Notas iniciais
Antes de tudo eu gostaria de agradecer a Thatiane Rodrigues de Souza. Eu estava realmente pensando em não escrever mais, achava que ninguém estava lendo, ai chego na segunda e WOW!!! Muitos comentários positivos, não posso dizer o quanto fiquei feliz e empolgada!!! Agradeço a todos pelos comentários e por indicarem a fic, muito, muito, muito obrigada mesmo!! Vou tentar atualizar ela com uma frequencia maior =D Espero que vocês continuam curtindo a fic!!!

Seus cabelos haviam voltado a coloração original, o vermelho mais uma vez imperava por baixo do capuz que cobria seu rosto para protegê-la da chuva fria. Lady Waynwood insistira para que ela viajasse em uma carruagem, mas após tanto tempo trancada em um quarto, horrorizada com o que pudesse acontecer a seguir, ela precisava daquele gostinho de liberdade. A comitiva que a levava para Porto Real era bastante modesta, a princípio. Sansa se recusara a se hospedar em Pedrarruna, assim como também preferiu não aceitar a proposta de Lorde Royce de lhe fornecer seus cavaleiros para escoltá-la, desculpou-se da maneira mais elegante que conseguiu, e esperava realmente que o homem não tivesse se ofendido. Seu pai sempre falara bem sobre o homem, não desejava seu desafeto, mas a filha de Lorde Royce, Ysilla, e seu esposo, Mychel Redfort, estavam hospedados no assento dos Royce, era bem provável que sor Mychel fosse um dos cavaleiros que a levaria, e a ultima coisa que Sansa desejava era ver Mya Stone, sua amiga bastarda — a quem ela insistira para acompanhá-la até Porto Real -, triste, ela fora o seu único consolo naqueles meses de incertezas, e a ruiva sabia que ela ainda sentia alguma coisa pelo jovem cavaleiro.

–Não deve demorar muito, devemos estar em Rosby até o entardecer. — Sor Morton Waynwood puxou mais as rédeas do cavalo, diminuindo o ritmo do animal para conversar com ela, ao que Sansa apenas assentiu com um breve sorriso.

Assim que o cavaleiro esporou o animal entre suas pernas, voltando ao início da comitiva, Mya aproximou o próprio cavalo do de Sansa, seus olhos azuis muito vivos encarando a ruiva com uma expressão interrogativa.

–Você não parece muito feliz. — Disse com um tom cuidadoso. — Queria ter ficado onde estava? — A bastarda perguntou, mantendo o cavalo emparelhado ao de Sansa.

Mya costumava lhe fazer aquele tipo de perguntas e comentários. Sinceros e certeiros. Sansa a encarou por alguns segundos, tomando cuidado para não desviar muito a atenção do cavalo. Será que preferiria permanecer onde estava? Embora, com o tempo, fosse ficando claro que Petyr Baelish desejava mais do que uma filha bastarda, Sansa acreditava que, pelo amor que ele dizia sentir por sua mãe, ele a respeitaria, confiara nisso quando fugira com ele. Como fora uma garota boba naquela epoca, deveria saber que ninguém era o que parecia, como Joffrey, Cersei e todos os outros não haviam sido o que ela pensara.

–Queria nunca ter saído de Winterfell — Respondeu por fim, e esporou um pouco o cavalo, afim de se adiantar na corrida.

Não era como se tivesse muita escolha na época. Joffrey havia sido envenenado, acusaram Tyrion, o que seria dela depois que ele fosse preso? Cersei iria querer livrar-se dela junto com o irmão anão. Não, fugir havia sido necessário, precisava se manter viva. Era isso que dizia a si mesma, todas as vezes que tinha de fazer algo que não lhe agradava, dizia a si mesma que precisava sobreviver. Quando Joffrey matou seu pai, quando estava apanhando de sor Meryn, quando se espremera no barco de Lorde Baelish para fugir de Porto Real, fizera tudo aquilo para sobreviver. Mas e agora, o que iria fazer? Robb estava morto, o irmão vencer a guerra era a sua ultima esperança de conseguir sua liberdade, e depois os planos de Mindinho que, por um tempo, ela achou que fossem em seu benefício, mas Petyr sempre a vira como uma peça, nunca como uma jogadora.

