A Última Lua
13 Somebody That I Used to Know
Notas iniciais
MANSÃO FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO
— O que você está insinuando? – ela parecia chocada – que eu matei o Gael? O homem que eu amava...? (Tina)
— Eu ouvi boatos – ela a interrompe – boatos de que foi você que o assassinou! Eu sei que você não acredita que ele morreu de pneumonia! (Jojo)
— Claro que não acredito, havia sangue no chão – ela estava tensa; não podia contar para a garota que havia sido Stephanie que assassinara Gael – mas dizer que foi eu quem o matou, é o cúmulo... (Tina)
— Desculpa – ela fita o chão e engole em seco – eu estou realmente desesperada para descobrir o que aconteceu! Não deveria levar boatos tão a sério. (Jojo)
— Não deveria mesmo – ela se afasta da garota – nem eu, nem ninguém sabemos o que aconteceu de verdade com o Gael. E se eu fosse você, deixaria isso deste jeito. (Tina)
— Por quê? – ela a indaga – seria tão perigoso assim...? (Jojo)
— Seria – ela a fita – quem assassinou o Gael teve a prudência de desinstalar todas as câmeras aos arredores; e conseguiu convencer os peritos há dizer para todos que a morte não passou de um acaso! Fique longe disto tudo, Joanna; para o seu bem! (Tina)
— O segredo da Stephanie tem algo haver com isso? – ela enrola os cabelos no dedo – por que eu ainda estou intrigada com tudo... (Jojo)
— Eu sei que eu disse para você descobrir o segredo da Stephanie – ela respira fundo – mas não faça isso com você! Fique, realmente, fora disto tudo. (Tina)
Tina não diz mais nada; vira-se de costas para a garota e abrindo a porta, sai de dentro da mansão para em direção ao seu carro. Joanna se aproxima do sofá, joga-se nele e suspira. Não iria deixar se abalar tão fácil. Precisava ir atrás do segredo da Stephanie; precisava descobrir o assassino de seu pai; mesmo que fosse a última coisa que fizesse em vida.
*
APARTAMENTO DE LILO/ RIO DE JANEIRO
Karol sai de dentro do quarto bocejando; já eram duas da tarde, e ela havia acabado de acordar. Não que isso a incomodasse, mas sentia-se como se tivesse perdido um dia inteiro. Ela fita Lilo sozinho na cozinha, lendo um jornal com a camiseta entreaberta. Ela avalia seus músculos fortes e rígidos.
— Bom dia – ela se corrige – ou melhor; boa tarde! (Karol)
— Boa tarde – ele a olha – (Lilo)
— E cadê o Victor e a Nathalia? – ela se aproxima – (Karol)
— Eu pedi que eles fossem ao mercado comprar algumas coisas para o almoço, faço questão de cozinhar para todos vocês hoje! (Lilo)
Karol vestia um short super curto, que mostravam um pouco da polpa do seu bumbum. A camisa era longa, e encobria parte da perna, só deixando um pouco do short amostra.
— Ah eles saíram? – ela senta-se ao seu lado e levanta as pernas, se apoiando na cadeira – pelo menos a minha filha teve a decência de fazer algo prestável e não só dormir igual a mim! (Karol)
— Que isso... – ele dá uma risada – antigamente eu não iria gostar de nenhum jeito de muita gente aqui em casa! Mas percebi que não me importo mais. (Lilo)
— Você e o Victor namoram publicamente? – ela mexe os dedos – quando ele me contou que você, namorado dele, nos abrigaria, fiquei até surpresa! Ele nunca fala de você. (Karol)
— E ele nunca falou de vocês também – ele vira-se de frente para ela na cadeira – e não; nós não namoramos publicamente! Eu prefiro manter assim, você sabe como o mundo é preconceituoso... (Lilo)
— Sei exatamente – ela sorri para ele – o mundo hoje em dia é terrível. As pessoas são muito hipócritas, e eu tenho nojo de gente falsa. São sempre as mesmas pessoas, apenas em situações diferentes! (Karol)
— Penso exatamente igual a você – ele bota o jornal na mesa; seus cabelos pretos desgrenhados – gostei de ti! Acho que podemos ser tão amigos quando você é do Victor. (Lilo)
— Eu também acho que podemos nos dar super bem... – ela sorria – eu preciso me trocar e escovar os dentes, se me da licença! (Karol)
— Toda! (Lilo)
Karol se levanta da cadeira e fica de costas para ele, seu quadril empinado e as curvas amostras em uma linha sensual.
