A sua cor

45 Um novo espião


Notas iniciais
Apesar do longo tempo, estou de volta. Como já disse algumas vezes, abandonada a fic não fica! haha Espero que gostem... E agradeço, claro, as duas betas mais lindas desse mundo: Daniela e Amanda. Obrigada pela paciência de sempre, meninas.

– Malfoy?! – exclamaram, juntos, Harry e Rony.

– Hermione, você não pode estar falando sério. Você esqueceu de quem estamos falando? Draco Malfoy! – Harry estava exasperado, e Hermione entendia. Mas estava tão claro que ela não podia fazer nada senão insistir na ideia que, apesar de descabida, era a solução.

– Harry, para e pensa! – ela implorou, esperando que o amigo entendesse – O Malfoy me ajudou enquanto estava na Mansão, ele está claramente perturbado com as proporções que a guerra tomou, ele pode querer ajudar e...

– Não vou envolver o menino nisso. Está fora de cogitação. – a voz áspera sobressaiu a de Hermione, fazendo com que todos na sala saíssem de suas contemplações para olhá-lo.

– Severo... – tentou Lupin, em vão.

– Não. Não colocarei Malfoy no meio disso. Não colocarei ninguém no meio disso. – ele estava decidido, e sua deixava claro que ninguém o faria mudar de ideia.

– Hermione já está no meio disso, Snape. Vai sacrificá-la pelo Malfoy? – e, quem diria, Potter colocou tudo em uma outra perspectiva, fazendo sua certeza cair por terra, colocando o bruxo em mais uma daquelas decisões impossíveis.

– Harry! – repreendeu Hermione, mas Harry não a escutou.

– Você prefere colocar a Hermione em risco a pedir ajuda ao seu afilhado?

– Harry Potter! – advertiu ela, assustada com o veneno nas palavras do amigo – Já chega! Você não percebe? Não é uma questão de escolha, é sobre colocar alguém no meio da guerra exercendo um papel que não está preparado. Não seja tão estúpido.

– Acontece, senhorita Granger, que o senhor Malfoy já está em uma situação muito difícil. Pedir que ele escolha o nosso lado pode ser sua redenção. Sei o quanto deve ser doloroso, Severo, mas pense nisso. – Minerva falou pela primeira vez e, como sempre, escancarando a verdade, mesmo que dolorosa.

A cabeça de Snape girava. Potter, por mais que Severo não quisesse admitir, estava certo; e Minerva também estava. Mas como ele poderia fazer aquilo com o próprio afilhado? Com um garoto?!

“Sei o quanto deve ser doloroso, Severo, mas pense nisso”. As palavras de Minerva gritavam na sua cabeça, implorando para serem levadas em conta. “Você prefere colocar a Hermione em risco a pedir ajuda ao seu afilhado? ”.

– Eu vou fazer isso. Vou me entregar – disse Hermione – E mesmo que você me amarre, eu vou fazer isso. Você tem apenas a função de facilitar para mim, de me ajudar. Malfoy está conosco. Ele pode fazer isso.

– Você não vê o que isso faz comigo? – ele negava incessantemente, como se o movimento repetido pudesse fazê-la entender – Entregá-la?

– Você não está me entregando, Severo! – apesar do desespero evidente na voz, Hermione tentou soar o mais paciente possível – Estou indo por vontade própria.

– Você será a barganha dele, não vê?! – os passos largos em volta da sala pequena deixava pouco espaço para ele extravasar a raiva, a culpa, a preocupação, o medo...

– Eu vejo – foi Harry Potter quem respondeu dessa vez – Eu vejo, Snape, e essa é uma culpa que prefiro carregar sozinho. Ele vai ameaçar machucá-la se eu não me entregar, será a sua carta na manga. E nós sabemos que isso será preciso em algum momento... que eu terei que me entregar.

– Harry... como, você... como? – Hermione ficou momentaneamente perplexa. Como ele havia descoberto? Ele sabia o tempo todo que era uma horcrux? A cabeça de Hermione girava.

