A vida pelo o Amor
27 Vinte e Sete
Notas iniciais
Vinte e Sete
Após a noite anterior, com toda aquele papo de sequestro, eu acordei com uma dor de cabeça enorme.
-Deve ter algum remédio aqui, não é possível. –L estava fazendo uma zona no armarinho do bainheiro.
-Deixe isso de lado, logo passa.
-Não, sempre tem. O Near sempre fica com dores de cabeça quando viemos para cá. Onde esta?
-Com você gritando desesperada desse jeito, minha dor de cabeça nunca vai passar.
-Mas eu quero esse remédio.
-Depois você procura.
-Marta? –ele nem se quer estava me ouvindo. Foi para a escada.
-Sim senhor?
-Viu aquele remédio para dor de cabeça?
-Esta no banheiro.
-Não esta, eu já revirei o banheiro todo. –L foi em direção ao guarda-roupa. E eu só fiquei olhando enquanto ficava deitada na cama.
-Isso é desesperador, pare com isso Ryuzak.
-Não, você tem que melhorar. Não vou deixar essa bendita dor de cabeça estraguar meus planos para você se divertir.
-Qual o seu plano de hoje? –ele olhou para mim confuso.
-Não sei...Acho que já fizemos tudo.
-O que custa ficarmos em casa só hoje?
-Não quero ver o amor da minha vida deitada o dia inteiro.
-A dor vai passar logo. Ai podemos ficar um pouco na piscina, ver um filme, curtir a praia.
-Mesmo assim, quero aquele remédio. –L desceu.
Comecei a rir do nada.
-Achei! –gritou lá de baixo.
Minhas gargalhadas ficaram mais altas, isso me fez ignorar a dor de cabeça. Ele estava tão engraçado, parecíamos que estávamos casados. Parecia que ele estava desesperado atrás do remédio do nosso filho.
-Onde estava?
-No banheiro do Near. Porque eu não pensei que estaria lá? –comecei rir de novo.
-Foi o seu desespero. –falei me sentando na cama.
-Tome isso logo. –L me deu o copo com agua e um comprimido. Tomei o remédio e voltei a deitar.
-Misaki?
-O que foi?
-Não, você disse que ficaríamos em casa hoje, mas fora da cama. –ele me puxou pela a cintura para perto dele. –Anda, levanta e vá colocar uma roupa de banho, nós vamos ficar na piscina.
-Fazer o que, eu dei esta ideia. –levantei , fui em direção ao armário, peguei meu biquíni. Fui ao banheiro, separei algumas coisas e voltei para o quarto.
-Que linda! –disse L ao me ver. Se levantou e veio até mim. –Agora sim, gosto de ver você assim. Saudável e alegre. A dor passou?
-Um pouco. –descemos para a piscina, chegando lá L passou o protetor solar e eu também. Ele foi o primeiro a pular na piscina.
-Você não vem? –ele se apoiou na beirada da piscina.
-Agora não. Vou tomar um pouco de sol.
Ficamos na piscina por uma hora, discutimos para decidir quem iria fazer o almoço de hoje, obviamente decidimos que nós dois iriamos fazer, como um casal. Fomos ao mercado, compramos muita coisa, doces e salgados.
-Nossa, quanta coisa. –L estava tirando as coisas da sacola e colocando no balcão.
-Ryuzak, faz quanto tempo que você não come doces?
-Esses dia eu comi pouco. Preciso de doce.
-Compramos muito doce.
-Acho que é pouco.
-Você acabou de dizer que tem muita coisa? –falei, sentada no balcão.
-Muito salgado. Melhor agente começar logo este almoço.
-Sabe o que é engraçado? –perguntei me levantando e pegando as panelas.
-O que?
-Estamos agindo como um casal, recém casados em lua de mel. –liguei o fogo.
-Não quer casar comigo?
-Adoraria, mas ainda somos novos de mais para isso.
-Daqui há um ano nós não seremos muito jovens para isso, talvez um pouco.
-Vou pensar.
Nosso almoço foi muito divertido, pela a primeira vez...eu acho, L fez um almoço muito gostoso, quer dizer, nós fizemos. Ele derrubou muita coisa, e a louça do almoço sobrou para mim. Ficamos vendo um filme, depois um programa de culinária.
-Tenho certeza que aquilo era frango. –falei rindo.
-Pois acho que era peixe, suculento.
-Gosta de peixe?
-Só um pouco. –ele se levantou do sofá. –O que faremos agora? Quem sabe algum tipo de doce. Onde estão os doces desse lugar?
-Você comeu todos enquanto víamos televisão. –ele pareceu estar desapontado.
-Saco, ainda estamos sem o que fazer.
-Podemos ficar um tempo sozinhos...-dei um sorriso malicioso.
-Não esta cansada depois de dois dias?
-Nossa, estávamos fazendo todas as noites desde quando chegamos, isso é loucura.
