Notas iniciais
Oi oi gente! Segundo cap da maratona que na verdade foi postada quarta... mas ok, a gente apenas aceita, certo? EU ACHO, SÓ ACHO QUE VOCÊS VÃO GOSTAR DESSE CAP. Nada mais a dizer. Boa leitura!

Emily batia o pé levemente no chão da sala de espera. Seus cabelos antes molhados agora estavam secos, mas ainda presos. Ela olhou para o corredor aliviada ao ver seu pai vindo andando devagar em sua direção acompanhado do médico.

– E então? – ela perguntou aflita.

– Tudo dentro dos conformes – o médico sorriu.

– Que bom – ela sorriu abraçando seu pai que sorriu.

– Mas claro, não é porque tudo está bem que você vai relaxar nos cuidados, senhor Davis.

– Isso nunca passou pela cabeça dele, não é? – Emily olhou para o pai que assentiu.

– Claro que não.

– Podemos ir? – ela perguntou olhando para o médico.

– Podem sim – ele sorriu apertando a mão de Emily – até a próxima consulta, Edwin.

Emily comprou dois cafés passando um para seu pai enquanto abria a porta do carro pra ele.

– Eu vou dormir com você hoje, ok? – Emily disse.

– Por quê?

Ela o olhou e franziu o cenho.

– Não quer minha companhia?

– Claro que quero, mas quero saber o motivo também – ele colocou o cinto e Emily sorriu.

– É a folga da Lucy – ela disse – estou pensando em deixá-la com você só de dia e dormir com você.

– Não é necessário...

– Olha aqui, pode parar com isso – ela disse – eu só vou passar a noite com você, não é esforço nenhum.

Ele suspirou em silêncio.

– Acho que Lucy está ficando muito sobrecarregada.

– Pode ser – Edwin assentiu – e como foi a gravação?

– Normal.

Ele olhou para a filha e franziu o cenho.

– Geralmente sua resposta é "foi legal" ou "ah, foi divertido" – ele disse – oque aconteceu dessa vez?

Emily apenas negou com a cabeça fazendo a curva com o carro.

– Nanão, pode contar – ele disse.

– Não é nada Charlie.

Edwin arregalou os olhos a olhando.

– Quer dizer, pai.

– Opa, acho que temos problemas aqui – ele riu das bochechas coradas de Emily.

– Oque conversamos sobre isso?

– Nada de falar do passado – ele repetiu tentando fazer a voz dela.

– Ótimo – ela sorriu – oque acha de eu fazer panquecas?

– Acho uma boa, não, uma ótima ideia – ele disse e Emily sorriu, Edwin parecia uma criança, doidinho por panquecas.

* * *

As três meninas estavam como queixo no chão e Abby mordia os lábios esperando que a reação delas fosse... diferente.

– H-há quanto tempo vocês...? – Kate disse ainda meio chocada.

– Basicamente duas semanas depois que ele começou a dar aula – Abby a interrompeu.

– Mais tempo que eu e Nathan – ela disse.

– Olha, eu to bem chocada – Sarah se debruçou na mesa – mas admito que eu tinha uma leve desconfiança, mas não pensei que fosse algo sério.

– Era e não era... é difícil – Abby suspirou.

– Nossa, que bomba – Emily acabou rindo – mas estou ofendida por não ter confiado em nós para contar logo no começo.

Automaticamente Sarah e Kate olharam para Abby.

– É Zelley – Kate disse meio brava.

– Tentem entender, ninguém podia saber.

– Aposto que Sam sabia – Sarah semicerrou os olhos.

O silêncio dela apenas comprovou que aquilo era verdade.

– Não creio que contou para ele e para nós não! – Kate ficou ofendida.

– Eu não contei, ok? – Abby suspirou – ele convivia diariamente com nós dois, ele não é burro e notou alguns olhares e quando me interrogou, ficou meio óbvio.

– Então agora somos burras porque não notamos?

Abby suspirou enfiando a cabeça entre as mãos.

