Almoçamos, Eliot e eu conversamos sobre um monte de besteiras. Sempre contei tudo pro Eliot. Tudo mesmo. Dele eu não escondia nada. Ter ele de volta me deixou muito feliz, principalmente quando ele me contou que estudaria na minha escola. O que deixaria Alê mais feliz também, já que ela morria de amores por ele. Nunca soube se o ciúmes dela era direcionado a mim ou a ele. Aí eis a questão. Eliot me contou da despedida que os amigos dele fizeram. Britany tinha ido, por mais que eles não estivessem juntos ainda se gostavam, e o cara que ela gostava estava voltando pro país dele. E se ela não tivesse ido eu iria esculachar ela no facebook, por deixar o meu amigo triste. Os amigos alugaram uma casa de praia em um lugar isolado e fizeram uma grande festa. Eliot disse que havia pessoas lá da qual ele nem conhecia, mas aquela foi a mais divertida da qual ele já foi, apesar de ser a sua festa de despedida. O que não faltou lá foram os shots de gelatina. Queimaram marshmallow em uma fogueira que fizeram na praia. Nadaram pelados no mar. Tocaram músicas brasileiras. Eliot disse que ensinou as meninas a dançarem funk e samba. Enquanto ele me contava as coisas idiotas da festa minha barriga doía de tanto rir. Aconteceu muita idiotice. Desenharam um pênis gigante na cara de uma garota loira que acabou pegando no sono e em monte de outras caras que fizeram a mesma coisa.

– Nossa! Já estava me esquecendo dos presentes.

– O que trouxe pra mim?

Ele pegou a sacola com os presentes e foi tirando os meus. — Um casaco dos Angels, Outro dos Yankees. Mochila preta com a purpurina dourada e um globo de luzes neon.

Meus olhos se alegraram, o meu globo de luzes neon. Só meu. Eu poderia comprar essas coisas pela internet se a minha mãe não fosse cismada. Ele trouxe uma maleta de maquiagem da Victoria Secret pra minha mãe, que trabalhava com isso e um perfume Channel nº 5. Pra Bel ele trouxe uns brinquedos. Um Urso de pelúcia robô que anda e fala e uma mochila rosa com purpurina também. Pro meu pai ele trouxe um disco de vinil dos Queen e Metallica. Meu pai pode ser certinho agora, mas antigamente ele era um homem rebelde e livre, puxei a ele nesse lado, diferente da minha mãe que só não é tão puritana quanto Alê, por experiências vividas, coisas que Alê ainda não experimentou.

– Amei! Sério, obrigada Eliot. — Eu transbordava sorrisos naquela tarde. Deixei os meus presentes no sofá de aveludado e abracei ele mais uma última vez.

– De nada. Que bom que gostou.

– Vai pra escola amanhã?

– Vou só que sem uniforme.

– Não se preocupe. Lá muitos alunos idiotas vão sem o uniforme, mas obviamente levam advertência. Como você é carne nova no pedaço, duvido que levará alguma advertência. Tem gente que estudou com você no fundamental lá.

– Legal. Mas isso não me importa. O que me importa agora é eu tirar um cochilo antes da janta.

– Meus Deus! A hora passou e eu nem vi. — Arregalei os olhos ao olhar pela janela, o céu ganhava tons alaranjados e salmon. Já eram seis horas. As sete a mãe da Lara buscaria ela e as oito a janta tinha que estar pronta pra Bel e pra sua mãe.

– Pois é! — Ele me deu um beijo na bochecha e disse: -Já vou gata! Vamos pra escola juntos amanhã. Você me corda ok? — Concordei com a cabeça.

O tempo com Eliot passou tão rápido que nem percebi. Eliot, quando começa a falar não para mais, é como uma cachoeira. Fazia um bom tempo em que eu não ria tanto durante uma tarde inteira. Isso me fez sentir bem e leve. Como se as coisas com Alê nunca tivessem ocorrido. O que me fez pensar nela brevemente, mas afastei ela novamente. Pensar nela não me fazia tão mal quanto antes. Era como se ela apenas tivesse sido apenas mais um coadjuvante na minha vida.

Agora tinha que pensar no que fazer para a janta e o que fazer em ralação ao meu globo de luzes neon. O certo seria dar uma festa com ele, mas com a escola toda me odiando, isso seria um tanto impossível. Podia fazer uma festa do pijama, eu Jéssica, Théo e Eliot. Talvez isso desse certo. Pensando em Jéssica me lembrar sua queda por caras loiros. Ela com toda certeza ia amar Eliot. Todos amam Eliot. Ri um pouco pensando no casal inusitado que seriam.

Fiz um arroz de forno com um monte de coisa que tinha nos armários e geladeira acompanhado de uma salada básica com bifes de carne de vaca e mamãe fez um pudim. Todos jataram felizes após verem seus presentes. Mamãe quase surtou com maleta de maquiagem, papai queria abrir uma garrafa de vinho pelos discos que ganhou e Bel ficou brincando até na mesa. Mamãe deixou porque estava de bom humor, obviamente.