Mais tarde em casa tomei um banho e tentei não ficar pensando tanto naquela situação, vesti um moletom com um grande capuz e me senti escondida nele. Alexy e a minha tia fizeram uma festa pra comemorar o relacionamento do Castiel.

—Líder, fizemos essa festa em sua homenagem. —Disse minha tia.

—Parabéns! Parabéns! — Boris, Alexy, Lysandre minha tia e eu cantamos.

Ele ficou nos encarando irritado e nada feliz. Paramos de cantar e ele saiu.

—Acho que ele está envergonhado. —Agatha disse.

—Acho que ele só sente culpado por não ter nos contado. —Disse o Alexy.

Eu apenas fiquei olhando pra baixo, tentando esconder de mim mesma que estava triste.

Nos sentamos pra comer, tinha Agatha trouxe bebida eu bebi algumas doses.

—Sobrinho beba. Os homens da nossa família bebem bem. — Ela serviu um copo pra mim. mas eu virei o rosto. — Por que você é tão delicado?

—Não tia, acho que estou bêbado. — O Alexy me olhou e disse.

—Taylor, sai. —Eu estava sentada perto da Agatha. — Tia eu vou beber no lugar dele.

Ele se sentou no lugar onde eu estava e me levantei, saí andando cambaleando.

Fui tomar um ar no terraço, fiquei dando tapas de leve no rosto pra me despertar.

—Taylor. — Alguém chegou atrás de mim. Me virei pra olhar era o Alexy. —Você gosta daquela pessoa?

—Hã? — Ele chegou tão de repente.

—Está bravo por que gosta daquela pessoa?

—Ah... Sou apenas fã. — desviei o olhar. —Nada especial.

—Não é errado gostar de alguém. — Ele me disse suavemente. —Pegue. —Ele me estendeu um livro, eu o peguei. — Foi escrito por uma dos meus escritores favoritos. Ele diz: '’Pessoas que não amam são culpadas.’’ Então, pessoas que amam, não importa quem seja , são inocentes.

—Então não estou fazendo nada errado? — Eu disse quase pra mim mesma.

—Isso aí. O que há de errado em gostar de alguém? — Ele olhou pros lados.

—Obrigado por me dizer isso Alexy. — eu caminhei devagar de volta pra dentro de casa.

O pessoal já tinha acabado com a festa e eu resolvi não ir para o quarto do Castiel, fui até a ante sala e me deitei embaixo do piano com o livro que o Alexy me deu. O tapete dali era confortável. Fiquei pensando em tudo que me disseram e no que estava sentindo. De repente alguém pisou no meu pé.

—Ai. — Eu disse, quando fui me sentar bati a cabeça no piano. —Ai.

Olhei pra cima pra ver quem era, era o Castiel vestido com seu robe, olhei irritada pra ele.

—O que está fazendo aí? —Ele perguntou.

—shh! Estou procurando por respostas. —Ainda estava bêbada e com o livro nas mãos.

—O que? — Ele levantou uma sobrancelha.

— Eu sou... Culpada ou inocente? — Ele me olhou confuso depois respirou fundo.

— Fez algo errado de novo?

—Sim. Acho que fiz.

—Por isso não voltou pro quarto. Por que está se escondendo ai? —Eu olhei pra ele e pisquei várias vezes os olhos. —Se quer tanto o '’perdão’’, saia daí. — Eu fiz uma sinal de negativa com a cabeça. —Você deve ter feito algo terrível então. Saia daí.

Ele começou a puxar a minha perna, mas eu me segurei em um dos pés do piano.

—Não vai sair? Ele foi até o piano e começou a tocar todas as teclas.

Eu apenas tampei meus ouvidos com as mãos e gritei que não ia sair, ele parou de tocar.

— Acha mesmo que é o momento de ficar bêbada, causar problemas e agir como criança mimada? Pelo menos já ouviu a canção que vai lançar?

—É uma musica sua então deve ser boa. — ironizei. — Castiel! Sou sua fã! Fã.

—Não preciso de uma fã como você. —Eu olhei triste pra ele.

—Não precisa de uma fã como eu? —Disse pausadamente. — Preciso ser sua fã.

