A substituta

18 Um sacrifício


Corri até o Castiel que estava me esperando.

— Castiel... — eu disse ofegante, tinha vindo encontrá-lo correndo. — Pensei que não virei, então comprei roupas novas.

— Comprou roupas? —Ele olhou pra minha sacola. —Então deveria ter ido embora.

—Eu já estava indo, mas você me chamou então eu vim. — Disse sorrindo.

—Normalmente sou pontual. —Ele olhou pro lado. — Mas uma situação me atrasou.

—Tudo bem. —Ele estava com a Ambre, quando liguei pra ele mais cedo ela atendeu o celular. — Ainda assim você veio me buscar.Obrigada!

Ele me olhou espantado, e depois me olhou de cima a baixo de novo.

— É estranho te olhar vestida assim...

—Ah, vou me trocar. —eu corri pra entrar no carro, ele segurou o meu braço.

—Lynn... — eu olhei pra ele. — Que tal voltar assim? Se voltar assim, te levarei ao presidente Faraize e vou te ajudar esclarecer tudo.

Fiquei pensando um instante, mas depois de um tempo eu resolvi vestir as roupas de garoto. Tirei os apliques e coloquei um boné. Castiel me olhou com desaprovação.

—Você planeja continuar como Taylor?

—Por que no primeiro dia lá na gravadora você me aceitou no grupo? — Ignorei sua pergunta e fiz outra.

—Gostei da sua voz. —Ele fitou o longe. —Foi a voz que mais combinou com a canção. —Ele me encarou. — A voz que eu procurava.

— Então... Pode me ajudar com isso? —Pensei na carreira solo que o Faraize queria que eu seguisse. — A voz que você escolheu não foi a do Taylor, mas sim a a minha. —disse decidida. — Então me ajude a cantar sua canção. —Ele me encarou por um longo minuto.

—Se não conseguir será expulsa.

—Vou conseguir.

Entramos no carro, já era de noite.

—Lynn... — Castiel disse. — Quando tirou as roupas da mala pra se trocar, encontrou algo? — Ele perguntou olhando pros lados.

— Eu não... — Pensei um pouco.

— Ok. — ele me olhou pelo canto do lado e depois voltou sua atenção pra estrada. —Então depois procure com cuidado.

—Sim.

Eu estava curiosa pra saber o que era, peguei a mala e a coloquei no colo.

— O que é isso? — Tinha uma presilha brilhante de laço, eu a peguei. — É linda. — Eu a olhei de perto.

—Sabe isso... —Ele começou.

—É da Ambre? —Ela estava no carro dele provavelmente esqueceu.

—Por que acha isso? —Ele perguntou sério.

—Bom, vocês estavam juntos... Ela atendeu seu celular.

— Ela tocou no meu celular? — Ele disse bravo.

—Como você precisa devolver, vou guardar. — Eu coloquei a presilha no porta luvas.

—Isso... —Ele pareceu engolir em seco. — Não é dela. É seu! Como você quase chorou quando quebrou aquela outra presilha, comprei outra pra você.

—É mesmo pra mim? — Perguntei emocionada e peguei ela de volta. —É tão linda. — Fiquei olhando pra ela.

—Vai ficar só olhando? — Eu olhei pra baixo.

—Estou vestida como homem, não vai combinar. Mas quando voltar a me vestir como garota e meu cabelo crescer, eu usarei. —Disse sorrindo.

—Sério? Então acho que nunca verei isso. —Eu olhei pra ele. —Se voltar a ser uma garota, não vai mais estar aqui, não é?

—É mesmo. —Eu disse triste. — Quando eu voltar a ser uma garota, não nos encontraremos novamente. — Ele me olhou, parecia desconfortável.

—Não parece mais isso custou 20 reais. — Ele disse querendo desviar o assunto. Eu olhei pra ele surpresa.

—Sério? —Eu olhei a etiqueta de preço que estava nela. — Castiel, não precisa mentir. Não te, problema ter custado só 2 reais.

—Eu comprei por 20 reais! — Ele disse alto.

— Eu continuo achando ela linda mesmo assim, e olhe a etiqueta diz 2 reais. — Eu ri.

—Mas eu dei 20 reais pra ela. Quer saber, vou voltar até onde comprei isso e... —o celular dele tocou. —Um minuto.

Ele recebeu uma mensagem, parecia séria porque depois disso ele não quis mais conversar. Quando chegamos até o estúdio havia vários repórteres na porta, descemos do carro e o Boris veio até o nosso encontro.

Castiel caminhou apressado, Boris disse que Ambre estava lá e ele pareceu correr pra encontrá-la. Eu parei pelo caminho e fiquei olhando ele se afastar.

Pov. Castiel.

Entrei na sala, Ambre estava com o presidente Faraize.

