ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson
1 Audições.
Notas iniciais
— Filho, você vai se atrasar! – Florence gritou.
— Estou indo mãe!
Charlie apressado jogou o celular na mochila a colocando no ombro e saiu correndo de seu quarto batendo a porta atrás de si.
— Oi, Charlie – uma das trigêmeas, Megan, disse ainda meio sonolenta com um pijaminha de ursinhos.
— Oi, pequena – ele a pegou no colo dando um beijo em sua bochecha – eu tenho que ir, depois brinco com você.
— Tudo bem.
Ele a colocou no chão, piscou para ela e saiu correndo.
Entrou na cozinha feito um maluco assustando sua mãe.
— Ai filho, quer me matar do coração?
— Desculpa, mãe – ele beijou a bochecha dela.
Se virou e viu seu pai comendo seu café da manhã tranquilamente.
Florence olhou para Charlie e assentiu.
— Oi, pai – ele disse.
— Oi, Charlie.
— Toma seu café rápido e vai antes que te barrem na entrada!
— Não dá tempo – ele pegou o suco o enfiando garganta a baixo – tchau!
Ele novamente saiu correndo feito um doido pegando a chave do carro de sua mãe na porta.
— Boa sorte! – sua mãe conseguiu dizer antes que ele estivesse longe demais para ouvir.
— Valeu!
Charlie se embaralhou para tirar a trava do portão, mas quando enfim conseguiu, entrou no carro apressado jogando a mochila no banco do passageiro e acelerou.
Pouco mais de duas horas depois Charlie se encontrava na frente da ACBAH — Academia de Belas Artes Hudson, lugar onde sua mãe havia se formado e hoje seguia sua carreira como atriz nos teatros. Porém, Charlie não era ator, era cantor, e por mais que não gostasse muito de admitir, era também um ótimo dançarino, mas ninguém precisava saber disso.
Deixou o carro em qualquer lugar e foi correndo em direção ao grande prédio com uma enorme faixa escrito "Audições hoje". Entrou vendo uma placa "Audições ali" logo em baixo havia uma seta vermelha e Charlie nem freou para ler, apenas seguiu a seta.
Viu um acúmulo de pessoas e foi para lá entrando em um auditório. Sorriu ao ver que havia algumas pessoas se acomodando nos lugares ainda. Passou a mão no cabelo e se sentou na última fila do enorme auditório.
Charlie poderia apreciar a beleza do lugar, das cadeiras vermelhas, da arquitetura antiga ou até mesmo do enorme palco, mas ao invés disso, focou seus olhos verdes nas várias pessoas que tinham ali, eram 50 vagas em cada área de forma que seriam 200 alunos aprovados.
O garoto começou a ficar com a respiração muito pesada e a tremer um pouco. Não completaram nem dez minutos que ele estava ali quando algumas pessoas entraram pelo palco com um ar superior fazendo todos se calarem e prestaram atenção.
Charlie contou mentalmente, eram 6 pessoas que ele claramente pensou que eram os professores.
— Bem vindos á Academia de Belas Artes Hudson.
Todos aplaudiram.
— Eu sou o diretor Alexander... – um homem de aparência de uns 40 anos, de calça jeans e blazer se apresentou.
— Co-diretor – uma mulher o corrigiu com um sorriso – eu sou Carla, co-diretora, bem vindos.
O homem revirou os olhos respirando fundo.
— Esses serão os seus professores, Thomas os guiará ao incrível mundo da atuação, Vanessa aperfeiçoará seus dons instrumentais...
E assim ele foi apresentando todos os professores, mas Charlie se dispersou totalmente quando quatro meninas entraram no auditório, as quatro incrivelmente lindas. Havia uma com o cabelo castanho, outra com o cabelo entre o loiro e o ruivo, uma com o cabelo preto e... uma loira, e que loira.
. . .
Quatro meninas em um carro cantando Firework loucamente. É isso mesmo.
