ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
35 Então fica assim?
Notas iniciais
Emily desceu as escadas apressada sentindo as lágrimas inundarem seus olhos.
Nossa, que raiva que ela estava sentindo.
Ouviu alguém batendo na parede e soube que era Charlie, mas pouco ligou e saiu da casa indo correndo até sua própria casa.
Entrou na casa subindo correndo até seu quarto se jogando na cama entre os travesseiros deixando as lágrimas saírem de seu corpo descontroladamente.
A menina sentia seu coração disparado e seu corpo todo tremia suplicando o toque de Charlie, o beijo e aquele abraço que sempre a confortava, sempre a fazia se sentir melhor e segura no meio daqueles braços fortes com a cabeça apoiada no peito duro enquanto sentia aquele cheiro de loção pós-barba e perfume.
"Calma meu amor, eu estou aqui" ela pôde ouvir a voz dele sussurrando enquanto afagava seus cabelos.
Levantou a cabeça assustada, parecia tão real... e ao mesmo tempo que queria que aquela cena estivesse mesmo acontecendo, que estivesse deitada no peito dele enquanto a tranquilizava... queria ele longe dela, o mais longe possível para nunca mais vê-lo.
Sarah entrou no quarto se deparando com aquele bolinho na cama com a cabeleira loira toda bagunçada. A menina soluçava baixinho e seu corpo tremia como se estivesse recebendo uma descarga elétrica.
Estava chorando.
– Emy? – Sarah se sentou na cama com ela acariciando as costas da menina – o que houve?
Demorou um tempo, mas ela levantou a cabeça.
Seus olhos azuis esverdeados estavam bem mais claros que o normal, o nariz e bochechas vermelhas e o rosto de choro era indiscutível.
Os olhos da menina marejaram de novo e ela se jogou em Sarah a abraçando com força.
– Emy, por favor, eu estou preocupada, o que aconteceu?
– Eu odeio o Charlie, quero que ele morra.
Sarah arregalou os olhos.
– Mas... o que aconteceu?
– Ele é um imbecil, Sarah, não quero vê-lo nunca mais.
Sarah afagou os ombros da menina assustada com o que poderia ter acontecido.
O que Charlie teria aprontado dessa vez?
. . .
Charlie se trocou rapidamente, colocou uma bermuda preta e uma regata também preta, colocou os fones em um Rock pesadão e foi correr.
Correr sempre foi uma forma de aliviar as ideias para ele e dessa vez ele precisava de toda a ajuda possível para esfriar a cabeça.
Saiu correndo feito um louco pela rua até chegar ao park. O suor começava escorrer por sua testa, mas ele pouco ligava.
Se sentia muito culpado pela briga, mas ainda achava que tinha razão então dane-se o calor, dane-se Emily, dane-se a vida!
Mas como era fraco, um homem muito fraco no sentimental começou a chorar.
Sentou na grama abraçando os joelhos e chorou um pouco até começar a se xingar de idiota, se levantou de novo e voltou a correr quase socando tudo que via ela frente.
. . .
– Quem é? – os olhos de Kate foram tampados por trás, ela sorriu.
– Seu cheiro e voz são indiscutivelmente reconhecíveis Nathan – ela disse e ele a soltou com um bico.
– Poxa...
Ela sorriu o abraçando pelo pescoço beijando seus lábios.
– Então Cupcake.
– Sim Ursinho?
Ele sorriu.
– Vamos sair depois da aula.
– Isso é um convite?
– É mais um aviso mesmo – ele riu do bico que ela fez o beijando logo em seguida.
Entraram na primeira aula e Kate se sentou abraçada com ele.
A aula mal havia acabado quando Nathan segurou a namorada pela mão e começou a puxar para fora.
– Ei, calma ai Ursinho – ela riu apressando o passo.
– É que temos um horário pra chegar lá.
– Hã... o que vamos fazer?
– Você tem medo de altura?
– Tenho medo de muitas coisas, mas altura não é uma delas – ela franziu o cenho.
– Ótimo!
Eles entraram no carro e curiosa Kate começou a fazer perguntas durante o caminho:
– Por favor, me fala o que vamos fazer! – ela disse quase pulando de ansiedade.
– Bom, você pode não saber, mas gosto muito de adrenalina.
– Mesmo?
– Mesmo – ele sorriu – então hoje vamos fazer uma simulação de queda livre e uma escalada.
Ela sorriu.
– Simulação de queda livre?