– Não! – ela olhou para as três – estou contando isso porque agora acabou e acho justo que já que não há mais motivos para ter medo, vocês ficarem cientes.

– Pelo menos isso né – Sarah disse.

– E vocês duas não podem falar muita coisa não – Abby disse olhando para Sarah e Kate – você Cupcake escondeu de todas nós que estava apaixonada por nathan por quase meio ano, e você Sarah... – Sarah ergueu as sobrancelhas – você foi para Londres.

– E dai? – Sarah sorriu.

– Eu não tinha nada pra falar, ok? – Abby disse e todas riram e ela olhou para Emily – e você ficou fazendo doce com o Charlie e depois ainda voltou para Nova York, então todas shiu!

– Eu não disse nada – Emily ergueu os braços em rendição.

– Certo, foi mal – Abby se desculpou e Emily acabou rindo.

– Mas... quanto a ida dele – Kate disse – você está bem?

– Sim – Abby assentiu – pensei que não ia ficar, mas Sam tem me distraído muito bem.

Kate e Sarah se olharam e Emily tentou pegar o sentido daquele olhar, mas infelizmente ainda estava por fora das piadas internas.

– O Sam é muito bonito e másculo para ser gay, não acham? – Sarah disse e Emily finalmente sorriu entendendo tudo.

– Uhum – Emily concordou – se todos os gays fossem assim, eu só pegava gays – elas riram e Abby sorriu.

– Ele é bonito mesmo – ela concordou – ele é aquele tipo de pessoa que você nunca pode magoar para ela estar sempre com você, sabem?

– Perfeitamente – Kate sorriu.

– Porque está calada, loira? – Sarah olhou para Emily que no momento mastigava seu almoço.

– To comendo – ela se defendeu.

– Mas ta quieta demais.

– Meu deus, acho que sou uma tagarela, fico em silencio um minuto e já estranham – ela disse.

– Imagina – Kate disse.

– Jamais ninguém disse isso – Sarah fez cara de vitima.

– E não é por ser óbvio – Abby olhou descontraidamente para o céu.

Emily semicerrou os olhos para elas e tomou seu suco ainda com olhos semicerrados.

– Vocês ainda me pagam.

Eles riram e Emily ignorou voltando a comer, as conversas sempre terminavam com alguém zoando com ela, impressionante.

* * *

Emily entrou na sala de ensaio do estúdio esperando encontrar apenas o piano preto e todos os outros instrumentos espalhados pela sala, mas é claro que aquele ser tinha que estar lá, afinal, sempre estava nos lugares mais indesejáveis, era quase um dom.

Odiava admitir, mas apesar de tudo, Charlie era dedicado e determinado com qualquer coisa que quisesse. E Emily admirava isso, muito.

Ele ergueu seus olhos verdes para a porta ao ouviu um ruído ali parando de tocar o violão preto brilhante, bem brilhante.

– Pois não?

Ela revirou os olhos cruzando os braços e jogando todo o peso de seu corpo para o lado direito.

– Não estou aqui por sua causa, se é oque acha.

Ele riu colocando o violão de lado.

– É, pela sua expressão de descontentamento pude notar isso – ele a olhou – bom, não que eu esteja vendo com frequência outra expressão sua a não ser essa.

– Você é seriamente perturbado.

– Meu psicólogo disse que ainda há uma esperança pra mim.

Ela novamente revirou os olhos.

– Se quiser usar a sala, eu já estava de saída.

– Agradeço.

Enquanto Charlie se arrumava para sair, Emily se sentou no branquinho do piano o abrindo. Colocou a partitura no suporte e começou a tocar devagar, queria aprender pelo menos suas próprias músicas.

Charlie a olhou e franziu o cenho.

– É a... Quinta faixa?

Emily ignorou.

– O tempo está errado.

– Eu sei, ok? – ela suspirou brava – estou tentando aprender então porque não experimenta ficar quieto? Só pra variar um pouco.

