ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
10 Uma boba.
Notas iniciais
Charlie estava apoiado no portão do condomínio, ele usava uma calça jeans simples, sapatenis e uma camiseta branca manga longa com detalhes em verde claro, e como sempre as mangas estavam arregaçadas até os cotovelos. Seus braços estavam cruzados em frente ao corpo e ele esperava pacientemente uma certa loira que estava bem atrasada. Ele lembrava de ter marcado as oito, e bem, agora eram mais de oito e meia. Ela teria dado um bolo nele?
Os lábios dele se curvaram em um sorriso satisfeito quando viu um ponto loiro se aproximando. Ela estava com um vestido branco rendado com um sinto fino preto e por cima uma jaqueta curta de couro e pra completar uma linda bota de salto preta, os cabelos estavam soltos do jeito que ele gostava e aquele batom vermelho... ele estava louco para borrá-lo.
– Oi – ele disse sorrindo, não ligava para o atraso porque afinal, agora ele tinha uma deusa na sua frente, não tinha o que reclamar.
– Oi – ela sorriu meiga, era fofinho e Charlie assim percebeu que a loira tinha várias faces – desculpa pelo atraso, eu dormi e acordei tarde.
Ele sorriu das bochechinhas vermelhas da loira.
– Não se preocupe. Vamos?
– Uhum... mas pra onde?
Ele sorriu estendendo a mão a ela.
– Surpresa.
Passou os braços pelo ombro dela e a guiou até seu carro, abriu a porta para ela e depois entrou.
– Não vai me dar nenhuma dica? – ela perguntou.
– Ok, só uma – ele disse ligando o carro – eu sou uma eterna criança, só isso que vai saber por enquanto.
– Vai me levar no berçário?
Ele riu começando a dirigir.
– Errou loira – ele disse.
Depois de um pouco mais de meia hora ele parou o carro. Emily olhou para o lado vendo um lugar cheio de luzes, era uma daquelas casas de jogos que ela ia com as garotas quando era criança.
– Gosta de jogos? – ele perguntou.
– Adoro – ela sorriu.
– Ótimo – ele sorriu saindo do carro, ao chegar ao lado dela não hesitou nada em segurar sua cintura a marcando como sua menina, só por precaução já que em lugares como aquele geralmente tinham muitos homens.
Eles entraram e os olhos da loira brilharam vendo todas as luzes.
– Eu vou comprar as fichas, só um minuto – ele disse tirando a carteira do bolso e indo até o caixa.
Emily ficou olhando as crianças brincarem e sorriu. Um grupinho de uns cinco garotos de uns 14 ou 15 anos conversavam e um deles se aproximou dela, era bem bonitinho, loiro de olhos verdes.
– Oi gatinha – ele disse e Emily não pôde evitar uma risada bem alta na verdade.
– Se toca Ian, ela podia ser sua mãe – outro disse.
Emily arregalou os olhos.
– Mãe não – ela disse – quantos anos acha que eu tenho?
O menino fez uma careta pensativa.
– 25?
Emily franziu o cenho.
– Eu tenho 19!
Os garotos riram e saíram deixando uma Emily indignada. Ela parecia ter 25? Ela tinha cara de velha?
Charlie chegou com uma sacolinha cheia de fichas e Emily perguntou na lata:
– Eu tenho cara de velha?
Charlie arqueou o cenho e sorriu.
– Como?
– Você não sabe minha idade, quantos anos acha que tenho?
– 18 ou 19 – ele disse dando de ombros.
Ela suspirou aliviada.
– Por quê?
– Acabaram de dizer que pareço mãe de um garoto de 15 anos.
Charlie riu, porém Emily não achou graça.
– Isso não é engraçado!
– É sim – ele disse.
– Ser chamada de velha é a coisa mais hilária do mundo, nossa – ela disse irônica e ele sorriu segurando o rosto dela com a mão direita porque a esquerda estava ocupada com a sacola.
– O engraçado é você se preocupar – ele disse com o rosto bem perto do dela – porque você é linda e sabe bem disso.
