A substituta
6 Correndo
Corri o mais rápido que eu pude pelos corredores, ele correu furioso atrás de mim, subi umas escadas, eu mal olhava por onde eu ia, eu tentei deletar o vídeo do celular dele enquanto corria mas não consegui. Quando olhei pra frente quase dei de cara com uma porta tentei abrir, mas estava trancada, eu estava encurralada. Do outro lado estava o Castiel, eu ainda tentava sem sucesso apagar. Ele se aproximou de mim ainda ofegante, tentei correr por ele, mas ele me pegou. Segurou o celular dele e começou a puxar, mas eu não soltei.
— Solta! — Ele gritou.
— Não.
—Acha que não vão descobrir mesmo se esse vídeo sumir? Você é tonta? — Eu o encarei. —Mesmo que isso desapareça você continuará uma garota.
—Tem razão. —Eu olhei pra ele. — Ser garota é algo que eu não posso evitar. —Eu olhei pra baixo.
—Solta. — Ele puxou o celular com força e eu o soltei, ele acabou jogando o celular longe.
Nós olhamos pra baixo pra ver onde o celular havia caído, e estava em cima de um caminhão.
—Por que você fez isso? —Ele gritou comigo.
—Disse pra eu soltar... —Eu disse baixo.
Ele me olhou irritado e desceu as escadas eu o segui, chegamos perto do caminhão e ficamos parados.
—Suba lá e pegue. — Ele mandou.
—Sim. — Eu disse.
Comecei a escalar, mas sem ajuda dele ia ser difícil. Eu olhei pra ele pedindo ajuda, ele de má vontade me impulsionou pra cima. Quando eu estava em cima do caminhão peguei o celular dele e analisei.
— Castiel, seu celular não quebrou. —Eu disse animada.
—Joga! — Ele gritou.
Eu joguei o celular pra ele, ele se virou de costas e ficou mexendo nele. De repente o caminhão começou a ir de ré em direção ao Castiel que não viu.
—Castiel... Está estranho.
—Sim está estranho, isso não funciona.
—Ah, parou! —O caminhão havia parado.
—Sim, parou de vez. — Ele disse ainda olhando o celular. Depois de um tempo se virou de frente pra mim, e levou um susto ao dar de cara com o caminhão que estava muito próximo dele. Depois olhou pra mim.
—Castiel... —Comecei.
—Por que ainda está ai?
—Não consigo descer sozinha.
De repente o caminhão começou andar, e eu fiquei desesperada olhando pros lados. Fiquei gritando o nome do Castiel, mas o caminhão se afastava e ele só ficava me olhando lá parado. O caminhão entrou na estrada, e eu me segurei pra não cair. Gritei pra que o motorista percebesse que eu estava ali.
—Socorro! — Ele passou por um quebra molas. —Moço, pare o carro. —comecei a chorar.
Eu estava com tanto medo, nem sabia pra onde o caminhão estava indo. Senti que logo eu ia cair dali, eu não aguentaria segurar por mais tempo.
—Tay! —Ouvi alguém gritar. — Segure firme, vou tentar Pará-lo.
Levantei um pouco a cabeça e olhei pra trás, era o Castiel correndo atrás do caminhão. Fiquei olhando pra ele completamente surpresa.
—Ei, pare. —ele alcançou o caminhão e bateu. Ele estava sem fôlego.
—Castiel... —Disse com lágrimas nos olhos.
O caminhão parecia estar indo mais depressa, Castiel foi ficando cada vez mais longe. Depois de um tempo, o caminhão parou no sinal vermelho.
—Tay desça, rápido. — Eu hesitei um pouco, olhei pro chão não conseguia pular dali.
Minhas pernas tremiam, eu me joguei dali no ultimo segundo sem olhar pra baixo, caí em cima dele que ficou gritando de dor. Quando nos levantamos, ele não disse nada pra mim, voltamos caminhando. Ele estava com as costas arranhada, sua camisa chegou a se rasgar atrás, nós dois mancávamos. Eu machuquei a perna e a mão na queda.
—Castiel. —eu comecei. —Você está todo suado por correr atrás de mim e ainda arranhou as costas... Obrigada. —Ele caminhava na frente, quando eu disse isso ele se virou pra trás.
— Sim, por sua causa estou sujo, fedendo e suado... —Ele olhou pra mim irritado. — E doente.
—Você está doente? —Perguntei surpresa.
—Como pôde acontecer algo assim comigo... __ ele falou com ele mesmo. — Estou abismado e perplexo. Então vou perguntar... —Ele olhou pros lados.— Sei que é ridículo, mas, isso é uma pegadinha?
—Como? —Perguntei sem entender nada.
—Perguntei se é uma pegadinha. —Ele colocou a mão na boca e falou num tom mais baixo. —Nathaniel? Pode sair com as câmeras. —Ele olhou pros lados e eu também. —Claro que isso não faz sentido, vou ficar louco.
