A Única Exceção do Rei
19 Teus Lábios, Doce Néctar
Notas iniciais

Assistir Thranaduil ao meu lado dia após dia, noite após noite, me deixava um pouco mais aliviada e, ao mesmo tempo, cheia de dúvidas. Compreendi que ele ainda sentia um desejo lancinante por mim quando, no meio das atividades me olhava com luxúria e, principalmente depois daquele beijo após dançarmos no escuro. Perdia-me nas suas tentativas de sedução, nos seus toques propositalmente íntimos, nos seus lábios vermelhos e em sua voz fria. Ele era um homem caloroso e pronto para me ter no exato momento que eu deixasse.
Por algumas noites eu acordei desesperada, gritando por causa dos pesadelos que passaram a fazer parte da minha alma. E ele, mais acolhedor do que nunca, ia até mim e perdia horas a fio tentando me acalmar. Apenas a sua presença era capaz de fazer isso, apesar da mesma me deixar em pânico às vezes.
Mas por que ele estava com uma simples humana longe do seu castelo a meses? Dissera que precisava de férias e que a minha companhia era a sua melhor distração, e que há tempos não se divertia com a presença de um ser tão inusitado e cheio de vontade de aprender como eu. Também destilava o seu veneno sobre mim e obtia respostas tão afiadas quanto. Ele ria por causa disso, e eu me sentia confusa. Chamara-me de mal educada certa vez por causa de minhas maneiras, agora, de tempos em tempos vinha me provocar. Num desses dias trocamos ofensas apenas para treiná-las quando fosse necessário usá-las posteriormente.
Ele dormia no sofá, o que mais me surpreendia. Ofereci a cama, já que ele era o dono daquele lugar e um rei acostumado com o luxo, contudo não o quis, relatando que conseguia dormir no máximo de três a quatro horas por dia. Sempre, todas as noites, se certificava que as velas não se apagariam e me deixariam na mais completa escuridão, um zelo que aquecia o meu coração e me deixava mal acostumada. Não tinha medo do escuro, contudo quando os pesadelos aconteciam era melhor ter alguma luz por perto.
Ele cozinhava também, e eu ficava encantada com a sua maneira de fazê-lo. Preparou pratos deliciosos que havia conhecido de outras culturas, cozidos, assados, ensopados e bebidas que curtiam durante dias. Caçou alguns animais, como alguns patos, porco-do-mato, peixes, e um cordeiro que se perdera por ali, o que me deixou espantada. Preferi não o ver estraçalhar a sua carne e me guardar de um ato tão brusco como aquele.
E em meio a tudo isso, me ensinara a defesa pessoal. Já dominava a espada e tinha jeito com a lança quando, a exatos trinta e dois dias juntos ali no meio do nada, resolvera me ensinar arco e flecha.
— Eu mesmo fiz para a senhorita. – Explicou, entregando-me a peça rústica de madeira feita de um galho de árvore. – É improvisada, não aguentará muita coisa. Mas por hora é o suficiente para treinarmos.
Assenti e segurei a mesma com cuidado. Uma farpa aqui e ali ainda pendia do seu corpo recém esculpido.
— Flechas são melhores do que lanças, pois pode descarta-las no corpo do seu alvo e prosseguir numa batalha. Contudo, apesar de atingir longas distâncias, ainda tenho preferência a espadas.
Naquela tarde, Thranduil estava com os cabelos presos numa trança. Seus trajes eram de cor cáqui, e ele vestia calças e uma túnica que ia até os seus joelhos. Acostumara-se com a simplicidade do campo e ficava mais à vontade com o passar dos dias.
— Já meu filho, Légolas, prefere flechas. Eu mesmo o ensinei a usá-las, e ele é simplesmente o melhor arqueiro que existe atualmente. – Orgulhoso, ele proferiu.
— No que devo atirar? – Perguntei, olhando ao meu redor procurando um alvo.
— Naquela maçã, bem ao meio da pedra. Está vendo? – O rei apontou para a fruta suculenta que brilhava ao sol.
— Sim. – Afirmei e tentei apontar a flecha para a mesma. Fechei um olho e deixei o outro aberto, estirei o arco e errei desgraçadamente o meu alvo, quase atingindo uma ave que voava perto das árvores dali.
Thranduil riu ao perceber minha cara de frustração. Pensava que era daquela maneira que funcionava.
