ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
36 Vai logo.
Notas iniciais
Emily mexia em sua pulseira olhando fixamente para a parede. Ela geralmente ficava com cara de psicopata quando estava daquele jeito. Pensando.
Edwin sentou no sofá pronto para colocar no jornal quando viu sua filha parecendo um zumbi, estava até mais pálida que o normal, isso considerando que ela já era branquela.
– Anjinho? – ele franziu o cenho olhando para a filha
Sem resposta, nadinha.
Ele estalou os dedos em frente ao rosto dela que finalmente o olhou levando um pequeno susto.
– Oi?
– Oi, como vai? – ele estendeu a mão a ela que riu revirando os olhos – porque minha filha está parecendo um zumbi pálido?
– Zumbis são bronzeados? – ela fez um bico surpreso – sabia não.
Dessa vez ele que revirou os olhos segurando a mão da filha.
– O que você tem?
– Apenas pensando – ela piscou dando de ombros.
– E quer compartilhar esses pensamentos com seu pai? – ele perguntou mesmo sabendo que ela diria algo como "não é necessário".
– Sim, por favor – ela assentiu.
Ele a olhou surpreso e até colocou a mão na testa dela a fazendo rir.
– Então diga, anjinho – ele segurou as mãos dela. Eles tinham uma relação bem aberta, porém Emily não era de ficar contando seus problemas ou pedindo ajuda em coisas "particulares".
Ela respirou fundo e o olhou piscando novamente.
– Você gosta do Charlie, certo?
Edwin assentiu vendo que o assunto poderia ser melhor do que ele pensava.
– É um ótimo garoto.
Ela assentiu.
– Oque tem ele? – ele a estimulou falar.
Ela fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo novamente.
– Eu... eu tenho certeza que o amo.
Edwin piscou processando a ideia, não achou que seria tão rápido assim, afinal, aquela conversa com Charlie no hospital havia sido a pouquíssimos dias.
O garoto era bom.
– Mas como de uma hora pra outra... ?
– Não foi de uma hora pra outra – ela disse – quem dera que fosse.
Ele assentiu para que ela continuasse.
– Eu sinto... que eu nunca deixei de amá-lo. E aquela raiva que eu sentia assim que eu cheguei foi uma reação contrária que o meu cérebro encontrou para se livrar da situação – ela disse rápido demais – isso faz sentido?
Ele riu.
– Chegou a essa conclusão sozinha?
Ela assentiu sorrindo.
– Andei pensando muito sobre o assunto.
– É, de pra notar.
– Assim que eu cheguei ele foi um babaca, sabe? – ela suspirou – acho que foi o mesmo sistema de defesa que meu cérebro usou. Ele nem queria falar comigo, eu sempre soube que ele estava fugindo, mas agora eu percebi que eu também estava fugindo!
– Provavelmente – Edwin assentiu querendo rir, Emily parecia ter pisado na lua e descoberto que ela não era de queijo.
– Mas de uns tempos pra cá ele tem sido aquele Charlie por quem eu me apaixonei antes, e até melhor que aquele – ela suspirou novamente – ele está tão maduro, inteligente, centrado...
– Bom, eu como homem – ele disse quando a menina perdeu a fala – posso afirmar que nenhum homem faria o que ele faz constantemente por você se não estivesse totalmente na sua – Edwin disse e Emily o olhou – ok, ele poderia ser apenas solidário, mas não nesse ponto.
Ela riu.
– Kate disse o mesmo.
– Também gosto muito dela – ele observou e Emily sorriu – tenho a leve impressão que por causa dela você não fez mias besteiras do que poderia ter feito.
– com certeza – Emily concordou rindo – na época da escola então...
Os dois se olharam e riram.
– Acha que devo falar com ele? Ele não vai me achar atirada? Ou talvez vá me dar um fora? Quem sabe se ele não está apenas realmente só me ajudando?
Edwin sorriu segurando mais forte as mãos da filha.
– Acho que ele já fez o suficiente, não acha? – ele disse – ele não vai ficar te esperando para sempre, meu amor, ele corre atrás de você como um cachorrinho, e isso cansa, talvez ele tenha cansado e seja sua vez de correr atrás dele.
– Como sabe que ele já fez o suficiente?
– Bom, não sei se deveria te falar isso, mas dane-se – ele deu de ombros – Charlie conversou comigo no hospital provavelmente achando que eu estava dormindo, mas eu estava ouvindo tudo.
– E oque ele disse? – Edwin sorriu ao ver os olhos dela brilharem em expectativa e curiosidade.
– Isso eu não vou dizer.
– Pai...
– Emily...
– Eu preciso saber oque ele disse.
– A única coisa que você precisa é parar de ser medrosa e ir falar com ele, já demorou demais.
Ela semicerrou os olhos para ele que sorriu para ela.
– Você é cruel.
– Eu? – ele riu – você faz o garoto correr atrás de você e eu que sou cruel?
– Não faço de propósito!
Ele negou e Emily suspirou brava, só faz merda né Emily?
Seu celular tocou e ela se virou para atendê-lo vendo Kate com um Cupcake nas mãos.
– Oi Cupcake.
– Oi loira.
– Algum problema?
– Não, não— ela tossiu antes de voltar a falar – vamos todos em uma boate hoje à noite, quer vir?
– Quem são "todos"?
– Ah, a galera de sempre e o Sam.
Charlie.
Charlie fazia parte da galera de sempre.
– Quando e onde?
– Te passo o endereço e a hora por mensagem.
– Ok.
– Vá maravilhosa, como sempre.
– Pode deixar, até depois.
