ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
14 Retas finais.
Notas iniciais
Charlie e Emily estavam sentados na praça do condomínio apenas conversando, Charlie decidiu que seria bom uma vez pelo menos apenas conversarem de um modo que nunca haviam feito.
– Eu aposto que você jogava algo no ginásio – Emily franziu o cenho olhando para os olhos dele – você era o bonitão do time de... futebol e todas davam em cima de você.
E nesse momento, eles estavam tentando adivinhar coisas um sobre o outro. Era mais divertido do que parece, várias perguntas bem bizarras já haviam sido feitas e assim querendo ou não eles se conheciam de um jeito descontraído.
Charlie sorriu.
– Capitão do time de basquete – ele corrigiu – mas eu era muito assediado sim.
Emily riu negando com a cabeça.
– E você – ele olhou para ela atentamente chutando a primeira coisa que veio em sua mente – foi líder de torcida?
Emily sorriu assentindo.
– Meu ensino médio todo – completou tomando um pouco de água.
– Mas você não sabe dançar.
– É, eu era a que fazia as acrobacias e tal.
– A que era jogada pra cima?
– É – ela sorriu – e pra ser líder de torcida não precisa exatamente saber dançar, só fazer as acrobacias e... seduzir.
– O que você sabe muito bem – ele disse sorrindo – vamos ver... rainha do baile?
– Três anos seguidos.
– Impressionante – ele sorriu olhando brevemente para a grama – você está elevando meus conceitos da sua beleza senhorita Davis – ele ergueu as sobrancelhas – então pelo visto você era a loira adorada da escola.
– Eu e as meninas éramos tipo... a corte real do lugar – ela disse – eu era líder de torcida, Sarah fazia teatro, Kate liderava e tocava na banda e Abby era a jornalista chefe do jornal.
– Uau – ele sorriu – então vocês meio que comandavam tudo em várias áreas.
– É, isso mesmo – ela sorriu também piscando os olhos.
– Legal.
– É – ela concordou – e você foi rei do baile?
– Não – ele deu de ombros – eu nunca fui de pegar a garota top da escola.
– Não?
– Não – ele sorriu – geralmente elas são... metidas, rabugentas e chatas, e ah, sempre tem uma voz nasal horrível – Emily riu.
– Devo me sentir ofendida com isso?
– Não. Quer dizer, você não era a patricinha nojenta, era?
– Não, claro que não – ela fez um gesto de desdém com a mão e ele suspirou aliviado – era a Melanie – Emily fez uma cara hilária – aquela vaca.
Charlie riu descontroladamente.
– E o que te atraí? Já que não gosta de patricinhas metidas a gostosonas – ela franziu o cenho chegando com o rosto mais perto do dele.
– Beleza, confiança, corpo, poder, voz, boca, cabelo e atitude – ele disse e Emily achou a resposta diferente e impressionante, sem dizer que ele simplesmente falou sem rodeios e nem pensar direito, ou seja, era uma resposta mais do que verdadeira.
– E o que te atraiu em mim, primeiramente? – essa era sempre uma pergunta muito legal de fazer aos homens.
– Não serei hipócrita com você e dizer que foram seus olhos – ele disse com uma voz muito engraçada e Emily riu.
– Então o que foi?
– Na verdade, foram duas coisas – ele fez dois com a mão – primeiro eu olhei seu cabelo, porque particularmente curto loiras, e depois... a confiança que você exalava, como se nada nem ninguém pudesse te afetar, como se... a única coisa que te importasse fosse o que você acha de você, não o que os outros acham.
Emily quase deixou o queixo cair, era exatamente assim que ela era, porém ela só sorriu.
– Eu acho isso bacana – ele deu de ombros – e você?
– A primeira coisa que eu sempre focalizo é o rosto – ela disse e ele assentiu – e depois o corpo...
Charlie riu da cara engraçada que ela fez.
– Afinal, porque fugiu tanto de mim? – outra pergunta que deveria ter sido feita.
Emily suspirou alguns segundos olhando para grama.
– Eu já te contei que tenho medo de me ferir – ela disse – e achei que você poderia ser uma grande ameaça a isso – ela deu de ombros.
