A volta dos dragões
5 Lyanna
Notas iniciais
A princesa regente estava confortavelmente deitada na cama da bastarda de Dorne. Os lençóis macios roçavam deliciosamente na lateral de seu corpo, mas nem de perto ameaçavam cobrir sua nudez. Os cabelos de Lyanna estavam despenteados, e ainda havia um certo rubor em seu rosto, graças a toda agitação de minutos atrás. Sua amante estava sentada próxima a janela, uma taça de vinho em uma das mãos enquanto olhava para fora.
Já faziam alguns dias que Nymeria havia chegado, e embora pudesse tê-la colocado imediatamente em seus aposentos, preferira esperar. A corte era cheia de armadilhas, e sua querida Nymeria não era a única serpente que havia por ali.
–Quando Arianne vai chegar? — Nymeria perguntou enquanto tomava um gole pequeno da taça prateada.
–Tio Doran esta segurando ela em Dorne, disse que poderia não ser de bom tom a noiva do rei chegar antes dele. Ele não quer parecer ir com muita sede ao pote. — Ela respondeu enquanto se ajeitava de bruços, os braços apoiando parte do peso, enquanto os olhos de dragão se fixavam nas belas curvas de Nymeria. — Espero que não demore… Estou farta de ficar sozinha nessa corte.
–Sozinha? O que eu sou, uma sombra? — Nymeria questionou virando o rosto na direção da princesa, mas sem parecer muito ofendida. Já estava acostumada com aqueles ataques mimados de Lyanna.
–Você sabe o que quero dizer. — A Targaryen suspirou olhando-a com uma expressão culpada, como quem pedia desculpas, e estendeu uma das mãos para Nymeria, que revirou os olhos com um sorrisinho vitorioso.
A dornesa levantou-se de onde estava deixando a taça de vinho em uma mesinha no meio do caminho. Lyanna a olhava com cobiça enquanto ela se aproximava, esgueirando-se pelo quarto como uma serpente, os cabelos negros longos estavam soltos, cobrindo parcialmente os seios despidos, e o odor de canela e lavanda se misturavam a medida que ela se aproximava da cama. A princesa rolou, deitando-se de costas quando Nymeria ameaçou tocá-la, e em seguida fechou o corpo enquanto a dornesa usava o próprio corpo para cobrir o dela, beijando seu pescoço carinhosamente.
–Ainda não me contou como pretende resolver a questão da Campina. — Nymeria sussurrou em seu ouvido, mordendo seu pescoço levemente logo em seguida. — O casamento da filha de Lorde Tyrell com o sobrinho do senhor de Casterly Rock parece uma aliança muito frágil.
Lyanna estava adiando aquele assunto, e era obvio que Nymeria tinha percebido. Seus olhos se abriram novamente enquanto ela enroscava as pernas nas da dornesa, levando uma das mãos até seu rosto e acariciando-o com as costas dos dedos. Por fim, a menina suspirou e desviou o olhar. Pensava como começar aquele assunto.
–Eu imagino que Aegon vá precisar fazer uma aliança diferente com os Tyrell… — Nymeria já a encarava com a expressão de alguém que sabia que não ia gostar do que ia ouvir. — Outro casamento…
A dornesa saiu de cima dela, sentando ao seu lado com uma expressão não muito feliz, embora parecesse ligeiramente impaciente.
–Sabe o que ele vai fazer, diga-me de uma vez. — Pediu segurando os pulsos de Lyanna acima da cabeça da princesa e pressionando-os contra a cama.
–Eu não sei o que ele vai fazer… Só suponho. — Explicou sem se abalar. — Imagino que vá propor que eu me case com Willas Tyrell, mas não quer dizer que eu vá aceitar. — Defendeu-se com uma leve careta.
–E por que não? — Nymeria escondeu o sorriso, mas Lyanna pode percebê-lo começar a nascer no canto de seus lábios.
–Porque eu não suportaria passar o resto da minha vida bebendo dourado da Árvore. — Respondeu em um tom provocativo, e então girou de surpresa na cama, deitando a mulher entre os lençois e ficando sobre ela. — Você sabe que terei de me casar um dia, não sou livre como você, Nym, tenho obrigações.
Nymeria fez uma careta divertida para ela, após ouvir sua resposta, e em seguida levou um susto com aquela mudança repentina de papeis. Seus olhos baixaram para o corpo de Lyanna, por onde sua mão, agora livre, passeava.
–Eu sei… Mas ao menos dê tempo o bastante para nos despedirmos. — Ela ergueu um pouco o corpo e o tom de sua voz foi ficando mais e mais baixo a medida que ela aproximava os lábios dos de Lyanna.
A princesa suspirou e fechou os olhos ao sentir o halito quente e doce de sua amante, tocar seu rosto. De ultima hora, quando o que separava as duas bocas era nada mais que um filete de distancia, Nymeria baixou a cabeça, inclinando o tronco e tomando um dos seios de Lyanna em seus lábios. A princesa soltou um imediato suspiro de satisfação, levando as duas mãos até os cabelos negros, e apertando-a levemente contra os próprios seios. As mãos ousadas da bastarda já se aventuravam pelas coxas da princesa, se encaminhando até a região úmida e aveludada no meio de suas pernas. Nymeria mordeu o lábio inferior com força, sufocando um gemido ao sentir os dedos hábeis da dornesa lhe tocando. Sua boca entreabriu quando a amante abandonou seu seio, pressionando a língua contra o outro logo em seguida.