Os devaneios de Sansa foram atrapalhados pelas exclamações de Mya e de outros membros de sua comitiva que olhavam curiosos o caminho adiante a qual deveriam continuar a seguir. Vindo na direção deles, um grupo de cerca de 100 homens a cavalo com longas capas vermelhas se aproximava velozmente deles.

A comitiva de Sansa tinha aproximadamente 50 pessoas, sendo 10 cavaleiros, pouco mais de 10 criados e o resto de homens de armas sob as ordens de sor Morton. Fora o máximo que Lady Waynwood pudera lhe oferecer, os clãs do Vale andavam cada vez mais violentos e os lordes andavam com problemas para proteger suas fortalezas e também as pessoas comuns que se abrigavam às sombras de suas muralhas.

A visão daquele grupo de homens usando capas carmesim, e em seguida o estandarte do leão dourado que a ruiva já conhecia tão bem fizeram seu sangue gelar, e por alguns instantes tudo que conseguia processar era sua mente gritando que precisava esporar o cavalo e correr dali o mais rápido possível. Sansa nem mesmo percebera que havia parado seu cavalo, e que seu corpo tremia terrivelmente. A ruiva sentiu uma mão leve pousando sobre a sua que segurava as rédeas com força, e quando ergueu o olhar viu que era Mya quem segurava a mão dela, olhando-a com uma expressão calma, e então abrindo um sorriso um pouco preocupado.

–Acalme-se. — Ela disse com calma, fazendo Sansa engolir o seco e respirar fundo.

Sor Morton ergueu uma das mãos para os homens que se aproximavam, e acompanhado de mais dois cavaleiros aproximou seu cavalo do cavaleiro que parecia liderar os homens de armas Lannister.

Sansa segurou a mão de Mya com firmeza, tentando convencer a si mesma de que tudo ficaria bem. Lorde Tywin estava morto e Cersei presa, não havia nada com que ela tivesse que se preocupar, não havia mais Lannisters que lhe desejassem mal, ou será que haveriam? Ela virou o rosto na direção de Mya, e quando olhou novamente na direção dos homens, sor Morton já virara seu cavalo, junto com o homem com quem estivera conversando, guiando-o até Sansa.

–Milady — O homem inclinou o tronco, mesmo de cima do cavalo, fazendo uma reverência respeitosa para ela.

Ela conhecia aquele homem. Os traços rudes, os cabelos e olhos negros que causavam um certo arrepio em Sansa. Sor Bronn da Água Negra, costumava servir à Tyrion, o que estaria fazendo ali?

–Bons dias, sor. — Ela acenou levemente com a cabeça, mantendo o queixo levemente erguido e soltando a mão de Mya. Não queria parecer frágil.

–Lady Sansa, Lorde Tyrion enviou estes homens para escultá-la em segurança para Porto Real — Sor Morton começou a lhe explicar. Ao mesmo tempo em que havia um certo alívio na expressão do cavaleiro Waynwood, também havia um ar contrariado quando ele olhava para sor Bronn. Sansa, é claro, não sabia que sor Morton presenciara o combate do cavaleiro com sor Vardis no julgamento por combate de seu marido.

–Ele a esta esperando para que possam ir juntos para Casterly Rock. — Sor Bronn acrescentou, olhando de lado para sor Morton com certa desdém.

Sansa pareceu confusa com as palavras do cavaleiro. Casterly Rock? Era a primeira vez que parava para pensar em genealogias. Se Tywin estava morto e os irmãos de Tyrion presos, então ele era herdeiro de Casterly Rock. Aquilo não era uma lógica difícil, mas depois de ouvir e ver a maneira como Tyrion era tratado, não achou, realmente, que ele fosse fazer seu direito ser respeitado, ficara surpresa quando soubera que ele estava vivo. Era uma prerrogativa dos Lannister, surpreendê-la, por que com Tyrion seria diferente? Talvez porque acabara por sempre esperar o pior de todos eles, mas o anão fora o unico que não lhe fizera mal, pelo contrário, a tratara com gentileza desde a primeira vez.

