A vida de um otaku de antes da era da Internet
3 Sailor Moon
Notas iniciais
Após tanto tempo de exibição e muitas, mas muuuitas reprises mesmo, era inevitável que a exibição dos cavaleiros de Athena logo chegaria ao fim. Mas como a rede Manchete iria lidar com a perda de uma das, ou quem sabe a maior, audiência que já teve?
Em 1996, três novos animes estrearam na antiga TV carioca: Shurato, Samurai Warriors e Sailor Moon e é óbvio que Melc não queria perder essas novidades.
Shurato era um anime sobre um jovem chamado Shurato que foi transportado pra outro mundo para lutar pela deusa Vishinu com outros (cavaleiros?) de armadura. Resumindo, era uma espécie de Cavaleiros do Zodíaco com referência à mitologia hindu ao invés da mitologia grega. Até que era legalzinho.
O outro, que deixou Melc ansioso para finalmente vê-lo foi o Samurai Warriors. Cerca de um ano antes, Melc havia lido uma matéria na revista Heróis do Futuro, clone da Herói, que elogiava extensivamente este anime, dizendo até que em alguns países ele atingiu índices de audiência maiores do que dos cavaleiros. E como era esse maravilhoso desenho? Guerreiros de armaduras com referências a mitologia xintoísta, mas com uma história sem graça e personagens sem o mínimo carisma, e Melc o viu até o final? Claro que sim. Com apenas sete canais na televisão, sendo um deles a TV Educativa e o outro a CNT, as opções do que assistir eram bastante limitadas, então o nosso garoto viu a saga dos samurais até o fim, mesmo reclamando.
O terceiro foi o que mais chamou atenção do Melc. Não se tratava de guerreiros de armadura travando batalhas em nome de uma deusa qualquer, e sim de garotas com pernas incrivelmente longas e saias incrivelmente curtas. Isso mesmo, é de Sailor Moon que estamos falando.
Já estreia, Melc percebeu a diferença em relação aos animes que conhecia. Uma garota loirinha mais ou menos da idade dele, uma família com um pai, uma mãe e irmão, escola, enfim, o cotidiano de uma adolescente normal, pelo menos até a visita de uma gata falante que deu poderes à loirinha para ela lutar contra os malignos capangas do megaverso, bastava ela se transformar.
E por falar em transformação… o que era isso? Durante a transformação, as roupas desapareciam, dando para ver a silhueta com curvas perfeitas, que faziam Melc literalmente babar na frente da TV. Pode parecer bobo, mas quando se é um garoto de 13 anos até uma vassoura com uma saia pendurada é sensual, então imagina o impacto da nudez insinuada de uma bishoujo em uma época sem internet.
Como se não bastasse a loirinha, aos poucos mais garotas foram se juntando ao time, e uma em especial conquistou o coraçãozinho do Melc: a Sailor Mars. Além de ser muito bonita, a sua personalidade explosiva agradou muito, de forma que ele teve a experiência de se apaixonar por um personagem fictício. Mas ele nunca contou isso pra ninguém.
Mas não era apenas a beleza, saias curtas e semi-nudez nas transformações que fizeram Sailor Moon se tornar um dos animes, até então, preferidos do Melc. Tinha uma história simples, porém envolvente, romance, lutas ferozes, monstros sugadores de energia... digamos que era uma obra bem completa. Melc até convenceu alguns dos seus colegas de que não se tratava de um desenho apenas para meninas.
As guerreiras da lua não viraram febre nacional, mas com certeza teve muitos fãs, tanto meninos quanto meninas. E certamente Melc foi um dos maiores.
Fale com o autor