Ele acariciou os cabelos dela, tão macios e cheirosos, ele tinha vontade de enfiar a cabeça ali e ficar um bom tempo assim. Ela sorriu, era gostoso a fazia se lembrar de seu pai que sempre fora o homem mais carinhoso do mundo com ela.
Um dos e principal motivo para Emily ser daquele jeito era seu pai. Quer dizer, assim como ele, ela exalava confiança, mas por dentro era uma manteiga derretida, e bem, poucos conheciam o lado manteiga derretida de ambos, e Charlie aos poucos estava o conhecendo.
– Eu gosto muito de você – ele disse – mesmo você tendo me dado uma joelha lá em baixo.
Emily riu pra caramba até deitar no chão e Charlie sorriu, a risada dela era uma delícia, parecia aquelas risadas de criança... era totalmente contagiante.
– Também gosto de você – ela suspirou – mesmo você tendo ficado me perseguindo durante quase duas semanas.
– Ah, você adorou, admita – ele sorriu.
– Ok, só um pouco.
– Então a minha desgraça te diverte? Bom saber – ele fez um bico.
– Você é muito sentimental, garoto – ela disse passando a franja para trás.
– Espero que não esteja me chamando de gay de novo.
– Na verdade, um pouco _ era ótimo irritá-lo.
Rapidamente Charlie passou o corpo por cima do dela a fazendo se deitar da grama.
Ele a olhou com um sorrisinho e a beijou com calma apenas sentindo o movimento das línguas e lábios se movendo em uma sincronia perfeita. "Tenho que chamá-lo de gay mais vezes" ela pensou alisando os cabelos escuros do garoto querendo que ele soltasse totalmente o corpo em cima do dela.
– Me chama de gay de novo, que eu transo com você nem que seja no meio da aula.
– Uh, que meda – ela disse irônica fazendo cara de assustada.
Charlie riu se sentando.
– Você é impossível, loira.
– Se acostume a isso – ela sorriu para ele se encaixando no meio de suas pernas apoiando as costas no peito dele – faz carinho de novo?
– Que?
– No meu cabelo – ela simplificou – eu gosto.
Ele riu baixinho começando a acariciar novamente os cabelos dela.
– Só não durma.
– Por quê?
– Porque não posso me responsabilizar pelos meus atos se você estiver inconsciente nos meus braços.
– Não prefere que eu esteja acordada pra isso? – ela virou a cabeça para ele com um sorrisinho pervertido e Charlie mordeu o lábio, ah senhor...
– Não faz isso não – ele resmungou e Emily deu um beijinho no maxilar dele.
– Sua hora vai chegar, moreno.
– Quando? Agora? Amanhã? Daqui dois minutos?
Ela riu passando as mãos nas pernas dele, não para provocá-lo, só para tocá-lo mesmo.
– Breve – ela respondeu – não estou mais em casa onde tenho minha ótima privacidade na minha casa que ficava vazia das seis da manhã até a meia noite, agora tem Sarah e mais quatro meninas naquela casa, não da pra fazer algo.
– É – ele concordou – mas terá que me compensar com MUITOS beijos, MUITOS beijos bem demorados e gostosos.
Emily virou apenas a cabeça para ele segurando sua bochecha tocando seus lábios nos dele. Charlie abraçou a barriga dela a colando mais em seu corpo. Ele sorriu passando devagarzinho o nariz pela bochecha dela que acariciava agora os cabelos dele.
Aos poucos eles estavam descobrindo o outro lado oculto neles por tanto tempo, um lado amoroso que nenhum deles pensou existir.
Até aquele momento.
. . .
Nathan estava com sérios problemas em tocar o solo mais do que difícil que a professora havia dado a ele.
Por isso em pleno sábado ele estava na sala com a partitura a sua frente, tentando fazer aquilo sem errar.
Era Quinta-feira, faltava pouco mais de uma semana para a apresentação, e ele ainda estava ali, se debatendo para conseguir tocar o solo.
Na oitava vez que ele tentou, saiu quase certo, mas o solo era realmente muito rápido e estava complicado.
Ele murmurou bravo batendo as mãos nas teclas com raiva, piano não era e nunca seria seu forte, mas a professora distribuiu aleatoriamente, e como ele era um "prodígio da música" não poderia questionar.
De repente a porta se abriu, ele olhou para trás e viu a garota da palheta, Kate, ou Cupcake como ele também passou a chamá-la, combinava muito com ela.
– Desculpa, eu não sabia que você estava ensaiando _ ela disse meio envergonhada.
– Tudo bem, eu não estou conseguindo mesmo – ele suspirou se apoiando no piano.
Kate colocou a mão na maçaneta, e parou.
Andou até Nathan se sentando ao lado dele, abriu o piano novamente e olhou para ele pedindo permissão, e ele assentiu.
A menina ajustou a partitura e começou a deslizar as mãos pelo piano, e bem na parte que Nathan estava com dificuldade ela continuou executando perfeitamente o solo.
– Uau! – ele sorriu – como conseguiu acertar de primeira?
– Eu costumava procurar as partituras mais difíceis para ensaiar – ela disse – acabei me acostumando, e como você já sabe, piano é uma das minhas especialidades.
– Pode me ajudar?
– Posso, agora eu que estou te devendo uma não é? – ela sorriu se lembrando que ele a ajudou com o violino – primeiramente, você consegue tocar essa partitura, só que devagar?
– Sim.
– Certo é um começo.
. . .
Nick saiu para o refeitório ao ar livre dando um leve sorriso ao ver que só Sarah estava na mesa, mexendo em seu Iphone enquanto comia.
Ele rapidamente pegou sua comida e se sentou ao lado dela.
– Oi Sarah, só Sarah.
– Oi – ela disse olhando fixamente para o celular.
– E como vão os ensaios da dois?
– Bem.
– Que bom.
Ela olhou para ele com as sobrancelhas erguidas.
– Quer dizer, que mal, péssimo.
Ela acabou sorrindo revirando os olhos voltando a olhar para o celular.
– Então...
– Se quer falar alguma coisa, não enrole, por favor – ela disse olhando para ele deixando o celular em cima da mesa.
– Direta você, não?
– Sempre – ela sorriu de lado – então... – ela sinalizou para ele falar.
– Sabe, eu queria saber se...
– Oi pessoas – Kate sentou-se à mesa e Nick suspirou.
– Oi – respondeu Nick meio cabisbaixo.
– Oi Cupcake – Sarah sorriu voltando a comer como se nada tivesse acontecido.
– Não, as mulheres dominam – Emily disse se sentando enquanto Charlie vinha logo atrás.
– Claro que não! – Charlie exclamou.
– Olá pombinhos – Sarah sorriu.
– Sarah, diga para esse Neandertal que as mulheres em geral cantam bem melhor que os homens.
– Isso é óbvio – Kate disse e Sarah assentiu – afinal, as divas são mulheres.
– E o Elvis? O que me dizem feministas? – Charlie cruzou os braços.
– Estamos lidando com a atualidade, esse século pelo menos.
– Certo... Michael Jackson.
– Amy Winehouse – Emily rebateu.
– Paul McCartney.
– Adele.
– Bruno Mars.
Emily pensou.
– Ariana Grande _ foi a primeira que pensou.
– Justin Timberlake.
– Hã... Avril Lavigne.
– Calvin Harris.
– Jessie J.
– Ed Sheeran.
– Ok, chega – Nick disse – todos cantam muito bem, ok?
Charlie fez um bico emburrado e Emily revirou os olhos.
– É realmente ótimo saber que a relação de vocês está ótima – Kate lançou um sorriso sarcástico.
– Ela começou.
– Por favor né Charlie! Deixa de ser criança!
E novamente eles começaram a discutir.
Sarah decidiu ignorar e comer, já Kate negou com cabeça e Nick ficou apenas observando.
Nathan chegou e quando ia cumprimentar a todos viu Emily e Charlie discutindo sobre algo relacionado a chupetas... é, vai entender.
O menino olhou para Nick que suspirou e deu de ombros, logo depois ele se sentou.
– Isso é... normal? – Kate perguntou.
– Cada louco do seu jeito – Nick disse dando de ombros com as sobrancelhas erguidas.
– No caso deles são dois loucos... ai da nisso – Sarah deu de ombros.
Eles se calaram vendo que o barulho da discussão havia acabado e olhando para o casal que agora se beijava.
Kate ergueu as sobrancelhas e Nick soltou uma pequena risadinha.
– Eu hein... – Sarah murmurou.
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