Ele havia cortado o cabelo dele no estilo militar, há seis anos, já que começou a estudar em colégios militares e cabelos grandes não era permitido. Ele tinha um cabelo loiro com mechas naturais mais escuras e outras claras, liso, de dar inveja a qualquer mulher. Pelo menos eu e Alê tínhamos. Meu cabelo era ondulado nas pontas e era castanho claro. Há uns meses atrás, antes da confusão com o Thiago e Alê, pintei as pontas de loiro, depois fiquei colorindo ele com papel crepom, sempre alternando a cor. Essa semana eu usava vemelho. Estava razoavelmente bonito.

Pensei em pintar o meu cabelo todo de azul, já que eu tenho a pele branca pálida, acho que ficaria bonito. Uma garota de olhos cor de chocolate + cabelo azul, acho que eu seria um tentação aos olhos humanos. Ou não. Só não fiz essa façanha ainda porque a minha mãe custou engolir as minhas pontas coloridas, disse que era coisa de "emo". Acho que ela provavelmente pensou que se eu tivesse um cabelo colorido, queria dizer que eu estava cortando os meus pulsos e beijando garotas, não que eu já não tenha, mas ela não precisa saber disso, e se soubesse também, acho que me mandaria pra um convento, já que em um internato eu muito provavelmente teria que dividir o quarto com outra mulher/garota influenciando em sua sexualidade. Assim terímos um romance lésic secreto. Eu e a minha colega de quarto.

Entrei em casa, Bel ainda não havia chegado em casa, o que é estranho já que a primeira casa que a van dela para é na nossa. Normalmente ela estaria me esperando, pra fazer a sua comida, assistindo TV a cabo. Decido por fazer uma macarronada, Bel chega com Lara, sua amiga de escola, que também vai na mesma van. As duas vão pro quarto da Bel e ficam brincando até a comida estar realmente pronta. Subo pra dar uma espiada nelas, que brincam de escolinha no pequeno quadro negro pregaado na parede. Bel tem oito anos e diferente de mim ela tem olhos verdes, herdado do meu pai, enquanto eu tenho os meus olhos de chocolate, herdados da minha mãe. O cabelo dela é mais claro também. E sua pele é mais bronzeada. Lara tem olhos castanhos e cachos loiros, ela é menor que Bel e mais chorona também. Nas terças e quintas, dias em que eu não tenho curso, fico com elas a tarde toda. Até a hora em que a mãe da Lara vem buscar ela.

Exatamente no minuto em que eu termino a macarronada, meu amigo chega. Eliot chega com umas sacolas, imagino que sejam presentes. Meus olhos crescem nas sacolas diante mim.

– Trouxe presentes. — Disse ele arregaando os olhos na panela, depois abrindo um sorriso satisfatório. Eliot amava a macarronada da minha mãe. E já que eu era aprendiz da minha mãe, consequentemente o meu tempero tem o mesmo gosto que o dela. Fato que ele obviamente notou já que estava com uma cara de que iria devorar tudo e não deixar pra ninguém.

– Tô vendo.

– Já pode comer? — Perguntou ele num tom esperançoso

– Pode. Mas não acaba com a comida — Balancei a cabeça em negativação. — As meninas eu também estamos com fome. Okay?

– Relaxa Cérebro, tem comida aí pro Exército de Israel. — Ele me deu um sorriso malicioso. Obviamente ele ia deixar um pouco pra Bel e pra Lara, pra mim já era diferente. Eu sabia cozinhar, e podia fazer mais.

– Haha engraçadinho. — Disse em tom apático. Ele sorriu mais em reposta. O garot ralmene parecia um bobo alegre. — Agora, me conta tudo.

– Tudo o quê?

– Tudo sobre tudo.

– Hum... A poeira lunar é tão afiada quanto vidro. Um dos astronautas que foram pra Lua aprenentou... — Cortei ele na hora. Não deixar ele continuar com essa ladainha de Lua e poeira lunar.

– Quero saber sobre a sua vida em L.A. . Como é o sorvete de lá por exemplo.

– É um sorvete. É tudo igual, só que lá é mais gostoso, do que o da Samantha. Isso me lembra que eu já te disse tudo o que você queria saber pelo facebook.

– Tá. Mas vai que tinha uma coisa nova. Sei lá. Vai que esqueceu alguma coisa.

– Você retirou toda e qualquer informação que você queria de mim. Não enho mais nada novo.

– Ok!

– E então? Como é que anda as coisas com a Alê? Ela já se tocou da merda que fez?

– Obviamente não. — Meu peito pesou, não queria falar sore ela em um momento descontraído. — Decidi desistir dela, já que não sou digna de amizade com uma pessoa tão puritana quanto ela.

– Que barra. — Disse ele tristemente. Ele me abraçou e eu retribuí seu abraço. Nos soltams e mudei de assunto.

– E você e a Britany?

– Terminei com ela. Distância não é a melhor amiga dos casais. — Ele me deu um sorriso torto um tanto triste, respondi seu sorriso com um olhar de pena, sua namorada loira de L.A. era linda e particularmente simpática, eu gostava dela, era uma pena eles terem terminado. — Enfim... Vamos comer!- Disse ele animadamente.

– Grande idéia. — Sorri. e fui chamar as meninas. Que desceram correndo, o que me deixou aflita, crianças correndo em escadas nunca são uma boa combinação.