A viagem do tigre - Pov dos tigres
16 Algo novo - Kishan
Cheguei cedo à praia para o Luau. Sai antes de Kelsey e Wes, para não parecer que os estava seguindo. Assim que cheguei, eu vi meu irmão, conversando animado com um grupo de mulheres. Elas estavam usando pouca roupa e pareciam muito à vontade, se jogando sobre Ren. Ele me viu, mas não sentiu qualquer constrangimento. Eu me afastei preocupado, pois logo Kelsey chegaria e ficaria magoada se presenciasse o comportamento do meu irmão.
Assim que a vi chegar, fiz com que ela me visse. Eu não iria me aproximar, queria dar espaço a ela. Mas também queria que ela soubesse que eu estava por perto, para o que ela precisasse.
Kelsey estava se divertindo e Wes estava respeitoso, então não me preocupei. Até que Ren começou a demonstrar intimidade com algumas garotas diante dela.
Kelsey o viu e ficou magoada. Eu a vi chorar, amparada por Wes. Ela olhou para mim e eu acenei. Ela me sorriu, mostrando que estava bem.
Quando voltei para o iate, fui ao quarto de Kelsey. Ela estava dormindo, agitada, sussurrava e chorava, como se estivesse em um pesadelo. Eu toquei sua testa e sussurrei palavras de conforto. Ela se acalmou. A respiração voltou ao normal e ela finalmente teve um sono tranquilo. Entrei no quarto ao lado e me transformei. Dormi atento ao sono dela.
Na manhã seguinte fui para a academia e me preparava para o meu treino matinal, quando Kelsey entrou.
—Ei, Kells. Quer malhar comigo?
—Talvez mais tarde. Vim aqui para lhe fazer uma pergunta.
—Certo. Pode falar.
Ela abaixou a cabeça e falou baixinho:
—Quer jantar comigo hoje à noite?
— Mas eu não janto com você toda noite? — disse sorrindo, sem entender direito.
— Eu... eu estou tentando chamar você para um encontro — falou baixinho.
Eu fiquei surpreso, tentando assimilar o que estava acontecendo. Kelsey estava me chamando para um encontro. Eu queria entender se ela realmente queria aquilo, ou apenas pretendia se vingar ou provocar Ren. Ela começou a se agitar nervosa.
— Bom, e aí? — perguntou, impaciente. — Quer sair comigo ou não?
Meu coração se encheu de esperança. Eu me aproximei e toquei sua bochecha.
—Sim, eu gostaria de jantar com você hoje à noite. Quer ir até a cidade?
Ela pensou um pouco antes de responder.
— Quero. Acho que seria a coisa mais fácil a fazer.
— E estaremos sozinhos.
Kelsey concordou e nós combinamos de nos encontrar no restaurante mais tarde. Ela saiu da academia e me deixou sozinho. Eu treinei por várias horas, tentando não pensar naquele encontro. Eu não queria criar expectativa, não podia pressionar Kelsey. Por mais que ela dissesse que estava pronta, ela ainda estava sofrendo. Eu queria ajudá-la a passar por aquela fase de forma suave.
Sai da academia e encontrei Nilima. Ela me disse que tinha visto Ren na noite anterior e que ele saiu acompanhado por uma mulher. Pelo visto, Ren estava mesmo seguindo em frente.
Mais tarde, me arrumei para me encontrar com Kelsey na cidade. Avisei a Kadam que estava saindo e peguei a motocicleta. Estacionei a moto e olhei ao redor para ver se via Kelsey. Mas ela não estava por ali. Entrei no restaurante e procurei por ela. A princípio eu não a vi, mas olhando pela segunda vez, eu a avistei em uma mesa perto da janela.
Kelsey estava diferente. Ela usava um penteado novo e uma maquiagem leve. Estava lindíssima. Sorri ao vê-la, feliz ao perceber que ela se arrumou para aquele encontro. Caminhei em sua direção, peguei sua mão e a beijei com carinho.