E dito isso ele se afastou indo em direção aos jogos. Emily sorriu sem jeito indo atrás dele.
O primeiro que foram era aquele de martelar os bichos que iam aparecendo, Emily era bem agressiva e Charlie riu com isso, o martelo começou a atrapalhá-la e ela simplesmente o largou e foi com a mão batendo em todos os bichos.
– 50 pontos, nada mal – ele disse passando os pontos para o cartão.
– Obrigada – ela sorriu metida passando o cabelo para trás e ele sorriu negando com a cabeça.
Foram para o basquete e Charlie ganhou, mas por pouco, arquivou os pontos no cartão e foram para o de atirar água, mas esse só tinha uma arma vaga.
Ele indicou para Emily ir e ela foi enquanto ele colocava a ficha no buraco.
– O gatilho é duro – ela disse tentando apertar, mas a água não saía.
Charlie posicionou atrás dela passando os braços por cima dos dela segurando o gatilho da arma.
– Eu aperto e você mira, ok?
As costas dela estavam coladas no peito dele e ela sentia a respiração dele em seu ouvido de leve.
– Ok – ela concordou se acomodando nos braços dele.
Ele apertou o gatilho que realmente estava duro, mas não duro o suficiente para ele. Emily com as mãos por cima das dele foi mirando na boca daquele palhaço com um sorriso perverso, ela era maníaca por ganhar.
– Você tem mira boa, loira – ela a soltou devagar passando a mão por seus braços.
– Eu fiz aula de tiro por dois anos – ela sorriu.
– Mesmo?
– Mesmo, meu pai é policial – ela disse.
Charlie arregalou os olhos e engoliu seco.
– Mesmo?
Medo do futuro sogrinho? Só um pouquinho.
– Sim – ela sorriu – autodefesa sempre fez parte da minha vida, meu pai era meio neurótico, sabe como é – ela deu de ombros – ainda tenho que andar com spray de pimenta na bolsa.
– Ah, isso explica porque você quase quebrou meu braço aquele dia – Charlie coçou a cabeça.
Emily riu pegando a sacola de fichas do chão e indo para o próximo jogo.
O único dentre os vários jogos que Charlie conseguiu mesmo detonar Emily foi no boliche. Ela era muito ruim e quase derrubou a bola quatro vezes no pé dela e ainda a bateu na barriga de Charlie que fez uma cara muito engraçada.
– Ai meu deus, desculpa – ela disse não deixando de rir, a cara dele era engraçada demais.
– T-tudo bem – ele sorriu com o sorriso dela – estou vivo.
– Vamos em outro antes que eu te acerte de novo.
– Concordo.
Depois de gastarem todas as 150 fichas eles foram comer, se sentaram olhando o cardápio.
– O que vão querer?
– Hambúrguer de frango, batata frita pequena e Milk Shake de chocolate pequeno – disseram ao mesmo tempo e se olharam pela coincidência.
– Então substituir por uma batata frita grande, dois hambúrgueres e um Milk Shake grande com dois canudos – ele olhou para Emily sorrindo e o garçom anotou tudo saindo.
– Dois canudos? – ela arqueou o cenho com um sorriso.
– Não é o que fazem nos encontros? – ele deu de ombros.
– Nos anos 80 né – ela disse e ele riu.
– Estou tentando ser romântico, algo contra senhorita Emily?
Ela sorriu negando levemente com a cabeça.
– Não faz a menor ideia do que fazer, não é?
Ele sorriu torto.
– Na verdade não – ele deu de ombros – nunca tive um encontro de verdade, nunca fui de namorar.
– Eu também – ela disse mexendo em sua pulseira.
– Nunca namorou?
Ela negou com a cabeça.
– Por quê? Bem, quero dizer, garotos chovendo em você não deve ter faltado.
Emily sorriu levemente corada.
– Eu nunca quis – ela deu de ombros.
– Algum motivo ou somente gosta de ser livre? – ele perguntou.