Lilo a observa; não tinha como não olhar. No passado havia se envolvido com muitas mulheres; o único homem que tinha se doado de verdade, era Victor. Ambos os lados o excitavam, e realmente Karol o deixava assim. Ela sai de sua linha de visão, e ele bate as mãos na cabeça, com pensamentos errôneos sobre a mulher!
*
MANSÃO DA FAMÍLIA COSTA/ RIO DE JANEIRO
Leon abre as portas do quarto de Stephanie, e se fascina. Seu apartamento em Seattle era pequeno demais para ter um quarto com aquelas proporções. Stephanie entra logo atrás, fechando a porta atrás de si.
— Quando você me ligou e disse que queria me levar para conhecer sua casa – ele sorri – não pensei que fosse sério... E nem imaginei que você fosse tão rica assim! (Leon)
— Você não sabe muitas coisas sobre mim – ela senta-se na cama – mas eu te trouxe aqui para conversarmos! (Stephanie)
— Eu percebi no caminho que você está triste – ele senta-se ao seu lado – eu quero muito entender os seus motivos... (Leon)
— Por quê? – ela o interrompe – geralmente homens odeiam falar de problemas com mulheres como eu; só pegam e caem fora. Por que você é tão diferente? (Stephanie)
— Por que eu sinto algo diferente por você – ele é direto – desde que nos conhecemos, eu não consegui te esquecer... (Leon)
Stephanie recebe as palavras com uma pontada no coração; o ultimo que tinha mexido tanto com ela, fora Edgard. Mas de longe ele era como Leon, atencioso e sincero. Os cabelos do garoto, sob a luz do sol, ficavam mais claros, quase prateados. Parecia um príncipe do inferno. Um anjo caído do céu.
— Eu já disse que você precisa me esquecer... – uma lágrima sai de seu olho esquerdo; dizem que quando é do lado direito, o choro é de felicidade; ao contrário, tristeza – eu não sou uma boa pessoa! (Stephanie)
— Eu sei que você me disse isso, mas eu não consigo evitar – seus olhares se fitavam – por que eu gosto de você... Gosto o bastante para não desistir! (Leon)
— É muito perigoso... – ele pega os braços dela – você pode se envolver em coisas que não merece... (Stephanie)
— Por você eu me envolvo; só, por favor, me deixa tentar! – ele aproxima seu rosto do dela – me deixa te conquistar... (Leon)
Stephanie não resiste e beija-o intensamente, como não fazia a um bom tempo. Leon rodeou-a com seus braços fortes, e ela sentia suas mãos fazendo um leve carinho no meio de suas costas. Primeiro ele deu um tapinha amigável e depois deslizou um pouco pela coluna, subindo e descendo. Enquanto isso o rosto de Stephanie estava enfiado em seu peito. Ela não queria soltá-lo, e queria que ele sentisse o mesmo. O perfume que usava não era o mesmo que a atentava na praça, entretanto, era bom do mesmo jeito. Ali, ela não conseguia pensar em nada. Só existia Leon, ela e seu caloroso abraço. Segundos depois, e creio que não foram poucos, afrouxa seu aperto e ele faz o mesmo. Stephanie o solta lentamente e fita os seus olhos. Ela estava nervosa demais com a situação, e nem ao menos conseguiu pensar em nada para aproveitar o momento em seus braços.
— Eu prometo tentar – ela suspira – eu prometo... (Stephanie)
As lágrimas descem, e Leon volta a abraçar. Um abraço caloroso, que ela jamais esqueceria.
“So I'm gonna love you, like I'm gonna lose you; I'm gonna hold you, like I'm saying goodbye”
*
BARRA DA TIJUCA/ RIO DE JANEIRO
Victor e Nathalia caminhavam lado a lado com as sacolas de compras na mão. Sem nenhuma palavra, eles voltavam para o apartamento de Lilo. Victor ainda sentia uma pontada no coração por estar alimentando aquelas cobras, mas nada podia fazer. Não sabia se Lilo o perdoaria por roubar e estar na cadeia.