Se eu for sua fã, tudo bem meu coração se machucar e ainda posso te parabenizar.

—Você é, de qualquer forma, uma pessoa especial que cantará uma musica que eu escrevi. Então preste atenção. — ele se sentou no piando outra vez.

Começou a tocar uma melodia suave , logo reconheci que era a musica que eu ouvi em seu mp4 quando ele o deixou cair no aeroporto. Não queria ficar ouvindo isso, ele queria me deixar mais triste e pensando nele. Em algum momento o cansaço tomou conta de mim e eu dormi.

No dia seguinte fui de ressaca para o estúdio, entrei na sala de gravação e cantei a musica. mas pela cara de reprovação do Faraize e dos produtores não estava nada bom.

—Um minuto. —Disse o Faraize. — Não tem emoção. A voz está boa, mas falta sentimento.

—Desculpe... —eu disse.

—Não há nada que cause impacto. Cadê a paixão? Tipo... —Ele pensou. —Como se algo te deixasse triste ou deprimido. Você nunca teve um relacionamento? — Eu olhei pra baixo. Me senti mal por não estar fazendo direito.

—Vamos fazer uma pausa. —Disse o Boris.

Em seguida ele me levou para fora, me trouxe uma bebida e tentou me orientar sobre o que fazer.

—Em minha opinião essa canção é... —Boris pensou. —Amor. Uma canção repleta de amor entre um homem e uma mulher. —Eu pensei um pouco. —Se quer a pessoa, quer ver a pessoa. Você não consegue conter as emoções, então explode. É esse o ponto. —Ele me olhou sorrindo um tanto desconfortável. — Mas claro que a irmã não conhece essas emoções.

—Então, o que devo fazer? — Ele respirou fundo.

— Por que você e sua tia não visitam o túmulo de seu pai? Quando for até lá, encontre aquele sentimento, nem que seja por um parente. E liberte-o! O que acha?

— Farei o melhor. — Eu disse num tom baixo.

—Como o Castiel escreveu a canção, ele devia ajudar. Mas ele vive por aí namorando e causando escândalos. —Eu olhei pra baixo pensando.

Essa semana tinha saído várias revistas e jornais com o Castiel e Ambre na capa, sempre andando juntos. Tivemos até que ir acompanhá-los na estreia de um filme da Ambre. Quando isso acabasse eu ia viajar. Minha tia tinha ido à frente e foi até o interior, onde visitaríamos o túmulo do meu pai.

Antes de sair me despedi do Lysandre.

— Tenha uma boa viagem. — Ele disse. — Tire um tempo para si.

—Pensarei muito. Estou nervoso porque é a primeira vez que voltarei a minha cidade natal.

—Se la for tão legal, leve-me também da próxima vez. — Ele sorriu.

—Você quer ir? — Perguntei surpresa.

Ele deu um sorriso malicioso e olhou pros lados, depois se inclinou pra mim e eu tive que me afastar pra trás.

—Quero '’matar cachorros com você’’ —Ele passou a mão na minha cabeça, eu sorri sem entender. Passei a mão no cabelo ajeitando o que ele desarrumou e ele me olhava sorrindo.

Quando fui até o estacionamento, para esperar o carro do Boris, quem apareceu foi o Castiel, sem dizer muita coisa ele disse que ia me levar, entrei no carro surpresa mas não disse nada. O celular dele começou tocar sem parar.

—Não vai atender? — eu disse.

—Estou ocupado dirigindo e não posso atender. — Ele disse calmamente.

— Tenho que passar a noite lá, então não vai ser um incomodo ter que ir me buscar depois? — ele riu.

—Do que está falando? Passarei a noite lá. Lynn, estaremos bem ocupados hoje e amanhã. — ele me olhou pelo canto do olho. — Soube que sua gravação foi um fracasso.

— Você ouviu? — Perguntei constrangida.

—Sim, então irei com você pra treiná-la. — Ele disse num tom autoritário. — Estou tão ocupado, e fico mais ainda por sua causa.

—Desculpe ser um incômodo. —O celular dele tocou novamente, ele olhou quem era.

—Que mulher irritante! —Ele sibilou. — Vamos parar o carro. Vá comprar algo pra eu tomar, estou com pressa. — Ele mandou.

