Notas iniciais
Emily discou o número tão conhecido por ela e espremeu o celular entre o ombro e a orelha.
– Alô? Pai?
– Oi Emy – Edwin respondeu – aconteceu alguma coisa?
– Não, tudo bem – ela disse – e você está bem ai?
– Ótimo.
– Então, queria ligar para perguntar se a enfermeira que eu contratei já chegou.
– Então foi você!
– É óbvio, quem pensou que era? – ela franziu o cenho enquanto arrumava seu quarto que estava realmente uma verdadeira bagunça, bom, seu lado do quarto porque se encostasse nas coisas de Sarah a coisa ia ficar feia.
– Eu não... – Edwin falhou – eu expulsei ela porque não preciso de uma enfermeira, filha.
– Para de teimar pai!
– Para de teimar você!
– Eu não sou a doente aqui!
– Mas eu não preciso de cuidados especiais Emily, eu sou adulto e sei me virar.
– Tecnicamente é um adulto, mas não está agindo como um! – ela disse – pai, encare que eu sou sua filha, me importo com você e não quero que nada te aconteça.
– Eu sei disso filha, mas realmente não é necessário.
– É sim – ela disse – e se você não deixar alguém de fora cuidar de você, eu mesma terei que cuidar.
– Não senhora, você não vai voltar para Nova York, eu não deixo.
– Voltar...
Aquilo... talvez resolvesse todos os problemas.
– Não filha, você está construindo uma carreira ai e não vou deixar arruiná-la.
– Existem Academias em Nova York.
– Mas a ACBAH é melhor, você sabe disso, por isso foi para ai.
– Eu sei, mas não preciso da melhor para me formar.
– Emily Kristen Davis...
– Pai, eu vou pensar sobre isso, ok?
– Não.
– Decisão tomada.
– Então pense bem pelo menos, por favor – ele suspirou – a ACBAH é a melhor.
Emily assentiu.
– Eu vou pensar, prometo.
– Ok, tchau filha.
– Tchau.
Emily desligou o telefone e se sentou na cama. Estava sendo mais do que torturante ver Charlie todos os dias, sorrindo para os outros do jeito que sempre sorria para ela...
Talvez, sair da ACBAH fosse a solução, sair de Los Angeles, sair da Califórnia e voltar para Nova York...
Era uma possibilidade.
Mas... será?
. . .
Emily estava na sala de instrumentos, a aula havia acabado de acabar e ela estava apenas mongando ali. Mesmo quem não sabe tocar piano, sempre aprende uma música pelo menos, e mesmo quando aquela música fica "ultrapassada" a pessoa continua a tocar por ter ensaiado tanto para conseguir.
No caso de Emily, a música era The One That Gone Away, mas fazia tanto tempo que ela não tocava que se sentia levemente perdida em meio as tantas teclaras, pareciam todas iguais...
Foi tentando achar a primeira nota porque se achasse a primeira nota conseguiria se virar a partir dali. O problema era que cantar tocando não era pra qualquer um, ainda mais quando não se tem uma certa coordenação motora de fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Quando ela tocava não conseguia cantar, e quando cantava se perdia nas notas, estava verdadeiramente uma zona. Ela riu do seu próprio desastre negando com a cabeça.
Kate entrou na sala em busca de suas partituras, sempre deixava algo por ali e viu Emily rindo tentando tocar uma música que ela não conseguiu identificar de primeira.
Ficou ali um tempo observando e quando Emily cantarolou a música Kate sorriu fazendo uma cara de "Ah, faz sentido".
Foi até ela, e Emily logo notou a presença da amiga na sala pelo som do salto ecoando pelo piso de mármore.
– One That Gone Away, hein? – Kate se sentou ao lado dela no banco do piano.
– É absolutamente impossível tocar e cantar ao mesmo tempo – ela disse e Kate sorriu.
– Não é – Kate assumiu as teclas – você tem que se concentrar mais nas teclas do que sua voz. Você canta naturalmente.
– Não dá.
– Ok, então eu toco e você canta, tudo bem?
Emily assentiu.