— Você está linda. Quase não a reconheci.
— Obrigada, eu acho...
Puxei a cadeira e me sentei, fazendo uma careta para o comentário dela.
— Não foi isso que eu quis dizer. Quis dizer que você está ainda mais linda do que o normal. Gosto dessa cor — disse eu, apontando para sua blusa.
— Obrigada.
Eu a examinei atentamente.
— Você cortou o cabelo.
— Cortei. Você gostou?
— Depende. Em que altura ficou?
Ela puxou um cacho e mostrou que acabava logo abaixo do ombro.
— Ufa. Ainda está comprido o bastante. Então gostei.
— Comprido o bastante para quê?
— Para que um homem passe a mão entre os fios.
Eu sorri ao perceber que ela ficou tímida com o meu comentário. Peguei o cardápio e comecei a ler as opções. Então olhei para Kelsey e fiz a pergunta que me perturbou durante todo aquele dia:
— Por que me convidou para jantar?
Antes que ela pudesse responder, o garçom se aproximou para anotar o pedido. Kelsey permitiu que eu escolhesse por nós dois. Depois que o garçom saiu, eu a encarei, esperando pela resposta.
— Eu chamei você para sair porque... era o momento certo.
— Tem certeza de que não é só por causa de Ren?
Ela fez uma careta.
— Quer que eu seja sincera? Ele é parte do motivo. Fiquei muito irritada ontem à noite. Não gostei daquele sentimento. Prefiro me esforçar para ser feliz, e continuar a me lamentar por causa dele não me deixa nada feliz.
Eu me inclinei sobre a mesa para pegar sua mão.
— Não se sinta na obrigação de ficar comigo, Kells. Só porque eu gosto de você não significa que deva fazer algo a respeito. Eu estarei aqui quando você precisar de mim, não importa o que acontecer.
— Sei disso. Não me sinto obrigada. Não estou dizendo que esquecê-lo vai ser fácil para mim, principalmente porque ele está naquele navio conosco, mas eu gostaria de tentar.
O jantar foi agradável. Nós conversamos e rimos. Depois eu a convidei para um passeio de moto. Nós fomos até o alto de uma colina para ver o pôr-do-sol e desfrutamos daquele momento em silêncio. Era bom estar com ela. E acho que ela também estava gostando de ficar comigo. Estava tranquila, feliz.
Voltamos para o iate, e só então nos lembramos de que o jipe tinha ficado na cidade. Eu disse a ela que pediria para alguém da tripulação buscá-lo pela manhã. Passeamos um pouco pelo deque, de mãos dadas. Eu estava indo devagar, para não pressioná-la. Eu a acompanhei até seu quarto e a detive na porta. Levei sua mão até os meus lábios e falei delicadamente:
— Podemos fazer isso tão devagar quanto você precisar. Não quero pressioná-la.
Ela assentiu e colocou os braços ao redor do meu pescoço. Me abraçou e beijou minha bochecha.
—Boa noite, Kishan.
Eu sorri feliz, enquanto torcia um cacho de seu cabelo com o dedo.
— Boa noite, bilauta.
Wes iria embora na manhã seguinte. Bati à porta de Kelsey para chamá-la. Quando ela abriu a porta, observei seu novo visual. Ela tinha desfeito o penteado e seu cabelo estava solto sobre os ombros. Eu passei a mão pelos seus cachos, sorri e lhe dei um beijo na testa.
Nós fomos até à garagem para esperar por Wes. Ren não tinha descido. Eu apertei a mão de Wes e Kelsey o abraçou. Eu o ouvi sussurrar em seu ouvido:
— Boa sorte com tudo, Kelsey. Pode ter certeza de que vou pensar em você de vez em quando.
— Também vou sentir saudade.
