ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
42 Prada?
Notas iniciais
Quando já estava toda vestida e devidamente arrumada ela se ajoelhou no chão para guardar as coisas da caixa que havia derrubado.
Fui arrumando os papéis e as diversas outras coisas na caixa até que algo chamou sua atenção. Uma carta vermelha e branca tampada por outros papéis, mas ela conseguia ver claramente as letras itálicas e pretas formando as letras "Academia Ler". Tirou a folha de cima da carta e viu escrito "Academia Lerch de Nova York". Arregalou os olhos vendo "Emily Davis" na carta.
Ela bem que abriria a carta se ela já não estivesse aberta, tirou a folha lá de dentro e a abriu.
"Ficamos felizes ao receber o vídeo de sua apresentação senhorita Davis. A senhorita se encaixa nos nossos quesitos disciplinares além de ser muito talentosa.
Emily Davis, a senhorita foi aceita na Academia Lerch de Nova York, aguardamos sua resposta o mais breve possível, até.
Sua garganta fechou de raiva, muita raiva.
Charlie saiu do banheiro com uma calça jeans e sem camisa exibindo aquele corpo escultural dele.
– Achou tudo? – ele perguntou sorridente.
Devagar se levantou com a carta nas mãos. Elas tremiam de raiva e surpresa. Ele olhou para a carta e depois pra ela. Os olhos da menina marejaram e ela mordeu o lábio inferior pronta pra soltar os cachorros.
– O que significa isso? – ela gritou olhando pra ele lutando contra si mesma pra não chorar.
– Emy eu... eu...
– Não me chama de Emy!
– Emily, eu posso explicar, me dê um minuto...
– Não vou te dar droga nenhuma! – ela gritou histérica – eu estou a dias frustrada por que a droga dessa carta não chegou, e esse tempo todo você estava com ela!
– Eu tenho ótimos motivos pra ter feito isso, eu garanto.
– Nada justifica você ter roubado essa carta!
– Sim – ele disse – eu não queria te perder, Emily.
– Não me venha com esse discurso – ela disse.
– Eu peguei a carta pra você não me deixar, porque eu te amo Emily.
– Não ama! – ela jogou a carta no chão – se amasse saberia que estava querendo ir para Nova York para cuidar do meu pai!
– Eu sei...
– Calado – ela o cortou – você só pensa em você, você é um garoto mesquinha, egoísta!
– Eu fiz isso por nós!
– Não! Você não pensou nada em mim quando fez isso, pensou só em você. "A Emily que se dane, o pai dela pode se cuidar sozinho porque ela tem que ficar comigo" – ela tentou fazer uma voz masculina no final.
– Não é bem assim!
– Não tente se defender! Você não tem nada o que falar, só tem que calar a boca e ouvir! – ela disse mais furiosa impossível – eu não acredito que cheguei a te dar uma chance... eu não acredito que passei seis meses da minha vida com você!
– Não diga isso!
– Digo, porque você merece! – ela disse chorando. Se ajoelhou devagar pegando a carta do chão. Ele veio até ela se ajoelhando em sua frente colocando a mão no ombro dela.
– Emy...
– Não encosta em mim! – ela pegou a carta e saiu correndo em passos pesados.
– Emily, volta! – ele foi correndo atrás de Emily que correu mais rápido.
– Some da minha vida! – ela olhou para ele com um olhar matador e saiu da casa de Charlie.
O garoto a olhou fechar a porta em sua cara e bateu com a cabeça na parede.
Se não tivesse pegado a maldita carta, Emily iria para Nova York, mas eles estariam juntos pelo menos.
. . .
Emily saindo da casa de Charlie decidiu que não ia mais se importar com ele, que não ia mais chorar por ele, que não faria mais nada relacionado a ele. Mal entrou em casa quando pegou seu celular que estava na mesinha e ligou para seu pai.
– Oi anjinho – ele disse.
– Oi pai – ela disse meio seca – estou indo para Nova York em um mês, após o fim do semestre.
– Oi?
– Fui aceita na Lerch – ela disse.
Ele demorou um pouco para responder.
– Emily querida, a Hudson é muito melhor que a Lerch – ele disse – fique ai, está melhor direcionada ai.
– Não me importa se é melhor ou pior, eu quero ficar ai com você.
– Filha, eu estou bem.
– Pai, eu quero ficar com você, vai me proibir de querer ficar com meu pai?
– Claro que não. Só não quero que desista de uma boa oportunidade por mim.
– É o que os bons filhos fazem não é? – ela sorriu meio forçado – eu te amo pai, e se ficar com você significar desistir de tudo, eu faço.
– Não poderia pedir filha melhor – ele disse provavelmente sorrindo – mas se é assim... não vou te impedir e nem te forçar a nada, mas pense muito bem antes de tomar essa decisão Emily, você está lidando com seu futuro e esse é um assunto que deve ser pensado e repensado antes de tomar uma decisão concreta, tudo bem?
