Notas iniciais
Agora vou começar um arco sobre os animes do SBT. Boa leitura!

Mesmo com dois ou três animes repetidos duas vezes por dia na rede Manchete, a oferta de outros desenhos em diferentes horários era escassa, principalmente para quem estudava pela manhã. Pois é, minhas crianças, a vida antes da Cartoon Network e do youtube não era fácil. Felizmente, além da falecida rede de televisão, ainda havia outro canal com muita tradição em programação infantil: a nossa querida TV Chaves, digo, SBT.

Já havia naquela época a sessão semanal de desenhos, o Sábado Animado, que contava com um bom repertório de desenhos ocidentais. Mas, com o sucesso dos cavaleiros, o tio Sílvio resolveu entrar na briga e começou a exibir alguns animes no sábado animado, Dragon Ball, Fly, Street Fighter e Guerreiras Mágicas de Reyearth. E a melhor parte, mesmo Melc fazendo catecismo aos sábados, o sábado animado era durava quase a metade do dia então dava pra ele ir para a igreja e ainda voltar a tempo de ver os melhores desenhos, desde que corresse o suficiente.

Começando pelo Dragon Ball, a maior expectativa entre eles. Melc já tinha ouvido muito falar dele nas revistas, mas ao ligar a televisão estranhou o tal cara de cabelos mais revoltados do que os do Sonic ser criança. Nas imagens das revistas ele não era adulto? Na semana seguinte à estreia, Melc e seu amigo de escola Gnamo – os quais se tornaram muito próximos devido ao enorme gosto por animes – explicou para Melc.

— O anime muito famoso é o Dragon Ball Z e esse é o Dragon Ball, quando o Goku ainda era criança – explicou Gnamo, com a catilogência de quem tinha a coleção completa das revistas Herói. Ele era rico.

Mas Melc não ficou nem um pouco aborrecido por não ser o aclamado Dragon Ball Z, na verdade ele adorou o Dragon Ball. Ele e sua irmã riam bastante das aventuras da pesada do moleque sem noção com rabo de macaco, que rodava o mundo juntando as esferas do dragão para realizar um desejo. E além da comédia, as lutas também eram boas e o treinamento do Goku e do Kuririn com o mestre Kame foi uma novidade, já que os animes de guerreiros de armadura não mostravam essa parte.

Depois veio a força Red Ribbon, que eram maus igual pica pau. E… Oh god, o general Blue era gay, o que é isso? Era muito, muuuito engraçado. Eu sei, muitas piadas envolvendo ele seriam consideradas preconceituosas hoje em dia, mas na época faziam os telespectadores gargalharem.

Alguns sábados depois, veio o maligno Tal Pai Pai e Goku não conseguiu vencê-lo, só não morreu porque a esfera que estava no seu bolso o salvou do terrível dodonpa. E depois disso… acabou? Vieram as reprises mas ao contrário do que aconteceu com os Cavaleiros, os episódios inéditos nunca chegaram, deixando o Melc e todos que curtiam a série sem saber o destino do nosso pobre Gokuzinho.

Outro desenho muito querido foi Fly, o pequeno guerreiro. Em alguns aspectos até parecia com Dragon Ball, porém menos puxado para a comédia e com elementos de RPG, mesmo Melc não fazendo ideia do que era RPG até então. E adivinhem qual era a melhor parte?

Fly Fly Fly, quer a paz que o inimigo destrói

Fly Fly Fly, um pouco de mago e muito de herói!

Esse era o refrão da abertura. E por algum motivo, talvez para zoar, a irmã do Melc criou uma versão alternativa.

— Fly Fly Fly, quer a paz que o inimigo não quer — ela cantava, e era só isso, não tinha outro verso.

Fly foi mais um desenho sem final, e anos mais tarde, Melc descobriu que dessa vez a culpa não foi do tio Sílvio, realmente o anime foi cancelado no Japão.