–Muito bem. Obrigada, sor. — Ela respondeu com um gesto simples da cabeça.

–Lorde Tyrion também enviou isto para melhor acomodá-la durante a viagem. — Sor Bronn acenou com uma das mãos para os cavaleiros atrás de si, e a fileira da frente daquela ‘horda’ separou-se, deixando a vista uma carruagem ricamente enfeitada e com a aparência de ser bastante confortável. — As estradas ainda não estão totalmente seguras, Lady Lannister, será mais fácil protegê-la se estiver ai dentro. E vosso traseiro certamente apreciariam um descanso do cavalo. — Bronn insistiu ao perceber a hesitação de Sansa, arrancando um olhar chocado de sor Morton pelo tom atrevido com o qual falava.

A ruiva olhou de sor Morton para sor Bronn, e então para Mya, que lhe abriu um sorriso encorajador.

–Se você não quiser, eu poderia usá-la por você, meu traseiro apreciaria um descanso. — Ela concordou com o cavaleiro de cabelos negros, descendo do cavalo e estendendo os braços para Sansa, afim de ajudá-la a fazer o mesmo.

Sansa assentiu com a cabeça e com todo cuidado que conseguiu, desceu do corcel de pelagem castanha que haviam providenciado para ela com a ajuda de Mya. A ruiva teve de se apoiar na amiga para não fraquejar, só ao colocar os pés no chão percebera que, de fato, suas coxas e bunda estavam dormentes da longa cavalgada.

Sor Morton também havia descido de seu cavalo, e com toda a gentileza, acompanhou as duas mulheres até a carruagem, abrindo a porta e oferecendo a mão a ambas para usarem de apoio enquanto subiam.

O interior era, de fato, bastante confortável. Os assentos fofos revestidos de veludo e almofadas decoradas com fios de ouro que formavam o orgulhoso leão Lannister. Mya entrou logo depois de Sansa e sentou-se na frente dela, acomodando-se com uma expressão bastante satisfeita entre as almofadas da carruagem.

–Você não me disse que seu marido seria o novo senhor de Casterly Rock. — Foi a primeira coisa que ela disse, aconchegando-se melhor na maciez do assento e parecendo bastante confortável onde estava.

Sansa puxou levemente uma das cortinas da pequena janela que dava para fora, observando sor Bronn voltar a formação de guardas Lannisters que iriam escoltá-los, e segundos depois a carruagem começar a andar após uma guinada abrupta.

–Ele era o herdeiro, mas achei que… Bom, não pensei que ele fosse assumir essa senhoria. — Ela explicou ainda mantendo os olhos no caminho que se passava la fora.

–Por que? Porque ele é um anão? — Mya insistiu, segurando uma das almofadas no colo e mantendo os olhos muito azuis em Sansa.

A ruiva virou então o rosto para ela, corando levemente com a pergunta. Não queria dizer que era por isso, mas não tinha nenhuma argumento melhor. Poderia dizer que ele fora acusado de matar um rei, mas Joffrey acabara por não ser rei de fato, e já que os Targaryen detestavam Lorde Tywin, o marido também não seria preso por ter matado o próprio pai. Tyrion matara o próprio pai, o pensamento fez lhe subir um frio na espinha, sabia que a relação deles não era das melhores, mas derramar o próprio sangue parecia muito extremo.

–Suponho que ser senhora de Casterly Rock é melhor que ser senhora do Ninho da Águia. — A mulher comentou enfim, encarando o silêncio de Sansa como uma afirmativa a sua pergunta.

–Por que diz isso? — Sansa perguntou erguendo os olhos para ela mais uma vez. Ainda estava um pouco confusa com tudo aquilo, as reviravoltas em sua vida eram sempre repentinas.