– Tudo bem.
– Promete que vai pensar bem nessas duas semanas?
– Prometo.
– Certo – ele suspirou – você já é bem grandinha então presumo que saiba se cuidar.
– Eu sei sim pai.
– Ótimo. Tchau meu anjinho, pense direito e qualquer dúvida ou problema pode me ligar.
– Eu ligo sim, obrigada – ela disse – tchau pai.
– Tchau filha.
. . .
Sarah entrou toda elétrica em casa vendo Emily assistindo televisão.
Quem a visse nunca diria que ela há pouco havia passado pela maior decepção amorosa de sua vida. Decidiu que não iria ligar mais pra isso e toda essa bobagem que era o amor, fez bem em todos aqueles anos se abstendo daquele sentimento, e pelo jeito depois daquele deslize continuaria com esse plano.
Sarah por outro lado só faltava sair saltitando de felicidade. Emily olhou para ela e franziu o cenho, Sarah nunca era "alegrinha" daquele jeito.
– Tomou quantas xícaras de café?
– Nenhuma! – ela ainda elétrica se sentou ao lado de Emily – O Nick vai pra Londres comigo!
Elas ficou alguns segundos parada absorvendo a notícia.
– Que bom, que bom mesmo – Emily sorriu para a amiga que a abraçou.
– Estou tão feliz!
Kate entrou e sem nem perguntar o porquê do abraço se junto a ele, gostava de abraços.
– O Nick vai pra Londres comigo!
E assim as duas começaram a pular feito um bando de loucas.
– Ah – Kate parou de pular – já sabe se vai para Nova York? – ela perguntou para Emily que deu de ombros negando com a cabeça.
– A carta chegou – ela disse e as duas olharam em expectativa para ela – fui aceita.
Kate suspirou com um sorriso.
– Não sei se fico feliz ou triste – Kate admitiu – já não basta a Sarah ir embora, você também vai – o Cupcake abaixou a cabeça.
– Mas eu volto em um ano – Sarah tentou ajudar.
– E eu... não sei se volto – Emily disse e os olhos de Kate brilharam de lágrimas – mas também não é certeza que eu vá.
E de risos e pulsos de alegria Kate abaixou para um choro sufocado entre as duas meninas.
– Nunca nos separamos, não podemos romper o ciclo, é contra a lei da vida! – ela disse entre o choro e Emily e Sarah se olharam, o que fazer?
– Ainda tem Abby – Sarah tentou consolar.
– Ai só falta ela entrar por aquela porta agora e dizer que vai fugir para sabe deus onde!
A porta se abriu, Abby apareceu sorrindo.
– Tenho novidades!
E então Kate desabou em lágrimas deixando Abby confusa.
– Vai sair da Academia também? – Emily perguntou.
– Não... claro que não – ela respondeu como se fosse óbvio – eu só ia dizer que a Prada está com 50% de desconto.
– Opa opa, 50%? – Sarah perguntou e Abby assentiu – vou pegar meu cartão!
– Pelo menos uma notícia boa – Kate foi até Abby a abraçando.
A garota ainda parecia confusa quanto ao choro de Kate e olhou para Emily pedindo respostas com o olhar, a loira apenas sorriu forçado dando de ombros como se dissesse "é a Kate, não tem nem o que explicar", Abby deu de ombros sorrindo e abraçou Kate murmurando "tudo bem Cupcake, tudo bem".
– Bom, então vamos torrar na Prada – Emily sorriu subindo até seu quarto para pegar sua carteira.
– O que acha de uma bolsa bem bonita, Kate? – Abby disse e Kate sorriu.
– Bolsa... Prada... soa tão bem.
– A palavra "Prada" deixa tudo melhor, agora vamos – Abby saiu com Kate.
. . .
As compras na Prada já haviam acabado, Kate comprou uma bolsa maravilhosa que mesmo sendo metade do preço ainda era bem cara. Ia andando até a casa dos garotos ver Nathan para um encontro maluco que ele planejou, bem, ela não sabia de nada. Tocou a campainha esperando, mas não foi Nathan que abriu, foi Charlie.
– Oi Charlie.
– Oi – ele parecia mal.
– Hã... o Nathan está?
– Não ele foi pegar alguma coisa na Academia – ele disse.
– Ah – ela suspirou – você sabe se ele demora?
Charlie negou com a cabeça.
– Pode entrar e esperar se quiser.
– Obrigada.
Eles entraram e Charlie suspirou passando as mãos nos cabelos os passando para trás.
– Quer alguma coisa?
– Não, estou bem, obrigada – ela se sentou no sofá e Charlie se sentou no ao lado – e... você não está nada bem pelo visto.
– Acho que não consigo esconder meus sentimentos muito bem.
– Então... – Kate mexeu em sua saia – quer me contar o que aconteceu? Sabe, me falam que sou uma boa psicóloga.
