ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
9 Finalmente!
Notas iniciais
Os dois ficaram se beijando naquele armário um bom tempo, mais especificamente até o sinal do almoço bater. Emily o empurrou pelos ombros, mas ele a segurou mais forte impedindo que ela saísse do beijo.
Já que a força bruta não funcionou, ela apelou por fechar a boca terminando o beijo.
– O que foi? – ele perguntou acariciando as bochechas levemente rosadas da menina tentando amolecer aquele coraçãozinho de pedra.
– Almoço – ela disse sinalizou a porta – estou com fome.
Ele sorriu de lado.
– E eu não posso cessar essa fome?
– Não! – ela deu um tapa no ombro dele descendo da mesa.
– Ei ei – ele segurou a cintura dela pelas costas sussurrando em seu ouvido – me da mais um beijo.
Ela ficou estática por alguns segundos enquanto ele acariciava a cintura dela dando leve beijinhos em seu pescoço.
– Charlie... – ela tentou formular uma frase, mas não conseguiu.
– Certo, já entendi – ele disse – você é das antigas, pois bem.
Ela a girou a deixando de frente para ele e segurou o rosto dela entre as mãos.
– Quer sair comigo loirinha?
Ela engoliu seco.
– Charlie, eu acho que não...
– Por favor, só um encontro, amenos que você queira mais, é claro – ele sorriu de lado.
– Eu tenho que ir.
– Diga sim que eu te deixo sair.
– Charlie é serio.
– Também estou falando sério, eu não te solto até dizer sim.
Emily olhou para a porta e depois para Charlie, estava morrendo de fome e as meninas iam enchê-la de perguntas que ela não estava afim de responder.
– Ok – ela concordou.
– Sério? – Charlie pareceu surpreso.
– Se me deixar ir agora sim – ela disse o olhando e Charlie a soltou com um sorriso.
– Porta do condomínio, as oito – ele disse e Emily suspirou, iria mesmo fazer aquilo? Ela assentiu.
Charlie sorriu estalando um selinho nos lábios dela e depois abrindo a porta indicando para ela sair e ela assim fez ainda meio atordoada com os recentes acontecimentos.
Ele sorriu respirando fundo, estava ileso, sem nenhum aranhão e ainda tinha um encontro com ela... realmente as coisas estavam indo para os eixos.
Emily saiu com a mão em frente a boca. Seus lábios formigavam como se Charlie ainda a beijasse. Algo dentro dela estava diferente, e ela não sabia explicar o que era, basicamente como um balde de água gelada no peito enquanto sua pele fervia como chamas em um folha de papel.
Sentiu um arrepio sobre humano em seu corpo e logo depois colocou a mão na testa apenas checando se não estava doente porque era a única explicação para ela ter aceitado sair com... aquele gostoso...
Sentou na mesa sem falar um mero "oi" e tomou praticamente toda sua água em um gole só.
– Oi pra você também – Kate disse.
– Oi – ela disse baixo.
– Problemas no paraíso? – Sarah perguntou.
– Hã? – Emily fez cara de tonta.
Abby riu e Sarah negou com a cabeça.
– Está honrando o cabelo – Sarah disse rindo um pouco.
Porém Emily não se incomodou com a piada de loiras, continuou pairando pensando em como os lábios de Charlie era macios ou quão gostoso eram os apertões que ele executava na perna dela.
Depois de um tempo piscou duas vezes seguidas e franziu o cenho. Estava mesmo paralisada pensando em um garoto? Ah não, ela não era uma boba apaixonada que ficava pensando em garotos, pelo contrário, sempre os fazia pensar nela, mas nunca a situação invertia.
Decidiu se concentrar em outra coisa, sua salada, ótima distração.
De longe Abby viu Sam se aproximando e sorriu indicando com a cabeça para ele que se aproximou.
– Meninas, esse é meu amigo Sam – Abby o apresentou.
Emily e Kate o cumprimentaram, mas Sarah apenas perguntou:
– Amigo? – Sarah franziu o cenho.
Abby revirou os olhos.
– Sim, amigos – ela sorriu sarcástica.
