Quem visse Hazel deitada, sem a dezena de tubos e aparelhos que estavam conectados a ela, diria que era uma boneca, e não um ser humano. Olhando para aquelas bochechas rosadas, o rosto de quem dorme um sono tranquilo, ninguém imaginaria que se tratava de uma paciente com câncer em estágio avançado.

Parada à beira da cama estava a Sra. Lancaster, olhando com admiração sua filha dormir. Sua respiração estava calma e suave, e quase não parecia a mesma garota que chegara ao hospital desmaiada dois dias antes.

_ Meu bebê — disse ela, passando a mão carinhosamente pelos cabelos de Hazel, com os olhos cheios de lágrimas.

_ Senhora, cortaremos o fluxo de sedativos em breve, mas antes precisamos conversar sobre o estado de sua filha — disse o médico entrando no quarto.

Frannie precisou ser amparada pelo marido ao receber a notícia.

_ Doutor, precisamos interromper isso imediatamente! Ela não vai suportar, ela não vai sobreviver.

_ Isso é uma escolha dela agora. Não podemos fazer nada sem seu consentimento.

_ Mas é muito arriscado — interveio Michael Lancaster — Não podemos deixar que continue. Se fizermos antes que ela acorde, ela não precisará passar pelo sofrimento de decidir isso.

_ Como disse, agora é escolha dela. Não cabe a nós decidir — disse o médico, saindo do quarto.

Os Lancasters estavam desolados. Não sabiam as consequências do atual estado de Hazel, não sabiam qual seria a escolha dela, e temiam pelo pior.

_ Você deveria ter falado com ela sobre isso!

_ Como eu poderia imaginar? Não esperávamos nem que ela chegasse à idade suficiente para sequer pensar nisso. E ela sempre foi tão quieta, não era de se esperar.

_ Mas ela ainda é uma adolescente! Você também foi uma, todos fomos, sabe como é!

_ Sim, mas você também poderia ter conversado, você é o pai. Eu não imaginava que isso pudesse acontecer, não com a Hazel!

_ Sim, mas agora é tarde demais.

_ Tarde demais para que? — Questionou Hazel, acordando.

_ Bom dia, minha filha, não percebemos que estava acordada.

_ Eu não estava, pai. Está tarde demais para que? O que houve comigo?

_ Bem, você desmaiou e seu pai e eu tivemos que te trazer ao hospital. Você dormiu por dois dias.

_ O câncer piorou? Algum novo tumor? O que está havendo?

_ Bem, acho melhor sua mãe te explicar — Disse Michael Lancaster, já saindo do quarto.

_ Ops. Acho que não é boa coisa então. O que aconteceu, mãe?

_ Bem, acho que você já sabe melhor do que eu de onde vêm os bebês... E desculpa não ter tido contigo essa conversa antes.

_ Sim, eu sei, mas por que esse papo agora?

_ Então, nenhum meio de prevenção é 100% seguro, por mais cuidadoso que seja o casal.

_ Sim, mãe. Mas por que estamos falando sobre isso?

_ Hazel, não vou te enrolar, só é estranho te contar isso.

Frannie abraçou a filha e começou a chorar.

_ Contar o quê, mãe? Por que está chorando?

_ Hazel, minha filha, você está grávida.