ACBAH - Academia de Belas Artes Hudson 2
27 Talvez sim.
Notas iniciais
O filme que passava a sua frente era bom, Charlie sentia que era bom apesar de não prestar atenção em absolutamente em nada.
Nick e Nathan estavam bem concentrados no filme, e como Nathan era bem chato com filmes foi outro detalhe para Charlie perceber que o filme era bom.
Ele olhava para a televisão fingindo que estava prestando atenção, mas sua cabeça definitivamente não estava naquele planeta.
Charlie piscou algumas vezes quando viu Nick se levantar.
– Acabou? – Charlie olhou para Nathan que acabou rindo.
– Não, Nick foi fazer pipoca.
Charlie assentiu voltando a se virar para frente.
– Então, você pretende continuar fingindo que está prestando atenção no filme ou dizer oque está acontecendo com você?
– Não está acontecendo nada.
– Mesmo? – Nathan sorriu – você obviamente não está feliz.
Charlie sorriu forçado e Nathan revirou os olhos.
– É sério, seu palhaço. Diga oque está acontecendo que estou curioso.
– Não está acontecendo nada.
E já que a simples pergunta não adiantou, Nathan começou a interrogar Charlie, oque estava tirando o garoto do sério, mal sabia ele que era essa a intenção de Nathan.
– É familiar?
– Não.
– Tem a ver com algum desastre na sua carreira? – Charlie franziu o cenho.
– Claro que não.
– É uma garota?
Charlie travou rapidamente.
– Não.
– Certo, já sei que é uma garota.
– Para de me encher, Nathan – Charlie disse bravo puxando o travesseiro para ele.
– Quem é?
– Nathan...
– É a Jen? Por favor não diga que é a Jen – Charlie o olhou – eu gosto dela e tudo mais, mas friendzone né.
– Não é a Jen.
– Então fala quem é!
– Não!
– Ei ei – Nick apareceu com dois potes de pipoca que cheiravam muito bem – que gritaria toda é essa?
– O Charlie ta a fim de uma garota e não quer me falar quem é.
Nick olhou para Charlie e suspirou.
– Por favor, não me diga que é a Jen, por favor – Nick disse – friendzone né cara.
Charlie revirou os olhos ao ver o comentário se repetir.
– Não é a Jen.
– Então quem é?! – os dois gritaram ao mesmo tempo.
– Não interessa!
– Deixa de ser bicha e fala logo o nome da porcaria da garota!
Charlie jogou uma almofada em Nick fazendo-o derrubar um dos potes com pipoca.
– Porcaria é você seu babaca – Charlie rosnou.
– Ta parecendo uma mulherzinha escondendo o nome do amante.
– É, fala logo.
Charlie gritou zangado e se levantou.
– EU ESTOU ABSOLUTAMENTE APAIXONADO PELA EMILY! – ele suspirou – de novo. Felizes?
O pote de pipoca que estava nas mãos de Nick caiu e ambos os garotos arregalaram os olhos. Nathan não esperava aquilo e muito menos Nick que sempre foi perdido em tudo.
– Emily Davis? Essa Emily?
– Não Nicholas, outra Emily loira, de olhos incríveis e gostosa pra caramba! – Charlie caiu sentado no sofá.
– Meu deus – Nathan suspirou – mas como?
– Ela ta... incrível – Charlie os olhou – ela evoluiu muito, muito mesmo, e se possível eu estou ainda mais louco por ela do que antes.
Nick e Nathan se olharam.
– Ela ainda está com aquele cara?
– Sim, mas ele é um idiota.
– É compreensível que pense isso... – Nathan disse.
– Não, ele é realmente um idiota, um merda na verdade –Charlie disse – ele a trai com frequência e ela não faz a menor ideia.
– Então fala pra ela que o caminho vai ficar liberado pra você – Nick sorriu, mas fechou a expressão ao ver que Charlie não correspondeu.
– Não, eu não quero o caminho livre – ele disse – eu ainda a quero longe, e ela continuar com ele contribui para se eu perder o controle ela ainda manter o controle dela.
– Eu realmente não estou te entendendo – Nick olhou para Charlie.
– Eu não a quero de volta, isso é penas uma recaída – ele se levantou – eu preciso transar com alguém e pronto – Charlie olhou para os dois – por favor, não comentem isso com ninguém.
– Que parte?
– Tudo.
* * *
Charlie tocou a campainha e esperou pacientemente ela atender, oque não demorou muito.
Ela franziu o cenho para Charlie e se encostou no batente da porta.
– Oque faz aqui menino do basquete?
Charlie sorriu fraco.
– Você não atendeu minhas ligações, fiquei preocupado – ele disse e ela sorriu fraco.
Foi a vez de Charlie franzir o cenho.
– Aconteceu algo? Parece triste.
Jen mordeu o lábio e abriu passagem para Charlie entrar. Jen morava sozinha em um apartamento pequeno e aconchegante.
Ela fechou a porta e se encostou nela olhando para Charlie que se sentava no sofá.
– Logan terminou comigo.
Charlie a olhou.
– Por quê?
– Ele não suportou minha falta de tempo – ela sorriu triste e deu de ombros – eu deveria saber que isso ia acontecer – ela se sentou ao lado de Charlie segurando sua mão.
– Por que acha isso?
– Ele era muito bom pra mim.
– Não diga isso porque você sabe que não é verdade – Charlie segurou a mão dela com força – esquece ele e tente achar alguém que aceite e entenda seu tempo.
Ela riu baixinho.
– E afinal, por que veio?
– Eu precisava desabafar com alguém, mas já estou bem.
– Tem certeza? Não me importo de ouvir.
– Tenho – ele sorriu – eu só preciso transar com alguém para esquecê-la.
– É ela de volta?
Charlie assentiu.
– Eu até brigaria com você, mas eu sei que não pode controlar isso.
– Valeu.
– E você precisa de uma distração igual a mim – ela disse e se levantou – eu vou me trocar e vamos em alguma balada tirar o atraso, oque acha?
– Não quero me envolver com ninguém – ele disse – estou cansado de inventar desculpas e aguentar meninas me ligando para saber oque aconteceu.
Jen riu.
– Pensando bem, acho que não é uma boa ideia por hora.
Voltou a se sentar. Ela e Charlie se olharam por um tempo e ao mesmo tempo ergueram as sobrancelhas.
– Não, não ia dar certo – ela leu os pensamentos dele.
– Por quê? – Charlie deu de ombros – é só sexo, Jen. Você está precisando e eu também, sem dizer que seria fácil porque nem um dos dois precisaria se preocupar em ligar ou dar satisfação, muito menos em se afeiçoar.
– Nunca chegamos a esse ponto.
– Mas quase, algumas vezes.
– Duas – ela disse – mas pode ajudar.
Charlie assentiu.
– Pode admitir que sempre quis isso – ela o cutucou e Charlie sorriu.
– Você que sempre quis usufruir do meu corpinho.
Ela riu e o abraçou.
– Isso só vai acontecer hoje e nunca mais.
– Concordo.
Eles afastaram os rostos para se olharem e Charlie segurou o rosto dela dando um sorriso.
– Só tente não se apaixonar depois.
– Convencido – ela o empurrou sorrindo – vamos ver se o grande Martin é grande mesmo.
– Prometo que pego leve pra não machucar – ela deu um tapa nele que riu abraçando a cintura dela a beijando.
Charlie sentia que havia algo bem errado, mas ignorou isso completamente.
Ele precisava esquecer aquela loira urgentemente.
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