– Tchauzinho, xoxo gossipg girl.
Emily revirou os olhos e desligou olhando para seu pai.
– Você tem certeza que se eu for pra cima dele não vou levar um fora?
Edwin riu.
– Sim – ele sorriu de lado – mulher ao ataque!
Ela riu jogando uma almofada nele.
– Nunca me joguei em cima de alguém, isso será interessante.
– Com certeza – Edwin era um pai diferente, sem dúvida – só não me abandone de noite aqui, hein?
– Não, claro que não.
– Então ótimo.
Ela sorriu e o abraçou.
– Você é um pai ótimo, sabia?
– É, eu sei – ele sorriu – isso só porque gosto dele, se não gostasse não estaria dando esse apoio.
– Porque gosta dele?
– Qualquer um que ame minha filha e faça esses olhos brilharem merece que eu goste dele.
* * *
Emily usava um vestido preto que marcava absolutamente todas suas curvas. Ele tinha uma abertura nos seios para o decore e em cima do decote começava uma renda preta que se estendia para as mangas que iam até a metade de seus antebraços. Se sentia uma prostituta indo se atirar em um homem.
A única diferença é que Charlie não era um homem, era seu homem.
Se entupiu de perfume, cacheou o cabelo e o soltou um pouco para ficar mais natural. Seu olhos estava cercado por uma maquiagem escura que destaca os tons claros do mesmo, e em seus lábios, um batom vermelho escuro mate, claro.
Respirou fundo se olhando no espelho, até ela a pegaria.
Saiu de seu quarto descendo as escadas.
– Olha o decote da moça... – Edwin a olhou.
– Estou parecendo uma prostituta, não é?
– Não, não está exagerado a esse ponto – ele disse – isso tudo é para o Charlie?
Ela assentiu sorrindo.
– Esse moleque é sortudo.
Ela riu revirando os olhos.
– Então estou bem?
– Está ótima – ele sorriu – tudo sairá bem se ele conseguir prestar atenção em você com esse decote.
– Eu to parecendo uma prostituta! – ela subiu para trocar o vestido.
– Não não, vem cá – Edwin se levantou e foi até ela – essa coisa aqui é transparente, certo? – ele apontou para a parte de cima.
– A renda?
– É, isso ai.
– Sim, é transparente.
– Então abaixa um pouquinho – ele segurou a abaixando um pouquinho – prontinho, está mais tentador que antes.
Ela se olhou no espelho da sala e inclinou a cabeça se olhando.
– Ta alta.
Ela o olhou e ele ergueu as mãos rendido.
– Só to dizendo.
– Você ta moderno demais pro meu gosto.
Ele riu.
– Se eu fosse careta você não teria esse vestido e não seria assim.
Ela riu indo o abraçar.
– Eu tenho uma filha linda e gostosa, tenho que aceitar.
– Olha, você para – ela deu um tapinha nele e o abraçou.
– Ok ok – ele riu – mas falando sério, se cuide, não descole de Charlie e se for voltar muito tarde me avisa.
Ela assentiu.
– Sim senhor.
– Boa festa.
– Obrigada – ela sorriu – e o senhor, qualquer coisa, já sabe.
– Sim, mamãe.
* * *
Não foi difícil achar o resto da trupe, eles estavam bem no centro como Kate disse que estariam.
– Olha a loira! – Nick brincou indo abraça-la.
– Olha o loiro – ela disse e ele riu.
– Oxi – Sarah disse a abraçando e Emily riu.
– Espero que esse vestido seja pelo motivo certo – Kate a abraçou também.
– É sim Cupcake.
Nathan a cumprimentou rapidamente e Sam a fez dar uma voltinha que a fez rir.
Quando estava terminando de cumprimentar Abby viu que alguém estava faltando ali.
– Cadê o Charlie?
Nick engoliu sua bebida e olhou par a loira.
– Tava se sentindo mal, ficou em casa.
Ela franziu o cenho. Só podia ser brincadeira.
– Oque ele tem?
– Umas dores mutcho locas na barriga – ele disse – falou que devia ser algo que tinha comido, e enfim, decidiu ficar por lá.
A menina sentou ao lado de Abby decepcionada.
Todos começaram a se dispersar ente a pista de dança e o bar, Kate ia dançar quando viu Emily ainda sentada com um Whisky em mãos e uma expressão arrasada.
– Não vem? – Nathan segurou a cintura dela.
– Eu vou falar com a loira rapidinho, ok? – ela disse e ele assentiu.
– Ok – beijou a testa dela – quando voltar trás uma Vodca pra mim.
Ela sorriu.
– Ok – ela o beijou rapidinho e foi até a loira.
Sentou ao lado dela, teria pedido algo para beber se não fosse a motorista da vez, então apenas a olhou.
– Eu sei por que veio desse jeito, assim como sei por que está com essa cara se afogando nesse Whisky.
Emily a olhou, a maquiagem, o cabelo, estava tudo intacto ainda, menos a expressão dela.
– Ótimo – ela disse.
Kate sorriu.
– Vai.
A loira a olhou com o cenho franzido.
– O que?
– Eu sei que você quer ir atrás dele, não passou de um copo de Whisky então está em condições de ir dirigindo até lá.
–Admito que estou preocupada com ele.
– Então vá, rápido antes que fique tarde.
Emily olhou para o copo e o largou se levantando.
– Tchau Kate.
– Tchauzinho – Kate acenou orgulhosa.
– Finalmente! – Abby surgiu do nada e Kate sorriu.
– Conseguimos – as duas trocaram um toquinho.
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