ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
34 Dane-se você!
Notas iniciais
– Londres? Você vai para Londres? – Kate parecia inconformada e Sarah suspirou.
– Ainda não é certeza... mas muito provavelmente sim, eu vou – Sarah disse meio cabisbaixa.
– E porque parece tão triste? – Abby perguntou.
– Porque eu não quero ficar longe de vocês... nem do Nick – a voz dela ficou embriagada e Emily a abraçou.
– Mas a grande pergunta é: você quer ir?
– Quero, muito, mas não quero deixar tudo aqui.
– Um ano sem você – Abby suspirou – acho que vai ser mais difícil do que realmente parece.
– Imagina pra mim! – Sarah chorou ainda mais no peito de Emily que começou a ameaçar chorar também.
. . .
– Ursinho!
Nathan abriu os braços e Kate pulou nele o abraçando com força. Ursinho? É como Kate passou a chamá-lo por ele ser fofo, tanto física quanto psicologicamente.
– Nossa que empolgação Cupcake – ele a abraçou com força beijando a testa da menina.
– É que eu senti saudades – ela disse fofinha beijando a bochecha do menino.
– Foram só dois dias.
– Dois dias, isso é muito – ela apoiou a cabeça no ombro dele.
– Ahhhh que linda – ele acariciou os cabelos dela.
Se soltaram depois de um tempo e ela por estar de sapatilha ficou na ponta nos pés para beijá-lo.
– E como foi sua visita á vovó?
– Bem – ele disse passando o braço pelos ombros dela e ela o abraçou pela cintura enquanto iam até a sala – ela ficou decepcionada porque achou que você iria junto.
Kate sorriu.
– Que amorzinho – ela disse e Nathan sorriu.
– É, ai eu mostrei uma foto nossa pra ela – ele disse e Kate o olhou com atenção – e ela disse que você é linda e que eu sou muito bom pra escolher.
Kate sorriu contente.
– Já gostei da sua vó.
Ele sorriu a segurando colocando delicadamente o corpo da menina contra os armários.
Sorriram olhando nos olhos um do outro e Kate acariciou a nuca dele.
– Ursinho.
– Cupcake.
Ela sorriu o puxando devagar para ela tocando seus lábios nos dele.
Um beijo calmo como sempre, suas línguas dançavam devagarzinho apenas sentindo o gosto uma da outra.
Encerraram com dois selinhos e antes que Nathan pudesse abrir os olhos Kate sorriu maligna e fez cócegas na barriga dele.
– Ai, Kate! Kate!
Ela gargalhou e saiu correndo mostrando a língua pra ele.
– Volta aqui seu Cupcake fujão!
Eles saíram correndo pelos corredores quase atropelando as pessoas, e como Nathan era mais rápido logo a alcançou abraçando a menina pela barriga a tirando do chão.
– Te peguei.
Começou a fazer cócegas nela inteira a fazendo se contorcer de rir, Kate foi parar no chão ainda se contorcendo e Nathan não aliviava nem um pouco. Se as pessoas passavam e ficavam olhando como se fossem loucos? Sim, claro. E eles ligavam? Obviamente não.
O sinal bateu e Nathan a soltou. Kate estava ofegante e totalmente descabelada, Nathan riu com o estado que havia deixado sua namorada.
– Crueldade – ela disse arrumando o cabelo que em dois segundos estava normal de novo.
– Você que começou, Cupcake – ele disse a puxando pelo queixo depositando um selinho em seus lábios depois se levantando – quer vir no colo?
Ela sorriu e pulou nas costas dele que segurou as pernas dela que o abraçou forte. E assim foram para a sala.
. . .
Abby estava tranquilamente conversando com Sam na sala, ela tentava não olhar os músculos do garoto enquanto o mesmo se alongava, mas bem, era algo meio impossível, ele podia ser gay, mas era gostoso pra caramba.
Adam entrou na sala daquele jeitinho gracioso, estava com uma malha preta e a camiseta regata da academia, como todos os garotos ali.
– Até seu jeito de olhar pra ele mudou – Sam disse.