Era incrível como ela conseguia nublar totalmente seus pensamentos e a sua racionalidade, apenas em tocá-la daquela maneira. Incrível e perigoso. Lyanna era mais nova, bem mais nova, que Nymeria, mas todas as responsabilidades com as quais crescera a fizeram amadurecer muito mais rápido. Havia momentos em que ela sabia que a bastarda tentava manipula-la, ou mesmo tirar informações dela, mas tudo isso era esquecido assim que sentia os lábios dela tocando os seus. Lyanna sabia que precisava se precaver contra aquele tipo de fraqueza, antes que aquilo se voltasse contra ela, mas por hora estava tudo tão bom...
–Acha que a florzinha da Campina conseguirá deixá-la assim? — Nymeria arrancou um arrepio na nuca da princesa quando perguntou com a voz baixa, rouca, os lábios pressionados contra os seios dela, permitindo que roçassem nos mamilos de sua amada enquanto falava. — Ele nunca vai satisfazer você… — Acrescentou enquanto seus dedos se aprofundavam mais na umidade do sexo de Lyanna, não dando a princesa outra opção, se não soltar um gemido bastante sonoro, enquanto os braços laçavam seu pescoço e a puxavam com mais força para si.. — Nem ele e nem ninguém. — Finalizou antes de cobrir a boca de Lyanna com a sua, podendo sentir os lábios dela mais e mais moles, a medida que a princesa ia se rendendo ao prazer.
***
A comitiva de Lady Sansa já passara pelos portões de Porto Real, e agora estava se aguardada na Fortaleza Vermelha. Lyanna não estava muito feliz com aquela obrigação, não queria mais parentes se aproximando para confundir ainda mais sua cabeça, mas Nymeria a convencera a ir receber a nova senhora de Casterly Rock, e tentar conversar com ela, ao menos no curto tempo em que ela permaneceria na capital.
Tyrion Lannister estava ao seu lado, apenas um pouco adiante para ser o primeiro a dar as boas vindas a sua esposa. O duende pareceu não ter nenhuma intenção de exaltar as cores de sua casa, usava roupas escuras e apenas um broche dourado com detalhes em vermelho. Lyanna não podia julgá-lo, deixara de lado as cores Targaryen para usar azul e cinza do Norte, como um tipo silencioso de boas vindas para a sua… Prima.
A comitiva era liderada por sor Bronn e o filho mais velho e herdeiro de Lady Waynwood. Brasões Lannisters e do Vale se misturavam a medida que as carroças e cavalos passavam pelos portões da Fortaleza Vermelha, e Lyanna teve a impressão de ter visto um lobo Stark em algum lugar.
Manteve a expressão solene quando o servo abriu a carruagem e a garota ruiva saiu, sendo ajudada pelo marido anão que se adiantou em lhe estender a mão. Lya manteve sua atenção fixa em Sansa Stark, quase não percebendo a outra moça que saiu da carruagem com ela. A ruiva tinha uma expressão cansada, um misto de confusão e tristeza, pelo que ela podia notar.
–Vossa graça, minha esposa, Lady Sansa… — Tyrion apresentou após guiar a jovem até Lyanna.
A princesa manteve o queixo alto enquanto olhava para a Stark, buscava em seus traços qualquer familiaridade ou reconhecimento, traços que poderia achar em si mesma ao se olhar no espelho, mas não havia nada.
–Vossa graça, é uma honra. — Sansa Stark falou com os olhos baixos, mas logo encarando a princesa parecendo tão curiosa quanto a própria Lya.
As duas mulheres se analisavam com objetivos distintos, e Lyanna não conseguia compreender a expressão de espanto que começava a se formar no rosto de Sansa, a menina parecia estar vendo um fantasma. Por um segundo chegou a pensar que a ruiva pudesse ter conhecido sua mãe, e daí a expressão embasbacada, mas Lya era mais velha que ela, aquilo era impossível.
–Lady Lannister é um prazer recebê-la no corte. — A Targaryen falou enfim. — Tenho certeza de que vosso marido já tomou providências para que seja acomodada. Espero que se junte a nós no banquete dessa noite. — Completou com um sorriso elegante, mas tão automático quanto os cumprimentos da nortenha. Não sabia porque diabos tinha ido receber aquela garota, Nymeria estava louca, não havia qualquer semelhança entre elas, tão pouco reconhecimento. Ela era uma estranha para suas duas famílias, teria de aprender a lidar com isso.
–Será um prazer, vossa graça. — Sansa respondeu com o mesmo sorriso cordial, fazendo mais uma reverência, mas sem conseguir tirar os olhos dela.
A princesa deu um sorriso não muito feliz, sentindo um certo desconforto com o espanto com o qual a ruiva a encarava, lembrava o jeito que Arianne, Nymeria, Obara e Tyene passaram a encará-la oito anos atrás quando Doran revelou sua verdadeira identidade.
–Ótimo, vou deixar Lorde Tyrion colocá-la a par dos novos protocolos da corte. Se me dão licença, há outras questões que pedem minha atenção. — Apressou-se em dizer, acenando educadamente com a cabeça, para então sair dali o mais rápido que podia para os próprios aposentos.
Teria documentos, petições, cartas, corvos lhe esperando ao chegar na sala que fazia parte do conjunto de seus aposentos. Muita coisa para tirar de sua cabeça aquela sensação estranha que a atenção de Sansa Stark lhe causara. Lyanna sentiu-se um pouco tola, a menina olhava para ela como se a conhecesse, mas Lyanna sabia que não, tinha plena certeza que jamais vira Sansa em sua vida, mas então por que ela a encarava como se fosse o contrário? Ia decidir que nortenhos eram estranho, e tirar aquilo da cabeça, havia mais com o que se preocupar.
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