As quatro amigas já tinham cantado aquela música tantas vezes que já sabiam suas próprias horas de solar, mas no refrão era tudo junto e misturado.
Abby estava quase dando a luz no banco da frente, eram todas muito teatrais, mas Abby se superava sendo que a atriz do carro era Sarah.
— Abby! Vai me fazer bater o carro, criatura! – Sarah desviou depressa de um poste.
— Acho que o problema não é a Abby, querida – Kate sorriu de lado.
— Sei lá, tenho a leve impressão que foram as bebidas de ontem – Emily disse.
— Estou totalmente sóbria – Sarah disse com um sorriso de lado pensando logo em seguida "nem pensar".
Sarah olhou para o nome das ruas e franziu o cenho.
— Hã... meninas. Acho que estamos perdidas.
— Sarah! – elas gritaram em coro.
— Sai, deixa que eu assumo – Abby disse.
— Já corríamos risco de morte com a Sarah, com a Abby o risco vai passar para certeza – Kate disse enquanto as duas saiam do carro dando a volta para trocar de lugar.
— Eu ouvi isso, Baker! – Abby entrou ligando o carro.
— Que bom.
— Ai vocês, parem de gritar, minha cabeça ainda ta doendo – Emily disse com a mão na cabeça.
— Da próxima vez pega leve na vodca – Sarah sorriu para ela, já que estava igualmente de ressaca.
— Ah, claro – Emily respondeu irônica.
— Senhor, onde eu me meti? – Kate disse olhando para o teto do carro.
— Não venha com essa Kate, não éramos nós dançando em cima da mesa ontem – Abby disse e todas riram se lembrando da cena.
Kate avermelhou.
— Mas a Emily que passou o rodo nos garotos!
— E isso é errado? – Emily franziu o cenho olhando para as unhas.
Todas riram novamente.
— Do que adianta ser bonita se não pode aproveitar isso, não é? – Emily sorriu de lado.
— Falou e disse! – Sarah disse.
— Será que dá para as piranhas pararem de falar pra eu tentar me achar? – Abby disse brava.
— TPM... – Kate cantarolou.
— Vai transar que passa, amiga – Sarah olhou para Abby e sorriu de lado.
Depois de dez minutos Abby se achou e a partir daí foi fácil encontrar o caminho. Entraram no lugar afoitas, mas não tinha vaga.
— Estaciona essa geringonça logo! – Emily berrou.
— Se tivesse vaga seria bom – disse Abby.
— Enfia essa coisa em qualquer buraco e vamos! – Emily novamente berrou.
Sarah a olhou e riu.
— "Enfia essa coisa em qualquer buraco"? – ela riu – gostei disso.
— Achei! – Abby estacionou o carro torto, mas estacionou e assim elas saíram correndo de salto mesmo, no meio da grama, mas quem se importa?
— Ai merda! – Sarah gritou.
— Que foi? – as três se viraram para ela.
— Pisei em uma aranha.
— Iuy! – as três recuaram enojadas.
— Atrasadas, lembram? – Kate exclamou voltando a correr.
— Me leva no colo? – Sarah fez biquinho para Emily.
— Como se eu te aguentasse, agora vai!
As quatro entraram no auditório e todos os olhares foram para elas. Kate ficou envergonhada, Abby franziu o cenho, Sarah lançou seu sorriso de pegadora e Emily apenas riu vendo que muita gente as olhavam e se sentou.
— Hã... como eu ia dizendo, os testes serão por ordem de inscrição, primeiro os solos e depois os em grupo.
Os olhos azuis elétricos com um leve tom esverdeado no meio da loira rodaram o auditório e pararam em um garoto. Moreno, olhos verdes, gostoso...
Ele estava com o queixo apoiado nas pontas dos dedos da mão direita. Emily não parou os olhos nele pelo simples fato de ele ser um tremendo de um gato, mas sim porque ele a olhava.