— Um erro de principiante, hein? Fechar um olho achando que será mais preciso assim. – Afirmou, chegando mais perto e entregando-me outra flecha. – Não fez isso com a lança, porque deveria fazer com as flechas?
Dei de ombros. É, realmente não tinha sentido algum.
— E você não pode se curvar quando for lança-la. Seu corpo deve permanecer firme do início ao fim, sua coluna ereta e sua cabeça fixa. – Thranduil explicou, tocando-me nas bochechas e colocando a minha cabeça na posição correta – cabeça para frente, corpo de lado. Atravessou-me e, por trás, tocou minha cintura, ajeitando a minha postura. Senti sua respiração no pé do meu ouvido quando ele continuou. – Está vendo a maçã? Aponte a flecha para ela.
Puxei o arco e o obedeci, sentindo ainda suas mãos seguras em mim, não deixando meu corpo vacilar. Ele estava praticamente grudado por trás, sua respiração que subia e descia em seu peito perceptível em minhas costas.
— Pronta? – Sussurrou, e eu senti o arrepio tomar conta do meu corpo com a sua provocação. Ele adorava fazer aquilo, e eu sabia que o seu atiçamento era proposital. – Solte-a.
Soltei a flecha e assisti ela indo em direção à maçã dessa vez. Não a atingiu, mas pelo menos passou perto.
— De novo. – Pediu, entregando-me outra peça. – Desta vez, fite a fruta com a ponta da flecha.
Thranduil assistiu eu ajeitar o arco novamente e, da mesma maneira, desceu suas mãos grandes e firmes para a minha cintura por trás. O dia estava quente, em minha pele um vestido leve florido que destacada as curvas do meu corpo. Prendi os cabelos num rabo e sentia a os suspiros do rei entre minhas orelhas todas as vezes que ele vinha sussurrar alguma coisa. Confesso que adorava aquilo e, conforme meus dias foram passando, os ataques de pânico foram acabando aos poucos. Ele conseguia me tocar sem sentir o meu corpo estremecer nervoso em resposta, e eu estava contente por isso, porque o toque das mãos de Thranduil era como estar no céu, e ele nunca passava dos limites.
Atirei a flecha novamente. A maçã não fora machucada por ela, mas caiu da pedra com o seu impacto. Muito satisfeito, o rei elfo caminhou até ela e a colocou novamente na pedra, voltando para o meu lado.
— Muito bem. – Sorriu agradado para mim. – Você é muito boa para alguém que começou a pouco tempo.
— Mais uma vez? – Sugeri, recebendo outra de suas mãos.
Dessa vez ele assistiu eu tentar atingir ao alvo do meu lado. Em meu corpo ainda estava o seu toque firme como lembrança, pois deixara ali a posição perfeita para o ataque. Mirei na maçã e puxei o arco um pouco mais forte do que antes.
Me senti frustrada quando a mesma não fora, novamente, ao chão. Gostaria de poder dizer que fizera um treinamento perfeito naquele dia, mas não. Contudo, Thranduil se dera por satisfeito, explicando que era apenas o primeiro dia.
— Estás indo muito bem, não se preocupe. – Declarou ao notar o meu olhar nada feliz em direção à fruta.
Fazia muito calor naquele dia. A primavera estava no seu começo, mas a temperatura naquele meio era conflitante com as demais áreas ao seu redor. Havia uma cachoeira grande que tampava a entrada por terra firme e desaguava entre as árvores frutíferas, estas que atraiam animais em busca de alimento e água fresca. Às vezes me banhava ali, ainda de roupas pois sentia-me exposta e não conseguia relaxar. Por alguns dias evitei sair sozinha, temendo pela minha vida.
Thranduil me fazia companhia e assistia meus banhos. Era estranho, confesso, mas com o tempo havia me acostumado com a sua presença e adquirido confiança. Afinal, ele havia me visto nua um par de vezes e sempre fora muito respeitoso.
Após as lições de arco e flecha fui em direção à cachoeira e de vestido mesmo entrei na água. O elfo abocanhava a maçã que era o meu alvo e assistia-me descer as correntes, molhando as pernas e desfazendo o penteado dos meus cabelos.
Quando dei por mim, ele havia deixado a fruta de lado, se despido totalmente e entrado na água. Seu corpo forte, muito branco e totalmente liso era escultural. Lambi os lábios involuntariamente ao vê-lo daquela maneira, e percebi que o mesmo havia visto este gesto deplorável.
