Notas iniciais
Oi oi gente! Pra quem lê Princesa Emily já sabe, mas vou fazer de novo, semana que vem tem uma grande one/mini fic de cinco caps, ou seja, um por dia de segunda sexta, então deem uma olhada lá segunda. Boa leitura!

Estavam há uma semana da apresentação final, encerrando o semestre.

O pai de Emily pelo o que ele mesmo havia dito estava consideravelmente melhor, o que era realmente um alívio para Emily e a fazia questionar se devia ou não voltar para Nova York.

Muitas coisas haviam acontecido naquelas três semanas, ou melhor, muitas coisas aconteceram e deixaram de acontecer.

Para começar todos estavam meio deprimidos com a ida de Sarah e Nick para Londres e a possível saída de Emily para Nova York.

Charlie não se sentava mais com eles no almoço, na verdade, se não estivessem na mesma turma Emily nem o veria o dia inteiro, o que ela ainda questionava ser algo bom ou ruim.

Aos poucos ela se acostumava com a ausência dele, a falta dos sorrisos, de sua voz sexy e da sensação ótima por todo o corpo quando ele estava presente. Era difícil, sim, era, mas não era impossível viver sem ele e ela estava conseguindo provar isso.

Charlie não se encontrava na melhor situação, assim como antes seu rosto havia perdido o brilho e raramente era visto um sorriso em seus lábios, ele não conversava amenos que falassem com ele e mesmo assim só respondia, não fazia o mínimo esforço para a conversa prosseguir. Nicole disse que sua voz estava afetada e que ele precisava de mais aquecimentos vocais e quem sabe aulas extras, mas o que antes era seu foco agora era o menor dos problemas. Quem o visse pensaria que Charlie estaria com um início de depressão, e bem, ele não podia negar esse fato porque todo o tempo tinha vontade de se jogar da janela de seu quarto. Não era uma sensação que ele desejava a ninguém. A dor emocional era bem pior do que a física, pois ela te coroe por dentro de tal forma que vai te destruindo aos poucos, e o pior é que não tem antibiótico, pílulas ou qualquer coisa que melhore isso. E era assim que ele se encontrava.

Sarah e Nick estavam ótimos, claro e Kate e Nathan estavam as mil maravilhas como sempre.

E naquele tempo, Emily percebeu que ler sempre fora um bom remédio para ela, e o que ela havia parado nesses seis meses por assuntos diversos ela retomou, voltou a ler ficção ou qualquer coisa que a tirasse daquele mundo e a transportasse para outro quem sabe melhor, ou até pior.

A loira estava na sala naquele dia excepcionalmente frio na Califórnia. Estava de pernas cruzadas com um moletom folgado cinza, seus cabelos estavam presos em um coque frouxo, o cobertor roxo cobria de sua cintura para baixo e a xícara de chocolate quente na mesinha ao seu lado ficava cada vez mais fria pelo fato de ela ter a esquecido ali pela sua concentração no livro.

Ela nem sabia qual era o nome do livro, só o comprou porque disseram que era bom, e realmente era.

Samantha desceu as escadas e passou reto por ela sem dar apenas um oi e saiu de casa. Emily às vezes se perguntava o que tanto aquela menina fazia da vida porque não parava em casa, Chloe era porque ficava com os rippies, mas Samantha não tinha uma explicação plausível... mas enfim, isso realmente não interessava.

Certa hora Sarah desceu e ligou a televisão apenas comentando algumas coisas com Emily, porque afinal a loira estava lendo.

O barulho do telefone invadiu o silencio gostoso com o som da televisão bem baixinho de plano de fundo.

– Pode atender? – Emily perguntou e Sarah assentiu se levantando indo até o telefone.

A loira nem se deu ao trabalho de prestar atenção na conversa e assim tentar desvendar quem seria do outro lado da linha, focou seus pensamentos no livro mais uma vez.

– Emy? – Sarah a chamou, mas Emily não ouviu – Emy.

– Hum?

– É pra você.

Emily fez cara de preguiça, mas saiu de baixo do cobertor indo preguiçosamente até o telefone o pegando.

– Alô?

– Emily Davis?

– Sim.

– Aqui é a Ally, eu sou do hospital Mount Sinai – o coração de Emily gelou – seu pai sofreu um desmaio hoje de manhã, e seu telefone está no cadastro dele.

Emily respirou fundo fechando os olhos.

– E-ele está bem?

– Sim, ele está estável no momento – ela disse – está em boas mãos, mas uma orientação médica é ter alguém com ele já que a senhorita está na Califórnia, e bem, ele se recusa a chamarmos alguém do plano de saúde para ajudá-lo, queríamos que ficasse ciente da situação.

– Sim, sim, obrigada – ela concordou – eu vou cuidar disso.

– Obrigada.

– Posso falar com ele?

– Sim, claro, só um minuto – ela disse.

Emily sentou na cadeira ao lado do telefone vendo Sarah ligada na televisão.