– Não sou tão cabeça oca assim – sorriu triste para a amiga, enquanto algumas fichas caiam na sala.

– Você está dizendo... – Rony tentou articular alguma coisa, mas foi Minerva quem caiu em si primeiro, buscando apoio na cadeira mais próxima.

– Mas se você se entregar... Ele vai matá-lo! – tentou o Weasley mais novo.

– Não é nenhum segredo que vamos duelar em algum momento. Ainda há chances – Harry mentiu, buscando no olhar de Hermione a certeza de que ela não o contradiria. Afinal de contas, ninguém precisava saber que Harry Potter não sobreviveria uma segunda vez para que Voldemort realmente caísse.

– Oh, Potter! Claro que há chances – Minerva sorriu um pouco mais animada, o susto inicial da quase revelação se dissipando aos poucos.

– Ainda acho isso inútil – falou Ron, ainda que meio desconfiado e muito atordoado pela revelação do amigo – Malfoy não vai escolher um lado, ele só tem o dele.

– E eu acho que você não está completamente a par da situação para dizer bobagens, Weasley. – cuspiu Snape. Os nós dos dedos ainda mais brancos e os olhos ônix brilhando indicavam como Draco era um assunto delicado para Severo.

– Acho que vale a pena a tentativa... – Lupin falou, olhando em expectativa para Snape. Mas foi Hermione quem respondeu.

– Nós vamos pensar. Ainda temos alguns dias... eu e Severo podemos conversar. Talvez haja um outro modo. – a voz, apesar de otimista, contracenava com uma realidade nublada. Todos sabiam que não havia outro modo. Ou eles contavam com Draco, ou então estaria tudo perdido.

E Hermione estaria morta.

...

Quando não havia mais nada a ser dito, Severo indicou discretamente à Potter um cômodo vazio da Casa das Conchas, para que finalmente o garoto soubesse como seria o desfecho da guerra se tudo saísse como o planejado.

Não estava nos planos de Severo contar tudo ao garoto, assim como também não estava em seus planos se apaixonar. Apaixonar... soava tão surreal para ele. Mas era o que era, e ele tinha que ter certeza que Hermione ficaria segura. Mesmo que isso significasse pedir alguma coisa a um Potter.

– Eu não entendo. – os olhos vibrantes que tanto o atormentaram brilhavam surpresos para ele.

– Potter – suspirou – Malfoy desarmou Dumbledore antes de eu... antes da concretização do plano. É crucial que você desarme Draco. Apenas desarme.

– Mas... – não era isso que Harry não estava entendendo.

– Só escute. – pediu Severo, impaciente – Nossas chances serão maiores se você for o mestre. E é crucial que você entenda isso.

– Mas ele vai matá-lo! – Harry estava assombrado. Snape, no entanto...

– Você acreditava que eu sairia ileso disso, Potter? – bufou ele, um riso seco e desprovido de qualquer emoção ecoando nas paredes gastas da casa.

– E a Hermione?!

– Ela não pode saber. – descartou o bruxo, deixando claro para Harry que era essencial que a conversa se mantivesse entre eles.

– Mas...

– Ela não pode saber. – insistiu Severo, algo na sua voz, sempre firme e decidida, soou diferente dessa vez. Harry tentou identificar o que era, e parecia muito com desespero. Mas a ideia de Severo Snape desesperado soava muito surreal para o menino.

– Então o que vai ser? Vai fazê-la acreditar que há uma chance quando na verdade você já é um homem morto?

– Não é que temos algo em comum, Potter? – o sarcasmo pungente era a única coisa que provava que ainda era o sádico mestre de poções ali.

– Você está troçando disso! – a voz indignada da Harry soara mais alta e acusatória do que ele pretendia, fazendo-o se arrepender tardiamente quando em poucos passos o bruxo cruzou a pequena sala, farfalhando a capa atrás de si de maneira ruidosa.