Uma parte de mim ficara feliz ao perceber meu coração se descompassar por causa de sua presença por motivos diferentes dos anteriores. Não entrei em pânico ou me senti ameaçada, nem imaginei coisas ao notá-lo chegando tão perto.
Thranduil era um elfo muito sedutor. Pelo que eu conheci dos demais, parecia impossível, mas ele era.
— Posso fazer companhia dessa vez? – Perguntou enquanto analisava a minha paralisia à sua frente. Passaram-se alguns segundos e eu não comecei a chorar ou entrar em desespero, então ele continuou. – Vou tomar o seu silêncio como um sim.
A água estava batendo em sua cintura. Tentei não olhar mais para baixo, mas foi involuntário. O rei estava completamente nu, as ondas eram a única coisa que faziam a minha visão não o ver totalmente despido.
Ele deu as costas e foi para a queda d’água. Meu rosto possivelmente ficara rubro com aquela imagem. Meus lábios se entreabriram secos e foram mordidos por mim enquanto analisava aquele homem que exalava luxúria quando tinha interesse. Como ficara tanto tempo só? Era um mistério...
Porque Thranduil era perfeito da cabeça aos pés. Sua figura masculina remexia com a imaginação de qualquer mulher.
Sentei numa pedra e alisava minhas pernas enquanto ele destrançava e lavava seus longos cabelos louros com cuidado. Eu via os seus contornos pessoais entre o balançar das águas e, quando dei por mim, havia perdido o fôlego. Não de modo negativo, claro, eu só havia esquecido como se respirava enquanto sentia meu baixo-ventre pulsar.
Em todos esses dias juntos, ele levava a intimidade comigo a outro patamar. Se alguém nos víssemos assim poderia jurar que éramos um casal. Até mesmo eu às vezes me pegava perguntando se não éramos de fato.
Segui até ele pé ante pé, aproximando-me com cautela. Seria muito estúpido contemplá-lo de perto? Estava curiosa sobre o que tinha no meio das pernas, e, notando que não havia me dado estranheza a sua nudez, quis ver até onde eu iria sem surtar. Felizmente havia indícios de que o trauma passado estava se cicatrizando com o tempo, exatamente como ele havia me alertado.
E, pelos Valar, era Thranduil ali. Eu confiava minha vida a ele de olhos fechados nesta altura depois de tudo o que fizera por mim.
O rei saiu da queda d’água e me viu aproximar dele com um sorriso cínico nos lábios. Todos os elfos eram assim quando estavam maliciando alguém? Eles faziam esse jogo sedutor para as suas vítimas, dando elas uma prévia do que seria se entregar para eles, caso cedesse? Sabia que ele não me tocaria se eu não deixasse, mas usava métodos tentadores a seu favor.
Toquei seu peito másculo e senti sua respiração tão próxima novamente. Oh céus, ele estava tão quente naquele momento!
— É muito bom vê-la não estremecer de medo, finalmente. – Peguei seus olhos tão profundamente cheios de luxúria nos meus. Thranduil tocara-me nos lábios.
— É por isso que tanto me tenta? – Questionei apreensiva, sentindo seu dedo deslizar em minha boca. – Está me fazendo recuperar o desejo e a confiança sem gritar em pânico?
Ele riu, negando com um movimento.
— Só quero poder beijá-la outra vez.
Thranduil encontrou os seus lábios nos meus repentinamente, fazendo-me lembrar do gosto doce de sua boca. Não sabia que sentia tanta falta deles, mas percebi o quanto quando senti sua língua explorar a minha. Meu corpo foi tomado pelo arrepio bom que subia pelas pernas e foram de encontro com a sua mão repousada em minha cintura. Senti seus contornos nus entre o meu abraço, seu membro crescendo enquanto ele aprofundava aquele beijo da maneira que gostava.
Ele sentia urgência em nossos toques, pois seu corpo parecia se entregar profundamente apenas com aquele gesto. Senti-o deslizar em minhas nádegas e apertá-las com ferocidade, enquanto o seu próprio íntimo começava a pulsar violentamente no atrito de nossos corpos tão grudados.
Aquele momento era sublime. Me entreguei ao beijo como se nunca houvesse sentido o contato de seus lábios antes, com muito mais sede dele do que antes.
Provocante, o elfo passou a mão do meu rosto para o meu seio e acariciou um dos bicos delicadamente, deliciando-se com o estimulo.