Kate se posicionou daquele modo gracioso que ela sempre fazia antes de tocar piano, Emily sorriu quando ela começou a tocar com uma habilidade e rapidez quase impossíveis.
Emily entrou na deixa que percebeu porque Kate assentiu como se dissesse "vai"
Kate sorriu ouvindo a voz da amiga. Era bom fazê-la sorrir igual sorria enquanto cantava, e depois de tudo aquilo Kate se sentia uma vitoriosa por fazer sai amiga se sentir melhor, só não sabia ao certo se ao certo a letra daquela música ajudava na quase depressão da menina, mas bem, era detalhe e Emily parecia não estar lembrando disso.
– Sério, quero tocar para você quando ficar famosa – ela disse sorrindo e Emily sorriu também.
– Sem dúvida, Cupcake.
O celular de Emily tocou e ela logo atendeu vendo a foto de Sarah mostrando a língua.
– CADÊ VOCÊ OXIGENADA? TO COM FOME PÔ!
As duas levaram um susto.
– Calma, estamos indo.
Emily desligou e Kate a olhou confusa.
– Porque colocou no viva voz?
Emily negou com a cabeça.
– Não estava no viva voz.
Elas saíram correndo e viram Sarah no estacionamento, elas tinham combinado de irem comer, mas ninguém lembrou, a não ser Sarah.
– Cada a outra filha de uma mãe? – ela disse meio irritada.
– Não faço ideia – Emily disse antes de entrar no carro.
Elas olharam para a porta da Academia e viram Abby vindo correndo, também devia estar morrendo de fome. Ao virar para chegar no carro tropeçou bonito por causa do salto e quase esfregou a cara no assalto. Aquilo foi o suficiente para levantar o humor de todas elas que riram, ainda mais quando ela foi correndo mancando.
– Isso, riam suas quengas – ela disse mal-humorada entrando no carro e elas riram ainda mais.
– TO COM FOME! – Sarah ligou o carro e elas partiram.
– Machucou? – Kate perguntou para Abby.
– Meu joelho só saiu do lugar – ela disse – mas to bem.
– O dia não é completo se Abby não cair – Emily disse.
– A gravidade me ama, querida – ela disse e elas riram novamente.
– Pizza? – Sarah perguntou.
– Pode ser – responderam as três.
Sarah foi virar no estacionamento da pizzaria e surgiu um carro lá do raio que o parta e quase deu de bico no carro de Sarah.
E Sarah sendo Sarah não deixaria aquilo impune. Saou do carro feito uma louco e o menino de uns 17 anos também saiu do carro.
– Ah claro, é uma mulher, ta explicado – ele disse.
– Olha aqui pirralho – ela disse chegando bem perto – sorte tua que você não relou no meu carro.
– E o que você faria? – ele perguntou sorrindo.
Sarah feito uma ninja pegou o braço dele e o torceu o deixando de costas.
Emily sorriu, aquilo ela havia aprendido com a loira.
– Calma ai gostosa, foi um acidente – ele disse.
– Gostosa sua mãe pirralho – ela torceu ainda mais – agora some daqui.
– Eu vim comer...
– Dane-se, vaza!
O menino permaneceu parado até Sarah fazer sua cara de assassina e ele sair correndo para o seu carro saindo rápido dali.
– GOSTOSA! – ele gritou antes de sair.
– VAI SE FERRAR! – ela gritou jogando alguma coisa no carro dele.
– Uhhhh a leoa ta estressada – Abby disse.
– Calada – Sarah acabou rindo estacionando o carro direito e assim elas foram comer.
. . .
Aula extra da Academia. Charlie estava bem cansado e não estava com a menor vontade de ir, mas foi.
Entrou na sala e ficou mexendo o celular fazendo alguma coisa aleatória. Sentiu o cheiro mais maravilhoso de todos e quando olhou para o lado viu que Emily havia passado por ele. a olhou bem vendo como ficava linda andando... ele já havia chegado a conclusão que ela ficava linda de qualquer jeito, chorando, rindo, comendo, dormindo, correndo, cantando, gritando, brava...