Nathalia vestia uma calça jeans, com um top que mostrava a sua barriga. Fazia um calor insuportável, e ela não estava aguentando mais andar. A rua estava cheia, e sem querer, ela tropeça de ombros e derruba as sacolas no chão. Ela revira os olhos e olha para o dissimulado que havia trombado com ela com força total...
Seus olhos se iluminam assim que o vê. Era forte, alto, tinha cabelos castanhos e um sorriso iluminado.
— Meu deus... – ele abaixa para pegar as sacolas – mil desculpas! Não queria ter trombado em você. (Pietro)
— Imagina... – ela se recompõe – eu que sou desastrada e não olho direito para onde ando! (Nathalia)
O garoto parecia reluzir algo diferente; Nathalia estava encantada com sua beleza. Ele estava casual, ou seja, deveria morar por perto. Morar na Barra significava ter dinheiro; ser rico!
— É nova no bairro? – ele pisca – nunca te vi... (Pietro)
— Sou. Mudei-me ontem – ela arruma os cabelos – (Nathalia)
— Bom, seja bem vinda – ele entrega as sacolas para ela – nos vemos por aí, então! E mais uma vez, mil desculpas. (Pietro)
— Tchau – ela acena com as mãos e se vira para frente, onde Victor a encarava com um deboche no olhar – ta me olhando assim por quê? (Nathalia)
— Você acha que eu não percebi o clima? (Victor)
— Que clima? – ela volta a caminhar – ele é bonito, mas... (Nathalia)
— Mas o que? – ele é debochado – (Victor)
— Não te interessa – ela é direta – vamos; temos que voltar ao apartamento. Estou morrendo de fome. (Nathalia)
*
APARTAMENTO DE RONALDO/ RIO DE JANEIRO
Cate senta-se na cama ao lado de sua melhor amiga, Jocéa. Elas estudavam na mesma escola; ambas tinham 17 anos e estavam prestes a encerrar o ensino médio. A amiga, diferente da mesma, era super-rica e esnobe com as pessoas.
— Ah amiga, eu concordo com seu pai – ela lixa as unhas – você tinha que apoia-lo! Se essa tal Tina é rica mesmo, você se tornaria uma milionária. (Jocéa)
— Eu não sei. Você sabe que não gosto dessas coisas – ela penteia seu cabelo castanho – tudo bem que ela é a viúva do Gael Costa, aquele dono de fábrica de celulares; ela é podre de rica, mas não consigo concordar com uma coisa dessas. (Cate)
— Você é muito boba, isso sim – ela fita a amiga – eu, por exemplo, só saio com caras que tem carro e possam pagar a conta do restaurante! (Jocéa)
— Mas você não é rica? – ela debocha – por que não paga você mesmo a conta? (Cate)
— Eu sou rica, mas não sou boba – ela deita na cama – temos que aproveitar mesmo! Não deixar esses marmanjos pensarem que somos idiotas. Se ele pensa que vai sair comigo só para me pegar e transar, está muito enganado! (Jocéa)
— Você não presta – ela dá uma risadinha – mas eu não ficaria feliz se descobrisse que o Pietro está comigo por dinheiro... (Cate)
Pietro era o quase namorado de Cate. Os dois se conheceram no colégio e estavam neste vai e vem a um bom tempo; ele era corredor de maratona, e ficava bastante parte do seu tempo fora; treinando para ser o melhor.
— Falando em Pietro... – ela a fita – você não se incomoda dele estar sempre tão distante de você? (Jocéa)
— Não – ela acompanha a amiga, deitando – eu sei o que ele faz; fica treinando o dia inteiro. E outra, fui eu que pedi para que ele não viesse aqui em casa. Meu pai não gostaria nem um pouco. (Cate)
— Se eu fosse você, ficava mais esperta – ela se levanta – o Pietro é o garoto sensação desse bairro; várias garotas e garotos se jogam para cima dele! (Jocéa)
— Eu confio no meu namorado... (Cate)
— Não deveria – ela a interrompe; pega sua bolsa no chão e se aproxima da porta – mas fica bem, tá? Eu preciso ir para resolver umas coisas de família, e mais tarde eu te ligo. Te amo. (Jocéa)
Cate sorri para a garota e acena com a mão em adeus, quando a mesma sai do quarto e também do apartamento, logo em seguida. Ela bufa e olha uma foto dela e Pietro no celular, como bloqueio de tela. Será que tinha mesmo motivos para desconfiar dele?
