A víbora
3 Capítulo 03
Ele comeu um pedaço de tudo que estava na peça, e um gole de suco e um de café. Ele realmente estava ansioso para as palestras. Seu rosto estava vivo e iluminado, bem do jeito que a gente fica ao saber de uma noticia boa logo pela manhã, sabe, como o se nada pudesse estragar seu dia.
Jason terminou seu café da manhã anormal, me deu outro beijo na boca, subiu as escadas escovou os dentes com pressa e pegou uma mala pequena com poucas peças de roupa, e saiu. O táxi o esperava na porta de casa. E antes de entrar e sumir pela rua, ele gritou " Eu te amo!". Eu respondi, dei um tchau e passei a mão na barriga. E então ele sumiu com o táxi rua a dentro.
Com uma casa só para mim. Peguei meu notebook, e comecei a pesquisar sobre a anomalia que aconteceu comigo. Busquei em sites, fóruns e blogs. Muitas informações, e pouca credibilidade, afinal eu estava em Sínomo e tudo era brutalmente manipulado, quase como uma ditadura. Achei somente, depois de me "Camuflar" o suficiente para não ser rastreada, o nome e endereço de um hospital que travava algumas dessas doenças. Anoitei a informação, mas sem nexo algum. Espalhei as informações, de forma que se alguém me abordasse e achasse o papel não entenderia nada escrito ali, e eu teria tempo o suficiente para inventar uma história.
Vesti uma roupa comum. Como as que eu usava todos os dias. Embora eu estivesse segura na minha casa, lá fora tudo é monitorado, analisado e julgado antes mesmo de você saber e reagir. Antes de sair, liguei para a empresa onde eu trabalhava, disse que tinha exames da gravidez para fazer, assim ninguém desconfiaria da minha falta.
Saí a pé, caminhando sem pressa, O lugar era longe da minha casa, e de qualquer parte residencial de Sínomo. Peguei um ônibus, para chegar um pouco mais rápido até perto do lugar, desci e então caminhei as três quadras restantes. A região era coberta por prédios empresariais. Muitos andares, janelas de vidros escuro, e pouquíssimas casas. Passei em frente as elas, com toda calma do mundo apesar da presa.
Passei em frente a uma casa, que lembrava uma casa de boneca. Branca, com florzinhas coloridas abaixo da janela, um balanço de madeira no jardim da frente, e tinha até mesmo uma réplica em miniatura da casa, para o cãozinho. Quando vi o bichinho, lembrei de Jason, ele adoraria ter um animal de estimação, talvez antes do meu bebê nascer, adotariamos um. Algo naquele bichinho dócil me chamou atenção, parei no portão da frente e fiquei olhando ele, lamber um desses ossos artificiais com sabor de carne para cachorros. E então prestei atenção nos gemidos que vinham de dentro da casa. Eu deveria ir embora. Mas fiquei lá, tentando descobrir de onde vinham. E o casal não tinha vergonha alguma da sua intimidade, estavam nus, na sala, bem em frente a janela.
Um vento soprou naquele momento, e levantou a cortina de voal da janela principal. O casal estava em perfeita harmonia, menos eu, já que era Jason que estava alí, segurando a loira de olhos verdes pela cintura. Segurando os cabelos por trás da cabeça. O vento diminuiu e a cortina fechou. Eu poderia entrar lá, e fazer o que qualquer mulher faria na minha situação. Mas não fiz. Eu baixei a cabeça e fui para casa. O hospital podia esperar.
Fui para casa de Taxí mesmo. Queria chegar rápido, e então chorar, como nunca chorei. Eu estava grávida, doente, sozinha e traida. Depois de tudo que passamos juntos, ele ainda sim me traiu. Depois de todo amor, todo carinho, ele me traiu. Eu jamais admitiria, mas ela era linda.
Cheguei em casa, sem derramar nenhuma lágrima. Fechei a porta com duas voltas na chave. Abri as cortinas. Tirei o telefone no gancho, enchi nossa banheira com bastante saís, e então entrei na água morna, fiquei apenas com o nariz e os olhos para fora d'água. E enfim chorei. Eu chorei como uma criança, chorei alto,me esperneei dentro da água, gritei de raiva e ciumes, dei socos e tapas na água,e molhei o banheiro inteiro. Tentei me culpar pela traição, procurar defeitos em mim e na nossa vida, para a dor ser menor e eu aceitar mais fácil. Não funcionou, não havia defeitos.
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