– Nunca mais diga que estou brincando com os sentimentos de Hermione. Nunca.Mais. – o dedo em riste fez Harry recuar, assustado com o filme de emoções que cruzava o rosto até então inexpressivo do homem a sua frente. Isso era novidade para o menino grifinório. A acusação do ex professor também o pegou desprevenido.

– É diferente. – descartou ele, no entanto. Não há solução para mim, mas talvez haja para você!

– Claro... – bufou em descrença – Potter, ela não pode saber. – era quase uma súplica – Seria... ela ficaria abalada, tentaria alguma loucura para salvar uma vida.

– Não uma vida, a SUA vida. Do homem que ela... que ela ama.

– Potter. – o tom de voz era de aviso – Não é sobre isso que vim conversar com você. Não torne isso mais desconfortável.

– Por Merlin! Você tem que conversar com ela! – Harry não se intimidou. Era sobre sua amiga, sobre a felicidade dela. E também era, mesmo que ele não admitisse naquele momento, por Severo. Era inacreditável que o homem ia morrer! Depois de tudo! Dos anos como espião, das mortes, de Dumbledore... Era injusto, e não havia palavra melhor para definir.

– Potter, entenda, você quer ver sua amiga se sacrificando por mim? O homem que possibilitou a morte da sua mãe e querido pai? A pessoa que salvou a sua vida e a do idiota do seu amigo Weasley durante todos esses anos pelo homem que você odeia? Acho que não. Então faça o que mandei e teremos uma chance. – ele já estava com a mão na maçaneta quando Harry fez a pergunta.

– Você a amava? – e Severo não precisava responder, os músculos de seus ombros, enrijecidos, respondiam por ele. – Você a ama? – não Lílian, Hermione. E Severo também não precisava responder.

– Isso tem que acabar. Você, Hermione, todos têm que ser salvos. É isso que eu sei. É preciso.

– Você decide. – Harry suspirou – Mas Hermione não é burra, você sabe. Ela vai entender que algo está errado. Vocês dois tem uma... não sei do que chamar, ligação talvez. Mas ela meio que... sente quando algo está errado com você. Ela vai saber.

– Vou pensar em uma maneira. Isso é tudo. – Harry sabia que não havia mais nada a ser dito. Severo não cederia, e sua amiga sairia ilesa da guerra. Mas a que preço? Perdendo o amigo, Severo e, talvez, os pais – já que não era garantia que ela os encontraria quando tudo acabasse.

– Tudo bem. – foi tudo o que Harry conseguiu dizer, no entanto. – E Snape – chamou quando o bruxo já estava saindo – Obrigada. Por tudo... e desculpe. Por tudo também.

– Você não tem que fazer isso, Potter. Tem todos os motivos do mundo para me odiar.

– E eu não odeio. Desculpa se isso tira o peso da culpa que você tanto se mantém fiel, mas eu não odeio. O senhor tem cuidado de mim todo esse tempo e...

– Potter, não faça isso. – ele finalmente tinha virado para encarar não somente Potter, mas o seu passado materializado. Seu passado na pele de um menino que ele tão injustamente jogou a culpa por anos – Você não sabe os motivos que levam a te proteger.

– Foi a minha mãe, eu sei. Mas...

– Eu não gosto de você. – sua voz quase contrariou a afirmativa – Quer que eu seja mais claro? Só estou mantendo a minha promessa.

– E quanto a Hermione? Só está mantendo a promessa também? – gritou Harry, mas Snape já alcançava o corredor.

“Não é mais pela promessa, Potter”, ele pensou. “Não é mais pela promessa há muito tempo”.

Mas isso ninguém saberia.

...

Severo havia aguçado a curiosidade de Hermione além do limite ao sair da sala para conversar com o menino-que-sobreviveu. Não era o que ela esperava. E imaginar o que o levaria a ficar na mesma sala que Harry por quase uma hora fez seu coração apertar.

– Então... você e Harry conversaram? — ela tentou, receosa tanto pela intromissão quanto pela possível resposta dele.

– Repassamos o plano, isso é tudo. – A mentira. Isso a preocupou e a magoou na mesma intensidade.

– Claro. – ela decidiu limitar sua curiosidade, mesmo que a sua cabeça gritasse por perguntas – E porque saiu da sala tão afetado?

Ele considerou antes de responder, logo depois a pegou pelo braço para conduzi-la e murmurou, frio: — É o Potter. Isso basta.

Mas ela sabia que não bastava.

***

O silêncio reinava quando eles chegaram ao chalé naquela noite. Havia muito a ser dito, mas nada que mudasse os fatos. Snape sabia o que tinha que fazer, ele só não queria. Aliás, essa era a vida que ele seguiu desde sempre, uma que não era dele. E quando finalmente pensou que poderia escolher, o destino brincou com seus sonhos tolos e mudou todo o rumo. Só que dessa vez ele estava levando outras pessoas com ele, pessoas que não mereciam em absoluto o risco.

– Severo. – a voz doce o chamou, distante, tirando-o dos pensamentos difíceis. Ele apenas a olhou, instigando-a a falar.

Snape viu como a jovem remexia as mãos num movimento inconsciente. Viu como ela lutava contra a enxurrada de perguntas e pensamentos; observou como o olhar dela transparecia toda a sua angústia, todo o seu medo. Ele realmente queria fazer alguma coisa para ajudá-la, mas ele não tinha nada para oferecê-la naquele momento – e talvez nunca tivesse. Nenhuma palavra confortável, nenhuma pintura de um futuro promissor, nem mesmo uma garantia de que conseguiria fazer o garoto Potter vencer a maldita guerra. Nada.

E o nada o sufocou. Era tanto nada que ele quis gritar.

– Por que Dumbledore insistiu nesse casamento?! Isso é tão perigoso para você! Não vou poder protegê-la, não vou poder fazer nada! Além de ter matado o mais próximo que tive de um amigo, terei que ensinar meu afilhado a ser um espião duplo! E como se tudo isso não bastasse, ainda terei que te entregar para o Lorde das Trevas! PORRA!

– Severo...

– Não chega perto de mim, Hermione. – a voz, apesar de quebrada e cansada, era firme. E ela parou onde estava, sem saber se desobedecia ao pedido ou se o deixava. Hermione viu uma das últimas máscaras de Severo ruir, para mostrar, enfim, o medo, a fragilidade. E ela não quis deixá-lo sozinho.

– Você já enfrentou muita coisa sozinho, Severo. Não vou deixá-lo. – e com movimentos cuidadosos, colocou os dedos trêmulos nos ombros largos de seu marido, sentindo-o estremecer ao toque. Mas quando ela tentou se aproximar mais, Severo se afastou bruscamente, virando-se de costas.

– Preciso ir para Hogwarts. Preciso ver o menino Malfoy. – a frieza na voz dele fez o coração de Hermione partir. Há muito tempo ele não falava assim com ela, quando antes não era importante. Mas agora... Severo era parte dela. Talvez fosse a guerra que intensificava tudo a um nível muito mais dramático, mas algo dentro dela dizia que não, que ela o amaria desse jeito quase louco independente de contexto.

– Tudo bem. – ela disse simplesmente, temendo irritá-lo com perguntas que ela já sabia as respostas. Mas quando ela o viu caminhando para a lareira, algo dentro dela despertou. Ele simplesmente não podia sair assim, não podia deixá-la sozinha naquele chalé estúpido tomada por incertezas. – E quando voltar, vai finalmente falar comigo? – no instante que falou se arrependeu, vendo os músculos dos ombros se enrijecerem e os punhos se fecharem.

– Falar o que? Combinar a hora exata que eu vou te levar para o Lorde? Ou te dizer que não levarei e assistir você fazer alguma besteira? Falar o que, Granger? Ou devo dizer, Snape – já que faz a maldita questão.

– Qual é o seu problema? – ela recuou, indignada com as palavras ácidas dele.

– Eu tenho uma lista deles, Hermione. Quer começar por qual?

– Está agindo como um idiota. – acusou, unindo todas as forças para não chorar na frente dele.

– Não sou o único aqui. Agora se me der licença, tenho um garoto para aliciar, corromper a um caminho desgraçado o qual eu me coloquei no passado. E um outro garoto para guiar até o fim da guerra sabendo que ele vai morrer de qualquer forma. – ele respirou fundo. Sabia que tinha dito coisas ruins, mas era apenas a constatação da realidade. Sabia que tinha magoado a última pessoa que desejava magoar, mas ela tinha que enxergar! Enxergar o quanto era tóxico estar com ele, o quanto aquilo não tinha futuro. Mas ainda assim ele não conseguiu simplesmente deixá-la.

– O que você quer, Hermione? – ele perguntou no meio de suspiro, revelando a angústia e o cansaço.

E o que ela queria? “O que eu quero?”, ela bufou em pensamento. Hermione queria muitas coisas naquele momento. Sabia que era errado cobrá-lo daquela maneira, sabia que era inútil – para não dizer egoísta – exigir algo dele. Mas...

– Merlin, Hermione, o que você quer? – ele perguntou, mais firme. A realidade esmagadora estava deixando-o sem ar. Hermione fungou.

– Você. – a simplicidade da palavra veio com um dar de ombros e um soluço abafado – Você. – repetiu, mais decida. Decidida a não se intimidar pelo sentimento poderoso que só fazia crescer em seu coração. Decidida a fazê-lo entender o quanto era amado. – Quero que por um momento você ignore a improbabilidade do nosso futuro e me fale de coisas boas. Sei que é um pedido tolo, e sei que você não vai me iludir com promessas vazias.

“Mas eu quero muito, muito que você me fale de como seria se tudo isso acabasse e sobrevivêssemos. Se ficaríamos nesse chalé ou se nos mudaríamos. Se você continuaria dando aulas ou se abriria a sua sonhada botica. Se nós ficaríamos casados para sempre, e... se faríamos amor em todos os lugares que fossem possíveis.” – ela se permitiu brincar, um sorriso mínimo desenhou seus lábios finos.

– Eu... eu não... – ele suspirou, tentando fugir do olhar dela.

– Pode, eu sei. Sei o quanto é tolo. E dizer isso me fez sentir ainda mais ridícula. Mas é como você diz... grifinórios! E eu sou a pior deles – o riso amargo que ela dera não combinava com a sua personalidade. Severo lamentou isso profundamente. Hermione estava sofrendo e se tornando amarga. Não era o que ele queria.

– Você sabe que não posso deixar todas as minhas promessas de lado. Eu nunca iludi você. – ela ia falar, mas ele continuou – Sei que não está me culpando, mas é importante que eu fale. Você sabe que não vou sobreviver. E se você estava se iludindo, então saiba de uma vez por todas: não vai acontecer. E se Malfoy quiser ficar no meio disso, farei de tudo para protegê-lo, assim como farei de tudo para proteger você. Darei a minha vida por isso. Mas não me faça falar de um futuro que não existe. Desista. – e sem mais uma palavra, ele sumiu pelas chamas, deixando uma Hermione desolada para trás.

As palavras dele deixaram-na tonta. Ela quis vomitar. Como, ela se perguntou, COMO as coisas podiam mudar de um dia para o outro de uma maneira tão absurda? Hermione gritou e chorou, assustando Bichento que nunca tinha visto a dona assim, tão inconsequente.

Ela sentia-se tola por ter cobrado um futuro dele. Mas também se sentia humilhada pela sua resposta obstinada e, ao que tudo indicava, imutável. Hermione não sabia mais o que pensar, e pela primeira vez ela não queria. Sua cabeça doía de uma maneira insuportável, e tudo que lembrou antes de cair num sono profundo foi de conseguir arrastar os pés até a poltrona. Até aquela maldita poltrona negra.

Notas finais
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