A substituta
7 Serei capaz de encontrar?
No dia seguinte arrumei minhas coisas, eu estava pronta pra contar ao presidente Faraize, ainda não tinha conseguido nenhum contato com o Boris. Fui na van da banda, juntamente com Lysandre e Alexy, caminhei pela gravadora atrás do Faraize, encontrei um executivo que entrega as cartas dos fãs.
—Com licença. —Eu disse. —Você sabe quando o presidente voltará?
— Ele disse que vai trabalhar em algo e só volta mais tarde.
— Ah, entendi. Será que posso esperar no escritório dele?
—Sim, claro. — Ele sorriu, quando eu ia me virando pra sair ele me chamou. —Ah Tay, uma senhora simpática vestida de vermelho pediu pra que lhe entregasse isso.
Ele me estendeu uma carta com envelope vermelho eu a peguei.
—Pra mim? —Perguntei surpresa.
—Sim, sua primeira carta de fã. Parabéns!
Uma fã? Assim que ele saiu, eu abri o envelope, esperei tirar dali uma carta mas havia uma foto, demorou um pouco mas eu reconheci que naquela foto estávamos meu pai, meu irmão e eu. Como alguém poderia ter essa foto?
Sai correndo atrás do executivo que havia me entregado o envelope.
—Quem lhe deu isso? —Engrossei a voz. —Onde ela está?
—Ela disse que esperaria nos portões.
Quando ele terminou de falar eu corri novamente, tinha que alcançá-la, essa era a primeira chance que eu tinha de encontrar algum parente meu, e ela poderia ser minha mãe, a conversa com o Faraize podia esperar. Corri o mais rápido que pude até a entrada e passei no meio das fãs da A.N.Jell. Comecei olhar em volta, não vi nenhuma senhora vestida de vermelho.
—Com licença. —Me aproximei de m grupo de garotas, elas me olharam boquiabertas.
—V – Você é o Tay. —Disse uma garota de cabelos violeta.
—Viram uma senhora por aqui?
—Como? —Ela me olhava como se eu fosse de outro mundo.
—De vestido vermelho. Viram ou não? —Ela assentiu que sim com a cabeça. — E então?
—Ela foi agorinha pro metrô. —Ela apontou a direção da estação sem tirar os olhos de mim.
—Obrigado. —Eu saí correndo.
Cheguei depressa na estação, olhei pros lados e não vi nenhuma senhora de vermelho, pulei a catraca e continuei procurando no lugar de embarque, eu já começava a ficar desesperada.
—Ele não é da A.N.Jell? —Um grupo de garotas me olhavam com curiosidade, mas eu não dei atenção.
De repente alguém puxou a minha touca pra que ela cobrisse o meu rosto, me virei pra trás pra ver a pessoa, era o Castiel com grandes óculos escuros. As garotas começavam a se exaltar a nossa volta, ele me puxou pra sairmos dali, mas eu não quis acompanhá-lo.
—Me solte, eu tenho que encontrar alguém.
—A não ser que queria que as pessoas te reconheçam e te ataquem, pare. — Olhei em volta, e isso estava prestes a acontecer.
Ele me puxou de novo e eu me deixei levar, entramos no carro dele então eu disse.
—A senhora que trouxe essa foto, deve conhecer meu irmão e eu. Talvez... Ela seja minha mãe. —Ele me olhou por um instante. — não vou ficar decepcionada mesmo se ela não for pelo menos ela me contará um pouco do que aconteceu. —Me virei pra ele. —Ela voltará, não é?
Eu abracei a foto, aquilo era tudo que eu tinha. Ele ficou em silencio por um longo tempo.
—O que fará? —Ele disse rispidamente.
—Hã? —Olhei pra ele confusa.
—Mesmo que ela voltar, você não estará mais lá. Você prometeu que desapareceria, lembra? —Disse monotonamente.
—Castiel, eu tenho que encontrar a minha mãe...
—Pare. Odeio pessoas que contam a sua triste história e ficam se lamentando.
— P — Pelo menos até que ela volte, deixe- me ficar.
—Não. —Ele disse friamente. —Você já era, nada mudou. —Tínhamos chegado em casa. — Desça.