O olhou de cima a baixo lançando um sorrisinho para ele e se virando para frente com aquela cara de pervertida.
— Mas já? – Abby disse indignada entendendo tudo.
Emily só fazia aquela cara quando alguém estava a paquerando ou quando estava paquerando alguém.
— Pois é, não dá pra evitar – ela deu de ombros.
— Quem? – Sarah perguntou.
— Moreno, olhos verdes, gostoso, atrás à direita.
As três olharam disfarçadamente e Sarah sorriu de lado.
— Sua cara – ela disse ainda sorrindo.
— Deixa pra gente, ok? – Abby levantou as sobrancelhas para Emily que sorriu de lado ainda olhando para frente.
Pra quem pensa que as quatro iriam fazer o teste para o mesmo estilo de arte está totalmente errado. Sarah era uma atriz nata, nasceu para os palcos como ela mesma disse, estrelou Romeu e Julieta no ginásio e foi a melhor Julieta que uma peça de escola poderia oferecer. Abby era uma dançarina de carteirinha, as meninas ficavam até bobas quando ela dançava, porque a filhinha de uma mãe dançava TODO tipo de música. Kate era ligada aos instrumentos, sabia tocar violino, piano, saxofone, flauta, violão, baixo, guitarra, bateria... e praticamente todos os instrumentos possíveis. Já Emily era a voz mesmo, cantava como um anjo e atingia notas agudas que faziam Sarah engasgar ao tentar atingir.
Na audição, Abby e Sarah fariam os testes sozinhas, agora Emily e Kate associariam o canto ao intrumento e Kate tocaria piano enquanto Emily iria cantar, Kate também faria o coro para ela. Era uma forma das duas fazerem o teste juntas para pagarem menos mico. Emily nunca teve problema com público, na verdade uma das únicas coisas que Emily não tinha era vergonha na cara, mas Kate era muito tímida e não faria o teste sozinha, então Emily decidiu a ajudar, e bem, ficava bem mais legal com um piano ao vivo do que cantar com playback.
Kate parecia meio inquieta, passava as mexas de seu cabelo ruivo/loiro/castanho claro para trás direto e ficava mexendo em seu vestido rosa o arrumando.
— Se acalma, Cupcake – Emily disse retocando o batom vermelho. Porque Cupcake? Porque além de tudo Kate fazia doces muito bons, inclusive Cupcakes.
— Impossível – ela disse com um sorrisinho – ainda bem que as pessoas vão estar prestando mais atenção em você do que em mim.
— Claro que não.
— Claro que sim, e mais uma vez obrigada por fazer isso por mim.
— Como se eu fosse recusar um fundo musical de graça – Emily piscou para ela olhando levemente para a direita, aquele gostoso do caramba ainda a olhava.
E assim as audições começaram. A primeira das quatro a se apresentar foi Abby que foi confiante lá para cima, só ela que não estava de salto porque iria dançar afinal, mas estava uma gata do mesmo jeito.
Ela não havia contado de seu número pra ninguém, então as meninas estavam ansiosas por ele.
— Abby Zelley, então dançará para nós? – um homem de uns 40 anos, muito bonito por sinal, perguntou e Abby assentiu.
— Sim.
— Vá em frente.
Ela passou o pen drive para o homem do som e quando um clássico balé ecoou pelo auditório as três se olharam e sorriram, é claro que ela deixaria sua especialidade para a apresentação.
A dança era tão delicada e emotiva que Kate quase chorou, ela era a sensível do grupo. Emily sorria feito idiota, estava orgulhosa da amiga, Sarah assistia tudo sem expressar nada, parecia muito concentrada.
No final, Abby se jogou no chão fazendo um negócio muito legal deitada ali e Emily arregalou os olhos vendo o quanto sua amiga era elástica. No final da apresentação, todos aplaudiram alto e Sarah levantou.
