podiam virar pó e reaparecer, qualquer coisa deveria ser possível.
– Tudo bem, você é doida.
– Eu só preciso ir dormir para tirar tudo isso da cabeça. Amanhã vou tentar deacobrir o que ela não me conta. Boa noite. — expliquei antes de elvantar.
– Só tome cuidado para que ninguém deacubra, isso nunca dá certo. — avisou.
– Certo, vou aceitar seu conselho.
Subi as escadas e fui para o quarto. Dormir não foi uma tarefa fácil, virei na cama umas cinco vezes a cada cinco minutos. Era só fechar os olhos para lembrar daquela sala, quando me mexia lembrava daquela mulher mexendo na bolsa. O pior era ficar com sono e não conseguir dormir, ficar sonolentasem poder ficar parada, e não parar de bocejar um só segundo.
Depois de um tempo que me pareceu infinito, o sono venceu.
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