Charlie sorriu minimamente.
– Acho que nós dois sabemos do que se trata – ele disse olhando para Kate que suspirou.
– É a Emy?
Ele assentiu olhando para baixo.
– Você já... tentou conversar com ela, explicar o que aconteceu e pedir desculpa?
– Já – ele assentiu – e por um momento deu tudo certo, mas depois...
– E porque parou de dar certo?
– Porque eu... eu peguei a carta dela porque não queria que ela fosse – ele disse e Kate arregalou os olhos meio surpresa – ela descobriu e... me mandou sumir da vida dela – os olhos dele encheram de lágrimas.
– Mas... você sabe que errou ao pegar a carta, não é?
Ele assentiu.
– E que agora ela muito provavelmente vá mesmo voltar para Nova York.
Ele assentiu novamente.
– Quer uma dica? De alguém que a conhece desde sempre?
Ele assentiu.
– Por favor.
Kate suspirou.
– Dê um tempo a ela.
– Tipo um dia?
– Não, tipo um mês – ela disse e Charlie arregalou os olhos – depois disso ela vai ter amenizado a raiva e tudo mais, será mais fácil assim.
– Mas em um mês ela já estará em nova York.
– Eu sei – Kate sorriu o confortando – mas a distancia nunca foi realmente um obstáculo para o amor. E se for para ser, será nem que ela esteja na Austrália e você aqui.
Charlie soltou um mínimo sorriso.
– Não creio que realmente aconteça – ele suspirou – eu só queria ela aqui... nem que não fosse comigo, só ficar aqui já era bom pra mim.
– Eu compreendo, mas é o pai dela... família em primeiro lugar sempre, ainda mais para ela que só tem o pai.
– Eu sei.
– E então, o que vai fazer sobre isso?
Charlie deu de ombros.
– Acho que nada.
– Como assim, nada?
– Ela não me quer mais, não posso forçá-la a me querer.
– Não, realmente não – ela disse – mas pode persuadi-la a te querer.
Charlie ergueu as sobrancelhas.
– Reconquistá-la.
– Já tentei e deu merda.
– Então pare de pensar no que fazer e apenas faça, faça o que acha que deve fazer não o que seu cérebro diz ser certo ou não.
– Não dá...
– No amor e na guerra não se pode pensar, tem que ser impulsivo, certo e direto, não planejado.
– Ela não me quer ver nem pintado de ouro!
– Ok Charlie – ela suspirou arrumando a saia – você tem duas opções. Primeira: deixa de ser tongo e corre atrás dela porque ta mais que na cara que você a ama, ou segundo: largar tudo e viver com o peso na consciência de que você pode ou não ter perdido o amor da sua vida por falta de persistência.
E antes que Charlie pudesse responder Nathan entrou franzindo o cenho ao ver Kate e Charlie.
– Oi – ele disse e Kate sorriu.
– Oi ursinho – ela se levantou o beijando rapidamente – vamos?
– Hã... claro.
– Charlie, pense no que eu falei, ok? – ele assentiu e Kate sorriu acenando com a ponta dos dedos e saindo.
Nathan olhou para Charlie que deu de ombros. Nathan também deu de ombros e acenou para ele antes de sair com as mãos nos bolsos atrás de Kate.
. . .
Aquilo bem que havia começado com uma aulinha, mas agora Kate estava sentada de lado no colo de Nathan enquanto se beijavam.
A mão dele apertou a cintura dela com força e quando o beijo começou a ficar intenso ele a soltou.
– O que anda acontecendo com você?
Ele negou com a cabeça.
– Nada.
– Você sempre se afasta de mim – os olhos dela ficaram tristes – fiz algo errado?
– Não, não – ele lhe deu um selinho – você não fez nada, Cupcake.
– Então porque recua?
– Porque estou a beira de perder o controle.
Ela franziu o cenho passando a mão no cabelo dele. Nathan fechou os olhos apreciando o carinho.
– Como assim?
Ele suspirou.
– Não é nada, Kate, não se preocupe.
– Fala, ursinho.
Ele sorriu com aquele biquinho lindo que ela fez e a abraçou pela cintura.
– É que já estamos juntos há um tempo, e eu só penso em você, o tempo todo e... eu não aguento mais esperar.
Ela sorriu beijando a bochecha dele.
– Eu queria que fosse especial, mas eu não sei planejar esse tipo de coisa e...
– Não precisava planejar nada.
Ele riu.
– Mas você merece.
Ela sorriu se levantando estendendo a mão para ele.
– Vem.
– Pra... ?
– Acha que conseguimos uma reserva em um hotel agora?
Nathan sorriu a abraçando com força enchendo o rosto da menina de beijos.
– Te amo, te amo, te amo.
– Eu sei – ela beijou o nariz dele.
– Vem minha linda, essa será a melhor noite da sua vida.
– Promete?
– Prometo.
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