A substituta
1 Proposta
Notas iniciais
Finalmente era domingo, me levantei atrasada todos já deviam estar na igreja há essa hora, inclusive a madre superiora. Tomei um banho rápido e vesti meu traje, prendi meu longo cabelo castanho num coque e coloquei o véu.
Corri meio desastrada do meu dormitório até a igreja, passei pelo longo jardim, mantive minha cabeça abaixada pra não ter que encarar a estátua nua de Davi, essa escultura sempre me deixava constrangida e havia varias delas pelo jardim. Após desviar de tudo isso, parei em frente a estátua da virgem Maria e fiz o sinal da cruz.
Subi as escadarias da igreja e respirei fundo antes de abrir a porta, entrei silenciosamente e fiquei no banco dos fundos, sorri por ter conseguido chegar a tempo. Estava prestes a me concentrar em minha oração, quando vi uma garotinha assistindo um vídeo no celular e com fones de ouvido, reconheci que era uma das minhas alunas da escola dominical e sussurrei pra ela.
—Desligue. — Eu sorri.
Ela ficou me olhando de um jeito que não havia entendido.
— Por favor, desligue. — Dessa vez fiz um gesto com a mão.
Ela deu um sorriso presunçoso, e me mostrou o dedo indicador, depois o usou para aumentar o volume. Eu olhei pra ela chocada, as pessoas ao meu lado já começavam perceber.
Ela não deve ter ouvido, pensei.
Me recusava a pensar que ela estava sendo mal educada. Caminhei até ela e fiquei abaixada atrás do banco dela, me controlei pra não pegar o celular de sua mão, ao invés disso puxei um lado de seu fone e ela segurou.
Ela deve estar querendo brincar de cabo guerra comigo.
Comecei a puxar, e ela segurou, ao puxar mais forte o celular dela foi ao chão. Olhei perdida com o fone dela nas mãos, o volume do celular estava muito alto e soou pela igreja toda.
Todos encaram aquele aparelho no meio da igreja, inclusive o padre, eu corri pra pegar, mas acabei chutando pra debaixo de um banco, engatinhei até ele pra tentar pegar, mas alguém chutou mais longe. Quando consegui finalmente pegar, eu olhei pra cima e todos me encaram. A madre superiora me pegou pelo braço e me levou porta fora da igreja.
— O que foi isso? —Ela disse brava.
—Me desculpe, eu só sou um pouco desastrada.
—Um pouco? —Ela levantou a sobrancelha em ironia. — Enfim, venha comigo.
Ela me arranjou um balde e um esfregão pra que eu limpasse as estátuas como punição.
—Vou começar por Davi, Julian e tomas, por favor, aguardem. —Falei com a escultura.
Peguei um pedaço de pano e enrolei na cintura da estátua, eu não gostava de olhar pra eles nus, mesmo não sendo pessoas reais.
—Davi você não viu, causei um acidente com uma musica desrespeitosa. —Falei com a estátua. —Por que todos os pássaros usam o seu traseiro como banheiro? —Disse brava esfregando.
Assim que eu terminei, fui apressada pegar a moto rosa, eu ainda tinha que ir até a cidade buscar a minha passagem de avião para Roma.
—Lynn, você não precisa ir. —Disse a madre superiora.
—Eu tenho que ir, é a minha passagem. —Disse animada.
—Vai conseguir desviar dos animais na estrada? —ela me perguntou com a expressão preocupada.
—Eu guio bem agora. —Subi na moto. No passado causei uns acidentes e a madre acha que eu sou um caso perdido de desastre. — Voltarei sã e salva. —Coloquei o capacete.
A sensação de guiar pela estrada rural era libertadora, e sentir o vento bater no rosto. Olhei pelo retrovisor e vi um carro preto atrás de mim, fui pro canto da estrada dando espaço pra ele passar, demorou um pouco, mas ele me ultrapassou em seguida me fechou com o carro eu freei bruscamente. Olhei pra frente brava e vi descer um homem com cabelo loiro preso num rabo de cavalo e a pele bronzeada demais, ele estava bem vestido com um terno, olhei pra ele confusa.
Ele caminhou até mim e se escorou na minha moto.
—Irmã. —Ele disse. —Você conhece o Taylor, não é? —Esse é o nome do meu irmão gêmeo.
—Quem é você? —Perguntei desconfiada.
— Sou o Boris. Conhece o Taylor ou não? —Ele insistiu.
—Por quê?
Ele veio com a mão em direção ao meu capacete e o tirou.
—Vocês realmente são parecidos. —Ele disse olhando o meu rosto. Em seguida tirou uma foto do meu irmão do bolso e nos comparou.
Eu desci da moto e fiquei encarando ele, em seguida ele se aproximou de mim com a mão estendida, por impulso eu lhe dei um chute no meio das pernas, ele ficou sentindo dor e eu fiquei preocupada, mas logo em seguida ele tentou se aproximar de novo então eu bati com meu capacete em sua cabeça e subi na moto, dei partida e acelerei.
