A Última Lua

12 One Way or Another


Notas iniciais
"A maldade bebe a maior parte do veneno que produz."

MORRO DO ALEMÃO/ RIO DE JANEIRO

Stephanie fecha a porta da casa de Patrícia aos poucos, enquanto a mulher a olhava completamente sem reações. Sem movimentos. Imobilizada. Ela sorri para a mulher e começa a andar até a sala dela, com seu salto alto da bota fazendo um tintilar no chão de madeira.

— Está espantada? – ela dá uma risadinha – não vai falar nada? (Stephanie)

Patrícia continua em silêncio a fitando, suas mãos procuram por algo atrás de si – uma faca, algum martelo – mas não encontra nada. Para chegar até a cozinha, teria de passar pela garota.

— Eu esqueci que você é muda – ela dá uma risadinha de deboche – mas eu acho que você esqueceu quem fez isso com você... Por que fez uma coisa que eu a proibi de fazer: contatar Tina para contar o que tinha visto na cena do assassinato! (Stephanie)

Patrícia se recompõe e se aproxima da garota; tinha dito que assumiria as consequências por ter contado a Tina toda a verdade sobre o que ela tinha feito ao próprio pai.

— E eu disse que você pagaria pela vida caso fizesse isso novamente... – ela remexe em sua bolsa até encontrar uma seringa – e eu costumo levar as minhas promessas muito a sério! (Stephanie)

Patrícia olha confusa para a seringa nas mãos de Stephanie. O que ela faria com ela com aquilo? Enfiaria uma injeção letal sob sua pele?

Stephanie se aproxima dela, e Patrícia tenta se afastar, mas é encurralada pela parede. A patricinha pega o seu braço e lutando contra a força da mulher, consegue perfurar ela e inserir o liquido vermelho – em pequena quantidade – pelas veias da muda.

— Isso é para você aprender que não se deve mexer com Stephanie Costa – ela sorri – em alguns dias você vai morrer de pneumonia, ataque cardíaco ou alguma outra doença inútil. Passei-te o meu vírus do HIV. Espero que não tenha uma vida longa pela frente. (Stephanie)

Patrícia fica encostada na parede, agachada, sem nenhuma reação. Stephanie coloca sua seringa de volta na bolsa e as pressas, sai da casa da mulher, deixando-a sozinha com um horror no rosto.

*

COPACABANA/ RIO DE JANEIRO

Angie e Ronaldo caminham lado a lado por uma passarela no calçadão perto a praia de Copacabana. Ela vestia uma roupa esportiva e justa, que favorecia suas curvas.

— E então? – ele fitava a frente – pensou bem sobre desistir do amor? (Ronaldo)

— Eu pensei há um bom tempo – ela sorri – não quero me relacionar com ninguém a um bom tempo! (Angie)

— Por quê? – ele sorri – ainda não entendi seus motivos... (Ronaldo)

— Quando nos magoamos demais – ela o olha – tendemos a desacreditar das coisas! (Angie)

— Eu me magoei muito... – ele gagueja – a minha ex-mulher, ela me largou! Mas quando eu botei os olhos pela primeira vez na Tina, foi como se eu estivesse me reencontrando com a minha ex! Senti uma coisa totalmente diferente de quando pego outras mulheres. (Ronaldo)

— Você teve sorte – ela fita o céu azul claro – eu não sei se vou ter a mesma... (Angie)

Ronaldo para bruscamente e puxa o braço dela, a fazendo olhar diretamente para os seus olhos.

— Você não pode desistir – ele a olhava intensamente – por que quando nós desistimos e paramos de crer... (Ronaldo)

— O que? – ela suspira – vai me dizer que cupidos morrem? (Angie)

— Você sem esperanças pode se tornar uma pessoa fria, sem coração... (Ronaldo)

Angie se desvencilha do olhar do homem e volta a correr. Sem entender, Ronaldo a segue.

— O que foi? – ele a alcança – não gostou da minha frase? (Ronaldo)

— Talvez... – seu sorriso é amarelo – eu já seja uma pessoa assim; fria e sem coração! (Angie)

*

APARTAMENTO DE GIOVANNA/ RIO DE JANEIRO

Giovanna assistia o jornal do meio dia quando sua prima sai do quarto toda produzida, com um vestido branco e os cabelos presos num rabo de cavalo. Ela passa por Giovanna, que a olha com os olhos cerrados.

– Aonde você vai? (Giovanna)

— O Romeu está aqui embaixo, ele disse que quer me entregar algo! (Leslye)

— De novo? – ela fita seus olhos – vocês já se encontraram ontem... (Giovanna)

— Ontem ele só deu uma passada, iria encontrar alguns amigos para ir até o cinema! Eu to descendo. (Leslye)

Giovanna não diz nada e Leslye desce as pressas, entrando no elevador e saindo no hall de entrada, o encontrando logo lá.