—Pegadinha?... Acalme-se. —Ele parecia estar pirado.
—como posso me acalmar nessa situação. —Ele gritou. —Não sou esse tipo de pessoa, eu sou aquele tipo de pessoa. —Ele apontou pra trás de mim.
Eu me virei, era um outdoor dele em uma propaganda de celular. Ele estava todo arrumado e parecia outra pessoa. Voltei olhar pra ele.
—Desculpe causar tanto problema. Perturbei você porque queria fazer as coisas do meu jeito. — A expressão de raiva dele se acalmou um pouco, mas ele ainda parecia um louco.
—Chamam pessoas como você de incômodo.
—Por favor, me desculpe. Farei o que você pedir.
—Olha, ficar perto de você dá azar. — Eu olhei pra baixo, talvez ele tivesse razão. — Taylor, de alguma maneira você é... Bem perigosa. Zona de acidente ambulante, preciso evitar você. —Ele pareceu pensar. —Os acidente foram leves até agora, melhor parar. Não vou me meter na sua vida.
—Quer dizer que... —Eu o interrompi feliz. Ele não me entregaria. —Vai deixar passar?
—Eu disse que não ia me meter! E não que deixaria passar. Resolva isso e desapareça. — Ele se virou e recomeçou a andar.
—Entendo. —eu fiquei um pouco triste. —Pra não te perturbar mais deixarei de ser o Taylor.
Ele andou de depressa na frente, e eu mais lentamente. Não troquei mais nenhuma palavra com ele, quando cheguei em casa chamei a Rosalya e o Boris e contei que o Castiel tinha descoberto sobre mim. Boris ficou sem saber o que fazer.
—Por favor, conte tudo ao presidente Faraize. Me prepararei pra ir embora. —Saí de perto deles.
Tive que tomar outro banho quando cheguei, quando estava indo pra cozinha vi o Lysandre na sala.
—Sente- se ele disse. — Eu olhei pra ele meio confusa, e me sentei ao seu lado no sofá. — Mão.
Ele estendeu a mão dele aberta, e eu coloquei a minha mão na mão dele, quando fiz isso ele a apertou.
—Muito bem! —Ele disse. —Agora sei por que Alexy gosta de cuidar da Jolie.
—Jolie? Está falando da cadela? — Perguntei abismada. — Está dizendo que eu pareço um cachorro? —Tentei puxar minha mão, mas ele a segurou.
—Não se ofenda. Você de alguma maneira se parece com um filhote perdido. Sinto que tenho que te proteger e cuidar de você. —Fiquei olhando pra ele desconfiada.
—Mesmo assim é um cachorro...
Ele pegou um remédio e começou a passar na minha mão.
—Quer ouvir a história de um rapaz que foi dispensando por causa de um cachorro?
—Um rapaz estrangeiro, gostava de uma menina do país vizinho. Ele sempre dizia ‘’já almoçou?’’ ‘’dormiu bem?’’ em outra língua.
—E? —Não estava entendendo nada.
—Um dia ele quis saber se a casa dela era perto então disse: ‘’você mata cachorros?‘’ Então chorando ela disse: ‘’não mato cachorros!’’
Eu olhei pra cima tentando refletir sobre aquilo, eu não tinha entendido bem o que ele quis dizer com isso.
—É uma história triste. —Ele disse. — Ce garçon est moi.
—Garçon? — Perguntei confusa.
— Eu disse, o rapaz era eu. Fui dispensando por não saber falar a mesma língua que ela, então treinei até cansar. O que achou? Estou falando quase perfeitamente né?
— Sim, está. —eu sorri.
—Vejamos. — Ele colocou um curativo na minha mão. —agora podemos ser amigos?
—Sim. —Ele estava sendo a única pessoa legal comigo.
Ele se levantou levando o kit de primeiros socorros, eu fiquei olhando o curativo na minha mão, me levantei em seguida pra ir pro meu quarto descansar, encontrei o Alexy olhando pela janela com uma expressão estranha, ele deixou cair a maçã que estava comendo e eu a peguei.
—Alexy, você deixou cair isso. —eu estendi a maçã pra ele, ele fez uma expressão de pânico e ficou uns instantes pensando. —Alexy?
—Não, pode ficar. — Ele colocou as duas mãos no rosto.
—O – Ok. — Ele passou por mim com as mãos no peito, se afastou tentando não encostar em mim.
Olhei pra maçã e pro curativo. ‘’ todos estão sendo tão legais comigo, ficarão decepcionados amanhã quando descobrirem a verdade sobre mim. sinto muito Taylor, eu tentei proteger seu sonho mas estraguei tudo.’’ Pensei.
Meus olhos começaram a se encher de lágrimas. ''madre superiora! Você disse que eu devia ver o mundo, mas aqui vejo que sou uma inútil nele. ’’ respirei fundo.
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