Ele entrou em seu carro e começou a me perseguir.
—Irmã, irmã. Por favor, espere. —Ele gritou com a cabeça do lado de fora da janela do carro.
Eu continuei acelerando, mas ele conseguiu emparelhar o carro com a minha moto.
—Irmã, seu irmão gêmeo. Aconteceu algo com o Taylor. — Eu freei a moto. —Vamos conversar.
Eu decidi escutá-lo, estacionei sob a sombra da arvore e ele me estendeu a foto do meu irmão, ele estava mais pálido que o normal.
—Irmã... —Ele começou.
—Não sou uma freira oficialmente, ainda sou uma noviça. —Ele olhou pros lados.
—Irmã em treinamento, —Disse ironicamente. —Vim até aqui pra dar uma importante noticia sobre o seu irmão.
—O que aconteceu? —Perguntei com o coração aos pulos.
—Ele foi escolhido pra fazer parte do famoso grupo A.N.Jell. —Ele começou a gesticular alegremente.
—A... O que? —Ele me olhou decepcionado.
—Irmã, você não os conhece? Enfim, seu irmão fará parte do grupo mais famoso do país.
—Ah ta. —Meu irmão era um bom cantor.— Mas qual o problema?
—O problema é outra noticia... —Ele se ajoelhou aos meus pés.
—Por que está fazendo isso? — Fiquei envergonhada tentando ergue-lo.
— Irmã.
—Não sou freira ainda.
—Irmã não, santa! Que tal? Ou talvez... Deus, Deus! —Fiquei olhando assustada pra ele, ele não parecia ser muito normal.— Salve seu irmão, por favor.
—Como farei isso? —Perguntei timidamente.
—Por favor, torne-se o Taylor.—Ele me olhou fixamente. —Vocês tem o rosto parecido e com as roupas adequadas isso poderá dar certo.
Eu fiquei olhando pra ele sem saber o que dizer, aquilo tinha sido a coisa mais absurda que eu já ouvi.
—Só preciso que se vista como ele, e assine o contrato com a gravadora em seu lugar, logo seu irmão estará de volta, por favor, faça isso por ele.
—Só assinar? Mas por que meu irmão não pode vir?
—Está tudo bem, aconteceu apenas um acidente. Mas se o contrato for assinado estará tudo bem. E então, aceita ir comigo?
Eu considerei um instante, eu tinha uma forte lealdade fraternal com meu irmão, e se ele precisa de ajuda é meu dever ajudá-lo.
—Tudo bem. —Eu disse.
Eu tive que voltar pra catedral e guardar a minha moto, segui no carro desse senhor até a gravadora, ele me deixou na frente e foi estacionar, vi um grupo de garotas paradas em frente a um grande portão com cartazes, e decidi me aproximar. A maioria usava asas de anjo e elas começaram a me encaram, minhas roupas de noviça destoavam de todos.
—Uau, vocês são anjos. — Eu disse encantada.
—Você é uma freira? —Uma delas se aproximou de mim me olhando de cima abaixo. —É de verdade.
— Não, eu ainda não sou.
—Ah, você está ótima. Foi uma grande ideia vir aqui assim. —Ela pegou a minha mão. —Até o anel!
Ela olhou meu anel no meu dedo indicador direito.
—Eles irão realmente te notar. —Disse uma garota de cabelo ruivo. —Estamos acampadas aqui há três dias, mas nem os vimos ainda.
De repente os seguranças correram em direção à entrada, as garotas foram atrás e quase me derrubaram, uma delas deixou cair um papel e eu fui atrás pra devolve-la.
—Ei moça. — Eu disse.
Uma van parou em frente a elas, e os seguranças abriram a porta, eu fiquei parada no lugar olhando na direção deles com curiosidade. Eu queria saber como eles eram, o primeiro a descer foi um rapaz com cabelos semi longo vermelho, ele passou com uma expressão séria pelas fãs, ele foi seguido por um rapaz de aparência mais simpática de cabelo branco num tom prateado, o terceiro rapaz parecia ser o mais sorridente cabelo grande pintado de azul. Os três vieram na minha direção pra entrar na casa e eu fiquei paralisada.
Madre superiora! Eu acabei de ver três belezas angelicais... Parecem as estátuas de David, tomas e Julian caminhando sobre a terra. Pensei
Cada um que passou por mim me lançou um olhar, o ultimo a passar, o garoto de cabelo azul parou sorrindo e me deu um autógrafo no papel que eu estava segurando, em seguida fez o sinal da cruz e me deu tchau. O lugar onde eu estava ficou vazio.
—Você é fã deles? —Disse o Boris se aproximando de mim. —Vamos, aqui está as roupas e a peruca. —Ele me estendeu uma bolsa.
Fale com o autor