– Oi – a voz de se pai estava mais baixa e rouca do que o comum.

– Pai, você está bem? – obviamente estava preocupada, mas falava como se seu pai fosse uma criança, o que de certa forma era verdade.

– Estou ótimo querida.

– Você está querendo que eu morra jovem, é isso? – ela colocou a mão no coração suspirando.

– Claro que não querida.

– Você precisa de alguém para cuidar de você, isso já não é mais uma escolha sua – Emily disse, se seu pai não era sensato ela seria.

– Não precisa... foi só uma tontura.

– Não pai – ela disse – eu andei pensando bastante e ainda não me decidi com relação a voltar.

– Ótimo, quero que fique ai na Academia.

– Mas isso não é uma resposta concreta, posso ir ou não – ela disse massageando as têmporas – mas se eu não for, vou arrumar alguém para cuidar de você...

– Mas...

– Sem discussão – ela disse – eu ainda não pude resolver sobre isso porque estou perto da apresentação final, mas digo que as chances de eu ir são bem prováveis.

– Emily, filha – ele fez uma pausa – não sou idoso, não estou morrendo e não preciso de ninguém cuidando de mim, já falamos sobre isso e eu concordei.

– E por já termos discutido isso que eu vou repetir, se não for eu vai ser outra pessoa que vai cuidar de você, isso já está decidido.

Ele suspirou.

– É assustador como você é mandona como sua mãe – ele disse e Emily sorriu, adorava quando ele a comparava com sua mãe – ah se ela estivesse viva... duas mandonas na minha vida, como sobreviver?

Emily riu um pouco.

– Então você está bem?

– Estou sim meu anjo.

– Então ok, mas o que eu falei é sério. Domingo você vai descobrir se será eu ou outra pessoa que vai cuidar de você.

– Se não tem jeito né – ele bufou e Emily sorriu.

– Não tem mesmo – ela sorriu mais uma vez – então se cuida nessa semana.

– Sim mãe.

– Tchau pai, qualquer coisa me liga, por favor.

– Sim mãe – ele suspirou, mas ele sabia que estava sorrindo – tchau meu amor, juízo viu.

– Igualmente.

Ela desligou o telefone o colocando novamente na base e suspirou séria. Talvez as coisas com seu pai estivessem piores do que ela pensava.

. . .

Os ensaios para apresentação do fim do bimestre estavam bem corridos. Dessa vez seria praticamente o dia todo de apresentações, como um dia temático para a plateia e os próprios alunos, três números seriam realizados de cada turma tirando as duas turmas de teatro que ao invés disso fariam ma peça de uma hora, dividida em dois atos de meia hora. Tudo seria bem aleatório e espontâneo para não terem duas apresentações seguidas de musica, ou duas peças juntas.

A plateia seria mais de familiares empresários e caçadores de talentos, então o fato de durar um dia quase inteiro não seria "enjoativo", porque grandes artistas saíam daquela Academia todos os anos.

Como seriam três apresentações de canto seria dividido em uma com todos, e uma de meninos e outras de meninas. Nicole apenas escolheu a música da apresentação do grupo que seria "Pretending" cada um solaria em uma parte de forma que todos pudessem mostrar seu talento nem que fosse um pouquinho. Já nas duas outras os próprios alunos decidiriam música, coreografia, figurino e tudo mais, Nicole só auxiliaria.

Os meninos escolheram "Animals" e não teria uma certa coreografia, eles só iam ficar andando pelo palco feito retardados e fazendo piruetas hora ou outra, com pequeninos pedaços coreografados como o lado que iriam e coisas simples, mas sendo meninos qualquer porcaria que fizessem sendo sexys tava valendo.

Já as meninas optaram por "Girl On Fire", era uma boa já que só meninas cantariam sem contar que era uma música bem alta, ou seja, elas podiam mostrar o potencial musical muito bem. A coreografia seria algo organizado, mas igual a dos meninos não seria algo bem elaborado, mas isso não era tão importante, e afinal, quem tinha que arrasar na dança eram os dançarinos não cantores, né.

– Sei lá, a Emy podia fazer o primeiro ou o último refrão.

– Por...? – Emily franziu o cenho.

– Porque você canta muito, e seu agudo é perfeito a própria Nicole disse isso – a menina deu de ombros.

– Sim, eu concordo. Poderia ser o primeiro refrão para já dar um embalo na música, afinal, poderíamos colocar todas que tem facilidade no agudo para fazer os refrões.

– Seria o óbvio. Separando a música desse jeito – ela apresentou uma folha – cada uma tem uma parte, porém tirando as que ficam com o refrão essas partes são pequenas, mas se fizermos alguns duetos a parte de duas pessoas aumentam, sem dizer que deixa mais interessante.

– Hum... bom, muito bom. Podemos fazer duetos na música toda e o refrão solo, porque afinal terá que ser a capela e o refrão tem que ser solo para dar mais destaque.