– É um tubo bem grande com um ventilador em baixo que faz a gente ficar flutuando.
– Que legal!
– Pois é!
Os dois se olharam e riram, dois malucos que apesar de serem quietinhos eram absolutamente malucos por atividades físicas e coisas que requeriam coragem. Porém os motivos dos dois eram bem diferentes, Nathan sempre foi viciado em esportes e tudo mais, era um capetinha quando criança, agora Kate sempre odiou e tinha medo, medo mesmo de jogar o que quer que fosse, ai uma linda psicóloga a ajudou e hoje ela era maluca por esportes e derivados.
– Como sabia que eu gostava dessas coisas?
Nathan sorriu.
– Na verdade eu não sabia, tinha esperanças de você ficar com medo e me abraçar.
Kate riu um pouco.
– Ai Nathan – ela suspirou sorrindo – eu não preciso ficar com medo pra te abraçar.
– Hummm, bom saber.
Ela sorriu tirando o cinto se aproximando de Nathan o abraçando apoiando a cabeça em seu ombro enquanto ele dirigia.
– Assim você me desconcentra, Cupcake – ele sorriu adorando aquele abraço.
– Não tem problema – ela beijou a bochecha dele.
Ele riu tentando não se desconcentrar com aqueles beijinhos gostosos.
Em pouco tempo eles chegaram ao lugar. Havia várias coisas legais para fazer além da escalada e simulador de paraquedas.
– Nossa! – Kate disse admirada e Nathan sorriu.
– Vamos vir mais algumas vezes para conseguir fazer tudo.
Ela assentiu.
Os dois escalaram juntos, lado a lado rindo um do outro e acreditem se quiserem, mas Kate tocou a campainha primeiro chegando ao topo antes de Nathan que sorriu bobo, como assim ele havia perdido para a namorada?
– Ganhei!
Nathan parou de escalar e apenas ficou olhando para a namorada que pedia para o cara que a segurava descer devagar.
Quando ficou de frente para ele, Nathan a puxou pela cintura a deixando com o rosto bem próximo ao dele. Kate sorriu meio assustada e o beijou rapidinho voltando a descer, Nathan olhou para baixo e pediu para descer também.
Assim que os dois estavam soltos a menina o abraçou de lado e juntos foram para o simulador de paraquedas.
Vestiram aqueles macacões vermelhos, e os óculos, Kate se sentia ridícula, porém Nathan achou que ela ficou engraçadinha.
– Com medo? – ele perguntou colocando os óculos.
– Nenhum pouco – ela sorriu – e você?
– Na mesma.
Quando eles entraram naquele tubo definitivamente pareceram dois idiotas. Nãos paravam de rir dos cabelos esvoaçantes e da cara um do outro, seguraram as mãos e gritaram rindo feitos dois idiotas que era o que realmente eram.
– Meu deus, meu cabelo! – foi a primeira coisa que ela disse quando saíram e Nathan riu.
– Está lindo como você, não se preocupe Cupcake – ele disse piscando para Kate – vamos?
Ela assentiu ainda passando a mão no cabelo e Nathan passou a mão pela cintura dela enquanto voltavam para o estacionamento.
. . .
Uma almofada voando...
– Sarah, acorda – Emily disse jogando outra almofada na cabeça de Sarah.
– Acordei, acordei – ela disse meio rabugenta se levantando.
A loira tirou a camisola começando a procurar uma roupa. Colocou uma calça jeans verde água, um salto preto qualquer e uma camisa soltinha branca manga curta lisa. Colocou seu anel e suas pulseiras e terminou com sua correntinha favorita com um "E" dourado, porém a usava bem pouco por algum motivo.
Olhou seu reflexo no espelho dando uma mexida no cabelo e passando a maquiagem logo depois.
Sarah decidiu não tocar no assunto Charlie já que Emily parecia de certa forma recuperada com o assunto, e acreditem não era nada bom ver a menina chorar então deixe quieto.
A loira piscou os olhos e espremeu os lábios fixando o batom, suspirou vendo que estava descente e saiu do quarto sem falar nada indo tomar café.
Quando chegou à Academia fingiu estar tudo normal, fingiu não estar destroçada em milhões de pedaços, fingiu ainda se sentir feliz ou pelo menos bem e seguiu seu caminho.
Parou na máquina de lanches comprando uma água e a tomando em poucos goles se dirigiu a sua primeira aula.
Entrou e se sentou na frente, como sempre fazia e pegou seu celular finalmente checando mensagens do WhatsApp, notificações, solicitações...