— Você mora aqui mesmo? – ele gagueja – (Romeu)

— Sim – ela sorri – por quê? (Leslye)

Eles se beijam no rosto. Ele escondia algo por suas costas.

— Uma ex minha mora aqui... – ele engole em seco – mas o que importa agora é você! (Romeu)

— E como foi o cinema? – ela fica tensa; é óbvio que ele reconheceria o prédio de Giovanna – gostou do filme? (Leslye)

— Depois eu vou precisar rever! (Romeu)

— Por quê? (Leslye)

— Eu não prestei atenção direito – ele fita seus olhos – eu só fiquei pensando em você... Hipnotizado. (Romeu)

Leslye sente uma pontada de dor no coração. Não conseguia mais esconder os sentimentos que estava começando a criar por Romeu. Em silêncio, ele retira as mãos das costas e ela fita um buque de flores, colorido e belo ao seu olhar.

— Eu vim dar apenas uma passada rápida... – ele ergue o buque para ela – mas queria te entregar isto para passar o dia bem! (Romeu)

Leslye pega o buque e seus olhos começam a brilhar diante daquela situação. Não conseguia mais fazer aquilo. Não conseguiria mais o iludir.

— Apenas uma lembrança minha... – ele sorri – para sentir o cheiro delas e pensar em mim, assim como eu só penso em você... (Romeu)

— Muito obrigado – ela tenta respirar diante as lágrimas que insistiam em cair – você... Você é incrível! (Leslye)

Romeu não diz nada e se aproxima dela, com os lábios quase se tocando, ela se desvencilha e beija seu rosto. Ele não diz nada e apenas continua sorrindo. Leslye, com as flores, se vira de costas, e dentro do elevador, insiste em derramar as lágrimas que a estavam matando.

*

MANSÃO FAMÍLIA COSTA / RIO DE JANEIRO

Tina estava sentada em seu sofá, mexendo no celular quando recebe uma notificação de e-mail, inusitadamente. O remetente vinha de um nome conhecido por ela. Patrícia Alexandre. Ela rapidamente aperta na caixa do e-mail, se direcionando a uma mensagem não muito grande.

De: patriciaalexandrequeijoévida@hotmail.com

Para: tinaeusourica@hotmail.com

Minha querida ratinha; venho por meio daqui me despedir de você. Eu disse que lidaria com as consequências quando Stephanie descobrisse que eu te entreguei as provas do crime que ela cometeu. Ela é uma garota horrível, e injetou uma substância viscosa e vermelha nas minhas veias. Isso mesmo que você está pensando; sangue. Descobri que Stephanie tem AIDS e HIV e com uma seringa, infecta as pessoas. Tome cuidado com essa megera, ela é capaz de tudo para se sair bem. Espero que a entregue rápido para a polícia.

Com o vírus HIV nas minhas veias, posso ter uma parada cardíaca ou até mesmo pegar uma gripe, e com o meu sistema “protecional” baixo, essa gripe pode virar uma pneumonia terrível; me levando a morte. Não me procure mais; faça a justiça destruindo aquela garota perigosa.

Espero que não se esqueça de mim. Sua eterna rata mãe. Seja feliz.

Patrícia Alexandre.

Tina estava chocada com o que tinha acabado de ler. Sabia que Stephanie ligaria os pontos e chegaria à conclusão de que Patrícia que a tinha entregado aquelas fotos e contado para ela que a própria assassinou Gael, mas com a ameaça, pensara que ela não faria nada de mal para a mulher. Não sabia por que acreditara nisto, Stephanie era uma mulher impulsiva que não media consequências e não gostava de obedecer a ninguém. Tinha prometido para a garota que caso ela fizesse alguma maldade, ela pagaria mandando aquelas fotos para a polícia. Mas não podia, Gael pedira para ela na carta de testamento para a própria não deixar nada acontecer com a filha – claro que ele não sabia desse lado assassino dela.

Ela respira fundo e sobe as escadas em direção ao quarto. Precisava sair para esfriar a cabeça; precisava encontrar uma pessoa que a entenderia.