Gemi entre nossos lábios abafados. Meu intimo começava uma dança ritmada em pulsações que estavam me deixando à beira da loucura.
Quando o ar se fez necessário desgrudei de seus lábios e busquei fôlego. O rei sorriu, mordendo a boca provocante cheio de malícia. Afastou meus cabelos molhados da pele do meu pescoço e passou a beijá-lo. Subiu novamente, tocou em meus lábios e os tomou para si com tanta vontade que mal pude recuperar o fôlego totalmente.
Suas mãos me seguravam firmes, apertando meu corpo com urgência. Ele parecia perdido entre cada curva, entre seus movimentos, entre o seu beijo voraz e entre o desejo carnal que dominava o seu corpo.
Soltei nossos lábios com um pouco de dificuldade. Eu queria continuar aquilo sem a culpa dominar o meu ser, mas aos poucos ela parecia começar a me paralisar. Tentei espantar o medo que recomeçava a aparecer. Não queria perder aquele momento, não por causa de um trauma que perdurava já por dias, e perturbava a minha existência como se toda a minha vida fosse resumida àquele momento. Não, eu queria e precisava seguir em frente, para voltar a aproveitar o que o mundo me oferecia de melhor. E ter Thranduil era a melhor coisa de todas as que um dia sonhei para mim.
Seus dedos deslizaram para a minha bochecha e senti o seu toque. Seu olhar perdia-se numa súplica quase palpável para não pararmos. Ele queria me ter, queria que eu fosse sua e nada mais parecia importar para o elfo além disso. Me senti especial naquele momento e tive certeza que ficara marcada em seu coração.
— Por quê? – Questionei ao perceber que ele voltaria a me beijar. – Por quê quer tanto isso?
O rei me fitou confuso e perdido entre seus pensamentos.
— Eu não sei. – Afrouxou suas mãos do meu corpo e disse sinceramente. – Não consigo mais pensar em nada além de estar com você.
O elfo encostou sua testa na minha, suspirando o ar mais pesadamente do que antes.
Tomei seus lábios dessa vez dando um beijo lento inicialmente. Thranduil aceitou, mas gostava de dominar a situação, então recomeçou com sua ferocidade e seus toques cheios de súplica.
— Confie em mim! – Ele pediu, separando nossas bocas de repente. As pupilas de seus olhos estavam dilatadas a ponto de cobrir quase toda a íris azul gélida. Pareciam queimar de desejo, ansiosas por misericórdia e satisfação. – Não quero machucá-la.
Engoli seco quando ouvi tais palavras. Sim, eu sabia que ele não queria, mas não tinha tanta certeza se estava pronta para seguir adiante.
— Eu não sei... – Disse mais confusa do que naquela época quando tentamos seguir adiante com o ato em seu castelo. – Sinto que meu corpo está preparado, mas tenho medo.
— Não tenha. – Sua voz saíra quase num gemido, implorando. – Eu provo à senhorita que podes confiar em minha palavra. Me dê uma chance para demonstrá-la o quanto de prazer posso proporcioná-la sem causar-lhe um arranhão sequer.
Meus lábios pareciam secos sem o toque dos seus. Ao ouvi-lo implorar tão próximo a mim, eles protestaram ainda mais ávidos por dizer sim, apenas para poder senti-los outra vez. Mas como o elfo pretendia fazer isso? A dor do ato viria com toda a certeza, e eu sabia que mulheres eram mais difíceis de se satisfazerem sexualmente do que homens, porque nossa cultura sempre fora totalmente voltada a apenas reprodução. Era como se nós não tivéssemos o direito de sentir o gozo de uma relação amorosa pessoal, e apenas fôssemos um deleite para o sexo masculino quando os mesmos precisavam.
Antes de dizer qualquer coisa, toquei em seu peito e o alisei calmamente. Ele era tão liso e sua pele alva tinha um toque macio, sem qualquer resquício de pelos. Invejei a sua beleza um pouco antes que ele me visse daquela maneira também, deixando-me confortável com o contato da sua pele.
Thranduil beijou minhas mãos e aproximou seu rosto do meu, esperando por uma resposta vinda de meus lábios. O beijei novamente aumentado o desejo do seu toque um pouco mais.