— Fiquem à vontade. — O Faraize disse saindo da sala.

Eu fiquei encarando aquela garota e me aproximei dela.

— Por que veio? — Disse tentando me manter calmo. Ela se levantou.

—Vim lhe entregar isso. — Ele me olhou de um jeito cínico e me estendeu a minha jaqueta. — Não quis dizer isso, mas obrigada por tudo.

—Você veio até aqui só pra me devolver isso? —perguntei incrédulo. — Você devia ir lá e explicar o que aconteceu aos repórteres. — Peguei a jaqueta da mão dela.

— Você sabia que esses boatos de que estamos juntos iam surgir ao ter me ajudado, mas tudo bem. Mesmo que eu diga a verdade eles não ouvirão. — Ele me encarou. — Por que não admitimos que é verdade.

—O que? — Quase ri dela.

—Por mim está tudo bem. E por você?

—Não. —fui direto e reto. —Não quero dizer que estou com você. Isso é impossível. — Ela me olhou com uma expressão chocada. — Vá lá e diga que não é verdade, se disser o contrário, vai passar vergonha. —Eu me virei pra sair.

— Esqueceu por que eu te liguei? — Eu parei e olhei pra ela. —Eu disse que conheço a garota.

— Chega de brincadeira. E vaza daqui. —Dei um sorriso debochado pra ela e sai da sala.

Fui irritado pra sala de gravação a Lynn estava lá.

—Você está bem? —Ela me perguntou.

—Não foi nada. —Eu vesti a jaqueta.

Ela ficou olhando pra mim em silêncio, meu celular tocou e eu peguei pra conferir o que era. Era uma mensagem da Ambre, ela me mandou uma foto dela junto com a Lynn. Encarei meu celular abismado, então não era mentira dela. Ela sabia que a Lynn era uma garota.

Me virei pra encarar a Lynn. Liguei pra Ambre.

—Eu disse que sabia quem era. — ela disse ao atender ao telefone. — Não estou brincando.

—Vamos conversar. —Eu disse.

—Não quero. Estou muito ocupada indo explicar tudo as repórteres. — Ela desligou.

Eu olhei de novo pra Lynn.

—aconteceu algo? —Ela perguntou. Eu fiquei em silencio olhando pra ela.

— Lynn, vou perguntar mais uma vez. Você precisa ficar aqui? —Ela ficou me olhando. — como um homem? Como Taylor, você precisa ficar aqui?

Ela pensou um instante e então assentiu que sim, eu me virei e saí da sala sem dizer mais nada.

Pov. Lynn

Eu fiquei parada tentando entender por que o Castiel estava insistindo nessa questão. Quando ele saiu, eu caminhei devagar atrás dele, ele tinha ido em direção à Ambre e a puxou pelo braço, ela parecia tentar afastá-lo, mas ele a puxou e a beijou na frente dos fotógrafos.

Eu senti uma dor no peito e coloquei a mão.

Quando aquela eletricidade passa pelo corpo, deveria doer tanto?

Fiquei encarando aquela cena sem conseguir desviar os olhos, parecia não ser real, mas a quanto mais eu olhava mais doía. Lágrimas encheram os meus olhos. Eu definitivamente não queria ver aquilo, queria me virar, mas meu corpo não respondia.

E agora?

Alguém me puxou pelo ombro, e eu me virei. Encarei seu rosto, não consegui esconder as minhas lágrimas.

—Lysandre. — eu disse. Ele olhou pra mim e em seguida olhou o Castiel beijando a Ambre.

—Vamos. — Ele segurou meu pulso e me puxou.

Ele me levou para onde eu não pudesse ver aquilo. E depois me entregou uma garrafa de água.

—Acho que água não vai ajudar. — Eu disse.

— Foi tão surpreendente assim o que o Castiel fez? — Tinha um pouco de dor na voz dele.

—Eu... Eu. — Não sabia bem o que me deu, mas não foi uma surpresa. Tentei achar a palavra certa.

—Claro que ficou. Eu também fiquei. — Ele me encarou — Com certeza todas as fãs dele pelo mundo, estão chorando. Elas ficaram tristes.

—Fã? — Então era isso que eu era.

—Isso mesmo, fã. Ele é um astro, alguém que muitas pessoas amam e respeitam. —Ele tentava me fazer entender o que eu sentia. — Gostar dele não é necessariamente ruim ou especial. —Eu olhei pra baixo.

—Acho que sim. —Disse tristemente. —Eu sou apenas mais um, acho que não sou especial.

—Correto, está triste por ele, porque você é um de seus muitos fãs.

—Acho que como um fã, eu deveria ficar feliz por ele. —Encarei o Lysandre. — devo parabenizá-lo. —Ele me olhou com um leve sorriso de encorajamento, eu olhei de um jeito melancólico pro lado.