Wes recuou, puxou a aba de um chapéu de caubói imaginário para fazer uma saudação, pegou sua mochila e pendurou a alça no ombro. Ele piscou para Kelsey e disse:
— Então, não se esqueça: se começar a se cansar dessas mulas e resolver que está na hora de encontrar um garanhão premiado, venha me procurar.
— Vou, sim — ela respondeu rindo.
Enquanto observávamos Wes descer a rampa, ouvimos outra pessoa se aproximar com rapidez, estalando saltos altos no pavimento. Eu sabia que era a nova namorada de Ren e queria evitar que Kelsey se encontrasse com ela. Então, eu a puxei pelo braço, impaciente:
— Vamos, Kells.
— Por que a pressa? — brincou.
Então eu ouvi a voz da mulher se aproximando. Era tarde demais.
— Ah, mas você não é mesmo um fofo? Adorei que tenha me convidado para passar uns dias aqui!
Kelsey olhou por cima do meu braço e estreitou os olhos, com raiva. Eu olhei para trás e vi Ren descendo de mãos dadas com uma mulher vulgar em um salto super alto. Eles passaram por nós dois sem prestar muita atenção.
— Ah! Mas como a garagem é enorme! É uma moto ali embaixo daquela lona? Eu simplesmente adoro motos. Ainda mais quando pertencem a homens grandes e fortes. ronronou a voz.
— A garagem não é muito emocionante — disse Ren. — Venha, Randi. Vamos dar uma olhada na piscina.
A mulher se virou para nos olhar e encarou Kelsey, olhando de cima a baixo com desprezo. Depois, se virou para mim.
— Espere um pouco, gato. Ainda não fui apresentada.
Ren avançou, rígido, e disse:
— Este é o meu irmão, Kishan, e esta é Kelsey.
— Nossa... prazer em conhecê-lo. — Ela se aproximou de mim e colocou a mão no meu braço. — Puxa, mas eles são todos bem criadinhos na Índia, não é mesmo?
— Esta é Randi — concluiu Ren.
Kelsey perguntou educadamente a Randy se ela era Americana. A mulher olhou para ela e respondeu:
— Americana? Ah, sim. Sou de Beverly Hills. E você, é de onde?
— Do Oregon.
Ela franziu o nariz.
— Eu jamais conseguiria morar no Oregon. Preciso de sol. O Oregon é frio demais. Se eu morasse lá, nunca ia conseguir ir à praia. Mas dá para ver que você não é muito chegada em praia, então o Oregon provavelmente é o lugar ideal para você, não é? Acho que todo mundo deve saber qual é seu lugar no mundo e ficar lá. Todos seríamos muito mais felizes assim, não acha? Muito prazer.
Randi deu um sorriso falso para Kelsey, depois piscou para mim, antes de ira atrás de Ren.
— Então, vamos andando, bonitão?
Randi passou o dedo pelo braço de Ren e fez biquinho:
— Nós vamos nadar? Eu só tenho um biquíni, e não queria deixá-lo molhado.
— Tenho certeza de que podemos providenciar outro — disse ele.
— Ah, mas você é mesmo uma graça.
Ela se inclinou e tascou um beijo molhado na boca de Ren. Kelsey e eu ficamos olhando até que os dois sumissem.
— É melhor fechar a boca, Kells.
— O quê? Quem? Como? Por que ela está aqui?
— Ela é uma garota que Ren conheceu. Aliás, eu tinha planejado falar sobre isso com você assim que Wes fosse embora.
— Você sabia sobre ela e sabia que ela era... assim?
— Sim e não. Ainda não tinha sido apresentado. Só tinham me falado dela.
— Não gostei dela.
— Vamos fazer o possível para evitar os dois. Que tal?
— Por mim, está ótimo.
Naquela noite, depois de tanto tempo, Ren veio jantar conosco. E trouxe Randi. Os dois caminharam para o bufê e ela proibiu Ren de se servir de carne, falando o tempo todo.
— Tomo muito cuidado com a alimentação. Só como legumes e verduras e, de vez em quando, um pouco de fruta. Me ajuda a manter a forma.