– Nossa, ficaria muito bom.

– Certo, são... – a menina contou mentalmente – quatro refrões contando com a repetição que faremos no final, então seria a Emy e mais três pessoas para o refrão, o resto dividimos na parte que temos mais facilidade.

– Meninas, mas o refrão é uma parte que tem muito destaque, tem certeza que querem deixar comigo? – Emily perguntou.

– Sim, você é uma das melhores daqui, e eu particularmente tenho medo de perder a voz em músicas altas.

Elas acabaram rindo.

. . .

Charlie voltava para casa com um sorrisinho nos lábios, estava por algum motivo... feliz? Feliz, sim, ele estava feliz.

Não sabia ao certo porque nem como, mas não aprofundou seus pensamentos nisso.

Fez um acordo consigo mesmo que não iria mais pensar em Emily, que não ficaria deprimido por ela. Ela não o queria mais, então bola pra frente... claro que as coisas não estavam fluindo tão bem daquele modo, mas cada dia parecia ficar menos pior, um dia ele superava, um dia.

Por conta dos ensaios a música "Pretending" e "Animals" não saía de sua cabeça de modo nenhum, por isso ele entrou em casa cantarolando "Animals" vendo Nick tentando se aventurar a fazer algo na cozinha.

– O que está destruindo ai? – Charlie perguntou sorrindo de lado deixando a mochila em cima da mesinha para ver o que Nick estava aprontando.

– Ah, oi – ele disse para Charlie – estava com vontade de comer doce e bem, fiquei com preguiça de ir comprar então estou tentando fazer alguma coisa aqui.

– E qual exatamente é o seu objetivo com esse Leite Condensado?

– Ah... o objetivo era ser um brigadeiro, mas não sei quando exatamente está pronto e meu braço já ta doendo de tanto mexer.

Charlie riu.

– Vai lava a mão que eu mexo – ele disse e Nick sorriu.

Após o brigadeiro ficar pronto... um pouco queimado, mas pronto, Charlie subiu para seu quarto trocando de roupa. Colocou uma bermuda preta qualquer e uma regata branca, era uma boa ir a Academia socar aquele negócio um pouco, era assim de uma forma saudável batendo em um saco de pancadas uma hora por dia que ele estava se recuperando de todo, e realmente estava dando certo.

Foi até o andar de baixo metendo a colher na panela de brigadeiro e colocando na boca.

– Ficou com gosto de queimado – disse Nick.

– Um belo toque de queimado, está muito bom na verdade – Charlie disse pegando outra colher.

– Sabe, não adianta se enfiar no doce e ir malhar, vai ficar obeso Martin – Nick brincou.

Charlie terminou de comer o brigadeiro na colher e a deixou na pia, olhou para Nick e ergueu um pouco da regata exibindo seu abdômen definido.

– É, acho que não preciso me preocupar com peso – ele brincou e Nick riu quando ele saía correndo.

. . .

Emily andava no condomínio a caminho da livraria, sim, ela compraria outro livro porque não tinha nada melhor para fazer e ler era espetacular.

Não sabia que livro compraria, procuraria a vendedora simpática que a atendeu da vez anterior que lhe indicou aquele livro ótimo e pediria mais indicações, afinal ela parecia ter o mesmo gosto literário que Emily, então a garota decidiu confiar nela.

Olhou para o lado e viu um vulto passando, fixou seu olhos no vulto em movimento e viu ser Charlie. Ele estava... correndo?

Quando foi fazer a curva escorregou em algo ou simplesmente caiu de maduro na grama rolando um pouco.

Emily arregalou os olhos pensando se seria muita falta de educação rir bem alto daquele tombo espetacularmente épico, porém ela só sorriu pensando como ele havia feito a proeza de cair daquele modo.

O menino ficou estirando um bom tempo rindo de si mesmo. A regata colava um pouco em seu corpo, o cabelo escorrido pelo suor quase chegava a tampar seus lindos olhos verdes e seu braços totalmente expostos mostravam as veias saltadas que ele tinha nos antebraços... sexy sexy sexy.

E nesse momento, olhando o garoto caído rindo de si próprio que ela percebeu: não estava com raiva dele.

Não estava com raiva dele porque não conseguia, apesar de tudo ele continuava sendo o Charlie, aquele Charlie por quem ela se apaixonou e teve os seis meses mais felizes de toda sua vida.

Chacoalhou a cabeça depressa. Não podia cair nos encantos dele novamente, não podia.

Mas se estivesse ali, na Califórnia uma hora ou outra ia acabar cedendo porque... ainda o amava, não queria, mas ainda o amava.

Fechou os olhos inclinando a cabeça para baixo. Havia tomado sua decisão do que fazer.

Notas finais
Semana que vem tem maratona com os dois últimos caps dessa temporada e na outra semana já começa a segunda temporada :) Então como sempre comentem o cap aqui por mim. Até segunda com a coisa que era pra ser uma One kkkkk by by Darllings!