A viagem do tigre - Pov dos tigres
10 O iate - Kishan
Kelsey e Ren voltaram a namorar.
Eles chegaram em casa um pouco depois de nós, vindo do festival das estrelas e Ren passou a noite na varanda, no meu lugar habitual, então, eu fui para o meu quarto.
Na manhã seguinte, fui até a cozinha e os ouvi conversando:
—Kishan é capaz de muitas coisas, e roubar namoradas está no topo da lista de habilidades dele.
—Então, é isso que eu sou? Sua namorada?
—Você não quer ser?
—Não achei que já estivesse pronto para nos definir dessa forma.
—Rótulos para mim não são tão importantes quanto saber como eu me sinto. Sei que quero ficar com você, e quanto mais longe Kishan estiver, melhor eu vou me sentir.
Sai frustrado e fui até o bosque atrás da casa. Precisava descarregar minha raiva, então comecei a usar o chakram em uma árvore, tentando derrubá-la. Ouvi Kelsey se aproximando de mim e agarrei o chakram, na sua volta. Então perguntei magoado, sem me virar:
—O que está fazendo aqui? Ren não consegue entreter você o suficiente?
—Você está bravo comigo.
Eu suspirei.
—Não é que eu esteja bravo. Só estou... estou desconcertado.
—Podemos conversar?
Eu me virei para ela, infeliz, e nós nos sentamos no chão. Me encostei em uma árvore e ela começou:
—Em primeiro lugar, peço desculpas por ter sumido ontem à noite. Ren planejou uma coisa grande e se esforçou muito para fazer isso.
Atirei uma pedra em uma árvore. Ela bateu com um baque antes de cair no chão.
—Sei muito bem por quê.
—Certo. Mas eu me diverti muito no tempo que passei com você.
—Kells, pare. Não precisa explicar nada. Você queria ficar com ele, então ficou. Fim da história. Não me fez nenhuma promessa e não precisa se sentir culpada por causa disso. Se eu me enchi de esperança, a culpa foi toda minha, não sua. Tirei muitas conclusões das suas ações.
—Como assim? Que ações?
—Quando jogou a sua lanterna no fogo e sorriu para mim, achei que talvez, apenas talvez, significasse que
você estava pensando em mim.
—É mais ou menos verdade. Não coloquei a minha lanterna na água porque sei que o homem com quem eu vou ficar está aqui.
—Certo. Ren.
—Eu espero que seja. Conversamos ontem à noite e ele disse que me ama. Quer retomar nosso relacionamento.
—Então, vocês estão juntos de novo?
—Tanto quanto é possível. E eu estava pensando nele quando joguei a lanterna. Mas também estava pensando em você.
—Como assim?
Ela suspirou e dobrou os joelhos, abraçando-os.
—Acho que pensei em você porque sei que se, por alguma razão, eu não puder ficar com Ren, vou escolher você.
—Então eu sou o seu jogador reserva? O seu plano B?
—Eu não estava pensando assim. Você não é a segunda escolha, nem uma escolha menor, nem uma escolha errada. Você é uma escolha diferente. Acho que me sinto mais segura em relação a esta família do que em relação a um ou outro homem. Eu pertenço a ela. Sou parte de vocês.
—Isso é verdade. Se Ren a deixar, pode ter toda a certeza do mundo que não vou permitir que você escape.
—Acho que simplesmente sinto uma forte convicção de que o meu lugar é junto aos tigres.
—Você pertence aos tigres.
Eu a envolvi com um dos braços e a puxei para mais perto.
—Não sei como tudo isso vai se desenrolar. Uma vez, prometi um final feliz para você, e ainda tenho esperança de que tenhamos isso.
—Não acho que seja possível, mas obrigado por não acabar com toda a minha esperança.
—Não sei dizer se lhe fiz algum favor.