Ela olhou para ela. A P-R-I-M-E-I-R-A vez que ele a via olhando para ele desde a briga, a primeira.
Ele aprendeu a ler as emoções dela pelos seus olhos, afinal, mais de seis meses juntos. Ela estava... triste, confusa e nervosa.
Ela não sustentou o olhar, mas ele permaneceu a olhando. Ele precisava começar a agir, e rápido.
Ficou olhando cada gesto dela, mordendo a boca, respirando fundo, arrumando a pulseira e o anel, abaixando um pouco a camiseta, jogando a franja para trás, olhando a hora no celular... tudo.
A aula começou e ele teve que tirar os olhos dela por alguns instantes para ouvir que a professora Nicole falava.
"Apresentação final, apresentação final e mais apresentação final..." foi tudo o que Charlie ouviu basicamente. A verdade é que ele não estava assim tão empolgado quanto deveria estar, afinal tinha coisas mais importantes para se preocupar, e estava olhando para ela naquele momento.
Eles ensaiaram uma música a capela mesmo, Charlie cantou, mas não estava prestando muita atenção.
Quando a aula extra acabou e Charlie viu Emily saindo, sentiu que devia ir também.
E o plano de virar amigo dela? De ir com calma a conquistando aos poucos novamente?
Não daria certo, não mesmo, ele não aguentaria um processo tão lento, a queria agora e ponto final.
Foi correndo atrás dela, se enrolou tanto para ir que ela já estava perto do condomínio quando a alcançou.
– Emy – ele a chamou, porém ela não parou de andar – por favor, precisamos conversar.
– Charlie definitivamente não temos mais nada pra conversar – ela disse se virando para ele.
– Então considera mesmo que assunto esteja encerrado? – ele suspirou – mesmo?
Ela suspirou olhando os olhos dele.
– Se não estava encerrado estou encerrando agora.
– Como pode ser tão fria com seus sentimentos? – ele a segurou pela cintura.
– Por favor, me solta, eu tenho que ir – ela olhou para baixo não querendo sustentar o olhar.
– Olha pra mim Emily – ele disse – desculpa por ter dito aquelas coisas, não queria que ficasse brava – ele a puxou para mais perto dele – você sabe que minha intenção nunca será te magoar.
– Charlie...
– Então você não está sofrendo? Eu não faço nenhuma falta pra você?
Ela suspirou voltando olhar para baixo.
– Você sabe muito bem que faz, esse é o problema. Agora me deixe ir.
Ele segurou o queixo dela e o ergueu de modo que seus olhos se encontraram.
– Você diz para te soltar, mas seus olhos negam cada palavra – ele a puxou rápido para ele segurando forte sua cintura enfim encostando seus lábios nos dela.
A língua dele invadiu a boca dela pedindo por espaço. O corpo de Emily amoleceu nos braços dele que a segurou com mais força erguendo uma mãe até o cabelo dela os acariciando enquanto a outra mão permanecia na cintura exigindo que seus corpos ficassem grudados. Emily segurou o rosto dele escorrendo as mãos para sua nuca a arranhando com força também o puxando para ela cada segundo mais. Ambos sentiam que o coração dos dois estava acelerado pelos seus corpos se tocarem tão intensamente. O peito de Emily subia e descia com dificuldade e quando Charlie puxou seu lábio com os dentes bem fraquinho retomando o beijo logo depois ela suspirou de prazer. Se sentia tão segura nos braços dele, tão completa que parecia até errado se sentir tão dependente de alguém como ela sentia que era com Charlie.
Quando o ar faltou mesmo eles se separaram e ainda com os rostos bem pertinho um do outro se olharam diretamente nos olhos. Emily estava em uma espécie de transe porque não reagiu a nada, mas quando Charlie a soltou um pouco aumentando a distancia entre os dois ela piscou algumas vezes e levou a mão aos lábios.
– Eu não posso fazer isso, desculpa, mas não posso – ela se virou e saiu correndo.
– O que? Emily! – ele correu alguns passos até ela e parou...
Aquela menina ainda o mataria.
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