—Ok. — Eu tirei o cinto de segurança quando ele parou o carro.

Já estávamos quase chegando, havia um pequeno comércio do outro lado da estrada, fui correndo e voltei correndo com uma lata de refrigerante na mão. Ele me esperava do lado de fora do carro.

—Estamos mesmo no interior. —Ele disse pegando a lata da minha mão. — O ar é limpo e a vida é bela. Além disso é quieto. Estou cansado então isso me fará bem.

—Corri porque você disse que estava com pressa. —Eu disse ainda ofegante.

—Srta Lynn, eu decido o roteiro. Não se intrometa. —Ele foi abrir a latinha e o refrigerante jorrou por sua roupa toda. —O que é isso?! — Ele gritou.

— Desculpe! Devo ter balançado muito enquanto voltava pra cá. —Ele me olhou limpando a camisa com a mão.

—Como pude me esquecer? Com a zona de acidente ambulante andando do meu lado. Como pude relaxar? — Eu tentei limpar a roupa dele com a minha mão, mas ele me afastou.

—Já estamos chegando, vou lavar lá. —Eu disse

—Não posso fazer nada com essas roupas sujas e nojentas! — Ele disse quase tendo um ataque.

—O que faremos?... —Pensei um instante. —Ah, você pode pegar alguma roupa da mala do Boris já que não trouxe a sua.

Ele me olhou irritado, e então entrou no carro pra se trocar. Quando ele saiu quase tive um ataque de risada.

Ele escolheu uma roupa esportiva, a calça ficou no meio da canela e a blusa de frio curta.

—Só vou vestir isso porque preciso dirigir. Mas por algum motivo me sinto desconfortável.

—Mas você está lindo. —Levantei os polegares e fiz um sinal de joia. — E nada ruim acontecerá. —Ele olhou pra mim irritado, eu virei o rosto na outra direção.

—Vamos logo. —Entramos no carro de novo.

Estávamos indo pela estrada de terra um carro preto luxuoso nos ultrapassou. Castiel ficou bravo por estar naquele carro pequeno do Boris. Quando descemos do carro ao chegar à casa da minha tia, havia uma multidão se senhoras nos olhando.

—Ele é um cantor? — disse uma delas incrédulas ao ver o Castiel.

—Eles são cantores... —Disse minha tia.

—Você está brincando. —Elas começaram a dispersar.

Me pareceu que minha tia reuniu aquelas pessoas pra nos ver, mas ninguém nos reconheceu e isso foi um alivio.

Lavei as roupas do Castiel. Depois disso, minha tia pediu pra nos arrumarmos pra irmos ao túmulo do meu pai, eu peguei um grande arranjo de flores, Castiel dirigiu até a lá. Em determinada parte do trajeto tínhamos que ir a pé, eu e a Agatha descemos do carro.

—Líder. — Minha tia disse.

—Não irei. — Ele disse.

— Sim, eu ia dizer pra você ficar. Aonde mais você iria vestido assim? Fique aí. — Eu quase ri da cara que ele fez.

Observei que ao lado do carro do Boris, o carro preto luxuoso que nos ultrapassou antes estava estacionado. Seguimos andando e uma mulher muito bem vestida cercada por dois seguranças descia o monte.

—Ela está fazendo desfile de moda na montanha? — Minha tia disse ironizando, mas ela também não estava nada discreta com suas roupas. — Exibida! Roupas de couro e pingentes de metal.

Quando chegamos no túmulo, alguém parecia ter limpado o lugar, havia também flores novas. Alguém tinha estado ali há pouco tempo, provavelmente aquela mulher bem vestida...

—Tia! — coloquei as flores na mão dela e saí correndo atrás daquela mulher.

Eu tinha que alcançá-la, corri o mais rápido que eu pude, mas não vi nem sinal dela. Liguei no celular do Castiel, queria que ele a segurasse até que eu chegasse, porque com certeza aquele carro parado ao lado do nosso era dela.

Quando cheguei o carro dela já tinha saído, eu tinha perdido eles. Com certeza era minha mãe, só podia ser. Olhei pro carro do Boris não havia sem sinal do Castiel ali, pra onde ele tinha ido?