Ele deu de ombros para si mesmo já que ela não o olhava e voltou a organizar suas coisas sentindo agonia do quão sem ritmo ela apertava as teclas.

– Certo – ele disse indo até ela se sentando ao seu lado – com licença.

Ele olhou a partitura e começou a tocar devagar, mas no ritmo certo. Charlie não havia virado um especialista em instrumentos nem nada no gênero, mas estava se dedicando bastante com todos eles e agora pode-se dizer que ele tinha um domínio bom na maioria deles, principalmente violão, bateria e piano, que eram seus preferidos.

– Eu não preciso da sua ajuda.

– Deixa de ser orgulhosa.

Emily o olhou e se virou para ele.

– Há alguns meses, quando eu voltei você foi bem específico em me querer longe de você, em todos os aspectos, isso só porque eu queria me reaproximar de você, e então quando eu larguei do seu pé, você aceitou gravar uma faixa comigo e desde então me irrita profundamente de propósito sempre que me vê. Agora me diga, você é do contra, retardado ou apenas gosta de ser chato?

Charlie fez um bico pensativo e deu de ombros.

– Talvez, um pouco dos três.

– Você é demente – ela se levantou pegando sua bolsa indo até a porta.

– Ou talvez eu tenha percebido que fui um tanto quanto exagerado antes.

Emily se virou para ele obviamente confusa.

– Como disse?

– Quando você voltou eu fiquei com os hormônios da raiva meio alterados e posso ter exagerado... um pouco – ele suspirou – e também posso ter percebido isso recentemente e de uma forma indireta venho tentando mostrar que eu não te odeio, mas o fato de não te odiar me irrita bastante.

Emily soltou a bolsa.

– É sua forma de dizer isso é me irritando?

– Eu disse que isso talvez tivesse acontecido, e se esse fosse o caso a resposta seria provavelmente sim.

– Eu de fato não te entendo.

– Se entendesse seria meu psicólogo.

Ele voltou a olhar para o piano apertando as teclas descontraidamente.

– Talvez eu também não te odeie.

Ele riu.

– Até parece.

– Bom – ela voltou a se sentar ao lado dele – Quando você não está sendo chato, metido, prepotente e desprezível... Você é até descente.

Charlie riu novamente.

– "Até descente".

Ela riu da imitação que ele tentou fazer de sua voz e o olhou, fazia um bom tempo que não ficava tão perto dele assim.

– Ainda não vamos nos dar bem, não é? – ela perguntou sorrindo já sabendo a resposta.

– Não, não mesmo, você ainda me irrita.

– Eu já esperava, e é absolutamente recíproco.

Ele olhou para ela e aproximou seu rosto inconscientemente.

– Mas se fornos considerar... Nunca realmente nos demos bem.

Ela virou seu rosto para ele e os olhos do menino foram diretamente para seus lábios vermelhinhos.

E naquele momento, ele não soube explicar oque aconteceu, mas sentiu vontade de beijá-la, só beijá-la, apenas isso.

Se aproximou consideravelmente dela que logicamente percebeu oque estava acontecendo e se afastou.

Emily o olhou se levantando assustada com a proximidade e voltou a pegar sua bolsa.

– Foi bom conversar com você, criatura – ela disse indo até a porta – muito obrigada pela falta de ajuda – e assim ela saiu apressada.

Charlie suspirou bravo afundando suas mãos nas teclas do piano. Ela era extremamente fiel aquele babaca enquanto ele a traia frequentemente bem em baixo do nariz dela. Mordeu o lábio inferior sentindo aquele calor anormal se espalhar pelo corpo.

Merda, merda, merda. De novo não.

Notas finais
Não esqueça de deixar seu lindo comentário porque isso ajuda demais meu processo criativo, e pra quem não sabe, eu abro os comentários ara perguntas também, qualquer tipo de pergunta, e bom, as vezes eu demoro um pouquinho pra responder, mas respondo, eu garanto! Então até o próximo que espero que não demore e vejo vocês nos comentários! Beijos lindhos e lindhas do meu core.