Notas iniciais
Aceito sugestões sobre o rumo da história, tenho várias ideias na cabeça, mas podem dar sugestões tbm xD

–Sor Stevron Frey… — A voz do Grande Meistre Gormon soou pela sala do Pequeno Conselho, enquanto Varys olhava para um pergaminho repleto de nomes e o brasão da casa Frey.

–Morto. — Tyrion respondeu, se esticando como pode ao se inclinar sobre a mesa, riscando o nome de sor Stevron, em uma das muitas linhas que se ligavam ao nome de Lorde Walder.

Fazia alguns poucos dias desde que tivera a conversa mais tensa de sua vida de casado. Ele não havia dado uma resposta para Sansa, e na verdade ainda não decidira o que fazer. A proposta que a senhora sua esposa fizera ainda martelava em sua cabeça, e embora aquela decisão parecesse obvia, Tyrion tinha muitas ressalvas. Ele não precisava de herdeiros, e de fato, nunca se imaginara como pai, Tommem poderia herdar Casterly Rock depois dele. Por outro lado, também pensava em Sansa, se preocupava com ela, e o tempo havia feito com que uma pequena afeição nascesse dentro dele, mas nada mais que um instinto protetor. Havia de fato tanto mal em arrumar um assassino para tirar a vida de Lorde Bolton e seu odioso filho? Estaria poupando a vida de muitos nortenhos que tentariam subjugá-los no campo de batalha, além de garantir a segurança do jovem Stark. O tempo que passara com os Segundos Filhos o havia feito abandonar algumas ressalvas que antes possuía. Em outros tempos, conversaria com Jaime sobre aquilo, agora parecia não ter quem o aconselhasse.

–Sim, morto, lutando com Robb Stark, ou contra ele… Nunca consegui acompanhar a mudança de lealdade dos Frey. — Varys falou com sua voz aveludada, soltando um risinho um tanto irritante ao fim.

Estavam os três, o Grande Meistre, recém nomeado, o Mestre dos Segredos, recém reintegrado, e o Mestre das Leis. Não havia uma Mão ainda, a princesa não havia se pronunciado a respeito, e possivelmente a escolha deveria ser feita pelo rei, quando este chegasse a Porto Real, o que deveria acontecer no fim daquele dia. Enquanto isso, o que existia do Pequeno Conselho resolvia questões menores, como a legalidade das senhorias que haviam sido tomadas pela coroa.

–O primeiro filho de sor Stevron, sor Ryman Frey. — O Grande Meistre voltou a se pronunciar.

–Morto. Seus dois filhos, Edwyn e Walder estão presos pela participação no massacre no casamento de Lorde Edmure. — Tyrion respondeu, circulando os dois nomes, aparentemente apático àquela situação, apesar de aquilo ser diretamente do seu interesse.

Havia muitos erros e manchas da casa Lannister que Tyrion se comprometera a consertar, e o assassinato covarde do seu cunhado e da senhora sua sogra era um deles. A coroa rendeu os Frey com a promessa aos demais lordes das Terras Fluviais de que os responsáveis pelo Casamento Vermelho seriam punidos. Não apenas eles, mas o Norte e o Vale ainda se mostravam irredutíveis quanto à punição dos conspiradores. A princesa Lyanna sugeriu despir os Frey de seus títulos, assim como ocorreria com os Bolton, mas Walder Frey havia sido um homem engenhoso, e espalhara sua semente tanto quanto fora possível. Os Frey estavam ligados a diversos lordes, grandes e pequenos, pelo casamento, então, ao invés de descartar todos de uma vez, iriam diminuir, consideravelmente, a descendência que Lorde Walder, em seus quase 100 anos, havia deixado. Não era preciso dizer o quão cansativo seria aquele trabalho… Precisariam do meistre para se assegurar da descendência, dos passarinhos de Varys para ter certeza da lealdade do novo senhor das Gêmeas, e de Tyrion para abrir inquérito contra os acusados.

–E o filho mais novo de sor Ryman, Petyr, foi morto por foras da lei. — Varys acrescentou, riscando o nome de Petyr Frey antes que Tyrion tivesse a chance -Ele deixou uma filha, Perra… Mas meus passarinhos me informaram que ela morreu de uma febre duas voltas de lua atrás.

–Aegon Frey, o segundo filho de sor Stevron, morreu no casamento de Lorde Edmure, sem descendência. Walton, o terceiro filho, morreu quando Lorde Tytos tomou as Gêmeas. Os filhos morreram com ele, a filha… Bom… — Tyrion pareceu um pouco desconfortável.

–Homens se tornam animais quando dominados pela luxuria, não? — Varys comentou com um suspiro que Tyrion não soube dizer se era lamento ou desinteresse.

Os nortenhos, assim como os lordes do Vale, estavam se preparando para o inverno, reconstruindo suas muralhas e apaziguando suas terras após aquele longo período de guerra, mas mesmo assim, alguns puderam enviar homens para auxiliar a coroa e Lorde Tytos na investida para render os Frey. Nada unia mais as pessoas do que um inimigo em comum, e naquele caso, Lorde Walder conseguira conquistar a antipatia de tantas pessoas quanto se era possível. Mesmo as pessoas de baixo nascimento, que pouca atenção davam para questões políticas, queriam livrar-se dos Frey. Os septões espalhados pelos sete reinos, pregando a maldição que os deuses lançaram sobre os vilões que desrespeitaram os direitos de hospede, conseguiram conquistar a simpatia para a nova coroa, que estava punindo os ímpios por seus pecados. Tyrion gastou alguns poucos minutos pensando nos Frey mais novos, e se os septões também condenariam os homens que, em sua fúria, haviam matado algumas pobres crianças e estuprado algumas mulheres naquele ataque.

–Bom, isso finaliza os Frey descendentes de sor Stevron, agora, vamos para… — O Grande Meistre seguiu, correndo os olhos pela arvore genealógica dos Frey e ficando em silêncio por um momento. -Lorde Emmon Frey…

–Morto... — Tyrion falou sem muita empolgação. Sua cabeça estava longe, e se aquilo não se tratasse de consertar os crimes da sua casa, teria deixado aquelas questões com Varys e Grande Meistre Gormon.

–Espero que Lady Genna esteja bem, tantas mudanças, em tão pouco tempo para uma mulher da idade dela. — A voz aveludada de Varys, diante do fervilhão de coisas que enchiam a cabeça de Tyrion, estava começando a se transformar em um som particularmente irritante.

–Não se preocupe, Lorde Varys, vi poucas mulheres assumirem o luto com tanta satisfação. — Tyrion suspeitava que a própria Genna dera um jeito de se livrar do marido, diante da doença repentina que o acometera. Mas ela certamente não esperava que seus filhos perdessem a senhoria que haviam recebido de Tywin. -Seu primeiro filho também morreu, meu primo, sor Cleos.

–Pelo que me lembro ele deixou dois filhos. — A aranha manifestou-se novamente.

–Sim, mas, como já falei com a princesa, eles vão ficar com Darry, já que Lancel resolveu dedicar a vida aos Sete. — Tyrion explicou, servindo-se de vinho e tomando um gole generoso.

Genna Lannister não era uma administradora tão superior ao marido quanto pensava ser. Não fora preciso muito para devolver Correrrio a Edmure Tully, e não fosse a intervenção de Tyrion, aquela família formada por duas casas tidas como párias — Frey e Lannister — teria sido extinta. Genna e Emmon não haviam tido uma descendência muito generosa em cérebro, Cleos era tão estúpido quanto Lyonel, que morrera achando que poderia manter Correrrio. O filho mais velho de Cleos, Tywin, parecia ser um pouco mais sensato. Sendo agora um lorde de pouco mais de 14 anos, ele assumira o nome Darry, deixando Frey e Lannister para trás e apegando-se às cores da mãe, afim de conquistar a simpatia dos camponeses que agora governava. Willem fora aconselhado pelo irmão a fazer o mesmo. Genna voltara para Casterly Rock, onde seu ultimo filho vivo ainda servia como escudeiro.

–Nesse caso, vamos agora para os descendentes de sor Aenys Frey… Vejamos…

–Senhores… — Tyrion interrompeu o Grande Meistre, soltando um suspiro impaciente e ficando de pé. -Lorde Walder é a prova de que não há limites para a quantidade de semente que um homem pode ter. — Ele massageou a própria testa. -Os Frey são párias, um herdeiro legítimo não conseguiria apoio nem mesmo para reivindicar um punhado de terra para esconder a própria merda depois de uma dor de barriga. Não há razão para passarmos dias analisando cada um das centenas de filhos que Lorde Walder teve, até achar um que seja leal. — Tyrion puxou o pergaminho com os membros da casa Frey, correndo os olhos pelo mesmo, para então abrir uma expressão de satisfação. -Aqui… — E apontou para um dos nomes. -Sor Perwyn Frey… Primeiro filho de Lorde Walder Frey e Bethany Rosby. Ele é irmão mais velho de Roslin, a esposa de Lorde Edmure Tully, que vai assumir seu lugar de direito como Senhor do Tridente. — Tyrion ergueu os olhos para os outros dois homens. -Ele não está na lista de acusados de participação do Casamento Vermelho, acho que ele daria um ótimo Senhor da Travessia. — Tyrion não dava a minima para as aptidões do homem para governar, mas não aguentava mais ficar naquela sala tratando de coisas tão menores quando estava sendo atormentado por questões pessoais com a esposa, e a falta que sentia de seu irmão mais velho traidor e mentiroso.

Varys e meistre Gormon se entreolharam um momento, mas logo o eunuco passou uma linha em vermelho embaixo do nome de sor Perwyn, enquanto o outro puxava um pergaminho em branco para começar a redigir a ordem que, após a assinatura e o selo real, nomearia o novo Lorde Frey.

Tyrion suspirou satisfeito e até um pouco aliviado, não tinha certeza quantos anos seriam necessários para analisar toda a descendência de Lorde Walder até achar um sucessor para aquela senhoria, e tão pouco gostaria de dizer ao rei ou à princesa regente que não haviam encontrado um. Lorde Walder podia ser um homem vil e asqueroso, e muitos de seus descendentes haviam seguido o mesmo caminho turvo, mas aquela família era muito grande, e haviam mulheres e crianças que não mereciam a sarjeta por culpa da falta de caráter dos homens. Para o senhor de Casterly Rock, já haviam morrido inocentes o suficiente, ao menos uma vez os deuses teriam que permitir que eles punissem apenas os culpados, sem efeitos colaterais… Sim, punir os culpados, apenas os culpados…

–Ainda temos que averiguar o envolvimento de alguns Frey no massacre do casamento de Lorde Edmure, milorde. — Varys lembrou a Tyrion, que continuava de pé e com o olhar um tanto pensativo na direção da porta, muito embora não fosse exatamente para a porta que estivesse olhando.

–Sim, claro, nós… — Tyrion já havia virado-se para encarar Varys, mas foi interrompido por batidas na porta e logo depois um dos servos entrou, um rapaz verde, que deveria ter pouco mais de 15 anos.

–Milordes, perdoem a intromissão. — O jovem curvou-se para eles em uma reverência respeitosa. -A princesa regente manda avisar que sor Ryon Allyrion chegou com alguns homens a pouco, anunciando a chegada da comitiva do rei.

–Obrigado, garoto. — O anão agradeceu, fazendo sinal para liberar o rapaz. -Bom, senhores, nesse caso, creio que devemos deixar o resto dos assuntos para depois. — Acrescentou pegando sua taça de vinho e a esvaziando em um gole só.

–Sim, milorde. Precisamos nos preparar para a chegada do rei. — Varys concordou, também se colocando de pé.

Grande Meistre Gormon juntou as anotações que havia feito e o documento que começara a elaborar quanto à senhoria das Gêmeas, antes de também se erguer. Tyrion manteve os olhos no velho homem e depois olhou para Varys, esperando que o primeiro se retirasse, para então se voltar para a Aranha.

–Lorde Varys, eu gostaria de lhe falar em particular, se possível. — O anão escondeu a própria ansiedade, mas não a relutância que tinha no que estava fazendo.

–Claro milorde, em que posso servi-lo? — Perguntou com uma expressão tranquila, e aquele sorriso enigmático.

–Não, não aqui, e não agora. Depois do banquete. — Explicou sem tirar os olhos dele. -Precisarei da sua ajuda.

–Como desejar. — O eunuco respondeu, e Tyrion fez um leve gesto com a cabeça, antes de se encaminhar para também ir se aprontar. -Fico satisfeito em ver que voltou a confiar em mim, milorde. Deve saber que eu sempre tive muitas esperanças na sua sagacidade. — Disse antes que o anão chegasse até a porta.

–Eu não confio em você, Lorde Varys… — Tyrion o corrigiu. -Mas preciso de algo que requer mais do que minha sagacidade… — Completou, para então se retirar dali a procura da esposa.

Notas finais
comentem, por favor