Seus olhos paralisaram em Charlie ali, desde que começaram a namorar ele era o primeiro nas conversas do WhatsApp... e desde ontem ele já havia descido para quinto lugar.
Involuntariamente ela abriu a conversa vendo as últimas mensagens só pra se deprimir mais.
Charlie: Emyyyy.
Emily: Oiiii
Charlie: Ta acordada?
Emily: Não, estou dormindo.
Charlie: Hahahah muito engraçado.
Emily: Fala logo o que você quer.
Charlie: Só te falar uma coisa.
Emily: Fala.
Charlie: Te amo minha loirinha doidinha, boa noite.
Emily: Também te amo moreninho, boa noite.
A menina suspirou abrindo a foto que ele havia mandado para ela um dia, ele deitado na cama sem camisa com os cabelos bagunçados e os olhos brilhantes com a legenda "Sei que seria bem melhor comigo ai, mas tenha uma boa noite, linda".
Modesto, sempre.
Saiu do WhatsApp antes que começasse a chorar e colocou novamente o celular na bolsa.
Charlie podia ser o garoto mais metido, idiota e criança desse mundo, mas ela o amava, querendo ou não o amava e muito.
Ela abaixou a cabeça quando sentiu a presença de Charlie entrando na sala. Ela fingiu que não ligou novamente, fingiu que não se importava por ele ter cumprimentado todo mundo menos ela, fingiu que não se importou de ao invés de sentar ao lado dela ter sentado no outro lado da sala conversando com Josh sorrindo como se ELE não se importasse com tudo aquilo, como se não se importasse com ela.
"Dane-se ele, dane-se tudo" ela pensou bufando se acomodando na cadeira.
Charlie olhou para a loira discretamente, ela não o olhava, pouco se lixava se ele estava vivo ou não, ainda mais se estava na sala ou não.
Se doía? Claro que doía.
E ele iria admitir isso, admitir que pudesse ter passado um pouco dos limites, dar o braço a torcer e ir falar com ela? Claro que não.
Aquela não havia sido a melhor noite, ele demorou para dormir e ainda sonhou com ela. Sonhou com aquele sorriso lindo, aquela risada gostosa, a voz melodiosa e o rosto angelical.
Ele estava quebrado por dentro, nunca havia se sentido assim e não queria mais se sentir, era horrível!
Se a culpa fosse total e somente dele, ele até poderia considerar a ideia de pelo menos falar com Emily, porém não era bem assim, ele falou de mais? Falou. Ela falou de mais? Falou.
Por isso, não sendo somente culpa dele o garoto decidiu deixar pra lá, se não fosse para ser, não seria, simples assim. Não daria para forçar um relacionamento que não daria certo, e se daria certo ou não só o tempo ia responder... ou talvez, deixar a resposta no ar, que seria um grande NÃO da vida contra Charlie.
Porém, nem tudo é como a gente quer, muito menos quando e com quem queremos.
Esperar.
Era a brilhante solução do enigma para ele, então iria cumpri-la.
Olhou mais uma vez para a loira que olhava para frente, mas não para ele. Os olhos dela não pareciam tão brilhantes como ele havia se acostumado e aquela expressão de felicidade apesar de séria não estampava seu rosto naquela manhã.
Então, o menino achava que estava tudo bem até um garoto cumprimentar sua garota a abraçando.
Ah, isso já era demais!
Ele se levantou pronto para tomar uma atitude e dizer um belo "Ei, tem dono", mas logo se sentou quando pensou "merda, ela não tem não" e só de raiva chutou a cadeira a derrubando no chão.
Algumas pessoas em volta olharam para Charlie que fez sua melhor cara de vítima.
– Foi um espasmo – ele disse dando de ombros – espasmos musculares, acontecem o tempo todo – ele fez um gesto de desdém com a mão e todos levaram a desculpa a sério e apenas deram de ombros voltando a conversar ou fazer o que estavam fazendo antes.
Novamente ele olhou para a loira que conversava com o garoto. Sean, se Charlie não se enganava sorria para SUA... Emily, sorria para Emily.
Ele disse algo e Emily abriu a bolsa tirando o celular, olhando e depois dizendo algo a ele que assentiu.
Charlie virou a cara antes que se estressasse e tomasse uma atitude drástica e esperou pacientemente o professor entrar na sala para acabar com aquela palhaçada toda.
Então era assim? Pois bem, ficaria assim!
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