– Meu pai sofreu muito com uma garota no tempo da escola, ele fez umas coisas erradas e ela o deixou, mas ele a amava muito e ficou bem mal por isso, ai veio a minha mãe e... ela morreu no meu parto – ela disse suspirando logo depois – não quero sofrer como ele.
Charlie olhou para a mesa.
– Eu sinto muito.
– Não sinta, a culpa foi minha.
– Claro que não.
– Claro que sim, se eu não existisse, meu pai ainda teria minha mãe e seria feliz.
– Você não teve culpa, e aposto que ele te ama muito.
Ela levantou e abaixou os olhos, não podia chorar agora.
– Eu sei que ama, mas também amava minha mãe – ela suspirou negando com a cabeça – desculpa te encher com isso.
Charlie segurou a mão dela por cima da mesa e sorriu reconfortante.
Os lanches chegaram e eles começaram a comer rindo de alguma piada idiota que Charlie havia contado, ele estava adorando ouvir a risada dela então seria palhaço enquanto pudesse fazê-la rir. Estavam sentados lado a lado e foram tomar o Milk Shake ao mesmo tempo, recuaram se olhando por alguns segundos, depois riram.
Fizeram mais uma hora por ali depois se levantaram para sair. Charlie estava com a jaqueta de Emily nas mãos que ela havia lhe entregado durante algum jogo. Entraram no carro e durante o caminho inteiro foram conversando sobre assuntos aleatórios como apresentação, colegas de casa e etc.
Saíram do carro e Charlie foi andando junto com ela até sua casa, já passava de uma da manhã. Delicadamente ele colocou a jaqueta de Emily sobre os ombros finos da menina que olhou para ele.
Impressionantemente não havia ninguém na rua do condomínio, todos eram adultos e tinham tecnicamente a cabeça no lugar e como todos tinham aulas entre seis e seis e meia logicamente já estavam em suas camas, ou pelo menos em suas casas porque havia algumas luzes acesas.
– Está entregue – ele disse sorrindo com as mãos nos bolsos do jeans.
– É, obrigada... sabe, por tudo – ela disse e Charlie sorriu de lado.
– Eu que agradeço – ele deu um passo para mais perto dela ficando realmente muito próximo de seu corpo.
Os dois se olharam e Charlie ficou ainda mais perto dela não desgrudando seus olhos. O fraco vento da madrugada balançava de leve os cabelos loiros encaracolados de Emily, ela era... tão linda.
A mão dele subiu acariciando de leve a bochecha dela tocando a pele de porcelana da mesma, os olhos dela voltaram a ficar elétricos, quase chamuscando. Ela intercalava entre os lábios e os olhos dele, não demorou nada até ele a puxar delicadamente pela cintura tocando seus lábios nos dela. Foi um selinho delicado e doce, diferente do primeiro beijo deles que foi bruto e violento.
Eles se separaram imediatamente olhando nos olhos um do outro, ele sorriu e Emily o puxou pela nuca um pouco mais rápido o beijando novamente, mas dessa vez não foi apenas um selinho demorado, foi um beijo lento e bem calmo com a língua de ambos se enroscando devagar e sincronizadas. Charlie a puxou mais ara si e ela envolveu o pescoço dele com os braços. No final ele mordeu de leve o lábio dela dando mais um selinho nos deliciosos lábios da menina.
Ele sorriu de olhos fechados tocando o nariz dela com o dele, abriu os olhos vendo um pequeno sorriso nos lábios dela, o que era uma novidade para ele. Era um sorrisinho pequeno e fofo que o fez gostar ainda mais dela.
– Te vejo amanhã? – ele perguntou ainda acariciando o rosto dela.
Ela assentiu.
E de surpresa ele depositou um beijo na testa dela.
– Boa noite linda.
Ele a soltou colocando as mãos nos bolsos e sorrindo para ela antes de voltar a andar.
– Boa noite – ela respondeu baixinho encolhida em seu casaco com um sorriso bobo nos lábios.
E o que mais temia aconteceu, ela havia virado uma boba apaixonada.
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