— Gostosa! Uhul! – Sarah gritou e a Abby riu fazendo uma reverência vendo todos os "jurados" anotarem coisas em suas pranchetas com sorrisos discretos no rosto.
O próximo nome foi chamado, mas elas não prestaram atenção, apenas ficaram elogiando a dança maravilhosa de Abby.
— Então, irá cantara a capela...
— Eu tenho o playback.
O homem assentiu e deixou o garoto levar o playback ao cara do som.
— Olha, é o gostoso que tava secando a Emy – Kate disse sorrindo e as três meninas olharam para o palco.
— Hum... ele vai cantar, que coincidência – Sarah sorriu mais pervertida impossível.
Quando Emily ouviu a primeira nota sorriu. All of Me, era aquela música, aquela linda música que deixava Emily arrepiada.
A loira ficou totalmente imóvel quando o garoto começou a cantar. Que voz incrivelmente sexy era aquela?
— Oh meu deus – ela disse e se arrepiou toda quando ele olhou para ela no "'Cause all of me. Loves all of you".
— Wow – Abby disse – o gostoso canta bem pra caramba.
— Vem cá, só eu percebi o contato visual com a Emy? – Sarah disse. Sempre reparou muito nos detalhes, por isso era uma ótima atriz.
— Com certeza não – Emily disse desviando os olhos.
Se ficasse olhando para ele enquanto ele cantava "pra ela", daria a impressão que estava interessada, e bem... ela não era do tipo fácil, tinha que rebolar para consegui-la.
— Ele ta olhando pra você, olha pra ele – Kate disse sorrindo.
— Não – Emily disse.
— Está bancando a difícil, ahhhhhh safada – Sarah mordeu o lábio inferior.
Sarah fez uma brilhante interpretação de Romeu e Julieta (para relembrar os velhos tempos) e Kate chorou na cena da morte. É, Sarah era muito boa, porque caiu de verdade fazendo um belo barulho, depois levantou como se nada tivesse acontecido com um sorriso meigo, e bem, Sarah não era meiga.
Ela agradeceu e desceu com aquela cara de "Arrasei".
Assim que sentou na cadeira fez cara de dor.
— Ai, ta doendo?
— Imagina... só um pouco... acho que quebrei a coluna.
. . .
— Emily Davis e Kate Baker – o quarentão bonito as chamou.
Foram tantas pessoas cantando, dançando, tocando e interpretando naquelas duas horas, que Emily cochilou no ombro de Sarah.
— É você – Sarah cutucou Emily que acordou assustada, mas logo se recompôs andando diva em seu salto até o palco, Kate vinha logo atrás.
Sarah e Abby quase tiveram um treco de tanto rir para a quantidade de marmanjos olhando a bunda da loira enquanto ela subia no palco.
Kate foi direto para o piano e Emily pegou o microfone também indo para o piano, Kate olhou confusa, mas quando Emily se sentou em cima do piano Kate apenas sorriu, assim como Sarah, Emily adorava uma cena.
Kate olhou para Emily que assentiu com um sorriso. Kate respirou fundo se arrumando no banco do piano e começando a tocar Big Girls Don't Cry.
No começo, quando a música ainda era lenta, Emily permaneceu no piano, mas quando agitou, ela desceu, sensualizou bonito enquanto cantava e terminou apoiada no piano enquanto Kate terminava de tocar. Ela podia não saber dançar, mas sabia seduzir muito bem.
As duas se olharam e sorriram.
— Passamos? – Kate perguntou baixinho para ela.
— Com certeza – Emily piscou para ela e as duas agradeceram rapidamente e saíram.
Os sorrisos dos jurados só deixou Emily ainda mais confiante.
— Acho que alguém estava tentando impressionar alguém – Abby cantarolou para Emily.
— Como se eu precisasse – Emily sorriu de lado mandando um beijinho para ela e se sentou novamente.
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