– Eu não curto morenas... não curto meninas na verdade – ele sorriu para Sarah que arregalou os olhos sorrindo.
– Ok, já entendi – ela disse rindo um pouco.
E como esperado, elas o encheram de perguntas diversas e Abby apenas sorriu, Sam parecia se divertir um pouco.
– E quando você virou... gay? – Sarah perguntou.
– Que pergunta mais indiscreta! – Kate olhou para Sarah que deu de ombros como se não ligasse.
– Tudo bem querida – Sam disse olhando para Kate – e bem, não sei quando virei gay – ele deu de ombros – sempre tive uma queda por meninos, não desmerecendo a raça feminina que eu admiro muito, vocês são lindas e poderosas, o sonho de qualquer um.
Sarah sorriu lisonjeada.
– Sabe, isso é sacanagem – Emily disse.
– O que? – perguntaram todos.
– Você é lindo – ela disse – já são muitas mulheres no mundo para poucos homens, e os interessantes e bonitos não gostam de mulheres – ela disse e todos riram.
– A vida é injusta – ele deu de ombros – eu queria ser menina, seria mais fácil.
– Não, não seria – Kate disse – você sabe o quão complicado é ser mulher?
– Vocês sangram pela vagina, acho que suporto isso – ele sorriu de lado e Sarah quase engasgou de tanto rir.
– Se o problema fosse sangrar estava bom – Emily disse – o complics é a dor, querido.
– Enfim – ele fez um gesto de desdém com a mão.
– Eu mereço ouvir isso senhor? Não, não mereço – Kate negou com a cabeça enquanto pegava seu refrigerante.
– Não começa, Cupcake – Abby disse.
– Eu gosto de Cupcake – Sam sorriu e as três riram.
. . .
Kate suspirou cansada ao entrar na sala, se sentou segurando seu violino, havia muitas pessoas na sala e por mais que não gostasse de ficar pensando nisso, havia muitos garotos bonitos em sua turma, MUITOS garotos bonitos mesmo, ela não sabia se aquilo era uma benção ou uma praga, talvez um pouco das duas. Mas antes de entrar ali, ela fez uma promessa a si mesma de que não se envolveria com ninguém enquanto estivesse estudando ali, sim, três anos solteira.
Ela já havia quebrado a cara várias vezes quando se tratava de amor, e não queria cometer o mesmo erro novamente. Sem dizer que ela estava ali para virar uma grande música, e um namorado não podia só atrapalhar como a destruir.
Kate sempre fora uma menina muito delicada e romântica, por isso sempre quebrava a cara com os garotos, um sorriso sempre a derretia e qualquer eu te amo ela levava muito a sério e quando tudo acabava ela ficava totalmente destruída, abaixo do chão e isso prejudicava seu desempenho em tudo. Por isso ela se aposentou dos garotos pelo menos aqueles três anos, não queria sofrer de novo, e se sofresse queria poder ficar em casa chorando sem se preocupar com aulas, o que no momento ela não podia fazer.
Ela repensava isso mil vezes quando via todos aqueles meninos, mas logo recuava esses pensamentos se lembrando de seu foco original, música.
O professor logo entrou e todos começaram a tocar seus violinos ao mesmo tempo. Ela tentava dar um de Emily, agir como se não houvesse meninos por perto... tudo bem que no caso dela isso só os atraiam mais, mas Kate não exalava aquele poder e confiança de Emily que era o que atraia os garotos como um imã. Ou seja, ela estava livre disso.
Alguns podem considerar certa habilidade boa, mas ser paquerado o tempo todo deve encher o saco, Kate ficava enjoada só de ver o quanto Sarah e Emily eram assediadas.
– Baker, está entrando atrasada – o professor a advertiu e Kate saiu de seus pensamentos que a estavam levando para Marte.
– Me desculpe é que eu...
– Não importa, se concentre na partitura – ele a cortou e Kate assentiu bem rapidinho.
– Sim senhor.
Ele continuou balançando aquele pauzinho na mão enquanto todos tocavam concentrados e silenciosos, Kate nunca havia tocado com tanta gente boa ao mesmo tempo, era uma experiência nova e muito excitante para ela.