Primeiro ela estava casada com o filho monstruoso do senhor de Casterly Rock, depois era um bastarda, filha do Lorde Protetor do Vale, depois ela se casaria com o outro herdeiro do Vale, o garoto Hardyng e viria a ser senhora do Norte e do Vale, e agora ela era Lady Sansa Lannister novamente, mas era também senhora de Casterly Rock. Era tanta coisa, não conseguia decidir ainda se aquilo era bom ou ruim. Ainda estava casada com Tyrion, ele era… Bom, ele era um anão e tinha uma aparência horrivel pelo que ela se lembrava, o que poderia esperar casada com um homem como aquele? E agora que ele era senhor de Casterly Rock, será que manteria sua promessa? Obviamente iria querer um herdeiro, e ela quem teria de lhe dar um… Em outros tempos o mero pensamento sobre aquilo lhe arrancaria um arrepio na espinha, horrorizada em ter de deitar-se com ele, mas Sansa havia perdido o interesse por homens, cavaleiros e finais felizes no geral. Sempre se imaginara casando-se com um forte e belo cavaleiro, e mesmo depois de tudo que passara, uma faísca de esperança se ascendera nela ao conhecer Harrold Hardyng, mas aquilo não durara muito tempo. Como outros “nobres” e belos cavaleiros que acabara conhecendo, Harry, o Herdeiro, acabara se mostrando deselegante, arrogante e falsamente cortez, como Joffrey fora com ela. Tyrion não era o príncipe que ela sempre sonhara, mas ele nunca foi descortez com ela… Não Sansa, tudo que ele quer é sua pretensão. O Norte é seu agora, você é uma Stark, a ultima Stark, e é apenas em seus titulos que ele estava interessado.

–Bom, o Vale não é tão rico como o Oeste. Você terá uma corte mais animada em Casterly Rock, poderá comparecer a mais torneios e até visitar Porto Real com mais frequência. — Mya lhe respondeu, o tom pausado como se organizasse os argumentos em sua cabeça. Era claro que ela não esperava que Sansa fosse questionar seu comentário, para alguém que não se envolvera naquele jogo como a ruiva o fizera, Casterly Rock e Porto Real, de fato, pareciam mais atrativos que o Vale de Arryn.

Sansa levou alguns minutos pensando sobre aquilo. Embora torneios ainda pudessem entretê-la, não tinha mais o mesmo apreço por eles que tivera outrora, agora lhe pareciam apenas garotos brincando com varetas e fingindo que estavam em uma guerra de verdade. Ela definitivamente não desejava visitar Porto Real agora que sabia ter aquela opção, desde que fora “resgatada” do Vale de Arryn, com a notícia de que Tyrion estava vivo e providenciava para que ela retornasse a capital, estivera juntando os melhores argumentos possíveis para que partissem de volta para o Norte assim que possível. Mesmo com Cersei presa e Joffrey morto, o lugar ainda lhe causava sensações desagradáveis.

A ruiva sentiu uma lágrima quente rolar pelo seu rosto enquanto observava as paisagens pelo caminho. Mais uma vez estava sendo arrastada de um lugar para outro, mais uma vez seu destino estava na mão de outras pessoas, pessoas que ela não confiava. Mya notou sua tristeza, e enquanto a carruagem balançava a medida que iam percorrendo a Estrada do Rei, ela trocou de lugar e sentou-se ao lado de Sansa, passando um dos braços pelos ombros dela. A ruiva respirou fundo e deitou a cabeça no colo da bastarda. Não deveria estar chorando, achara realmente que, depois de tudo, havia aprendido a aceitar e lidar com os golpes que levava, mas a cada momento em que se aproximavam de Porto Real ela sentia uma angustia desesperadora, tudo em sua vida piorara naquela cidade, fora torturada lá, vira o pai morrer lá, recebera a notícia sobre os irmãos e a mãe lá, e agora estava voltando… Os meses que passara no Ninho da Águia e todas as responsabilidades que assumira, além de tudo que aprendera com Lorde Baelish a fizera acreditar que tinha se transformado em uma pessoa mais forte, mas como podia se agora sentia-se tão fraca?

As lágrimas caíram e Sansa se mantinha em silêncio. Mya respeitou seu silêncio e acariciou seus cabelos ruivos em um consolo mais do que bem vindo, que aos poucos levou a Stark a mergulhar em um sono profundo, graças ao cansaço da cavalgada.

Notas finais
Ah, e para quem estava perguntando... Sim, essa é a minha primeira fic xD