– Deixa de ser besta, foi só um beijo, nada mais – ela disse. Para Sam ela claro que contou né, e para as meninas logo contaria se fosse necessário claro, se não pra que um interrogatório desnecessário?
– Uhum só um beijo – ele disse irônico e Abby riu daquela voz.
– É, só um beijo – ela olhou para ele que estava cercado de meninas – veja, ele já está todo mulherengo de novo.
Sam ficou meio feliz com isso.
– Você não merece um cara como ele, meu bem.
– É – ela concordou.
Quando a aula acabou Abby demorou pra sair por estar cansada e preguiçosa.
– As pessoas não dão mais oi?
Ela se virou e viu Adam ali parado com as mãos nos bolsos e seu sorrisinho de galã como ela se acostumou a ver.
– Oi – ela colocou a bolsa no ombro – tchau.
– Não senhora – ele a segurou.
– O que você quer?
– Você – ele a puxou para si assustando a menina.
– Então mil desculpas, mas não – ela se soltou indo até a porta.
– O que aconteceu? – ele a seguiu fechando a porta assim que ela abriu e cruzando os braços meio confuso.
– Nada, por isso mesmo eu quero ir embora.
– Mas e ontem...
– Foi um impulso, eu estava com sono e sei lá o que deu em mim – ela disse – mas tudo bem, você age como se não tivesse acontecido, eu também e você pode voltar a pegar todas as meninas que quiser, eu não me importo.
– Eu me importo – ele ergueu as sobrancelhas – não acredito que pensa que eu sou um galinha que sai pegando todo mundo.
Ela suspirou.
– Você disse que não era, eu quis acreditar, mas hoje de manhã você já estava todo animadinho com as meninas – ela disse – mas eu sou idiota por natureza, não se culpe por ter conseguido me enganar.
– Não diga isso, eu não sou assim – ele disse – o Adam que você viu ontem a noite, é o verdadeiro.
Abby revirou os olhos.
– Ok, Adam verdadeiro, eu tenho que ir.
– Abby eu sou todo sociável com as pessoas durante as aulas porque é isso que meus pais querem, que eu dê atenção a todos e trate cada um como meu aluno preferido.
– E eu sou mais uma, eu entendi, agora pode me dar licença?
– Você não é mais uma das minhas "favoritas" – ele segurou a cintura dela – você é a favorita e eu não quero que seja apenas minha aluna – ele chegou com o rosto bem pertinho do dela – quero que seja minha, só minha.
Ela levantou os olhos para os dele.
– O que?
– Se você for minha, eu garanto que serei seu – ele beijou a bochecha dela depois indo para seus lábios.
Ela o abraçou com força pela nuca retribuindo o beijo gostoso do menino.
– Mas tem uma coisa – ele disse quando se separaram – para o seu bem, meus pais não podem saber disso, de jeito nenhum.
Ela franziu o cenho.
– Por quê?
– Porque essa foi a condição para eu vir dar aula aqui, não me envolver com nenhuma aluna... infelizmente você existe então isso seria impossível.
Ela acabou sorrindo meio sem graça.
– Isso não vai dar certo...
– É só por um tempo, eu prometo – ele segurou com mais força o corpo dela – eu só tenho que prepará-los, depois eu falo – ele sorriu – e tem mais, eles estão novamente naquela fase de separados apaixonados e não duvido nada que vão voltar daqui a um tempo, e quando eles estiverem de bem com a vida, eu também vou ficar.
Ela assentiu.
– Ok.
– Você é incrível – ele a abraçou.
– Eu sei – ela sorriu metida e ele sorriu.
. . .
Três batidas na porta. Charlie franziu o cenho se levantando e indo até a porta.
A abriu e se surpreendeu ao ver Emily, de um modo bom, claro.
– Oi – ela disse toda meiga e Charlie sorriu.
– Oi Emy – ele sorriu abrindo passagem para ela entrar – que surpresa mais agradável.
Ela sorriu deixando sua bolsa em cima da cama de Charlie.
– Eu fui expulsa de casa pela Abby.