O rei virou meu corpo para a frente, de costas para ele e passou a beijar meu pescoço, guiando meus pés até uma rocha. Pediu que eu me sentasse nela, e se colocou de frente, abrindo minhas pernas e se posicionando entre elas.
— Não sei se quero que isso aconteça aqui. – Comuniquei quando vi suas mãos subirem pelas coxas, abrindo espaço no vestido e descobrindo a derme nua embaixo dele.
— Não vou toma-la para mim dessa maneira, não se preocupe. – Elucidou.
O elfo começou a beijar minha pele a partir dos pés. Foi subindo aos poucos e calmamente, assistindo meu corpo respondê-lo com arrepios intensos.
A minha respiração pesou, passando a ser necessário o uso da boca para conseguir fôlego também. Entre um suspiro e outro, gemidos vergonhosos começaram a sair de dentro de mim sem freio.
— Como você é doce, menina. — Ele estava em minha coxa agora, deixando a sua língua deslizar por ela, seus dentes marcarem o território, seus lábios sugarem com prazer a minha carne. – És tão delicada. Sua pele é tão quente.
Thranduil subiu ainda mais o vestido e retirou a peça rendada e íntima que cobria o meu sexo. Deixei-o fazer o que queria sem protestos ouvindo-o se regozijar entre seus movimentos. Ele provocava-me com os seus beijos subindo e descendo em meu corpo, descobrindo cada parte que ainda não fora tocada por ele. Fora de encontro com o meu umbigo, mordiscou ali e desceu com beijos lentos para a minha virilha totalmente exposta.
Eu sou uma humana, e como todo humano tenho pelos, mesmo que um pouco ralos no resto do corpo. Tirando os cabelos da minha cabeça, o resto eram finos, porém igualmente negros.
O elfo não parecia se importar com isso. Quando sua boca chegou em minha intimidade, a sua língua estava tão quente que senti um espasmo incontrolável estremecer as minhas pernas.
Ele se ajeitou ali no meio delas, abrindo-as um pouco mais do que antes, dando espaço para a sua boca dominar o meu baixo-ventre enquanto a sua língua rodeava onde exatamente pulsava.
Fora a primeira vez que senti algo como aquilo, nem mesmo eu sabia que era capaz de sentir prazer sem a dor vir antes. O rei olhava-me nos olhos enquanto trabalhava, certificando-se de que eu estava de acordo com o que ele estava fazendo.
E eu não podia estar mais eufórica do que estava agora. Todos os músculos do meu corpo paralisaram rígidos, prestes a entrar em colapso. Agarrei os seus cabelos, gemi entre meus lábios tentando abafar o som, contorci-me entre os seus movimentos e o meu que estava prestes a explodir em gozo.
— Thranduil... – Gemi quase numa súplica para que ele parasse, e ao mesmo tempo queria continuar. Estava desesperada e me deleitava naquela sensação nova, queria prosseguir e achava que morreria a qualquer minuto enquanto ele conseguia me delirar apenas com sua língua. Suas mãos agarradas entre minhas pernas não me deixaram escapar, seu corpo estava firme e seus olhos perdidos entre o meu íntimo e o meu rosto.
Ele estava me enlouquecendo, me torturando, me fazendo clamar seu nome e implorar que continuasse e ao mesmo tempo cessasse com aquilo. Não sabia que lado meu dar ouvidos, mas o meu corpo estava decidido a se entregar ao prazer que ele me propiciava.
E, de uma hora para outra todos os músculos relaxaram quando os espasmos tomaram conta de meu corpo. Minhas pernas prenderam-no meio dele enquanto me sentia pulsar violentamente em resposta à sua língua. O elfo emitiu um sorriso cínico entre meus movimentos desesperados e meus gemidos de satisfação, cheio de si e orgulhoso pelo trabalho tentador que ele havia feito perfeitamente.
Quando consegui relaxar e parar de emitir sons vergonhosos que vinham involuntariamente da minha garganta, fitei o céu que coloria em tons de laranja e rosa o crepúsculo. Pela primeira vez em toda a minha vida eu havia sentido tamanho prazer, e confiar no rei para aquilo fora a decisão correta porque eu sabia que nenhum outro homem conseguiria me fazer delirar daquela maneira.
Ele se deitou ao meu lado. Encostei a cabeça em seu ombro e sorri envergonhada. Estava mais perfeita do que nunca aquela tarde de primavera. Tudo o que envolvia Thranduil tinha um sabor inexplicavelmente doce.
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