*

MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ QUARTO DE HÓSPEDES

Joanna se deitava em sua cama, e Edgard se postava ao seu lado. Os dois haviam se enchido de beijos, e dormiram juntos. Eles chegaram à noite anterior, não muito tarde; mas as luzes da mansão estavam todas apagadas e Tina parecia dormir. Não a interrompeu. Os dois foram para o quarto que a loura os havia mostrado, e tiveram uma noite maravilhosa. Jojo não tinha relações sexuais com alguém a um bom tempo, o que pregava o amor que ela sentia por Edgard. Os braços de Edgard agarravam a cintura da morena, e ela se deitava em forma de concha sob o corpo duro e rígido dele.

— Essa noite com você foi maravilhosa – ele beija o topo de sua cabeça – nunca me senti assim... (Edgard)

Joanna o ignora; sua mente parecia estar em outro mundo, os pensamentos vagando por diferentes realidades.

— O que foi? – ele percebe – está incomodada com algo? (Edgard)

— Eu estava pensando em meu pai... – ela suspira fundo – você é amigo de tempos da Stephanie; o que aconteceu com ele? Como ele morreu? (Jojo)

— O seu pai foi um grande dono de uma empresa famosa de celulares brasileiros – ele dá uma risadinha – ele fez muita história... Morreu como dado de pneumonia, nos fundos da empresa; no meio da rua. Dizem que ele caiu lá, duro e estático.

— Que horror – ela senta-se na cama e olha para ele – mas ele tinha índices da doença? Por que ele iria trabalhar se estava sofrendo...?

— Este é o, “porém” – ele a fita – a Tina e a Stephanie não acreditam que foi um acidente por causa da doença. Para elas, ele morreu assassinado; foi encontrado sangue no chão e o corpo dele foi mantido escondido! (Edgard)

— Escondido? – ela fica pensativa – você tem certeza disto? (Jojo)

— Tenho – ele suspira – eu estava no velório. Inclusive, a Stephanie acha que foi a Tina que o assassinou, pois ela sabia que ficaria com a maior parte da herança! (Edgard)

— A TINA? – ela se levanta espantada da cama, ainda vestia só peças intimas – (Jojo)

— Eu não sei... – ele expira – é o que dizem! (Edgard)

— Ah, mas eu vou descobrir isso agora – ela pega uma calça jeans e uma blusa – eu mesma vou interrogar a Tina, e rápido! (Jojo)

Edgard não a impede; a garota veste sua roupa e se prepara para descobrir a verdade sobre o pai biológico que nunca teve.

*

APARTAMENTO GIOVANNA/RIO DE JANEIRO

Leslye entra pela porta principal com o buque nas mãos e sorri, bufando logo em seguida. Giovanna, que ainda encontrava-se sentada no sofá, olha a garota com os olhos esbulhados. Olhos que percorrem o buque e fitam seus olhos brilhantes e seu semblante triste – mas ao mesmo tempo feliz e sonhadora.

— Meu Deus do céu – ela se ajoelha no sofá – você está mesmo infectada! (Giovanna)

— Infectada? – ela a olha – ta me dizendo que eu estou doente? (Leslye)

— Contaminada de paixão – ela engole em seco; havia visto a garota jurar para ela ontem, na frente da santa, com os dedos entrelaçados – expressão facial, palpitação, suspiro... – ela se levanta – Leslye, escuta a voz da sabedoria; você não pode se apaixonar pelo Romeu! Escreve cem vezes em uma lousa “O ROMEU NÃO PRESTA” (Giovanna)

— Mas ele é tão gentil comigo... – ela respira fundo – (Leslye)

— Sim – ela parecia chocada – é exatamente isso que os canalhas fazem! (Giovanna)

— Vai saber ele mudou e comigo está agindo diferente... (Leslye)

— Eu já falei essa frase... – ela fita a prima – depois que ele te chutar como fez comigo, você vai sofrer do mesmo jeito que eu... (Giovanna)

— Eu sei que ele já aprontou com várias, mas ele me olha de um jeito tão sincero – ela se aproxima do quarto – quem sabe ele não mudou mesmo? (Leslye)

Giovanna, com os olhos vidrados no chão, ignora enquanto a prima entra no quarto. Não adiantava mais fazer nada. Ela estava apaixonada por ele.

*

MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO

Tininha pega as chaves do carro para ir até a casa de Ronaldo. Havia colocado seu melhor macacão e arrumado seu cabelo da melhor forma, e pretendia arrasar e ir para a cama com ele logo. Antes de sair pela porta, é interceptada por Joanna.

— Tina – ela puxa seus braços – acho que temos um assunto sério para conversar! (Jojo)

— Que assunto? – ela tira seu óculo de sol – Joanna, eu estou atrasada, não pode ser em outro momento...? (Tina)

— O que aconteceu de verdade com o meu pai? Ele foi assassinado? – ela é direta e seca; as duas se encaravam – foi você que o matou?

Notas finais
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência