A volta dos dragões
9 The Lord of The Seven Kingdoms
Notas iniciais
A visão do novo rei de Westeros, montado em seu cavalo e trajando sua armadura completa, foi um agrado aos olhos do povo que eles não tinham desde a morte de Rhaegar. Aegon estava cumprindo muito bem o seu papel. Não bastasse os sedosos cabelos prateados e os olhos púrpura escuro, ele parecia ter um carisma natural, que junto com sua beleza o tornavam quase irresistível. O Targaryen sorria e acenava enquanto avançava pela cidade, sendo acompanhado de perto por sor Rolly.
A Patrulha da Cidade fazia um corredor no meio do povo, para que o rei e sua comitiva pudessem passar sem problemas. Tinham seguido pela rua das irmãs e chegado ao Grande Septo de Baelor, onde a comitiva daria a volta e seguiria até a Colina de Aegon, para a Fortaleza Vermelha. O grupo deu de cara com vários pardais, além de centenas de pessoas que haviam saído nas ruas para ver o rei. Toda Porto Real parecia estar la.
–Está vendo, sor Rolly? Meu povo! — Aegon falou, se inclinando sutilmente na direção do cavaleiro, com um sorriso curto nos lábios.
–Sim, vossa graça, todos vieram dar boas vindas ao rei. — O cavaleiro lhe respondeu, abrindo um sorriso largo para seu soberano.
A quantidade de pessoas era impressionante. Eles acenavam e gritavam, e era possível ver algumas bandeiras feitas de retalhos com o dragão vermelho no fundo negro. Homens levantavam crianças em seus ombros, donzelas enrubesciam quando o rei lhes acenava, e até mesmo algumas prostitutas exibiam os seios, tanto para o rei quanto para os cavaleiros. O rei não percebeu a princípio, mas uma confusão havia se iniciado no meio da multidão enquanto os mantos dourados abriam o caminho para a comitiva continuar seguindo, vários metros a frente de Aegon e sor Rolly. Um homem tinha o filho em seus ombros, cabelos de fogo, muito magro, e não aparentando ter mais do que oito ou nove anos. No meio dos empurrões dos homens da Patrulha da Cidade, o homem caiu, e o garoto rolou no chão no meio do caminho da comitiva.
–Parem!! — O rei falou, mas os gritos do povo eram ensurdecedores, e ninguém parecia ouvir o que ele dizia. -PAREM, EU DISSE!!
–Vossa graça, o que… — Sor Rolly começou a falar, mas Aegon já havia esporeado o cavalo para que fosse mais rápido, obrigando o manto branco a fazer o mesmo.
O rei aproximou-se dos “limites” daquele corredor de guardas, o cavalo empinando as patas dianteiras antes de parar, e desceu do mesmo em um pulo. O ato fez grande parte das pessoas silenciar, e os mantos dourados começarem a empurrar mais ainda o povo para se afastar do rei.
–Parem, eu mandei!! — Aegon repetiu. O comandante da Patrulha da Cidade, que acompanhava o rei de perto, o olhou sem compreender bem a ordem. -Não está aqui para machucar meu povo, sor, esta aqui para protegê-lo.
–Milorde, mas…
Aegon fez sinal para ele se calar, e então caminhou até o garoto que havia caído. O menino estava encolhido, os braços protegendo a própria cabeça e os joelhos pressionados contra a barriga.
–Você está bem, garoto? — Ele perguntou, se abaixando ao lado do garoto e pousando uma das mãos em seu ombro. -Esta tudo bem, ninguém vai machucá-lo.
O povo pareceu silenciar mais, todos bastante atentos ao que o rei fazia, calando-se, provavelmente, para tentar descobrir a natureza do que ele falava com aquele garoto, cujas vestes estavam tão surradas que não era difícil adivinhar de que parte da cidade ele vinha.
–Perdão vossa graça… Por favor, perdão! Não foi nossa intenção incomodá-lo! Por favor, não faça nada a ele, é meu único filho!! — O homem, que havia se levantado, tentava falar, sendo impedido de se aproximar por alguns dos cavaleiros de Aegon.
O rei ergueu o rosto para o homem, e por um momento ficou confuso, não compreendendo bem o medo que via em seu olhar. Será que ele aparentava ser cruel? O homem lhe pedia clemencia como se o filho tivesse cometido um crime, e sua execução fosse certa. Aquilo incomodou um pouco o rei, por alguma razão se lembrou do saque de Porto Real, e viu naquele homem a clemência que a mãe devia ter pedido quando a cidade fora tomada. Aegon estendeu as mãos na direção do garoto, ajudando-o a colocar-se de pé, e oferecendo um sorriso quando percebeu que ele estava chorando.
–Pronto, não aconteceu nada, nem mesmo se machucou. — Ele falou com a voz gentil, e então se colocou de pé, bagunçando um pouco mais os cabelos ruivos do garoto. O rei pegou na mão do pequeno súdito, caminhando com ele até seu pai e acenando com uma das mãos para que os cavaleiros o soltassem. -Não tenha medo, senhor… A culpa não foi vossa. — E então soltou o garoto, deixando que ele corresse e se agarrasse ao pai, ainda parecendo um pouco assustado. Aegon olhou em volta, o povo todo o observava, bem como os guardas e os cavaleiros que o acompanhavam. -Peço desculpa pelo mal jeito de meus homens… — Disse acenando com a cabeça para o homem, que parecia totalmente atordoado com o fato de o rei estar falando com ele. Aegon pegou um saco de moedas que tinha preso à armadura, não devia haver mais do que cinco dragões de ouro, e talvez algumas moedas das Cidades Livres. -Pelo seu incômodo. — E entregou as moedas ao homem.
–Er… Obrigado… Obrigado!! Obrigado, vossa graça! — O homem se curvava, segurando o saco de moedas sem parecer acreditar, e apertando o filho junto a si com a outra mão.
Aegon observou os dois se afastarem, ameaçando um sorriso no canto dos lábios ao observar a cena. Um pai tão protetor, será que Rhaegar também teria sido assim?, ele se perguntava enquanto subia novamente em seu cavalo. Sor Rolly, que também havia descido para ficar junto ao rei, caso fosse necessário defendê-lo, voltou a montar e guiar o animal para o lado de Aegon.
–Controle seus homens, sor!! — Ele disse ao comandante. -Não os quero empurrando o povo enquanto estão nas ruas para dar boas vindas ao seu rei!! — Falou em alto e bom tom. -Recolha-os!! O povo abrirá passagem para mim, sem que seus homens precisem empurrá-los!!
–Mas senhor… — O comandante começou a falar, silenciando quando Aegon ergueu uma das mãos.
–Vossa graça, pode ser perigoso. — Sor Rolly tentou argumentar, inclinando-se na direção de Aegon.
–Eles não irão me ferir, sor. O povo não deve temer seu rei, Rolly, quero que vejam que podem confiar em mim. — Argumentou. -Tire seus homens!!
Não foi preciso mais do que aquele grito transbordando autoridade. Os mantos dourados logo se afastaram, mantendo-se apenas a ladear o rei, e deixando que o povo abrisse caminho naturalmente, para que os cavaleiros e as carruagens passassem. O gesto de Aegon pareceu agradar, pois o povo começou a aplaudir, assoviar, gritar, acenar e aclamá-lo, duas vez mais do que faziam antes, e o rei, por sua vez, parecia feliz como jamais estivera, recebendo o amor da população simples. Estariam eles gritando mais ou menos do que gritavam para Rhaegar? Não fazia tanta diferença assim, Aegon já estava satisfeito com o que via, e como ele havia dito, o povo permitiu sua passagem, abrindo caminho a medida que seu cavalo o levava a circular o septo, e em seguida continuar em direção à Colina de Aegon.
–Eles parecem muito satisfeitos pelo que fez, vossa graça. — Rolly falou, seu cavalo emparelhado com o de Aegon, e os olhos percorrendo cuidadosamente o perímetro, evitando ser pego de surpresa por qualquer coisa.
–Sim, parecem… E nunca vão esquecer de quando o rei ajudou um pobre garoto a ficar de pé. — Aegon respondeu, deixando um sorriso brincar no canto de seus lábios enquanto trocava olhares com seu cavaleiro. -Não basta ser um bom rei, Rolly, também preciso aparentar ser bom. — Completou, falando apenas para o manto branco, e continuando a acenar e sorrir para o povo que o aclamava.
Depois dali, chegar até a Fortaleza Vermelha pareceu bem mais rápido, sem maiores transtornos. Os cavaleiros nem mesmo precisaram afastar o povo ao chegar aos portões do castelo. Aegon, apesar da ansiedade, entrou sem pressa, sorrindo e acenando para os guardas nas muralhas que se esticavam para vê-lo, e os servos que se curvavam enquanto ele passava. Acompanhado de perto por sor Rolly, Aegon guiou seu cavalo até o meio do pátio, onde algumas dezenas de pessoas haviam se reunido para recepcioná-lo. De cara, o rei identificou Tyrion Lannister, que se encontrava um pouco à frente, junto a uma mulher de cabelos ruivos usando um belo vestido azul com jóias douradas, provavelmente sua esposa, e ao lado dele, sor Ryon Allyrion. O Targaryen desceu de seu cavalo, e sor Rolly o imitou, enquanto os presentes começavam a se ajoelhar diante dele.
Foi aí que ele a viu… Aegon não fazia a menor ideia de quem ela fosse quando teve o olhar capturado por sua bela imagem. Os cabelos castanho escuro estavam parcialmente presos em uma trança que puxava mechas da lateral de seu rosto, mas deixava outras caindo em cachos por seus ombros. O rosto dela estava salpicado com algumas sardas, não muitas, mas o bastante para serem consideradas charmosas, podia-se ver que o tom da pele havia mudado por exposição ao sol, e aquilo pareceu contribuir positivamente para sua aparência. Ela usava um vestido em estilo dornês, mais aberto, porém com um decote comportado, vermelho com alguns detalhes pretos e um broche no ombro, que segurava a parte de cima da roupa, com o brasão da família Targaryen. Porém, não foi o broche ou as cores que fizeram Aegon se dar conta de que aquela era a irmã de quem ele tinha ouvido falar, mas que ainda não conhecia, foram seus olhos, aqueles olhos violeta, olhos de dragão…
A carruagem de Arianne parou alguns passos atrás de Aegon, mas o rei estava um pouco absorto, o olhar preso ao da irmã, uma intensidade que ele jamais tivera ao trocar olhares com alguém. Sentiu como se estivessem conversando, muito embora ainda não tivessem trocado nenhuma palavra, olhares se reconheceram, ainda que nunca tivessem se visto antes. Apenas quando a jovem Targaryen imitou os demais e também se ajoelhou, baixando a cabeça, foi que Aegon pareceu se lembrar dos protocolos que precisava seguir. Um pouco atordoado, o homem se virou na direção da carruagem, de onde Arianne desceu após ter a porta aberta por Daemon Sand e em seguida acompanhou o primo-noivo até Lyanna e os demais nobres que estavam lá para lhes dar boas vindas. O rei pareceu um pouco sem reação, então foi Arianne quem fez um discreto sinal para que os presentes se erguessem.
–Seja bem vindo, vossa graça. — Lyanna disse assim que se colocou de pé, abrindo um sorriso simpático tanto para o rei quanto para Arianne. -Os Sete Reinos se regozijam com a chegada de seu verdadeiro rei.
Aegon estava sério, fascinado pelos olhos da irmã. Não era como se nunca tivesse visto olhos como aqueles, ele costumava se barbear, já vira olhos de dragão, e nas Cidades Livres podia-se encontrar olhos púrpuras, mas os dela eram peculiares, mesmo para aquela pigmentação valiriana. Seu rosto tinha traços delicados e jovens, e sorria para ele, mas seus olhos demonstravam um certo receio, talvez um pouco de medo, e algo mais que ele não soube identificar. Não conseguia explicar de outra forma, parecia haver fumaça… Como se o violeta dos Targaryen se unisse ao cinzento dos Stark para oferecer aqueles olhos singulares, tão belos…
–Aegon… — Ele se ouviu falando, enquanto com a mão livre buscava a dela, para então curvar-se e beijar-lhe as costas dos dedos delicados. -Entre nós não deve haver qualquer outro título, que não o de irmãos. — Concluiu, deixando que seu rosto se abrisse em um sorriso, pequeno nos lábios, mas gigante no olhar.
–Querida prima… — Arianne se adiantou, soltando o braço do rei e obrigando-o a soltar a mão de Lyanna para que a dornesa pudesse cumprimentá-la também. -Creio que logo a chamarei de irmã também. Não é maravilhoso? — A Martell falou, jogando os braços em volta de Lyanna que, com menos empolgação que a princesa de Dorne, retribuiu ao abraço, e lhe ofereceu um sorriso mais econômico.
–Não acho que terei felicidade que se equipare. — Lyanna respondeu em um tom gentil. -Espero que tenham feito uma viagem agradável e rápida.
–A melhor que já fiz. — O rei se apressou em dizer, mas logo virou o rosto, desviando o olhar das duas mulheres. -Lorde Tyrion, preciso agradecê-lo pelos relatórios detalhados que me enviou, e pelo grande trabalho que fez em meu nome.
O anão, que assistia as boas vindas dadas ao rei com paciência ao lado da esposa, se adiantou no momento em que foi chamado, prestando mais uma reverência diante de seu soberano e abrindo um sorriso agradável, apesar de suas feições deformadas.
–É um prazer e uma honra servi-lo, meu rei. Mas não sou o único merecedor dos agradecimentos de vossa graça. Fui apenas guiado pelas mãos capazes da princesa Lyanna. Vossa graça não podia ter feito melhor escolha para representá-lo durante este tempo fora. — Elogiou, oferecendo um sorriso agradável e sincero para a Targaryen.
Aegon estava um pouco hesitante em virar-se novamente para a irmã, mas diante da menção do anão, ele não teve escolha. Arianne voltara para o seu lado, após fazer uma reverência a contra gosto para Tyrion, e acenar com a cabeça para Sansa, que tinha se postado ao lado do marido. Não era segredo para ninguém que os Martell odiavam os Lannister mais do que desdenhavam dos Tyrell, e após a morte de Oberyn aquilo só tinha piorado, ao menos para Arianne e as Serpentes de Areia.
–Gostaria que o mérito da escolha fosse meu, mas o príncipe Doran é o responsável. — Aegon corrigiu o anão, mas com os olhos em Lyanna. -Obrigado, querida irmã, por todo o trabalho que fez em meu nome, sei que não deve ter sido fácil. Lamento ter deixado tamanha carga em vossas costas.
–Os senhores são muito gentis, e se não tivesse sido criada em Dorne, certamente estaria enrubescida agora. — A princesa falou com humor. -É, para mim, assim como sei que é para todos, uma honra servir ao rei de direito. Estarei sempre a disposição para ajudá-lo a cuidar do legado de nossa nobre casa, meu querido irmão. — Lyanna manteve o sorriso nos lábios enquanto olhava para o rei, e Aegon pode perceber parte da hesitação dos olhos dela se dissipar com o elogio.
–Fico feliz em saber que posso contar com vossa ajuda. — Ele fez menção de estender a mão para segurar a dela novamente, mas se conteve. -Nossa casa pode estar despedaçada, mas juntos sei que conseguiremos reconstruí-la. — O rei alargou um pouco mais seu sorriso para a irmã, e depois de alguns muitos segundos, pareceu se lembrar que havia outras pessoas a cumprimentar. -Esta deve ser Lady Lannister, estou certo?
–Sim, vossa graça. — Tyrion respondeu, estendendo uma das mãos para Sansa, e a guiando até um pouco mais perto do rei. -Esta é minha esposa, Sansa, da casa Stark.
–É um prazer conhecê-la, Lady Sansa. — O rei deixou que Sansa fizesse a reverência enquanto se afastava de Arianne, deixando-a ao lado de Lyanna, para então beijar a mão da nortenha e lhe oferecer um sorriso agradável. -Aproveito para oferecer meus sentimentos pelos familiares que perdeu, milady. Como minha única irmã partilha de vosso sangue Stark, quero que saiba que considero como se eu mesmo tivesse perdido parentes queridos. — Falou fazendo uma reverência com a cabeça.
–Obrigada, vossa graça. Me sinto honrada por vossas palavras. — Sansa respondeu, e embora tivesse desenhado um sorriso no rosto, seu olhar era severo, e até um pouco duro, mas Aegon não a julgou ao perceber a pouca sinceridade em sua expressão. Ela era muito jovem e perdera e sofrera muito em pouco tempo, pelo que ele ouvira.
–Não me agradeça ainda, milady. Sei que nossos pais estiveram em lados opostos no passado e a grande dívida que meu avô fez com a casa Stark, mas peço que confie quando lhe digo que irei trazer a justiça para aqueles que cometeram tantas atrocidades contra vossa família e contra este reino. — Ele podia ser, agora, um orgulhoso membro da família Targaryen, mas crescera ouvindo a verdade, a dura verdade sobre Aerys e suas loucuras. Lorde Jon lhe fizera odiar Robert Baratheon, mas sempre falara em bons termos de Eddard Stark e Jon Arryn. Aegon sabia que a causa desses dois últimos era justa, ainda que apoiassem a do usurpador revoltado apenas pela incapacidade de aceitar a rejeição da mulher que amava.
–Confio em vossas palavras, vossa graça. Meu coração ficará mais leve quando a justiça for feita, e assim meus pais e irmãos poderão descansar em paz nos sete paraísos. — A ruiva completou, oferecendo outra reverência ao rei e em seguida se afastando dois passos, postando-se ao lado do marido.
Aegon manteve o sorriso para ela, e então virou o rosto, correndo os olhos pelos que estavam presentes ali. Sor Rolly estava solenemente postado a uns poucos passos dele, enquanto Arianne estava de braços dados com uma das primas bastardas mais novas. Os outros nobres da corte pareciam totalmente encantados com a beleza do novo rei, e ansiosos para ver o que ele faria a seguir.
–Meu querido irmão deve estar um pouco cansado de cavalgar. Imagino que vá querer se lavar e repousar um pouco antes do banquete. — Lyanna cortou o silencio, se adiantando um passo na direção do rei.
–Com boas vindas tão calorosas, me sinto revigorado. — Ele voltou a enganchar os olhos nos dela, parecendo muito satisfeito pela oportunidade de fazê-lo. -Mas gostaria sim de me aprontar para o banquete, vestir algo mais… Apropriado. — Completou com um sorriso bem humorado, uma vez que estava usando uma armadura pesada. -Se puder me mostrar meus aposentos… A ultima vez em que estive aqui, era apenas um bebê, receio que não tenha guardado recordações muito nítidas sobre os caminhos do castelo.
Lyanna soltou um riso discreto, e aquilo pareceu agradar ao rei, fazendo-o acompanha-la no momento mais descontraído, mesmo no meio de tanta formalidade.
–Será um prazer. Seus aposentos já estão prontos, assim como os de Arianne e dos demais. — Lyanna respondeu sem interromper a troca de olhares.
–Não sei como poderei agradecer tamanha dedicação, querida irmã. — O rei estendeu um dos braços para ela, soltando um suspiro discreto de satisfação quando ela pousou a mão delicadamente, envolvendo-o.
–Bom, tens Sete Reinos à sua disposição, irmão, tenho certeza de que podemos achar alguma maneira... — Lyanna respondeu com um sorriso brincalhão e um humor intencional na voz, mas um olhar que deixava claro que havia mais do que mera brincadeira naquelas palavras. E aquilo de forma nenhuma desagradou o jovem rei. Na verdade, aquela discreta ousadia em muito o agradara.
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