-É sim, afinal dormimos ontem o dia todo. Já descansamos o suficiente para poder aguentar um dia sem o que fazer. –senti o sarcasmo em seu tom de voz. Ele se aproximou colocando seus dois braços em volta de mim e se ajoelhando em minha frente. –Confesso que eu estou excitado.
-Isso é bom...Que horror. –pulei do sofá fazendo um drama besta. –Estamos viciados em sexo.
-Nossa. Você não disse isso. –L começou a rir. –Talvez devemos ficar sem fazer isso hoje.
-Concordo, e o que faremos o resto desse dia e a noite?
-Eu não faço ideia. –me sentei no sofá novamente.
-Poderíamos ligar para os meninos?
-Eles estão bem, poderíamos voltar para casa. –olhei para ele confusa.
-Achei que só iriamos quando o Near decidisse o dia do...Esqueci o que era.
-Eu sei, mas estou ficando cansado daqui, estou com saudades dos meninos. Podemos voltar para o Japão, eu fico no hotel e você fica com os seus pais na empresa do Near.
-Tem certeza?
-Tenho.
-Ficar em um hotel é seguro?
-Sim, eu tenho vários nomes falsos, só não posso deixar o Raito descobrir.
-Como? –comecei a ficar preocupada.
-Tenho conta em um hotel há anos, foi criado só para coisas deste tipo. –comecei a desconfiar, porque ele quer voltar tão rápido?
-Porque quer voltar?
-Mal, pressentimento, estarei mais próximo dos meninos, só os ajudarei se precisarem. Só...Quero ficar perto deles, tem certeza de que estão bem, quero que você veja seus pais. –não sei o que deu nele, mas eu queria muito ver os meus pais.
-Você estará arriscando a sua vida, tem noção do que esta dizendo? Sei que você ama seus irmãos, que esta preocupado com eles e comigo mas...Se você aparecer lá, sua vida estará em risco mais uma vez. –eu estava gritando.
-Para de gritar, por que esta gritando?
-Eu não sei...Esse lugar ou hotel que pretende ficar é confiável?
-Amor, esse hotel foi feito para essas coisas, eu criei ele para isso. Os meninos ficaram lá no primeiro mês que estiveram no Japão. Todos os agentes que vieram para o caso Kira também ficaram lá, tenho certeza que é seguro, Raito não sabe disso.
-Me desculpe, estou sentindo falta dos meus pais e dos meninos, confesso que estou preocupada com eles. Não sei o que estão fazendo ou o que pretendem fazer. Depois do que eu vi nesses últimos dias, eu notei que eles estão colocando suas vidas em risco e as de outras pessoas também...
-Ei fiz isso. –me interrompeu. –Eles estão fazendo a mesma coisa que eu fiz.
-Você acha melhor voltarmos para casa?
-Sim, se nós formos voltar. Por favor não fique me visitando, pode ir quando quiser, mas...- ele olhou para baixo, parecia desapontado com sigo mesmo. –Misaki, durante este tempo que estivermos no Japão...tente ficar longe de mim esta bem?
-Esta...-lagrimas começaram a escorrer. –Ryuzak...você esta...
-Terminando com você? Não, só dando um tempo. –ele falou tão friamente. Eu não sei o que me deu, mas avancei para bater em seu peito.
-O que esta pensando? Depois de tudo isso você esta terminando comigo? Droga Ryuzak...Poderia ter feito melhor.
-Misaki tente entender, é para o seu bem, o nosso bem. –eu não podia acreditar no que estava ouvindo, comecei a chorar desesperadamente.
-Eu não quero mais saber de você, me deixa em paz. –deixei ele sozinho na sala e fui para o quarto.
Não sei por quanto tempo fiquei chorando, porque ele fez aquilo? Se aproveita de mim e depois me vem com uma dessas?! Cretino, porque eu confiei nele? Misaki, sua idiota, caiu nos encantos dele para ele se aproveitar de você. Burra, burra, burra. Não acredito, todas aquelas palavras fofas, todos aqueles eu te amo, todos os paparicos, foram tudo por agua a baixo.
-Com licença senhorita? Lawliet me pediu para arrumar as malas. –falou Marta, não consegui responder, só acenei com a cabeça para ele entrar no quarto. Os empregados dele não tinham culpa de nada.
Marta entrou no quarto, pegou as malas e foi em direção ao armário, um silencio tomou conta do quarto.
-Senhor, e moça esta bem? –escutei Peter perguntando ao L, eles deveriam estar no corredor.
-Sim...Não na verdade. Peter por favor...-senti tristeza no som da voz de L, eu não aguentava levantar a cabeça do travesseiro. Me afundei tanto no meio dos lençóis, toda aquela dor de cabeça voltou, de um jeito muito pior.
-O senhor esta bem? –Peter parecia preocupado. Até parece que o L estaria bem.
-Preciso ficar sozinho. –foi a ultima coisa que disse antes de entrar no quarto. Senti que ele estava olhando para mim. Sussurrou muito baixo, porem alto o suficiente para eu poder escutar. –Me desculpe.
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