—Fez sim. Você se comprometeu conosco. Independentemente do que acontecer, seu lugar é comigo e com Ren. Sempre vou ter você por perto, e é legal saber disso.
—E eu sei que sempre vou ter vocês dois por perto.
Ela deitou a cabeça no meu ombro e esfregou o pescoço.
—Dormi de mau jeito essa noite.
—Posso lhe fazer uma massagem.
—Ren vai ficar louco da vida. Ele não quer que você encoste em mim.
—Se ele não souber, não vai ficar magoado. Vire-se de costas.
Eu massageei seu pescoço e ela me disse que estava melhor e agradeceu, depois saiu para se encontrar com Ren.
Fiquei ali sentado, frustrado, triste. Mas então me lembrei que na manhã seguinte iríamos para o iate e minhas esperanças se renovaram. Lembrei-me no meu sonho em Shangri-la. Ren terminaria com Kelsey e eu estaria lá, para consolá-la. Eu só esperava que ele não a magoasse muito.
Mais tarde, fui até à biblioteca e chamei os dois para vermos um filme. Kelsey fez pipoca e Ren ficou perto dela o tempo todo, na forma de tigre. Quando ela dormiu, Ren se transformou e a carregou para o quarto. Me transformei em tigre e fui para o meu lugar na varanda, antes que ele o tomasse. Mas ele ficou no quarto, deitado no tapete, ao lado da cama de Kelsey.
Na manhã seguinte, esperávamos por Kelsey no carro. Kadam assumiu o volante e Ren pulou para o banco de trás, dizendo que viajaria ao lado de "sua namorada”. Quando ela chegou, me olhou surpresa, mas se sentou alegremente ao lado de seu namorado. Ren se transformou em tigre e viajou sob essa forma, transformando-se apenas quando entramos no barco.
Kadam saiu para mostrar o iate à Kelsey, enquanto Ren e eu fomos guardar as bagagens. Escolhemos o quarto para Kelsey e Ren declarou que ocuparia o quarto ao lado. Eu disse a ele que eu deveria ficar com o quarto, pois seria bom que Kelsey sempre tivesse um tigre por perto, mas Ren poderia se sentir mal por estar tão perto dela. Ren disse que ficaria bem e que ficaria com aquele quarto.
Fiquei com o quarto ao lado do de Kadam, onde guardei minhas coisas. Kadam apareceu na porta, acompanhado por Kelsey e me pediu para mostrar o resto do barco a ela.
—Você pode mostrar o restante deste convés à Srta. Kelsey, Kishan? Eu gostaria de providenciar a nossa partida.
—Claro. Então, o que achou do nosso lar flutuante?
—O iate é incrível! Você já tinha estado aqui?
—Uma vez. Kadam, Ren e eu viemos ver o navio umas duas semanas depois de você ir embora. Não zarpamos, mas passamos a noite aqui —Apontei o caminho e prossegui: —Eu vou ficar aqui, e este é o quarto de Kadam. Nilima está ali. Depois vem Ren. O seu quarto é por aqui.
Abri a porta para que ela visse o aposento que escolhemos para ela. Kelsey engoliu em seco:
—É muito maior do que os de vocês.
—Nós lhe demos a suíte master — a envolvi com os braços por trás e disse baixinho:—A nossa garota merece o melhor.
Ela apertou a minha mão e respondeu:
—Eu já tenho o melhor. Tenho todos vocês.
Nós entramos no quarto e Kelsey começou a explorá-lo:
—Tem internet aqui?
—Tem. Internet, e-mail, fax, tudo o que quiser.
—É difícil conseguir essas coisas?
—Não quando se é dono de um satélite.
—Vocês têm um satélite? Do tipo espacial?
—Temos. Está com fome?
—Parece que sim.
— Quer assaltar a cozinha?
Ela deu risadas:
—Não vai atrapalhar a tripulação?
—Que nada. Tenho certeza de que podemos pegar alguma coisa. Vamos.
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