O prato dela tinha duas garfadas de salada e uma fatia de manga. Ela usou uma faca de sobremesa para separar os croutons com todo o cuidado. O prato de Ren também só tinha legumes, e eu ri discretamente da sua cara de descontentamento. Randi prosseguiu:
— Nunca comi carne de nenhum tipo. Nem ovos, nem leite. Acho que os animais são imundos. Não me imagino ingerindo nenhum deles. Não gosto nem de bichos de estimação em casa. Principalmente gatos. O pelo deles é tão sujo! Eles se lambem! E as patinhas deles encostam em você. — Ela estremeceu. — Acho que os animais deveriam ficar no zoológico, não concordam? Afinal de contas, eles só servem para isso.
Kelsey riu alto e tomou um gole de suco. Randi a olhou com desprezo:
— Você sabe que suco de papaia engorda, não sabe? Meu personal trainer diz que nunca se deve comer nenhum tipo de açúcar — O olhar dela foi descaradamente para o corpo de Kelsey. — Mas dá para ver que manter a forma não é prioridade para você. — Ela lançou um sorriso para mim, que a encarava com raiva — Uma garota sempre deve tentar manter o corpo o mais bonito possível, não deve?
Ren ergueu os olhos, sorriu para ela e disse:
— Deve sim, e o seu corpo é... extraordinário.
Ela lhe deu um beijinho na bochecha e Ren voltou a remexer no prato.
Eu larguei o garfo com raiva. Queria jogar aquela mulher no mar. Ela tentou ofender Kelsey e Ren não fez nada a respeito.
— Não há absolutamente nada de errado com o corpo de Kelsey.
Então me levantei e fui me servir novamente. Randi continuou:
— Ah, claro que você não vai pensar uma coisa dessas, porque é muito cavalheiro, mas é o que o mundo pensa. — Ela empurrou o prato para o lado. — Nossa, comi demais. Agora vou ter que malhar por uma hora.
Metade da salada de Randi ainda estava no prato. Ela fez biquinho para Ren, que a consolou dizendo que estava linda.
Flagrei Kelsey cutucando a própria barriga disfarçadamente. Então me sentei a seu lado e peguei sua mão, apertei e beijei, antes de soltá-la novamente. Ela me olhou e sorriu. Eu sorri de volta e olhei para Ren.
Ren fez uma careta para o próprio prato, ainda pela metade. Randi disse que queria fazer um passeio romântico pelo deque e ele a levou dali, para alívio de todos.
Preparei um sunday enorme. Kelsey e eu começamos a comê-lo juntos, dando colheradas de sorvete um na boca do outro. Kadam e Nilima saíram rápido quando nós começamos a brincar de nos sujar com o sorvete. Eu cobri Kelsey de chantili e ela me encheu de calda de chocolate. Kelsey passou o dedo pelo meu braço, coberto de calda e comentou:
— Hummmm, você é bem gostoso.
Peguei um pouco de chantilli e passei na bochecha dela.
— Ah... ainda não terminei com você.— Então peguei um pacote de granulado colorido e joguei sobre ela, que ficou parada, rindo, até eu terminar.— Pronto. Agora, sim.
Eu a abracei e puxei para mim. Ela me olhou com ternura e falou baixinho:
— Obrigada
Eu dei risada.
— Está me agradecendo por quê? Pelo granulado?
Ela sacudiu a cabeça.
— Obrigada por me fazer feliz.
— Sempre que precisar.
Nós ficamos ali, abraçados ao vento, até começarmos a ficar grudados um no outro. Então eu propus:
— Quer nadar no mar para tirar toda essa meleca?
— Só se for agora!
Enquanto caminhávamos pelo cais, depois de descermos pela escada de trás evitando sujar o carpete, eu disse:
— Aquela mulher é maluca. Como alguém pode viver sem açúcar?
