A Última Filha - Predador
2 Capítulo Dois
Três meses antes.
...
- Precisa se concentrar.
- Não consigo.
Nero revirou os olhos e disse:
- Cala a boca e faça.
Eu suspirei frustrada e tentei novamente.
Nós estávamos na sala de treinamento do papai. Ele havia feito com que Nero me ensinasse mais poderes, dos quais, eu ainda não sabia usar, tipo controlar metais.
Eu estava tentando erguer uma corrente, mas ela nem se mexia. Eu abaixei a mão chateada e disse:
- Não consigo, viu?
Ele me olhou sério e disse:
- Haide, é simples. É só se concentrar, a mente tem que estar vazia.
Esse era o problema, não estava. Eu passava quase todos os dias pensando no Noah. E naquele momento, eu estava ansiosa para que ele me ligasse logo, para dizer que tudo estava pronto. Eu e ele íamos ter um piquenique no seu quarto. Ele me disse que precisávamos de um tempo só pra nós. Juntos.
Desde o dia em que meus irmãos tentaram matar o Noah, minha convivência com eles mudou. Nero pareceu mais paciente comigo, coisa que ele não tinha. Gareth ficou mais sensível e Jean... Bom Jean não mudou nada, continua o mesmo irmão legal de sempre. E Ross, ele e eu tínhamos uma conversa de duas a cinco sílabas. Ele passou a me ignorar quando eu disse que eu e Noah havíamos nos tornado mais do que amigo. Nero, Gareth e Jean passaram a me vigiar mais do que o de costume. E isso estava começando me irritar.
Nero estendeu a mão e então a corrente começou a se erguer no ar lentamente.
- Exibido. – Eu murmurei.
Ele cruzou os braços e a corrente ainda continuou no ar. Eu o olhei sem acreditar e ele disse:
- Não é ser exibido, se chama treinamento. Eu consigo controlar com a minha mente.
A corrente caiu no chão e ele continuou:
- Tente agora.
Eu o olhei hesitante e então estiquei minhas mãos novamente. Eu limpei minha mente o máximo que eu pude e me concentrei. A corrente começou a tremer no chão, mas então um toque. Minha mente se enche de pensamentos e a corrente parou de tremer.
Eu olhei Nero, e ele estava de olhos fechados e parecia culpar o celular, então eu lhe disse:
- A gente continua depois, está bem?
Ele abriu os olhos e me mandou um olhar mortal. Eu sorri para ele e corri para a mesa onde eu havia deixado minha mochila.
- Oi, Noah. – Eu disse quando coloquei o celular na orelha. Nero me imitou silenciosamente, eu simplesmente lhe mostrei o dedo meio.
- Oi. – Noah me disse com a voz feliz – Está pronta para, ham, almoçar?
Deviam ser umas duas ou três horas da tarde.
- Sim. – Eu disse eufórica.
- Legal. Estou te esperando aqui.
- Ótimo. Já estou indo. – Eu desliguei o telefone e voltei a olhar Nero. Ele havia se sentado no chão e me olhava com tédio.
- Não me olhe assim. – Eu disse guardando meu celular na mochila novamente.
- Vai algum lugar? – Ele perguntou fazendo com que a corrente flutuasse até mim ou como uma cobra que rasteja no chão.
- Vou à casa do meu namorado. Por quê? – Eu disse colocando a mochila nas costas.
A corrente se enrolou em volta da minha barriga e se apertou um pouco. Eu o olhei séria e disse:
- Certo Nero. Me solta.
- Não. – Ele disse me dando um sorriso maquiavélico.
Eu suspirei e então estendi minhas mãos para a corrente, e ela caiu pesadamente no chão.
Nero me olhou sem acreditar.
- Com...
- É mais fácil fazer com que elas caiam do que levantem. – Eu o interrompi com um sorriso vitorioso.
Ele balançou a cabeça.
- Por quê...?
- Porque eu sou má. – Eu me virei e caminhei para uma das sombras da sala.
...
- O nosso almoço é um cachorro-quente? – Eu perguntei indignada quando vi batatas fritas cachorros-quentes, pipoca e tudo que você pode imaginar de besteiras.
Aquela sombra me levou até o quarto de Noah e foi quando vi uma toalha de mesa estendida em seu chão com todas aquelas coisas.
- Eu só quero te fazer feliz. –Ele disse se sentando no chão em minha frente.
- Não, você quer me deixar gorda.
Ele revirou os olhos e pegou um dos cachorros-quentes. Ele deu uma mordida e disse de boca cheia:
- Não está ruim.
Eu juntei as sobrancelhas de nojo e disse:
- Está bem.
Quando terminamos saímos pela janela e subimos a escada de emergência para o telhado. O Quarto de Noah ficava no último andar.
Nós sentamos e ele perguntou:
- E então, como está indo com seus irmãos?
Eu suspirei e disse:
- O mesmo de sempre.
Senti seus olhos em mim, mas ele não disse nada.
- Derek já superou nosso, ham... – Eu comecei hesitante.
- Nosso namoro? Não. Ainda não.
Derek não gostava de mim desde o dia do acidente de Evelyn. Mesmo depois de eu ter a salvado. E eu também nunca perguntei a Nero se foi ele que fez aquilo, mas suspeito.
Eu me deitei cansada e o olhei. Ele me olhou de volta e perguntou:
- Por que você me olha assim?
Eu balancei a cabeça.
- Eu não sei. Só gosto.
Ele se deitou ao meu lado e perguntou:
- Sabe de uma coisa?
- O que? – Eu quis saber.
Ele me olhou e disse:
- Acho que eu gosto de você.
Eu fiz uma careta.
- Jura?
Ele riu. Depois de um tempo ele se virou de lado e apoio a cabeça em seu braço e perguntou:
- Posso te perguntar uma coisa?
Eu só continuei o olhar séria.
- Por que eu? Por que lutou por mim? – Ele continuou.
- Há seis meses? – Perguntei.
- É.
Eu suspirei e disse:
- Porque... – Eu hesitei, então suspirei novamente. – Porque eu acho que te amo.
Eu odiava dizer essas palavras “Eu te amo”, não era o tipo de coisa que eu costumava dizer ao meu pai, meus irmãos e a qualquer um.
Noah me olhou com um sorriso e então me beijou. E como sempre algo nos atrapalhava.
- Noah! – Evelyn gritou. Ela deveria estar na janela.
Noah parou por um momento e então gritou de volta:
- O que?
Ela não respondeu então Noah revirou os olhos e engatinhou para ponta do telhado. Eu me sentei e o olhei.
- O que? – Ele perguntou novamente.
- Eu só queria saber onde você estava. – Ela disse.
- Bom, agora sabe. – Ele disse sendo um pouco rude.
- Está sozinho? – Ela perguntou desconfiada.
- Estou. – Ele disse sendo o mais convincente possível.
- Certo. Agora venha jantar, já está escuro. – Ela disse ainda desconfiada.
- Eu já estou indo.
- Está bem, mas não demore. – Evelyn pareceu sair da janela, pois pude ouvir seus passos voltando para a porta.
Noah colocou a mão em uma das telhas que acabou escorregando, ele escorregou junto com ela para o chão, mas o fui tão rápida que o peguei antes que ele caísse. A telha caiu no chão, se quebrando em mil pedaços e Noah ficou de ponta-cabeça pendurando pelo pé. Ele era leve para um garoto grande como ele, mas acho que é por causa de eu ser mil vezes mais forte que ele. Ele não gritou quando estava caindo, mas então ele sussurrou rapidamente:
- Me puxa logo, me puxa logo! Vai, vai, vai, vai!
Então o puxei para cima. Ele foi mais cuidadoso desta vez e colocou a mão na telha certa. Ele olhou para baixou e Evelyn perguntou:
- Está tudo bem aí em cima? – Ela deve ter voltado pelo barulho da telha, isso explica o desespero de Noah para que eu o puxasse logo.
- Está. – Ele disse nervosamente. – É a telha que escorregou.
- Tome cuidado, Noah. – Ela disse séria.
- Certo. – Ele disse voltando para trás.
Eu estava mordendo os lábios para não rir. Noah estava com uma expressão de choque e nervosismo, e estava bem engraçada. Ele colocou a mão em minha boca e pressionou o dedo em seus lábios como sinal de silêncio. Eu fiz um barulho em sua mão e ele revirou os olhos. E quando escutamos a porta de seu quarto se fechar, ele tirou a mão de minha boca e suspirou aliado, e eu caí de costas no telhado rindo.
- Do que está rindo? – Ele perguntou sério.
- Da sua cara. – Eu disse entre risos.
Depois de alguns segundos, eu respirei fundo e fiquei séria.
- Terminou? – Ele perguntou.
Eu sorri e disse:
- Terminei. – Eu me levantei e eu o olhei.
- Não tem graça. – Ele disse sendo bem sério.
- Tem sim. – eu disse ainda sorrindo.
Ele olhou para o outro lado irritado, então eu suspirei, peguei seu rosto e fiz com que ele me olhasse.
- Desculpe te rido de você. – Eu disse tentando não rir novamente.
Ele viu minha expressão e então disse:
- Certo Haide.
Eu olhei séria.
- Noah...
- Está tudo bem. – Ele disse estupidamente.
- Não está. – Eu disse irritada.
Ele me olhou docemente e então me beijou.
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