Os dedos da mesma se moviam com facilidade pelas cordas do violino em sincronia com seu braço que cortava as cordas com o arco perfeitamente. Violino foi uns dos instrumentos que ela mais teve dificuldade em aprender, mas depois virou algo tão comum e fácil como andar de bicicleta.
Ela se lembrava das vezes quando as quatro eram menores, uns 10 ou 11 anos e Abby começava a ficar eufórica e Kate tocava para acalmá-la, e logo Sarah e Emily dormiam acompanhadas de Abby e sobrava somente a violinista sorrindo para as amigas que chegavam a roncar de tão pesado o sono.
Era uma boa época, Sarah e Emily ainda eram tranquilas com questão aos garotos, Abby tinha seus ataques de pânico por causa de matemática, mas nada preocupante... tudo era tão mais fácil, e agora oito anos depois, tudo parecia tão complicado e as vezes até impossível... ninguém nunca dá valor quando é criança porque a vida é boa demais, agora quando crescem...
Depois do violino eles foram para o violão.
– Me empresta uma palheta? – um garoto perguntou.
Ele tinha cabelos castanhos claros e olhos da mesma cor, Kate nunca havia parado para reparar nele.
Ela abriu o bolsinho da frente da capa do violão e de lá tirou uma palheta vermelha sangue.
– Aqui – ela estendeu a palheta a ele.
– Valeu – ele sorriu piscando para ela.
Ela ficou alguns segundos imóvel. "Foco Kate, foco!" sua mente gritou e ela desviou seus pensamentos para o violão o afinando com a ajuda do celular.
. . .
Emily decidiu voltar para casa sozinha naquele dia, queria respirar um pouco sozinha. Estava começando a ficar brava com ela mesma, sua mente não conseguia ficar dois segundos sem pensar em Charlie.
Os olhos dele... vede escuros eram uma das características que ela não conseguia esquecer. Os lábios finos e rosados, as mãos levemente calejadas perambulando por seu corpo, as veias saltadas dos antebraços, o peitoral definido, mas nada exagerado e aquele sorriso brilhante e brincalhão sempre estampado em seu rosto...
Antes que Emily pudesse perceber estava mordendo o lábio, sua respiração estava mais pesada como se tivesse corrido até lá e ela ficava esfregando as pernas sem parar, é Charlie mexia com ela, tanto psicológica quanto fisicamente e ela não podia se odiar mais por isso.
Mordeu o lábio novamente imaginando como ele seria nu...
– Chega! – ela entrou em casa subindo depressa as escadas para seu quarto.
E o pior de tudo é que eles teriam uma espécie de encontro e... estava ligeiramente agitada para isso.
Será que é romântico? Criança? Engraçado?
– Para! – novamente ela brigou consigo mesma por estar pensando nele.
Olhou para seu quarto passando as mãos nos próprios braços procurando uma blusa em seu armário, pegou o primeiro moletom que viu, branco da Hollister, tirou seu cabelo que havia entrado no capuz e logo tirou os saltos os substituindo por uma pantufa botinha preta. Havia esfriado de uma hora pra outra e bem, ela não pretendia sair de casa naquela tarde, então dane-se se estava de moletom.
Fez uma xícara de café bem quente e colocou dois Marshmallows na caneca vendo-os mergulhar e voltar a superfície meio amarronzados. Fez uma bela de uma meleca em uma tentativa de fazer panquecas, porque afinal era um desastre na cozinha, Kate que era a expert no assunto, Emily era uma negação.
Depois de muito esforço conseguiu fazer duas panquecas, colocou um pouco de leite condensado, só um pouco e picou morangos (quase levando o dedo junto) e os despejou por cima, e com esse café da tarde trabalhoso e delicioso ela foi para a sala.
Se sentou no sofá de pernas cruzadas e ligou a televisão colocando em um filme qualquer.
Depois de um tempo acabou dormindo abraçada na almofada.
. . .
Emily acordou bocejando franzindo os olhos logo depois. Levantou a cabeça se deparando com o relógio da parede. 07h12min...
Ela demorou um pouco para lembrar o que aquele horário significava, mas logo a luz de seu cérebro acendeu:
O ENCONTRO!
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