Eu desci ainda perplexa com a frieza dele, parecia que eu tinha sido congelado a 100 graus negativos. Ele arrancou com o carro e saiu em disparada, mas eu estava decidida, eu ia ficar. Até agora eu havia ficado aqui pra substituir meu irmão contra a minha vontade, mas agora eu tinha um motivo pra ficar e queria ficar. E iria suportar o que viesse.
No dia seguinte, descobri pelo Boris o nome do hotel onde o Castiel estava hospedado, eu fui decidida a falar com ele, o encontrei fazendo sua caminhada matinal ao me ver ele parou de mau humor na minha frente.
—Veio implorar? —Ele disse tirando os fones de ouvido.
—Sim, vim implorar. —Disse normalmente. —Castiel, por favor, guarde isso. — Eu lhe estendi o meu o anel que sempre usava no dedo indicador.
— O que é?
— A pessoa que me criou me deu isso, essa é a coisa mais preciosa pra mim.
—E daí?
—Isso é uma garantia que não irei te incomodar, quando eu achar a minha mãe você me devolve, deixe- me ficar.
—Então você acha que encontrará sua mãe? —Perguntou ironicamente.
—Eu acredito de coração, então creio que a encontrarei. —Eu continuava com a mão estendida oferecendo o anel.
—Vejamos se consegue encontrar algo... —Ele pegou o anel da minha mão e analisou. —Com seu coraçãozinho. — Ele jogou meu anel, em m riacho em frente ao hotel.
— Meu anel! — Eu disse perplexa.
Corri até a beira pra ver se eu conseguia vê-lo dali e em seguida encarei o Castiel, muito brava.
—Quando te abandonam acabou. Sua mãe te abandonou e o anel desapareceu. Então fingir ser o Taylor termina aqui.
Eu o ignorei e caminhei até ele irritada, cheguei perto dele e o empurrei com força ele me olhou surpreso.
—Eu disse que era precioso pra mim. —Eu gritei.
—Viu, você está brava porque acredita que não irá encontrar o anel.
—Eu vou encontrar. —Eu disse entre dentes.
—Então tente. —Ele olhou pros lados. — Se conseguir encontrar, confiarei em você e deixarei essa historia passar.
Ele virou as costas pra mim e saiu andando.
—Eu encontrarei e mostrarei a você. —Eu gritei, lutando pra que as lágrimas não saíssem.
Eu pulei na água e comecei a minha busca, a água estava muito fria e eu tropecei em algumas pedras e molhei minhas roupas. Passaram-se minutos, horas e nada de eu achar o anel, o sol já estava se pondo, mas eu não iria desistir. Respirei fundo.
‘’Eu posso encontrá-lo’’ Pensei.
Continuei minha busca, e já estava de noite, a iluminação do hotel me ajudou a enxergar. Eu descansei uns instantes nas pedras e continuei, eu tinha que provar pra ele que eu podia achar. Abracei meu corpo, eu estava com frio, provavelmente ficaria resfriada. Tão determinada, eu nem vi o dia amanhecer e continuava a minha busca.
—O que está fazendo? —Alguém me perguntou.
Eu mal sentia meu corpo, parecia que eu estava no automático, meus olhos focalizaram a pessoa que falou comigo e era o Castiel com uma expressão incrédula.
— Eu o encontrarei. —Eu disse.
—Ei, desista, saia daí. —Ele disse bravo. Eu o ignorei e continuei procurando. — Não precisa procurar mais, saia daí. —Ele disse com um tom de piedade. —O anel ... Está aqui.
Eu me virei pra olhar ele, e meu anel estava entre seus dedos. Eu fiquei encarando a mão dele por um tempo então caminhei até ele.
—Sim, você é determinada, já chega. — Eu segurei a mão dele.
—Eu achei. —Disse emocionada. —Encontrei. —Olhei nos olhos dele. — Você que não confia em mim o escondeu, mas eu o encontrei.
—sim, você encontrou. —Ele disse vencido. Eu tomei o anel da mão dele. Ele se assustou pelo meu movimento brusco.
—O que? Vai me bater?
Ao invés disso eu cheguei perto dele e abracei bem forte, ele ficou paralisado.
—Obrigada Castiel. Muito obrigada — Comecei a chorar com a cabeça encostada em seu peito.
Ele começou a me empurrar, mas eu não o soltei, então ele desistiu.
—Eu sou famoso. Terei problemas se ficar sendo abraçado por outro cara. —Eu ri e abracei mais forte, era aconchegante ficar assim com ele.
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