A viagem do tigre - Pov dos tigres
9 O iate - Ren
Kadam anunciou que partiríamos para Mumbai dali a dois dias. Todos acordamos mais tarde naquela manhã.
Eu fui o primeiro a me levantar e ouvi quando Kelsey se levantou. Fui até a porta do seu quarto para esperar por ela, que ficou surpresa quando me viu. Eu sorri e disse:
—Achei que você fosse gostar de comer comigo. Quer tomar café da manhã agora?
—Claro. Vai ser panqueca com gotas de chocolate, manteiga de amendoim e banana.
Achei que aquela seria uma combinação estranha e pensei por um momento antes de lhe perguntar:
—Eu gosto disso?
—Tivemos longas discussões sobre suas preferências em relação a panquecas. Venha, Tigre.
Nós começamos a cozinhar e fizemos muita bagunça na cozinha. Eu olhava curioso enquanto Kelsey preparava aquela panqueca exótica. Então eu provei aquilo e não acreditei em como era delicioso.
—Se eu não amasse você antes, isto teria me deixado completamente enfeitiçado— eu disse com a boca cheia.—O que posso fazer para ficar à altura dessas panquecas? Deve haver alguma coisa.
—Estão mesmo bem gostosas. Com certeza merecem uma retribuição. Hum, sabe do que eu sinto falta? Das suas massagens. Você faz a melhor massagem do planeta, mas iria lhe causar dor demais agora. Talvez eu peça a Kishan. Ele também é bom nisso. Acho que dei um mau jeito no pescoço esta noite.
Larguei o garfo contrariado e olhei para ela de cara feia:
—Não quero que Kishan ponha as mãos em você. Posso fazer a massagem e aguentar o sofrimento.
—Não precisa. Ele é perfeitamente capaz.
—Kishan é capaz de muitas coisas, e roubar namoradas está no topo da lista de habilidades dele.
—Então, é isso que eu sou? Sua namorada?
Eu examinei seu rosto, confuso:
—Você não quer ser?
—Não achei que já estivesse pronto para nos definir dessa forma.
—Rótulos para mim não são tão importantes quanto saber como eu me sinto. Sei que quero ficar com você, e quanto mais longe Kishan estiver, melhor eu vou me sentir.
—Você está precipitando as coisas porque Kishan está interessado? Quer atacar a gazela antes do outro tigre? Esse tipo de coisa?
—Talvez em parte. Mas isso não significa que eu esteja errado em querer seguir em frente com nosso relacionamento. Eu simplesmente sinto que você é a garota certa. Em todos os aspectos possíveis— eu sorri. —E então? Vai voltar a ser minha namorada?
—Na verdade, nunca deixei de ser sua namorada. Sempre fui sua.
—Isso é exatamente o que eu precisava ouvir.
Eu segurei e beijei sua mão, contente, então voltei a comer.
—Vou ter que falar com Kishan.
—Quando?
—Acho que, quanto antes, melhor. Ele ainda deve estar bravo comigo por tê-lo abandonado ontem à noite.
—Tudo bem. Encontre comigo aqui de novo daqui a mais ou menos uma hora. Eu ajeito a cozinha. Vá lá falar com ele.
—Por quê? O que vamos fazer daqui a uma hora?
—Tenho planos de passar o dia com você... como tigre. O benefício é poder ficar horas ao seu lado sem nenhum efeito colateral. E se por acaso você sentir vontade de acariciar minhas costas, coçar minhas orelhas e me beijar... melhor ainda.
—Certo. Vai ser como nos velhos tempos... A gente se vê mais tarde.
Depois de comer, limpei a cozinha e fui para a biblioteca, esperar por Kelsey. Quando ela chegou, me transformei em tigre e nós passamos o dia todo juntos.
Eu me sentia bem em estar com ela. Gostava de como ela me olhava, mesmo como tigre e como ela sorria para mim. Ficava admirado em como ela me compreendia quando eu estava nessa forma. Ela conhecias as expressões e os sons do tigre, como se fossem gestos e palavras humanas. Eu sabia que aquilo não era pleno, era um relacionamento incompleto, mas nós dois estávamos felizes.
Mais tarde, Kishan nos chamou para assistirmos a um filme. Eu continuei como tigre, até que Kelsey caiu no sono. Então eu a levei até seu quarto, a coloquei na cama e a cobri com sua colcha de retalhos. Depois me transformei em tigre e deitei no tapete, ao lado de sua cama. Kishan já estava em seu lugar habitual, na varanda. Mais tarde Kelsey se levantou e esbarrou em mim no escuro.