*
APARTAMENTO GIOVANNA/ BARRA DA TIJUCA
Leslye ainda se encontrava deitada na cama, embaixo de um lençol, pelo tanto de calor que fazia no Rio de Janeiro naquela época. Não sofria de calor em Seattle, o inverno de lá era rigoroso. A janela do quarto estava fechada, proporcionando a ela uma escuridão acolhedora. Leon dormia com ela na cama ao lado, e Giovanna, sua prima, no cômodo ao lado.
Estava preocupada com o irmão; ele mal ficava com ela no apartamento, e as vezes que tinham conversado aqui no Brasil sobre os problemas tinham sido mínimas.
Por um momento, ela se deixa pensar em Romeu; e fita as flores que estavam num vaso ao lado de sua cama, numa escrivaninha. Os flashbacks correm soltos por sua mente.
— E como foi o cinema? – ela fica tensa; é óbvio que ele reconheceria o prédio de Giovanna – gostou do filme? (Leslye)
— Depois eu vou precisar rever! (Romeu)
— Por quê? (Leslye)
— Eu não prestei atenção direito – ele fita seus olhos – eu só fiquei pensando em você... Hipnotizado. (Romeu)
Leslye sente uma pontada de dor no coração. Não conseguia mais esconder os sentimentos que estava começando a criar por Romeu. Em silêncio, ele retira as mãos das costas e ela fita um buque de flores, colorido e belo ao seu olhar.
— Eu vim dar apenas uma passada rápida... – ele ergue o buque para ela – mas queria te entregar isto para passar o dia bem! (Romeu)
Leslye pega o buque e seus olhos começam a brilhar diante daquela situação. Não conseguia mais fazer aquilo. Não conseguiria mais o iludir.
— Apenas uma lembrança minha... – ele sorri – para sentir o cheiro delas e pensar em mim, assim como eu só penso em você... (Romeu)
— Muito obrigado – ela tenta respirar diante as lágrimas que insistiam em cair – você... Você é incrível! (Leslye)
Lágrimas voltam a brotar nos seus olhos. Não conseguia não pensar nele sem chorar, e tudo aquilo estava a matando e a consumindo em pedaços. Não podia se vingar de Romeu; não mais! Iria desistir do plano, o mais rápido que pudesse.
*
APARTAMENTO DE RONALDO/ RIO DE JANEIRO
Cate ouve quando duas pessoas entram pela porta do hall de entrada; uma masculina (seu pai) e uma feminina, que ela não reconhecia.
— Ainda bem que chegamos juntos, Tina – ele sorri – se chegasse antes não me encontraria em casa! (Ronaldo)
Ah, então finalmente vou conhecer essa Tina, pensa Cate.
— Não teria problema algum, eu esperava – ela senta-se no sofá – (Tina)
— Você quer café? Água? Cerveja...? (Ronaldo)
— Não – ela balança a cabeça em negativa – eu queria era mesmo conversar! (Tina)
— Conversar sobre o que? (Ronaldo)
— Tem um peso no meu coração que não suporto mais esconder – ela suspira – e é sobre a morte do meu ex-marido! (Tina)
— O que aconteceu? – ele senta-se ao seu lado – você descobriu algo sobre tal? (Ronaldo)
— Descobri – ela engole em seco – mas peço total sigilo para você, pois é algo de família, que confio o bastante em ti para contar... (Tina)
— Claro – ele balança o pé ansioso – você sabe que pode confiar em mim, mas o que você sabe sobre tudo isso? (Ronaldo)
— Eu descobri que foi a Stephanie, filha do Gael, minha enteada, que o assassinou – ela fita o chão – eu tive provas com fotos e depois ela confessou todos os motivos para mim! (Tina)
Cate se choca e abre a porta do quarto rapidamente; Tina e Ronaldo se assustam quando percebem a garota ali, de pé, parada no batente da porta suspirando pesadamente.
— Filha? – ele se levanta da cadeira – pensei que você estivesse fora... (Ronaldo)
— Que história é essa que Stephanie França matou o próprio pai? – ela e Tina se fitam – você percebe o quão sério é isso? Você tem que ir denunciar para a polícia agora... – ela gaguejava – ou eu mesmo vou! (Cate)
Fale com o autor