– Por quê?
– Porque eu estava a interrogando... ai ela mandou eu vir transar com você e deixá-la comer em paz.
Charlie sorriu fechando a porta.
– Nossa, passei a gostar mais da Abby de repente – ele disse coçando o queixo e Emily riu.
– Mas não foi por isso que eu vim seu tarado.
Ele fez um bico triste se aproximando dela.
– Nem uma rapidinha?
– Ok, eu posso pensar no seu caso – ela o abraçou pelo pescoço.
– Ebaaaaa – ele a abraçou pela cintura e Emily riu.
– O senhor só pensa em sexo, senhor Martin? – ela beijou a bochecha dele várias e várias vezes.
– Não só em sexo, mas... é que é tão bom, ainda mais com você – ele beijou a testa dela a abraçando com mais força.
– Sendo assim eu analiso seu caso.
Ele sorriu se inclinando para beijá-la.
– Mas então, qual foi seu propósito ao vir aqui além de transar comigo?
Ela riu o beijando rapidamente depois.
– Eu queria falar sobre nossos pais e... o fato de eles terem namorado.
– É, eu ainda estou chocado com isso.
– Não é o único.
Charlie sentou e Emily se deitou no colo dele apreciando o carinho que o moreno havia começado em seu cabelo.
– Eu interroguei minha mãe e ela me contou tudo detalhado – Charlie disse.
– Eu também interroguei meu pai – Emily disse _ mas ele não foi tão detalhista assim.
– E o que descobriu?
– Que eles se amavam muito, mas meu pai é homem então fez besteira e sua mãe com razão se enfezou e terminou tudo.
– Bom, não foi uma simples besteira – ele disse.
– É, meu pai não me especificou na verdade, você sabe o que ele fez?
– Hã... ele beijou uma "vaca" – ele disse entre aspas com os dedos e Emily franziu o cenho.
– Meu pai? Impossível.
– Foi o que minha mãe me disse.
– Mulheres costumam exagerar, eu grande exemplo disso.
– Está chamando minha mãe de mentirosa?
– Não, você que está chamando meu pai de traidor.
– Não, só estou repetindo o que minha mãe disse.
– Eu tenho certeza que meu pai não a traiu, ele pode ter feito a besteira que fosse, mas não foi essa, com certeza.
– Como pode ter tanta certeza?
Ela se sentou.
– Porque eu conheço meu pai e ele jamais faria isso.
– E eu conheço minha mãe e ela não mentiria pra mim.
Eles se olharam com os olhos semicerrados de raiva.
– Tenho certeza que o que quer que seja que meu pai fez, não era pra tanto exagero.
– Exagero? – Charlie riu – disse a menina que saiu correndo da lanchonete e foi atropelada por uma suposição falsa.
– POR SUA CULPA! – os olhos dela lacrimejaram.
– Culpa o caramba porque eu não fiz droga nenhuma! Foi você que bancou a maluca e não me deixou nem explicar, você é assim, toma suas decisões e dane-se o mundo!
– Porque ver uma vagabunda com a mão na perna do meu namorado é algo que tem que ser levado na calma!
– Quando vai sair igual a uma louca pra ser atropelada sim, é algo que tem que ser levado na calma!
– Então a culpa é minha? É isso?
– Sim! E eu idiota ainda fui igual a um retardado no hospital e depois ainda pedi desculpa!
Os olhos dela tinham tantas lágrimas que ela nem conseguia mais enxergar Charlie.
– IDIOTA!
– DONA DA RAZÃO!
– METIDO!
– CHATA!
– ENERGÚMENO!
Charlie suspirou.
– O que você disse?
– Que eu te odeio seu Neandertal, energúmeno troglodita! – ela deu um soco no peito dele abrindo a porta e saindo.
– Dane-se você também! – ela se virou rapidamente descendo as escadas.
– Igualmente!
– Ótimo!
– Ótimo!
Charlie chutou a porta depois se jogou na cama colocando as mãos na cabeça.
Menina orgulhosa do caramba.
Fale com o autor