Kelsey sorriu e entrelaçou nossos dedos. Eu apoiei o braço no ombro dela, que me respondeu:
— Não sei. Como viver sem doçura?
No dia seguinte, Kelsey e eu tentamos evitar Randi, usando o fruto sagrado para as nossas refeições. Nós dois nos escondíamos pelo iate e escolhíamos o que queríamos comer. No café da manhã, comemos sanduíche de ovo no deque, sentados com nossos pés para fora da amurada e no almoço, subimos no alto da casa do leme. Pedi ao lenço que fizesse almofadas confortáveis e as rodeei com flores de seda, para que ficasse mais romântico. Usei um lenço de linho para vendar os olhos de Kelsey e fui colocando comida em sua boca, para que ela adivinhasse o que era. Depois ela fez o mesmo comigo. Nos divertimos bastante. Quando ficamos satisfeitos, tomamos suco de uva e nos recostamos nas almofadas para observar as nuvens.
Havíamos planejado nadar à tarde, mas encontramos Randi tomando banho de sol na piscina. Kelsey chegou lá primeiro, e quando eu cheguei, Randi a estava ofendendo:
— Se você cuidasse um pouco da sua pele, iria entender por que preciso daquele creme. Seria muito mais fácil ter a pele avermelhada e manchada como a sua. Ninguém nem espera que você seja bonita mesmo... Não sofre as mesmas pressões que eu.
Dei um beijo na bochecha de Kelsey e retruquei:
—Kelsey ficaria linda com rugas.
A expressão de Randi mudou imediatamente.
— É muito fofo da sua parte dizer algo assim. Mas a verdade é que as mulheres não envelhecem tão bem quanto os homens. Num piscar de olhos, os homens trocam a esposa de 40 anos por uma de 20.
— Eu nunca faria isso.
— Ah, eu sei que você não faria — continuou ela, toda melosa. — Mas muitos homens fazem. Uma garota simplesmente precisa aproveitar ao máximo o que tem.
— Você não pode pedir o que precisa a Ren? Nós estamos ocupados.
Ela fungou:
— Ele estava aqui, mas sumiu.
— Vamos encontrá-lo e fazer com que ele providencie o seu creme.
Ela deu um sorriso cheio de flerte.
— Muito obrigada. Tantos homens educados numa família só... A sua mãe deve ficar muito contente.
— Ela ficava — disse a ela e fiz Kelsey dar meia-volta. — Que tal ginástica com massagem em vez de natação?
— Parece bom — nós saímos e começamos a caminhar na direção da academia. — Você não vai procurar Ren e lhe dizer que ela precisa dele?
— Ah, não. Tenho certeza de que ele já sabe. Se eu fosse Ren, também iria evitá-la.
Encontramos Nilima no meio do caminho e ela estava furiosa com Randi.
— Ela é tão pidona! Insultou todos os membros da tripulação. O chef, que eu tive que implorar para que viesse conosco, foi menosprezado na frente de sua equipe. O capitão passou a trancar a casa do leme e meu avô se recusa a sair do quarto até que ela vá embora. Quando Randi não está enfurecendo as pessoas, está flertando com elas. Ela usa todos os truques que tem à disposição para conseguir o que deseja. Eu nem quero saber por que Ren a convidou para vir aqui. Só quero que ela saia do iate!
Na manhã seguinte, eu estava tomando banho quando fui surpreendido por Randi na porta do banheiro. Eu não a ouvi chegar, pois estava distraído e jamais imaginaria que alguém pudesse invadir meu banho. Obviamente tomei um susto quando me virei e vi aquela mulher atrevida me olhar. Ela tinha um sorriso nos lábios e falou com voz sedutora:
— Nossa, me desculpe, achei que fosse Ren. Se bem que achei algo interessante por aqui. Uau vocês dois são tão...
—Você é louca! — Eu a interrompi, pegando uma toalha.