—Ren? É você?
Ronronei em resposta.
Ela me beijou e foi para o banheiro. Voltou vestindo pijamas e de dentes escovados e foi até a varanda, de onde Kishan a observava. Ela o acariciou e disse:
—Obrigada por me trazer para a cama. Boa noite.
Pensando que ele a havia levado para o quarto, beijou-lhe a cabeça e voltou para a cama.
Na manhã seguinte, me levantei cedo e saí do quarto de Kelsey. Tomei banho e preparei minhas coisas para a viagem. Kishan já estava ajudando Kadam no carro.
Voltei ao quarto de Kelsey para acordá-la. Toquei sua testa levemente e a chamei:
—Hora de acordar, dorminhoca. Temos que ir para o iate.
Ela rolou para o lado e murmurou:
—Mais cinco minutos. Pode ser?
—Eu adoraria lhe dar mais cinco minutos, mas Kadam está pronto.
Ela balançou a cabeça reclamando, e eu afastei o cabelo de seu rosto:
—Você fica uma graça quando está reclamona. Vamos, iadala. Precisamos ir andando.
—Ren, você nunca mais me chamou de iadala, e isso prova que eu ainda estou sonhando. Deixe-me dormir.
—Certo. Strimani, então.
—Não. Gosto mais de iadala.
—Vejo você lá em baixo.
Kadam disse para irmos para o carro e esperarmos lá dentro. Ele sentou-se no banco do motorista e eu disse a Kishan que iria para o banco de trás, pois queria viajar ao lado da minha namorada. Ele acenou com a cabeça e sentou-se triste ao lado de Kadam.
Kelsey chegou e olhou surpresa para Kishan, depois se sentou ao meu lado. Eu a beijei no alto da cabeça, então me transformei em tigre e deitei a cabeça em seu colo. Kadam olhou para trás:
—Está tudo bem aí, Srta. Kelsey?
—Claro. Vocês por acaso trouxeram café da manhã para viagem?
—O Fruto Dourado está na minha mochila—disse Kishan.—Peça o que quiser.
Ela pediu uma bebida e eu olhei interessado.
—Nem venha, Tigre. Vai deixar tudo melequento com essa baba de tigre. Tem alguma outra coisa que queira?
Bufei e abaixei a cabeça.
—Ótimo. Se ficar com fome mais tarde, me avise.
Seguimos viagem e os três conversavam sobre a profecia. Kelsey acariciava meu pelo e massageava minhas costas de tigre, o que me deixava relaxado e me fez dormir a viagem toda.
Kadam diminuiu a velocidade quando chegou a um portão. Kishan passou o cartão magnético na caixa de controle. O portão se abriu.
—O que é isso?— Perguntou Kelsey.
—É um iate clube. O nosso barco não está muito longe.
Demos a volta no prédio, na direção do mar, e entramos numa rua construída sobre as águas. Era feita como um beco sem saída e se dividia em docas, cada uma com seu próprio barco.
—O senhor tem um navio de cruzeiro?
Kadam deu risada.
—Tecnicamente, chama-se megaiate.
—Qual é o nome dele, Sr. Kadam?
—É Deschen.
Kadam conduziu o Jeep pela rampa presa à lateral do barco e parou o carro na garagem do iate. Eu me transformei em homem e pisquei para Kelsey. Em seguida todos saímos do carro. Kadam imediatamente assumiu o comando.
—Ren? Kishan? Será que podem levar nossas coisas para os quartos e avisar ao capitão que já embarcamos e estaremos prontos para partir assim que ele der o aviso? Eu gostaria de mostrar tudo para a Srta. Kelsey, se ela não se incomodar.
Desci as escadas levando algumas bagagens e Kishan desceu atrás de mim. Levamos as bagagens de Kadam até seus aposentos e escolhemos acomodações apropriadas para Kelsey, em seguida discutimos quem deveria ficar no quarto ao lado dela.
Eu argumentei que era o namorado dela, e portanto, deveria ficar com o quarto. Kishan acabou concordando e disse que não se incomodava, já que eu não poderia ficam muito tempo perto dela sem me sentir mal.
Fiquei um pouco zangado ao pensar nisso, mas não me importei. Coloquei minhas coisas lá, enquanto Kishan foi para um quarto perto de Kadam e Nilima.
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