Me enrolei e saí pela porta de comunicação com o quarto de Kelsey, deixando Randi, que me olhava como um predador para a sua presa. Kelsey estava deitada e se levantou de repente, sentando-se ereta e esfregando os olhos. Depois me olhou surpresa.
— Qual é o problema?
— O que aconteceu?
— Randi entrou no meu quarto sem ser convidada e interrompeu o meu banho!
— Por que ela faria uma coisa dessas?
— Ela alegou que estava desesperada para encontrar Ren.
— Deve haver alguma verdade nisso. Ela provavelmente o manteve acordado durante a maior parte da noite, e ele ainda precisa permanecer como tigre durante 12 horas por dia. Tenho certeza de que está escondido por aí.
— Mesmo assim, ela não tinha o direito de entrar no meu banheiro! Vou terminar de me lavar no seu. Fique de olho.
— Certo. Ficarei de olho em mulheres perigosas — falou, rindo. — Não se preocupe. Vou proteger você das tramoias ardilosas dela. Pode ir tomar banho em paz.
Eu enfiei a cabeça pelo vão da porta e sorri:
— Para sua informação, você será sempre bem-vinda se quiser invadir o meu banho.
Ela riu, tímida:
— Bom saber.
Quando terminei o banho, Kelsey não estava no quarto. Fui tomar o café da manhã e ela chegou logo em seguida. Tinha ido falar com Ren.
— Ren precisa ficar como tigre mais um pouco, e prometi a ele que nós iríamos mantê-la ocupada — cochichou.
— Só porque você pediu — eu dei um beijo em sua testa — eu vou ajudar a distraí-la e tentar tolerar a tagarelice e os flertes dela.
— Eu sabia que havia um motivo para eu gostar de você.
Eu a abracei:
— O sentimento é mútuo.
Nós fomos assistir a um filme, mas Randi começou a reclamar na primeira metade. Ela era uma pessoa muito desagradável. Então nós resolvemos nadar.
Kelsey e eu pulamos na água e demos várias voltas. Randi apenas se sentou na beirada para tomar sol. Vi quando Kelsey parou perto dela. Randi começou a falar:
— Fique sabendo que ainda vou fisgá-lo. Ou ele ou o outro. Nunca conheci um cara que não conseguisse conquistar. Olhe, você não devia nadar sem touca. O cloro acaba com o cabelo.
Kelsey sorriu para ela e voltou a nadar, dando as costas para Randi. Eu mergulhei a seu encontro e agarrei seu tornozelo, puxando-a para baixo, então a envolvi com meus braços e voltei com ela para a superfície, então sorri:
— Chega de bancar a babá. Ren veio buscá-la na sua última volta. Então... quer trocar de roupa e terminar de ficar agarradinha comigo na sala de TV?
— Achei que nunca fosse me chamar.
Eu a peguei no colo e ela deu um gritinho quando subi os degraus e a levei até o chuveiro.
Naquela noite, o Deschen levantou âncora, Ren foi levar Randi para fora do iate. Todos, inclusive a tripulação, fomos acompanhar. Eu ri quando Ren se abaixou para beijar a bochecha da mulher. e sussurrou no ouvido dela chamando-a de sukhada motha.. Kelsey quis saber porque eu estava rindo.
— Ren a chamou de sukhada motha. “Uma erva daninha deliciosa.”
— Ele é mesmo bom para apelidos.
Randi veio em nossa direção e agarrou meu braço.
— Espero que a sua namoradinha não tenha se incomodado de eu ter visto você no chuveiro. Tenho certeza de que ela vai entender. Por favor, entre em contato comigo quando quiser.
Ela colocou um cartão em minha mão e se encostou em mim pra me dar um beijo no canto da boca. Depois piscou para Kelsey e desceu a rampa rebolando. Eu limpei a boca com as costas da mão, irritado e comentei:
— Minha mãe teria comido essa aí no café da manhã.
— É mesmo?— Kelsey sorriu.
— É. Você, por outro lado, ela iria adorar.
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